quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ter tv na sala, cozinha, sala de jantar, escritório, quarto e casa de banho não é para todos

Só para quem vive num estúdio.

A melhor coisa de viver num estúdio é a disponibilidade de tudo em qualquer parte da casa. Posso estar a fazer o almoço e a conferir o mail nos intervalinhos. Ou ver tv enquanto me estou a vestir no "quarto". Posso estar a lavar a loiça enquanto converso com o D. que está no sofá e vejo televisão ao mesmo tempo. É óptimo. Altamente vantajoso para quem como eu tem a mania de estar sempre a fazer várias coisas ao mesmo tempo. "Ah, o comer está a fazer vou metendo a roupa a lavar enquanto meto Daily Show no computador." Quando estou em casa é extremamente difícil para mim concentrar-me numa única tarefa. Acho que é próprio do meu género, o tão famoso multi-tasking.

E para limpar a casa? Demoro cerca de uma hora. Não preciso de balde para lavar o chão; basta encher o lava-loiça e molhar o pano de vez em quando, enquanto limpo o chão contínuo da minha cozinha/sala/sala de jantar/quarto/entrada. A casa de banho é a única divisão à parte, mas o lava-loiça continua a poder servir de balde (6 passos separam o meu lava-loiça da cozinha. Eu sei, já contei).

Hoje o D. introduziu mais uma divisão na casa: o escritório. "Ah, e quando estás ali no escritório toda curvada..." Largos risos foram a consequência desta observação. A minha secretária, onde passo boa parte dos dias, é pequena mas realmente dá um ar de escritório: livros em cima dela, num momento em que estou embrenhada em 3 essays finais, não faltam. Um calendário gigante adorna a parede em frente. Por baixo da secretária não faltam impressora, telefone, router e papel com fartura. Um mini-escritório é uma boa definição para aquele espaço :).

Tenho de confessar que o meu entusiasmo por casas grandes com enormes roupeiros do Ikea se desvaneceu bastante desde que vivo aqui. Uma casa grande traz chatice. É grande demais para ser limpa numa hora, grande demais para aquecer no inverno, grande demais para uma família se sentir junta. Mas o mais importante: não há casas grandes em Londres. Ok, melhor dizendo: não existem casa grandes para quem não seja milionário em Londres. E eu quero estar em Londres. Quero viver onde posso encontrar tudo, em vários sítios, em várias diversidades e quantidades. Quero muitas pessoas na rua. Quero saber que tudo o que me apetecer fazer está a uma viagem de metro de distância. Tudo o que quiser comprar está a uns passos de casa (literalmente. Abençoada High Street). Esta é uma das grandes diferenças que eu sinto: o espaço que eu considero meu abarca tudo o que eu possa imaginar e querer. Não troco isso por uma casa grande, nem que tenha roupeiros do Ikea :).

Quem sabe se um dia irei mudar de ideias; afinal ainda há uns meses uma das minhas maiores aspirações no futuro próximo era construir uma casa idealizada por mim. Talvez com os anos e com uma família maior os pensamentos e desejos sejam outros. As necessidades mudam com os anos, isso é algo indiscutível. Por agora, e num futuro próximo, a minha escolha é Londres. Sem hesitar.







S.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Aleatoriedades (singular)

Uma curiosidade que me deixou orgulhosa:

Churchill viveu uns anos em Hounslow, a minha actual cidade emprestada.

Orgulhosa porquê? Porque eu sou mesmo assim, ligo a estas coisas curiosas e históricas. E porque actualmente não há tempo para pensamentos mais profundos e desenvolvidos. :)

(random, random, I know)



S.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Educação não tem preço

A minha colega G. hoje revelou-me uma informação que ela descobriu e que me deixou de boca aberta:

---»  parece que em média cada aula do meu curso custou £80 ao bolso dos meus pais.

Fiquei chocada por não fazer ideia. Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva... Este semestre faltei a duas aulas. O que equivale a 160 libras mandadas ao ar, ou seja, 190 euros.

Se precisava de incentivo para não faltar a nenhuma aula nesta última semana que se adivinha muito complicada, aqui o tenho.




S.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Santas Claus is coming to town

Hoje foi dia de experimentar um bocadinho o espírito natalício de Londres. Tardou a chegar mas acho que a minha consciência já está a ficar sintonizada em "modo: Natal".

Não chega que o hipermercado à porta de casa já venda árvores de Natal desde o Halloween. É preciso que Dezembro chegue. Se esse Dezembro trouxer neve então, melhor :).

Se se procurar, Londres tem inúmeras coisas natalícias a fazer neste período. Mercados de Natal não faltam, ringues de patinagem no gelo são mais de uma dúzia, árvores de Natal começam a aparecer em vários pontos estratégicos, postais de Natal são vendidos por inúmeras instituições de caridade. E neve, este ano. De forma que tudo conspira para que o espírito natalício se forme.

Hoje decidimos então experimentar um dos famosos e piturescos Christmas Markets. Por alguma razão, muitos deles duram apenas este fim-de-semana... Escolhemos dois por ficarem perto um do outro e podermos duplicar assim a experiência natalícia. O acesso era muito fácil uma vez que ficam ao lado da estação de Waterloo.

Que diferença para a segunda-feira passada! Desta vez não fui em pé e não houve a confusão de um dia de greve de metro. Claro que ser sábado significa muito menos gente na estação. Mas também significa menos comboios...

A viagem foi feita em frente a duas senhoras velhinhas - o que contribuiu ainda mais para o espírito natalício! Isto pode parecer estranho mas eu clarifico. Estas duas senhoras eram o epítome da Britishness. Quando se pensa em Inglaterra rural, cottages e chá das cinco? Tudo isso estava embrulhado naquelas duas encantadoras senhoras. Mantiveram uma conversa a viagem toda, para meu regalo. Expressões como "jolly scarf", "good heavens!", "oh dear" naquele inglês perfeito da BBC fizeram-me ter vontade de exclamar "awwww...!" enquanto fingia não estar a escutar todas as palavrinhas e frases bem construídas num inglês que não é todos os dias que se ouve. A amante da língua inglesa em mim estava ao rubro. Foi também uma extraordinária variante das conversas sobre doenças que escutei durante anos em transportes públicos entre velhotas. Se bem que aí houve momentos preciosos de comicidade difíceis de esquecer... :D

Quando estávamos quase a chegar a Waterloo, uma das senhoras pergunta "Does she still talk with her father? On Facebook or on Skype?". Acho que aí não devo ter conseguido esconder que estava a ouvir a conversa já que a surpresa deve ter ficado bem visível na minha cara... Octagenárias a falar de novas tecnologias em inglês (perfeito da BBC, não esquecer!) - amo!

Como o mercado ficava perto da London Eye, enquanto esperava pela I. fiquei a observar as pessoas que patinavam pela pista de gelo a fora. Parece tão fácil! Apesar da certeza da minha falta de jeito é algo que sei que vou ter de experimentar. Faz parte de um Natal londrino!

O mercado em si, Cologne Christmas market, não desapontou. Fofinho é a palavra que melhor o descreve. As iguarias à venda e a decoração das cabanas eram de inspiração alemã. Tudo decorado nataliciamente, com luzinhas já acesas (hora de almoço num dia nublado de Dezembro não significa muita luz) fez-me pensar que aquele mercado deve ser mesmo bonito à noite.

O mercado adjacente, mais pequenino, era constituído por tendas com diferentes iguarias. Iguarias comestíveis de vários países, entre eles Portugal! Claro que tivemos que petiscar ali. Chouriço rolls, servidos por um senhor que não falava português, "only Spanish". O chouriço era uma maravilha, acabado de sair da frigideira quente. Mas não se podia considerar iguaria portuguesa; além do chouriço aquela sandes levava espinafres e molho de tomate... Algo nunca visto em Portugal de certo. Enfim. Comemos ali perto e pudemos constatar que aquela tenda estava muito concorrida. Talvez a gastronomia portuguesa tenha boa fama aqui em Londres. O que, admita-se, não é difícil.

De seguida decidimos passear um bocadinho por Londres central. Atravessámos a Waterloo Bridge e chegámos ao Strand. Uma ponte que se atravessa a pé em 4 min numa capital é algo surpreendente para alguém que está habituada a pensar em pontes do tamanho da Vasco da Gama ou mesmo da 25 de Abril. O Tamisa não é uma fronteira em Londres como o Tejo o é em Lisboa.

Seguimos o Strand até Trafalgar Square, Lá estava a árvore de Natal que os noruegueses oferecem todos os anos aos britânicos, desde o final da 2ª Guerra Mundial, para lhes agradecer o esforço de guerra e o que fizeram pela Europa. :') . É caso para dizer: awwww...! A árvore em si era um pouco, er... desapontante. Um bocadinho raquítica e nada impressionante para duas portuguesas que estão habituadas às megalomanias de "maior árvore de Natal do mundo" e coisas do género com que Lisboa gosta de se envaidecer de vez em quando. Mas o que conta é a intenção, senhores noruegueses! E essa é das melhores :).

Decidimos ir à National Portrait Gallery, (grátis, mais uma vez) um museu feito só de retratos de Reis ingleses e outras figuras importantes da história britânica. Claro que a intenção principal da I. e minha era a galeria Tudor, onde estão os retratos desses reis tão mediáticos e historicamente polémicos. Tanto ela como eu temos a historiadora/romancista Philippa Gregory como favorita e a série The Tudors como hobby a preservar. Rirmo-nos ao mesmo tempo de um quadro do economista David Ricardo fez-me mais uma vez dar graças por ter encontrado alguém com quem partilhar coisas nerds e com gostos tão semelhantes aos meus. Saber que ela me entende - she gets it! -  é um dos melhores sentimentos do mundo sem dúvida. :)








S.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

I'm dreaming of a white Christmas

A minha experiência climática está completa. :)

Tem nevado toda a manhã. A BBC dava light snow para todo o dia de hoje - tão light na realidade que chega ao chão e derrete. Mas que importa, testemunhei neve, sou uma mulher realizada! Neve prevista para o dia todo, desta vez alguma tinha de cair.

Saí de casa munida do meu chapéu-de-chuva e do meu gigante sorriso pronta a enfrentar a água congelada que caía dos céus. Mal desci as escadas exteriores apercebi-me logo que o chapéu-de-chuva (e a palavra- chave aqui é chuva) não servia de muito contra a neve. Os flocos são tão pequeninos e leves que flutuam pelo ar até cair e agarram-se a tudo o que é tecido e pele (se ainda houver alguma descoberta...). Nunca tinha pensado nesse pormenor. No meu imaginário neve caía como chuva, em linha recta até ao chão, às vezes na diagonal mas fácil de enfrentar com um chapéu. Nop, parece que é leve demais para tal.

Ia no metro e um mantra repetia-se dentro da minha cabeça "Está a nevar, estáanevar, ESTÁANEVAR!!!". Apercebi-me que a neve parece mesmo pedacinhos de algodão a cair. O que, tenho de admitir, não é a mais original das comparações, mas foi a única que me ocorreu.

Tenho a dizer, no entanto, que neve não é sinónimo de mais frio. Não está hoje mais frio do que ontem, pelo contrário. De maneira que tenho que reduzir um bocadinho as camisolas extra que visto, já que hoje senti calor. Leram bem, calor, enquanto andava pela rua. Em vez de 5 camadas de roupa, talvez 4 cheguem?...

Claro que tive que partilhar que nunca tinha presenciado neve antes. A minha colega G. que me acompanhou até à biblioteca foi o alvo mais à mão. "Tenho a dizer que hoje é a primeira vez que vejo neve!". Como se ela não soubesse, coitada, levou a semana anterior toda com o meu entusiasmo perante a perspectiva que ia nevar... Pelo caminho ia fazendo malabarismos com o chapéu de chuva a tentar aparar a neve que cai umas vezes pela esquerda, outras pela direita, outras parece que vem por baixo do chapéu (!), quando a G. recusa que eu tente aparar a neve em direcção a ela. "Guarda o chapéu para ti, eu já vi neve, sei me defender!" Hahaha, gosto desta rapariga! :D







S.

Waterloo

Dia de greve do metro em Londres é sinónimo de manhã chata. Implica pesquisa de rotas alternativas no dia anterior e meia hora a menos na cama de manhã. Considerando que já me levanto 2 horas e um quarto antes das aulas começarem, meia hora significa muito cedo.

Em dois meses e meio já é a terceira greve de metro que testemunho. É inteligente da parte dos senhores dos sindicatos escolherem o metro: metro londrino parado significa grande reboliço na cidade. Só nestes dias dá para perceber a importância deste transporte para a cidade. A confusão que se instala é enorme.

Mas é uma confusão com ordem. Comboios e autocarros ficam apinhados mas toda a gente sabe exactamente a alternativa a tomar para chegar ao trabalho/escola como sempre. Ainda que isso implique meia hora a menos na cama.

Londres tem uma coisa magnífica: o site de transportes. Nele metemos o ponto de partida e o ponto de chegada e dá-nos a rota a tomar para lá chegar. Mostra não só os diferentes tipos de transporte e as mudanças como o tempo máximo em cada um e o tempo estimado da viagem total. Nem é preciso explicar como isto já me foi útil em dezenas de situações. Refere também as linhas de metro que estão suspensas ou com atrasos em determinado dia, particularmente aos fins-de-semana. De maneira que todos os commuters londrinos sabem bem o que fazer quando há perspectiva de greve.

Uma viagem que costuma demorar 45 min demorou hoje o dobro do tempo. Apanhei um autocarro até a uma estação de comboio e aí apanhei comboio até à estação central de Londres para todos os comboios suburbanos: Waterloo. Não era suposto ser preciso tanto tempo, mas o comboio atrasou-se 20 min. Sardinha em lata é a expressão que melhor define a minha viagem até Waterloo. Sardinha em lata com pernas dormentes depois de 40 min em pé (somados aos 20 min à espera na estação dá uma hora. Já mencionei que estavam 0 graus? E que eram 8 da manhã?)

Depois é o terror tentar apanhar um autocarro, em dia de greve de metro, numa das estações mais movimentadas do país. Num papelinho levei todos os números que paravam na minha univ. Acabei por apanhar um que parou na rua de cima. Não é novidade. Consigo sempre fazer com que uma (aparentemente) simples viagem de autocarro se torne mais complicada. Ou é porque o autocarro não passa onde eu pensava, ou é porque tem de ir por um desvio ou é porque não tenho a certeza do nome da paragem. Autocarros não são definitivamente para mim. Já o metro foi o melhor transporte alguma vez inventado para grandes cidades. Leva-me do ponto A ao ponto B sem desvios, e como pára em todas as estações não há margem para engano. Se bem que o Tube tem algumas variações com que é preciso contar...

 Acabei por chegar um quarto de hora atrasada. Início de manhã atribulado tal como é suposto em dia de greve. Well done, senhores sindicais, you did it.

A viagem de regresso foi o agradável oposto. Se o metro é o melhor transporte inventado, o comboio é de certo o mais confortável. As carruagens são novas e as linhas bem mantidas. O que faz com que o comboio não ande mas deslize sobre os carris. Se juntarmos assentos confortáveis mais aquecimento no máximo e carruagens desertas não é difícil perceber o meu estado de contentamento na viagem de regresso.

Mas antes da viagem consegui maravilhar-me um pouco com a estação de Waterloo. Não era de todo a primeira vez que ali estava (3 greves de metro...) mas como tive de procurar nos placards qual era a plataforma e a que horas o comboio partia a observação foi especial. Fiquei uns bons minutos especada a olhar para os (mais que) muitos placards electrónicos com os destinos e as estações em que parava cada comboio. Há uma magia qualquer nestes espaços de partida e chegada, semelhante à dos aeroportos. E aprende-se geografia! Alguns nomes eram-me familiares, outros nem por isso. Da próxima vez já o serão porque lembrar-me-ei "Já vi o nome dessa terra nalgum lugar..." O sentido de orientação e localização melhoram também.

Por todas as estações onde passava o comboio havia sal espalhado na beira da plataforma. Mais um prenúncio da neve que teima em chegar...






S.

domingo, 28 de novembro de 2010

Deixa nevar (a sério, deixem lá...)

Ando colada às previsões meteorológicas da BBC para ver quando prevêem neve. Tenho a minha localização guardada (Hounslow) e Londres como recently viewed e ando a alternar entre as duas para ver quando e onde vai cair neve primeiro.

Porque aquilo tem previsão de 24 horas, detalhado o tempo que vai fazer em cada parte do dia, e previsão de 5 dias, mais geral. Bastante útil para saber que tempo vou apanhar em casa e na univ. Se bem que já levei chapéu de chuva várias vezes e a chuva prevista não caiu. Ando a fazer contas de cabeça para ver a que horas vou estar onde (Hounslow ou Londres central) e que tempos vou apanhar. 

Andei o dia todo ansiosa porque davam neve para as 21h em Hounslow. Nada. Entretanto emendaram no site; agora diz 21h - white cloud (não não, senhores da BBC, dark cloud...) .  A ironia é darem neve para amanhã às 9h em Hounslow, quando não vou estar cá mas sim em Londres central (9h - mist).

Na 5a feira estava eu com a N. e a G. quando a conversa se voltou para o tempo. "Ah sim, dizem que hoje vai nevar." diz a G., sem qualquer entusiasmo. Compreensível, se tivermos em conta que ambas as meninas vêm de países onde neve é tão corriqueira como chuva. Já eu, "I come from the sunshine lands, I've never seen snow!!!" Tenho direito a estar tão entusiasmada como uma criança no Natal!







S.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Essays revisitados

Hoje foi um dia semelhante à 5a feira passada. A professora voltou a falar do que esperava nos essays finais e houve mais uma aula extra sobre como escrever textos académicos, desta vez dissertações. Mas o dia correu de maneira muito diferente :) .

Hoje foi o culminar do trabalho para EU institutions. Esta semana era a minha vez de escrever um essay sobre o tópico semanal (Política regional e de coesão da União Europeia) e de fazer uma apresentação, tudo isto em conjunto com a minha colega R.. Se se lembram, o pânico sobre os essays era mais que muito pois essays não me são instrumentos de avaliação e trabalho especialmente familiares. Portanto este primeiro essay, apesar de ser apenas um quarto do que os finais terão de ser, seria uma introdução ao trabalho que terei de desenvolver até Janeiro.

Acho que não podia ter corrido melhor. :D

No nosso essay tivemos em conta as críticas feitas a essays anteriores apresentados nessa disciplina para nos guiar para longe do que o que não devemos fazer, e indo assim por exclusão de partes para o que se deve fazer. Depois da aula extra sobre como escrever um essay em já tinha em mente a seguinte ideia muito simples: um essay é a tomada de uma posição e a defesa dessa posição através de provas. Ter isso em mente ajudou-nos bastante a escolher a direcção a tomar na estrutura do trabalho. Argumentos a defender a nossa posição, mais argumentos a defender a posição oposta e o porquê da nossa posição ser melhor. É basicamente isto.

O nosso esforço valeu-nos elogios de colegas no debate da aula e da professora. O meu coraçãozinho voou por uns momentos quando no final a professora disse: "I really liked your essay, you really nailed it" o que pode ser traduzido como "acertaram na muche". Fiquei incrivelmente orgulhosa de mim, pela primeira vez neste mestrado. Apetecia-me pular e soltar gritinhos histéricos de contentamento.

A apresentação que era suposto acompanhar o essay não podia ter corrido melhor também. A R. fez a introdução e eu apresentei um estudo de caso. Qual? Nada mais nada menos que Portugal :D. Uma data de slides com dados, mapas das regiões que recebem os fundos comunitários e tabelas com os programas e o dinheiro que a UE dispende foram uma tentativa de explicar uma parte complicada da política da UE através de algo concreto. Resultou. Os colegas mantiveram o interesse, fizeram montes de perguntas e comentários no final e alguns até nos congratularam. Pela primeira vez numa apresentação cá não levei qualquer apontamento sobre o que ía dizer, expliquei e analisei os dados consoante eles apareciam nos slides naturalmente e de cor. Não me engasguei (apesar de ter ficado presa uma ou duas vezes numa palavra; acontece-me sempre, tanto em português como em inglês; mas consegui sempre dar a volta e continuar o que queria dizer :) ) e consegui improvisar e responder às perguntas dos colegas de forma satisfatória e construtiva.

Isto tudo para dizer que o sentimento de dever cumprido e de orgulho no final da apresentação era mais que muito. O pânico dos essays desapareceu como por magia e um novo sentimento substituiu-se-lhe: confiança. Já tenho uma ideia clara do que um essay é. Ainda que como aplicar isso a diferentes casos e temas seja outra história.

Quanto à dissertação final, ou tese, nenhum pânico semelhante ao da semana passado se instalou. Parece-me apenas um mega-essay, mais elaborado e mais extenso mas com a mesma estrutura. E com isso eu posso lidar :).

Em suma, o dia de hoje não podia ter corrido melhor. Uma apresentação "very interesting", um essay elogiado, algum tempo passado com 3 colegas que timidamente se vão tornando amigas, o dia com temperaturas mais baixas desde que cheguei mas no qual não senti frio NENHUM (os dois pares de collants devem ter ajudado), o papelinho na caixa do correio para ir levantar o router da internet (após mês e meio!) e os segredos da temida dissertação finalmente revelados fizeram-me pensar enquanto caminhava para casa "Realmente só faltava começar a nevar!..."








S. 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Harry Potter: sim ou não

O facto de o filme ter estreado e não ter ainda decidido ir vê-lo anda-me a moer a consciência.

É uma espécie de pedrazinha no sapato que não perturba mas que de vez em quando uma pessoa se lembra que está lá. E a verdade é que nem sequer tenho a certeza se o vou ver.

Porque a questão é que este é o último livro (ainda que não o último filme) e daqui a cerca de um ano a histeria Harry Potter vai acabar. E estou em Londres, bolas! Ainda no outro dia deparei-me com a lista de lugares onde filmaram cenas dos filmes e fiquei surpreendida com a quantidade deles onde já estive (para não falar de dois pelos quais passo todos os dias). A histeria e o entusiasmo deviam ser mais que muitos.

Mas não são e eu sei perfeitamente porquê. Não houve um único filme em que não saísse profundamente desapontada do cinema. O showbiz, a má qualidade dos actores principais e os directores duvidosos fazem com que o grande foco sejam os efeitos especiais em detrimento da história. Isso irrita-me profundamente. Harry Potter não tem NADA a ver com magia e criaturas fantasiosas. Tem a ver com a natureza humana, com fazer as escolhas certas e desafiar o establishment quando é preciso. Ensina coragem, o valor da amizade, o poder da determinação e a importância de agirmos consoante os nossos valores. Mostra que o "lado do mal" nunca é algo completamente definido e que a distinção do "bem" e do "mal" é uma luta diária e nunca acabada.

De maneira que escolhi não ter ido ver o último filme (6º). A história acaba sempre deturpada e pormenores importantes transformados para ficarem melhor na tela. Eterna luta entre o cinema e a literatura.

Ora agora para este último livro insistiram dividi-lo em dois filmes, ao que parece para contar a história como deve ser. O que é uma grande treta porque o último filme é o rematar dos fios de história desenvolvidos ao longo dos livros. Se esses fios não foram desenvolvidos nos outros filmes, é impossível serem-no agora no último.

Mas a razão mais importante é outra. A histeria Potteriana para mim acabou quando li "the end" no sétimo livro. Não consegui voltar a lê-lo. Nunca mais li a série do princípio ao fim. Foi uma decisão meio consciente meio insconsciente mas necessária afinal de contas para a minha sanidade mental. A história acabou. A ânsia constante de esperar pelo próximo livro para saber o que se passaria a seguir acabou com ela.

Jurei que este post seria curtinho e que não me ía meter nesta explicação toda sobre Harry Potter porque é um assunto que não gosto particularmente de discutir. O impacto que teve na minha mentalidade e na minha formação a vários níveis é algo que não consigo explicar. A verdadeira essência dos livros é impossível de explicar a quem não os tenha lido de forma devota. Mas enfim, este blog está a tornar-se muito catártico :).

Voltando à questão inicial: Harry Potter: sim ou não? Provavelmente não. Se não pensar muito nisso. Se não ceder ao marketing constante que me invade a casa e os sentidos sempre que ligo a televisão ou caminho pela rua e um cartaz do filme me apanha desprevenida.  Acima de tudo se quiser evitar mais uma grande desilusão.

Nunca ter estado presente em Londres numa fila de livraria à meia-noite à espera de um livro de Harry Potter continuará um dos grandes (muito raros) arrependimentos da minha vida :) .





S.