sexta-feira, 24 de junho de 2011

Churrasco


Cheira-me que muito em breve vou ter saudades do tempo londrino. Não funciono acima dos 30 graus.



S.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Casa?

Tudo o que não está rotinizado tem encanto. Esta é a minha conclusão de hoje, atingida enquanto viajava de autocarro para casa.

Desde há uns dias para cá que tenho começado a desconfiar que vivo numa zona incrivelmente bonita. Tem sido  uma conscienlização cheia de surpresa mas de alguma negação e incredulidade. Porque é que nunca reparei antes?! Meu deus, vivo há (quase) 23 anos nesta área e nunca olhei com olhos de ver. E não foi por inconsciência. Está mais que dito e é mais que conhecido que nunca se dá valor ao que se tem tão perto, àquilo pelo qual passamos todos os dias, e não sei quê. Por isso mesmo, sempre que passava pelo Convento de autocarro - todos os dias durante 3 anos - esforçava-me para olhar para ele e espantar-me com a sua beleza e imponência. O meu truque era tentar olhar para o dito edifício como se fosse uma turista que o visse pela primeira vez, entrar naquele estado de espírito que se tem quando se está de férias e entramos em modo de "visita". E a verdade é que só o conseguia admirar se entrasse nesse modo especial.

Ora, o que se passa agora é que de vez em quando levo com a beleza da minha zona em cheio nos olhos, sem ser preciso o tal modo "visita". E nem estou a falar de conventos. Estou a falar de paisagens. De casinhas brancas espalhadas por montes, o verde escuro característico da vegetação portuguesa (Inglaterra de verde tão mais intenso), este céu maravilhoso, imenso, AZUL (em Inglaterra tão mais pálido), claridade que me fere os olhos, o mar ao fundo, o MAR, que saudades do mar! E isto tudo quando menos espero, onde menos esperava.

É aqui que tomo consciência que os 9 meses fora foram necessários para que eu agora - e por enquanto - pudesse estar bem aqui, sentir-me serena, não-aborrecida. Feliz, vá. E que fosse capaz de ver com olhos de ver a minha terra e apetecer-me desatar a correr Portugal com os meus novos olhos para confirmar que sim, Portugal é lindo lindo, tal como Londres é linda linda e que apesar de tudo ter mudado nada mudou e que o mundo é maravilhoso, rico, cheio, completo, e que sempre teremos Portugal, no final das contas. E se for preciso, isso é bem capaz de ser suficiente.



S.   

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Finalmente

Deu-me coragem para renovar este blog e voltar a escrever aqui. Sinto necessidade de comunicar com o mundo em forma de blog. É a única forma de me obrigar a escrever.

O meu maior problema é o medo de não ter nada para dizer. Ou nada estruturado, pelo menos. Pequenas surpresas, assuntos, imagens e palavras estão sempre a pulular pelo cérebro, o mais difícil é criar algo coerente para formar um post. E que valha a pena.

De qualquer forma, aqui está o blog renovado. O título não é mais apropriado, mas mudá-lo parece-me fazer menos sentido do que mantê-lo, por isso, fica. Próximo passo, posts.





S.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Londres, tens de me deixar partir

Confesso que não estava certa se deveria continuar a escrever aqui. Duvido que faça sentido. Mas ao mesmo tempo, este blog provou-se muito catártico e escrever regularmente tornou-se um hábito. O tempo ditará o futuro do blog.

A mudança foi muito atribulada. Fiquei parva com a dificuldade que tive em abandonar Londres de forma normal. E nem foi por minha causa. Depois das habituais duas horas de espera, mais duas horas de atraso e mais de meia hora junto à porta de embarque a temer pela minha sanidade mental, não embarquei no voo previsto. O que significou uma noite extra em Londres.

Fiquei extremamente irritada com a cidade. E com o meu karma, que adora rir-se de mim. Porque estive à beira das lágrimas, não porque as saudades antecipadas de Londres estivessem a apertar, mas porque só queria era voltar para Portugal.

E quando saí do aeroporto tive de sair pela parte das chegadas. Fazer a habitual verificação do BI, cruzar uma fronteira que não tinha chegado sequer a transpor. Sair pela parte das chegadas, onde está toda a gente à espera de alguém, atravessar os corredores que se tornaram tão familiares desde as múltiplas chegadas que fiz a Londres, e entretanto ganhar uma raivazinha à cidade por estar a fazer-me passar por isto como quem tenta torturar mais um bocadinho.

Culpo a sua Britishness. A altivez britânica da cidade imperou que não deixasse alguém abandoná-la sem pagar por isso. Em alternativa, culpo Portugal. 'Ai estavas tão feliz por ter ido embora, estavas a adorar viver noutra capital, querias me trocar por outro (país, entenda-se)... Pois hás-de implorar para regressar. E respirar de alívio quando aterrares na Portela.' E tinha ele razão. Implorei literalmente para embarcar ('The plane is full, nothing we can do.'). E ainda saí de Londres zangada com a cidade. Tenho um karma lixado ou não?

E a mala não veio. Tanto voo, algum dia tinha de acontecer. Disseram-me que ainda estava em Londres. E que vinha no voo a seguir. Nessa altura quase mandei uma gargalhada sarcástica como quem diz 'Londres, já estás a agir um bocado à desesperada. Get over me already'.

E quase dois dias depois cá estou. Ainda sem sentir saudades mas já com aqueles apertozinhos no coração quando alguma coisa me faz lembrar particularmente o sítio e a minha vida lá. Mas um apertozinho afável, em vez de nostálgico ou saudosista. As comparações são inevitáveis, especialmente quando vou às compras. E confio que se vão tornar cada vez mais frequentes, à medida que saio mais de casa e lido com as sincronias da sociedade portuguesa.

Mas estou bem. Preparada para mais uma aventura, desta vez em terras lusitanas.



S.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Souvenir londrino

A esta hora amanhã estarei a sobrevoar a Mancha ou coisa do género. Por isso nada melhor como último post realmente em terras da rainha que a única coisa que comprei que posso realmente chamar souvenir.


Dei mais um saltinho à Twinnings e escolhi uns saquinhos de chá para experimentar em Portugal. A marca Twinnings é muito conhecida e nos supermercados portugueses lembro-me de ver à venda, no entanto, sabores estranhos como 'Mulled Spiced Tea' devem ser mais difíceis de encontrar. Juntei assim o útil ao agradável: um souvenir realmente londrino que me abrirá os horizontes em termos de sabores de chá, a minha bebida favorita.

Ao escrever este post parece que estou a fugir ao tema de último dia em Londres. Parece-me a mim, que o estou a escrever. Porque este blog foi feito para registar aqui as minhas experiências durante estes meses, para que mais tarde possa voltar a ler e sentir um apertozinho no coração. Como quando se lê um diário antigo. Por isso mesmo parece-me que registar os sentimentos na hora da partida é imperativo.

Houve umas lágrimazitas hoje. E uma sensação muito esquisita enquanto arrumava os armários da cozinha e deitava coisas fora, uma sensação muito parecida com pânico. Acho que foi um ataque de ansiedade. Se querem que vos diga, ainda bem. Sou tão calma por natureza que nunca sinto grandes pânicos, nervosismos ou ansiedades. Por isso este foi muito bem-vindo. Significa que a ligação que estabeleci com esta cidade não está na minha imaginção, é real e sentida. O que me descansa, já que ultimamente, esta ânsia de voltar para Portugal sem pensar muito no que ía perder me estava a assustar. Continuo ansiosa por voltar mas é bom saber que a despedida custa.

Parece uma espécie de masoquismo mas não é. Afinal, são as alterações de humor e de sentimento que nos tornam humanos. E fazem a vida ter sentido.

Amanhã quando estiver no aeroporto, quando entregar as chaves de casa, quando descolar de solo inglês não sei como me vou sentir. Espero que nervosa. E que caia uma lágrima ou duas. Irei ficar surpreendida se isso não acontecer.



S.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ouvi bem?

Andar de metro sempre foi para mim uma experiência sociológica muito interessante. Divirto-me a observar a maneira como o ser humano reage quando tem de estar fechado uns bons minutos com estranhos. As pessoas adoptam uma postura de indiferença extrema para mascarar o embaraço que é partilhar o espaço pessoal com completos desconhecidos (especialmente em horas de ponta). E depois é o facto dos bancos nos metros estarem dispostos frente a frente, de maneira a que os seus ocupantes sintam embaraço a dobrar, já que tentar evitar olhar para as pessoas que vão à nossa frente torna-se um experiência desgastante. Especialmente porque olhar para a janela, a distração mais comum nos transportes públicos, não funciona no caso dos metros: não há paisagem!

O meu transporte de eleição aqui em Londres sempre foi o metro, como é óbvio. A minha desconfiança em relação a autocarros urbanos, conciliada com uma magnífica e extensa rede de metropolitano fez com que eu apanhasse metro sempre que me tinha que deslocar, fosse para a universidade, fosse para qualquer sítio de visita. Ora, o que se passa é que numa rede de metro tão extensa e por coincidência a mais antiga do mundo, há sempre qualquer atraso numa linha, qualquer corte parcial, etc. Por isso é normal ouvir pelos altifalantes das estações e das carruagens que esta e esta linha estão com minor delays ou partially suspended. É algo que uma pessoa já só liga com meia-atenção.

O que hoje me surpreendeu foi isto. Lá começou o senhor da estação a fazer o inventário das linhas com problemas naquele determinado momento e às tantas diz 'The Bakerloo Line is partially suspended due to a person under a train.' A minha reação foi um grande 'HEIN?' Porque o senhor disse aquilo com a mesma naturalidade com que anteriormente tinha dito que a Victoria Line estava com atrasos devido a um sinal avariado. Quando já estava dentro do comboio, novamente a mesma informação. Mas desta vez (reação sociológica a caminho) um americano lança lá de trás '... Did he just say "a person under a train"???' Não conti o riso. Até levantei o livro que estava a ler para tapar a cara e esconder esta reação sociológica tão imprópria que é rir sozinha no meio de um comboio. Não é agradável que, mesmo estranhos, achem que nós temos vários parafusos a menos.

Se há coisa que adoro é ouvir português no metro. Calo-me bem caladinha, tento fazer cara de inglesa (não faço a mínima, mas tento) para que não suspeitem que sou co-cidadã e apuro o ouvido à espera de ouvir qualquer coisa que me faça rir. Porque conheço bem a sensação de estar num sítio e poder falar à vontade porque ninguém nos entende. Sensação esta que os ingleses nunca poderão ter mas que aos portugueses é muito comum. Neste caso não foi nenhum português mas sim um grupo de jovens americanos a falar de portugueses. Eu sempre com o meu costumeiro livro para que a viagem passe mais rápido e se torne mais útil, ouvi de repente isto: 'Portuguese girls are sooo ugly.' E já que o rapazinho teve de repetir porque o amigo não percebeu à primeira, tenho a certeza absoluta que foi isso que ele disse.

Ti-po...! Esta frase está tão errada em tantas dimensões. Como se pode generalizar beleza ou fealdade a uma nacionalidade?? Uma nacionalidade não é sequer uma raça, uma etnia, é uma construção artificial, logo, naturalidade e genética nem têm nada que ver com o assunto. Esta é a refutação racional. A outra que me ocorreu foi 'Sim, porque as americanas são tãããão mais bonitas!'. Infantil, mas mais satisfatória.

A refutação foi toda feita na minha cabeça claro, continuei a ler o meu livrinho mas com o ouvido apurado a seguir o resto da conversa. Aparentemente as raparigas mais bonitas são as russas e as argentinas. Ah, e as do Brasil. Mas as do Brasil é complicado, estão divididas em duas categorias (muito ao jeito das classes sociais) 'muito feias' e 'super hot ones'. Claro que as 'super hot ones' são buééééé difíceis de conseguir mas estão lá, pronto.

São estas as inacreditáveis coisas que uma pessoa ouve num metro. Hoje a minha viagem, do ponto de vista sociológico, foi repleta.


 


S.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Fecha-se um ciclo

Há 9 meses era assim:


Hoje é assim:


Mais caos, mais coisas, mais stress. Uff, nunca mais chega sábado, bolas!


S.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Arroz mexido


Hmm. Creio que inventei uma receita.

Não é nada de especial, considerando que é a versão preguiçosa de arroz com ovo mexido. Tinha arroz feito no frigorífico e enquanto fazia os ovos mexidos pensei 'Epá mas para quê que vou estar a aquecer este arroz num pratinho dentro do forno. Meto aqui para dentro da frigideira e aqueço enquanto faço os ovos.' E assim nasceu o 'Arroz Mexido'.

Polvilhei com um bocadinho de noz moscada no fim, para ter um ar mais acabado, e voilá. Torna-se um bocadinho enjoativo devo dizer, por isso ainda bem que meti a noz moscada.

Há patentes para receitas? Tenho de me informar.



P.S. Isto com ovos caseiros deve ficar bem melhor, mais amarelinho. Os ovos daqui são muito fraquinhos.



S.

domingo, 22 de maio de 2011

Desafiar ou não desafiar

Agora é o xarope da tosse, ainda na prateleira da casa de banho, que de cada vez que passo por ele parece que me lança o desafio: 'Então, não me arrumas? Estás com medo de voltar a precisar? Manda-me para o lixo, vá. És tão saudavelzinha (mas queres ver como te provo o contrário?)'.

Se der o xarope aberto e meio consumido a uma instituição de solidariedade será que ganho pontos positivos suficientes para o karma não me vir chatear?

Ai, que isto de estar em casa dia após dia, sem rotina há quase dois meses tinha de me afetar a cabeça. Ao menos não há tédio no meu mundo.

O bicho da gripe à espera que eu me desfaça do xarope para me atacar... 

S.

sábado, 21 de maio de 2011

Últimos dias

Agora é que o título deste post podia ser 'Vida em Suspenso'. Últimos dias são os piores. Digo isto sem ponta de saudosismo antecipada (acho eu...). É mesmo porque, com metade das minhas coisas já em Portugal e a outra metade empacotada, já não estou bem aqui. Não se vive como deve ser num sítio cheio de gavetas vazias, malas pelo chão e comida/cremes/champôs/roupa racionada. Começo a conhecer as desvantagens de uma vida semi-nómada.

Trabalhei até ao dia anterior a vir para Londres. Mantive a minha vida normal até ao último dia em Portugal. Não senti esta coisa amorfa que é estar nem cá nem lá. É talvez por isso que agora me é estranha. As malas comecei a fazer cerca de um mês antes, é certo, mas estavam lá num cantinho do corredor, fora do caminho. E continuei a viver normalmente porque os meus pais continuariam a viver naquela casa, portanto a mudança era só minha. Aqui pelo contrário é uma mudança total. Não há cá os 'ah, isto fica, quando vier cá no Natal levo', 'ah, isto não é preciso levar, isto também não, não me vai fazer lá falta'. Desta vez a tiragem é total ou, no mínimo, mais séria. Porque o que não levar daqui deita-se fora. 

Não tenho qualquer apego a coisas materiais. Desfaço-me de roupa que já não visto com uma facilidade que às vezes choca a minha mãe. Mas tenho horror a desperdício. Faz-me comichão deitar coisas boas para o lixo. Por isso não é fácil a altura de escolher. E tudo o que puder vou dar. A quem, não sei.

Prova de que não é bom viver com tudo empacotado: enquanto arrumava o estojo de primeiros socorros na mala pensava 'não serviste para nada em 9 meses, era engraçado que na última semana tivesse que te ir buscar debaixo de 4 camisolas e 2 pares de calças.' Bem dito bem feito. Eu já devia ter aprendido a não desafiar o destino. Porque a vida, pelo menos a minha, está sempre a rir-se de mim. E é nestas coisinhas insignificantes que mais gosta de o fazer. 'Ai sentes-te confiante para estares já a arrumar o estojo de primeiros socorros? Toma lá uma queimadura num braço para aprenderes quem manda.' É por estas e por outras que eu tenho muito mas muito cuidado em fazer afirmações categóricas do género 'Eu cá nunca...' ou 'Eu vou sempre achar isto...'. Porque sei que mais tarde ou mais cedo (e normalmente é mais cedo) vou ter de engolir as minhas palavras porque um golpe qualquer do destino me fez mudar de ideias.

Vejam a minha loucura por Londres! Ainda há uns 2 meses estava eu a hiperventilar só de pensar em voltar para Portugal e agora mal posso esperar que chegue o dia 28... (Ou será que a minha paixão por Londres se tornou em amor? Mais sereno, menos à flor da pele mas mais profundo? Só quando estiver em Portugal o saberei). Entretanto vou passando os dias pelo meio de malas e sacos, a pensar no meu querido projeto de Mestrado e ligada mais tempo do que é saudável no Facebook. Enfim, daqui a uma semana já vou ter os dias preenchidos. E continuo a recusar despedir-me de todos os lugares de Londres que sei que vou sentir falta. Faz de conta que é um 'até já'.





S.