terça-feira, 27 de setembro de 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Coisas que nunca pensei

Recentemente, ando a descobrir que a vida é demasiado imprevisível. Demasiado porque muito mais do que alguma vez pensei, eu, senhora dona de um espírito planeador e organizativo à exaustão. Por exemplo, nunca me passou pela cabeça:

- voltar a ter lápis de cor dentro do meu estojo;

- voltar a ter o bichinho da América (leia-se Nova York);

- chamarem-me "Senhora Professora" antes sequer de ter um título académico (licenciada nunca contou, não venham com coisas...);

- admitir que a Soraia Chaves é uma senhora;

- viajar de autocarro em Lisboa diariamente e gostar;

- voltar a ter orgulho no Sporting.


Não me estou a queixar, entenda-se. É uma mera constatação de factos.






S.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Há um ano

Primeira coisa que o Facebook me mostra quando o ligo hoje:


Oh Facebook, porque me torturas assim!


S.

sábado, 10 de setembro de 2011

They grow up so fast

Ontem, pela primeira vez em 4 anos, apanhei uma avaria na linha do metro de Lisboa, e atrasos, tendo consequentemente de ir a pé porque autocarros urbanos não são comigo.

O meu metropolitano 'tá a ficar crescido, oh, a avariar como os metros grandes =')






S.

Furacões e papel higiénico

Há uns tempos, numa pesquisa online em trabalho, deparei-me com uma preciosidade que me causou grande espanto e um "uaaaaau..." assim daqueles que se dizem baixinho, em tom de respeito e fascínio.

Que preciosidade foi essa?

Um .pdf muito detalhado e - note-se! - oficial e completamente formal sobre todos os passos a dar em caso de desastre natural. Um plano norte-americano. Note-se que não era um folheto daqueles com pontos, do tipo dos que nos dão na escola sobre "O que fazer em caso de incêndio". Era uma coisa muito longa e com detalhes, do género: a quantidade de comida que se deve ter sempre em casa para se estar preparado para estas coisas, os litros de água que se de levar, por pessoa e por dia, no caso de evacuação, listas de coisas a ter à mão e para levar no carro, o que fazer com os animais, onde ter o dinheiro, quanto ter, etc.

Ora, eu, enquanto me ia apercebendo que não estou preparada para um ciclone/terramoto/incêndio/cheia colossal/desastre natural no geral, entrava em pânico moderado (como acho que é a intenção inconsciente dos autores daquele plano...). Só apetecia era imprimir aquilo, encadernar e levá-lo sempre comigo, assim agarradinho ao peito possessivamente "Aqui está a minha salvação em caso de furacão!" - muito frequente em Portugal, como se sabe.

Como estava a dizer, houve um misto de fascínio, surpresa e pânico. Mas que durou só a leitura. E ainda bem. Porque acho que não conseguia cumprir o plano. Falhava logo a parte o stock alimentar. Porque eu, desde que sou housewife que me apercebi que não sou mulher de stocks. Não consigo o feito que muita gente consegue de ter largas quantidades de coisas para gastar/comer/utilizar que durem meses. Muitas vezes para azar meu, porque se utilizo mais do que o esperado ou se faço uma refeição diferente estrago o stock todo e os complicados cálculos das refeições da semana.

Eu compro para a semana. Talvez me tenha ficado da primeira experiência como housewife em Londres (verdadeira housewife aí, fazia tudinho em casa, o D. era o breadwinner trazia a nota, que família tão tradicional como quer a Igreja e o Estado, que família feliz, pena foi viver em pecado, pode ser que o voluntariado agora me redima aos olhos do Senhor), eeer... onde é que eu estava? Ah, hábito que ganhei de o salário do breadwinner ser recebido à semana e eu fazer as compras de 2a até domingo. Lista de refeições, o que iria fazer para cada uma delas e comprar os ingredientes. Não ter despensa e uma cozinha pequena, e muito tempo livre para estes planeamentozinhos todos contribuiu para a ausência de stocks. E um hipermercado do outro lado da rua também.

E agora mantenho o hábito. É a mentalidade do temporário que adotei e que está para durar nos próximos anos. Mentalidade de emigra-a-qualquer-momento.

Exceção feita ao papel higiénico. Esse tenho pilhas dentro dos armários. Porquê? Porquê?! Ora essa, porque não?...

Não tem explicação, não. Fui às compras, e apesar de não estar na lista (e eu cumpro SEMPRE a lista de compras) deparei-me com o corredor dos papéis higiénicos e um impulso de trazer um pacote deles subiu por mim a cima (ou desceu por mim abaixo, nunca sei), e pumba para dentro do carrinho. Ainda olhei para aqueles pacotes enormes, que nem cabem no carrinho, e pensei "Pff, quem é que compra papel higiénico para o ano inteiro?!".

Quando cheguei a casa, ao arrumar os meus novos rolinhos de p.h. deparei-me com mais 10. Pumba, engole o gozanço... Lá fui eu fazer pilhas de rolos, intervalando os de folha fina com os de folha dupla (sim, há toda uma gama de p.h. diferente. Há que variar para não habituar).

Conclusão:

Na eventualidade de um furacão/terramato, posso morrer à fome. Mas pelo menos morro limpinha.

E com esta bonita imagem termino o post mais estranho deste blog.




S.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Não me mexam na língua!

Quando soube que o Jornal de Letras iria ser acompanhado por um livrinho explicativo do Acordo Ortográfico decidi comprar a edição desta semana.

Nunca fui contra o novo Acordo que parece indignar tanta gente, gente que chega a levar mesmo a peito as alterações e o considere um atentado à língua portuguesa (ainda que mais de 90% não saiba realmente o que vai mudar).

Não sou contra as pessoas que são contra o Acordo Ortográfico - felizmente vivemos em democracia há quase 40 anos e a liberdade de expressão e opinião são direitos consagrados na nossa lei fundamental.

O que me irrita mesmo é a ignorância e a estupidez, que leva muita gente a defender o seu desacordo com o Acordo com argumentos como "ai Jesus que agora vamos passar a escrever 'fato' em vez de 'facto' e 'pato' em vez de 'pacto'. Que ridículo Sócrates, hádes querer ser eleito outra vez, hádes." Que amor tão grande à língua portuguesa que os deixa assassinar a linguagem com tal desenvoltura.

Ser contra o Acordo é muito fácil; manter as coisas como estão é infinitamente mais simples e cómodo do que mudá-las. É normal, expectável (oh oh, expectável, e não expetável, porque o 'c' lê-se, minha gente) até, a resistência à alteração de algo que sempre foi assim desde os nossos 6 anos. Especialmente em algo tão pertencente à nossa identidade como é a língua. Eu, sendo uma freak da ortografia e da gramática, linguista-em-potência, compreendo bem esta relutância. Não compreendo é o histerismo.

Então, porquê ser a favor do Acordo?

Para mim, é muito simples: as línguas evoluem. Particularmente a grafia. Se assim não fosse, ainda escreveríamos em Português Medieval. Não indo tão longe, ainda escreveríamos com a grafia de Eça ou Pessoa. O nosso Português é menos correto do que o deles? Não. Então porquê pensar que o Português redigido sob o novo Acordo, o Português do futuro, será menos válido, verdadeiro ou rico do que o do presente?

O argumento do "ai que agora vamos passar a escrever à brasileiro" nem sequer é válido. Irão continuar a existir palavras que se escrevem de forma diferente nas duas línguas, já para não falar das diferentes expressões e diversidade linguística que continuará obviamente a existir.

Então qual é a regra? A regra é muito simples e lógica. As letras que não se leem, caem. É a aproximação da grafia à oralidade, a simplificação da ortografia, que nada rouba à riqueza da nossa língua. Parece-me uma alteração bem razoável. Este blog lá vai marchando ao sabor do novo Acordo, ainda que já tenha mandado fortes calinadas. Mas estou interessada em (re)aprender a escrever Português de qualquer das formas que ele seja atualizado. Desde que a atualização tenha pés e cabeça, o que é o caso.

Quem continuar acérrimo defensor do não ao Acordo Ortográfico, ou mesmo apenas não convencido, lembre-se: o mundo acaba dia 22 de dezembro de 2012, também nunca vão ser obrigados a escrever ação em vez de acção, nem outras monstruosidades semelhantes. =D




Além dos argumentos da lógica e do fim do mundo, este é outro bom argumento - provavelmente o melhor - para não se ser contra o Acordo Ortográfico



O PNR é.



S.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Squeeeeeeeee(d)

Acabei de esventrar lulas. Uma das coisas mais nojentas que já fiz. E porquê, oh porquê, que hão-de as lulas ter olhos tão humanos?? Um deles rebentou e eu gritei. O momento alto da noite, portanto.





S.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Barbies e aniversários

A memória é traiçoeira e faz questão de ser seletiva à sua própria maneira, sem critérios que pareçam lógicos ao nosso consciente. Assim de repente, uma das memórias mais vivas que tenho de meus aniversários em criança era da minha alegria quando recebia pelo correio a prenda que todos os anos a Revista Barbie me enviava, tal como enviava (suspeito) a todas as suas jovens assinantes.

(Sim, eu fui assinante da Revista Barbie na minha infância/pré-adolescência. Sue me. Não me consigo sequer lembrar do conteúdo da revista, mas era minimamente interessante, já que era com entusiasmo que a recebia no correio.)


As prendas em questão não eram nada de especial. De todo. A única que me recordo consistia numa moldura de cartão (!! mais rasca não podia ser), pintada a cor-de-rosa-de-Barbie, e a dizer "Barbie" algures. Mas eu ficava fascinada que uma revista, presumidamente alguém - um alguém que eu desconhecia - se desse ao trabalho e à simples atenção de me enviar alguma coisa, qualquer coisa, no meu dia de anos.

Pois bem, hoje aconteceu o mesmo quando na minha caixa de correio eletrónico tinha um e-mail com desconto promocional na Etam, por ser o meu dia de anos. (Notem como dantes a prenda chegava pelo correio, da Revista Barbie; hoje chega pelo correio eletrónico, vindo de uma marca de lingerie. Como o tempo passa. E, oh meu deus, estou a descobrir um padrão na minha vida...) O entusiasmo foi o mesmo, a sensação que se tem de se ser especial, neste dia que não é igual a mais nenhum do ano, fez despoletar a memória das prendas que eu recebia da R. Barbie. O que me fez pensar que, realmente, por mais que eu ache e me convença que o dia 1 de setembro é-me agora completamente igual a qualquer outro do ano, não dá para lhe ser completamente indiferente. Agora, a única diferença é que fico nervosa se as pessoas me perguntam quantos anos tenho, logo neste dia, porque já entrei na fase do "23, mas quem é que está a contar?" E depois engulo em seco.

E o tempo que demora a habituar-me a dizer que já tenho mais um ano é agora maior. Faltavam 10 minutos para a meia noite e eu comecei a entrar em pânico. "D., eu não quero fazer anos! Quero ficar nos 22... Mas tinha que me matar não era?" "Era.", diz D. num tom de voz completamente normal, um bocado indiferente às minhas tendências suicidas pré-aniversário, demonstrando que o pobre coitado já convive comigo há demasiado tempo e está habituado à diarreia verbal com que o bombardeio frequentemente. Enfim, o meu desejo de paragem no tempo não se realizou e eu fiquei um ano mais velha em apenas um segundo. Há pessoas que não querem fazer 30, 40, 50 anos, eu não queria fazer 23. Porque gosto de capicuas. E de patinhos.

Sempre gostei muito de fazer anos no primeiro de setembro. Quer dizer, sempre é uma mentira, já que quando era criança vivi com a angústia de não poder levar um bolo de anos para a escola e ter a turma toda a cantar-me os parabéns. E ter muitos amigos a faltar às minhas festas de aniversário porque íam para o Algarve. Escusado será dizer que até recentemente odiava o Algarve. Mas hoje gosto. É o dia que marca o fim do verão oficial, ainda que não o formal, é o retomar da rotina, é o arrumar das toalhas de praia, chinelos e fatos de banho. Setembro tem cheiro a livros escolares novos, material a estrear, cadernos em branco, promessa de novas coisas e novo conhecimento. Fim antecipado de férias monstras que sempre me entediaram pela sua extensão desmedida (cheguei a ter 4 meses de férias de verão). Primeiro de setembro está fortemente associado no meu inconsciente a magia, a um novo ano, porque *HP alert* é o dia do início do ano letivo em Hogwarts, da viagem desde King's Cross até à Escócia que eu um dia irei fazer *fim de HP alert*.

Por isso, é com alegria que me despeço do verão e sem qualquer ressentimento por este tempo que parece aborrecer tanta gente. Que venha o frio, muito frio, que venham as botas peludas, os casacos quentinhos, os roupões peludos e o edredão de inverno, para me enroscar que nem uma lagarta num casulo. Que venha o hot chocolate! Os dois pares de leggings. Só não venha o chapéu de chuva. Espero não me estar reservada mais chuva do que aquela que apanhei em Londres (e isto é dizer muito, muito pouco).



Para aplacar os espíritos odiadores de inverno. Como se pode não ansiar pelo inverno depois de uma coisinha destas?



S.