quinta-feira, 10 de maio de 2012

Karma strikes back - Parte 283756

Mais cedo eu admitisse que os policy jobs na UE já não me dizem muito, mais cedo me aparecia uma oportunidade para ingressar num.

"Just to shake things up a bit", pensou o meu karma. Deve achar que a vida a que ele preside anda demasiado aborrecida, ou assim.

-.-'





S.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ele há coisas... #10

Em Amesterdão, vi bicicletas de todos os feitios. O mais curioso são as formas que as pessoas inventam para transportar coisas, seja os filhos, a namorada, os papéis do trabalho, as compras. Esta é a forma mais usual para transportar filhos:


A bicicleta-carrinho-de-mão. Aqui não há desculpas para usar carro só porque se precisa de transportar bagagem, compras ou criançada. Já vi bagageiras de carros mais pequenas que esta caixa.




S.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

FCSH, assim você me mata

Eu já devia ter aprendido a não substimar as ironias com que o destino ou o karma ou o que quer que seja me gosta de brindar.

O ano passado, no Dia da Europa (o primeiro ano em que dei realmente importância a este dia), assisti do outro lado do Canal da Mancha e roidinha de inveja aos festejos a que a minha prima foi aqui em Bruxelas. As instituições europeias abertas ao público no único dia do ano em que isso acontece, os stands de mil e uma coisas alusivas à Europa, à União Europeia e aos diversos países que a constituem. Lembro-me da descrição pormenorizada das banquinhas de comida típica do país que na altura detinha a Presidência do Conselho (só não me lembro de qual...), das salas onde os ministros normalmente se reúnem, das cabines de interpretação, de toda a parafernália de objetos que a minha prima arrecadou, desde mapas a saquinhos e canetas com o símbolo da UE. Recordo a frustração de não ter podido participar, de jurar de que para o ano havia de marcar presença, e se não fosse para o ano seria outro qualquer, que o Dia da Europa em Bruxelas era coisa obrigatória para eu assistir antes de morrer. Depois tentava-me confortar com o pensamento "Assim como assim um dia vou trabalhar na Comissão e vou assistir ao Dia da Europa por dentro, conhecer aquelas instituições como a palma das minhas mãos, até vou enjoar o Dia da Europa, hmph!"



Pois. Um ano depois cá estou no Parlamento Europeu como estagiária e os cartazes do Open Day  abundam por todos os cantos da cidade. E eu estou muito feliz por ir, vou conhecer as outras duas instituições, vai ser bom ver o Parlamento todo animado para receber os cidadãos, estou ansiosa pelos joguinhos de cultura geral sobre a UE, por receber canetas, canecas, mapas, balões com as 15 estrelas sobre fundo azul, mostrar ao D. onde trabalho e entusiasmá-lo (ou aborrecê-lo, vá) com a minha nerdice europeia. Isto era, até há pouquinho.

Isto porque acabei de receber um e-mail (entre 11, seriously, que aquela mulher envia e-mails compulsivamente) da minha antiga faculdade em Lisboa com o ciclo de conferências que estão a preparar para o dia. E eu, curiosa, fui abrir. "Ora deixa cá ver como é que a FCSH vai honrar este dia." Ora, pois a FCSH não podia ter feito pior para mim:

---» A Construção da Europa no Feminino - A Participação da Mulher na Sociedade Europeia

---» Polis Europeia: Eurodeputadas, Género e Sentidos de Voto


Estão a falar a sério?! Um ciclo de conferências dedicado ao papel da mulher na União Europeia e eu sem poder ir?! Depois da larga confissão de há poucos dias de que não sei bem como encaixar igualdade de género no que eu espero seja uma carreira de investigação sobre a União Europeia?? Eu estive aí em Lisboa nove meses sempre sedenta de conferências, seminários, palestras sobre a coisa europeia e agora que me venho embora é que organizam uma, ainda por cima sobre mulheres?? Acho que este estúpido karma já foi longe demais.

E obrigada por estragares o meu entusiasmo pelo Open Day aqui em Bruxelas, FCSH.




S.

domingo, 6 de maio de 2012

Sobre a Democracia

Há qualquer coisa de fascinante em ouvir líderes políticos a conceder derrota. Digo isto sem qualquer ironia ou ponta de sarcasmo. É mesmo fascinante. O momento em que, após os resultados eleitorais desfavoráveis, admitem que perderam e concedem a vitória ao seu oponente é sobrenatural. Acredito que é nesse momento em que dão os parabéns ao seu adversário, no que geralmente se julga apenas um gesto de cortesia, que toda a democracia é legitimada. 

Não tinha de ser assim; o normal, aliás, ao longo da história e ainda por demasiadas partes do mundo, é não ser assim. Tudo na natureza humana, no poder que se estabelece entre os fortes e os fracos, tende para o absoluto e para a ditadura. Afinal, aquela pessoa no poder, que controla o Estado temporariamente e, potencialmente, a força das armas, tem que se afastar porquê? O stepping-aside voluntário é uma coisa tão recente, tão contrária à natureza do poder e por isso tão sublime que comove. É a personificação mais completa do respeito pela vontade do povo.





S.

sábado, 5 de maio de 2012

O Amor é um Jogo de Lazers (soa mal em português)

Ultimamente não tenho ouvido muita música. Não sou nem nunca fui daquelas pessoas que dizem que ouvem música a toda a hora ou que não conseguem viver sem música; eu passo muito bem sem ouvir canções durante dias a fio.

Mas de vez em quando lá se descobre uma música de que se gosta especialmente e não se consegue parar de ouvir. Há seis meses estava na fase do "Vou levar-te à América", passei por um período em que andava obcecada por "Nothing Else Matters", tudo isto intervalado por músicas da única banda que me fascina realmente - os Arctic Monkeys - e a única que sonho ainda ir a um concerto.

O que é engraçado é quando por vezes um excerto de uma música sai lá dos recônditos da memória e se instala no nosso consciente, repetindo sem parar. E são quase sempre músicas aleatórias, que já não ouvimos há meses ou mesmo anos (para não falar das músicas que odiamos e que se prendem aos miolos como pastilha elástica). 

É por isso que hoje dei por mim a ouvir músicas dos Milénio no Youtube... Sim, Milénio, a minha boyband da pré-adolescência, que obsessão era aquilo, meu deus! Eu tinha - ainda tenho, aliás - um dossier que a minha prima me ofereceu num aniversário com todos os recortes da Bravo e Super Pop que foi humanamente possível arranjar, mais os posters deles. Estava tudo ali. Reconhecia as vozes de cada um nas músicas (especialmente a do dos olhos verdes, ai Jesus, o fraquinho que eu tive durante meses e meses!), sabia as suas comidas e cores favoritas, de onde eram, a idade, etc, etc. Hoje acho que nem os nomes dos membros dos Arctic Monkeys eu sei, só o do vocalista...

Pronto, mas esta conversa toda como pretexto para eu deixar aqui o meu novo vício musical, envergonhando-me pelo caminho:



Oooops, não era esta, que parvoíce, já passei a minha fase das boybands, hahaha (risinho nervoso; engolir em seco), não não não, a que eu ando mesmo viciada é nesta:

Love is a Laserquest - Arctic Monkeys


And do you look into the mirror to remind yourself you're there?
Or have somebody's good-night kisses got that covered?



S.


P.S. - Só mais uma observação, como é que eu só há pouco tempo é que descobri que a música "My Way" do Frank Sinatra é uma das melhores canções jamais escritas? E porque é que o "Moves Like Jagger" cola-se ao meu cérebro e eu não consigo parar quieta quando a oiço? Podem os dois estar na mesma playlist ou é demasiada blasfémia?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Economia para totós


Isto é bom demais para não ser partilhado. Baseado nisto.

Socialismo
Tens 2 vacas. Dás uma vaca ao teu vizinho.

Comunismo
Tens 2 vacas. Vem o Estado, tira-te as vacas e dá-te algum leite.

Fascismo
Tens 2 vacas. Vem o Estado, tira-te as vacas e vende-te o leite.

Nazismo
Tens 2 vacas. Vem o Estado, tira-te as vacas e dá-te um tiro.

Burocracia
Tens 2 vacas. Vem o Estado, tira-te as vacas, mata uma, ordenha a outra e deita o leite fora.

Capitalismo Tradicional
Tens 2 vacas. Vendes uma e compras um touro. A tua manada multiplica-se e a economia cresce. Vendes a manada, reformas-te e vives dos rendimentos.

Capitalismo Americano
Tens 2 vacas. Vendes uma e forças a outra a produzir o leite de 4 vacas. Mais tarde, contratas uma consultoria para analisar porque é que a tua vaca de repente esticou o pernil.

Capitalismo Francês
Tens 2 vacas. Fazes greve, organizas manifestações e bloqueias as estradas porque queres 3 vacas.

Capitalismo Japonês
Tens 2 vacas. Redesenha-as para terem 1/10 do tamanho de uma vaca normal e para produzir 20 vezes mais leite.  A seguir crias um desenho-animado todo fixe chamado “Vacakimon” e vende-lo por todo o mundo.

Capitalismo Alemão
Tens 2 vacas. Redesenha-as para elas viverem 100 anos, comer uma vez por mês e ordenharem-se a si próprias.

Capitalismo Italiano
Tens 2 vacas, mas não sabes onde elas estão. Decides ir almoçar.

Capitalismo Russo
Tens 2 vacas. Conta-as e concluis que tens 5 vacas. Conta-as outra vez e concluis que tens 42 vacas. Conta-as outra vez e concluis que tens 2 vacas. Decides abrir mais uma garrafa vodka.

Capitalismo Chinês
Tens 2 vacas. Tens 300 pessoas a ordenhá-las. Afirmas que tens pleno emprego e elevada produtividade bovina. Prendes o jornalista que diz o contrário.

Capitalismo Indiano
Tens 2 vacas. Venera-as.

Capitalismo Britânico
Tens 2 vacas. Estão ambas loucas.

Capitalismo Iraquiano
Toda a gente pensa que tens muitas vacas. Dizes que não tens nenhuma mas ninguém acredita e bombam-te o país todo. Continuas a não ter vacas mas ao menos fazes parte de uma democracia.

Capitalismo Neo-Zelandês
Tens 2 vacas. A vaca do lado esquerdo está a mandar cá um charme...

Capitalismo Australiano
Tens 2 vacas. O negócio parece-te correr bem. Fechas o escritório e vais beber umas cervejas para celebrar.




Favoritos?





S.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Ele há coisas... #9

Em Amesterdão, visitámos o Bairro Judeu. Em grande parte porque tínhamos visto assinalada no mapa uma Sinagoga Portuguesa e queríamos ver o que era aquilo. 



É uma Sinagoga que foi construída no século XVI por judeus que emigraram da Península Ibérica para Amesterdão, devido à simpática Inquisição e à ordem de expulsão dos judeus que D. Manuel I deu entretanto (tinha um professor na licenciatura que dizia que esse tinha sido o pior erro na História portuguesa, o que me intrigou bastante). Uma rápida pesquisa no site da Sinagoga revelou que os descendentes destes judeus ibéricos formaram a maior comunidade judaica da Holanda!

Mas a observação que venho partilhar é outra.

Mais abaixo, num parque do Bairro Judeu, encontrámos este monumento ao Holocausto:



Confesso que entrámos ali na esperança de haver um banquinho para nos sentar e que a lama que cobria os existentes quase me fez soltar num pranto (tínhamos mochilas às costas com uns 7kgs. E estávamos a andar há várias horas). E foi assim que descobrimos isto. "Olha, um monumento ao Holocausto!", disse eu. E depois pensei "Francamente, já partiram isto tudo, olha para aquele vidro, todo rachado, já não há respeito por nada, hooligans do caraças!..."



Só quando me decidi a ler a descrição que acompanhava o monumento é que percebi: era de propósito (sempre muito perspicaz, aqui a menina). A intenção era a seguinte: o Holocausto foi um crime tão terrível na História da Humanidade que parece impossível que o mundo continue como sempre o fez - o sol a levantar e a pôr-se todos os dias, os passarinhos a cantar, etc. Por isso, o artista quis fazer algo para furar esse equilíbrio. Dizia então que, ao colocar ali aquele vidro rachado, pelo menos um pedaço do céu não seria nunca mais refletido de forma inteira, de forma una. E eu achei isto de um simbolismo magnífico...



S.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O futuro é um lugar estranho

Por cada post de observações, de aleatoriedades, de constatações mais leves, há sempre um mais sério que guardo para mim. As dúvidas existenciais são mil vezes mais profundas, provavelmente mais interessantes (para amigos e família, claro), são o triplo do tamanho, mas são infinitamente mais difíceis de escrever. Afinal, não é fácil ser eloquente quando nem nós próprios sabemos o que pensar.

Há um ano estava aqui, neste preciso ponto e com estas mesmas angústias de "o que fazer agora?". As semelhanças são tantas que parece que estou a viver um dejá vu. Estava a acabar uma coisa em que me tinha metido (antes mestrado; agora estágio), enviava currículos atrás de currículos sem obter resposta, encontrava-me num país que não era o meu e as intenções de ficar eram abaladas pela não perspetiva de sustento futuro. O regresso a Portugal estava lá, como plano Z que foi subindo as letras do alfabeto, devagar mas certo, até se tornar o plano A. Terá Bruxelas o mesmo desfecho que Londres? Um mantra repetia-se na minha cabeça "E agora? E agora? E agora?" - desta vez, porque ainda (ou só?) faltam três meses é um "E a seguir? E a seguir? E a seguir?".

Mas depois esforço-me por respirar fundo, largar a preocupação de uma coisa que está fora do meu controlo, e olho para trás. Não, não saltando este último ano para onde me encontrava no início de maio de 2011, mas para o que fiz desde aí e o que me trouxe aqui. O estágio na APAV, a minha primeira verdadeira experiência de trabalho, o estágio que me fez até ansiar por regressar a Portugal, no meio do desânimo que foi desistir do sonho londrino. O que vi e aprendi e o primeiro contacto prático com a UE. As pessoas inesquecíveis que conheci. Desconfio que esta experiência foi a grande responsável pelo sucesso da minha candidatura ao Parlamento Europeu, à realização do meu sonho de trabalhar nas instituições europeias, e se não fosse também por tudo o resto, só por isto a APAV teria a minha gratidão eterna. O projeto de base de dados dos deputados britânicos. O curso sobre o Tratado de Lisboa à noite, na Clássica, que me fez agradecer a todos os anjinhos o facto de ter entrado antes na Nova. Mas que ainda assim me foi muito positivo. As aulas de Inglês aos miúdos, xii... as aulas! O respeito monstro que ganhei por professores a tempo inteiro. O artigo académico que publiquei. Os artigos semanais para a Next Europe, que continuam.

É preciso que esta enumeração substitua o mantra do "E a seguir? E a seguir? E a seguir?" para que eu me lembre do que fiz num ano e no que posso voltar a fazer em mais um. Para acalmar o espírito controlador do destino e do "Para onde? Para onde? Para onde?" e assegurar-me de que, seja onde for que tenha de ir, lá chegarei. Daqui a um ano estarei noutro sítio qualquer a fazer algo que de certeza ainda não faço ideia do que será. Mas as peças irão encaixando, porque é mesmo assim a vida.

Avisaram-me que seria assim, este par de anos a seguir ao término dos estudos. Aliás, continuam a avisar. Entre todos nós, estagiários, vindos de percursos diferentes e de nacionalidades diferentes, uma coisa nos é comum: este não é o primeiro estágio. Para muitos de nós, não será sequer o último. Alguns andam nisto há muitos anos, (demasiados), outros ainda lhe estão a tomar o gosto (muito cedinho ainda). Para alguns, o peso dos sucessivos estágios já chegou ao limite, outros estão agora a começar a experimentar o aborrecimento da vida constantemente temporária. Posto assim em perspetiva, sei que não posso ainda descartar a hipótese de novos estágios nem exigir já um emprego permanente e remunerado. Mas a mesma pessoa que avisou que estes dois anos iriam ser assim também disse algo que eu memorizei e guardei para futuro uso: "You're worth a salary". Chegará o dia em que eu terei de dizer "basta", se não for o emprego a chegar primeiro.

Estas são as agrúras normais e esperadas de quem atingiu a maioridade laboral no meio de uma crise sem precedentes nos últimos 80 anos. Mas há uma dúvida insinuosa, mais incómoda e mais existencial, que torna a incerteza de trabalho futuro mais aguda. Ela prende-se com o desencanto de um sonho, um bocadinho à imagem do desencanto pela América mas não completamente... Porque este não é o desencanto pela UE em si, é antes o desencanto por um trabalho dentro da mesma. E custa admitir, oh, se custa! Persegui este objetivo durante anos, como não há-de custar confessar que talvez não seja bem isto que eu quero fazer?

Escrever isto aqui torna-o mais definitivo. Está cá fora, foi partilhado, não pode ser ignorado. Não é o encerramento do fascínio pela UE, de todo. Mas é o encerramento das ilusões sobre um policy job dentro da UE. Entretanto, a Europa mantém-se um objeto de fascínio para o estudo. E agora, o doutoramento, relegado para o segundo plano da minha mente, começa aos pulos efusivos porque até ele já percebeu, ainda que eu tenha demorado a admitir, que fará parte da minha vida a curto-prazo.

Porque o que me faz mesmo feliz, no que eu sei que sou mesmo boa e que se tem mantido uma constante na minha vida e especialmente neste último ano, é escrever. Debitar palavra no papel, traduzir, rever, editar. Partilhar, seja histórias, seja observações, seja notícias sobre a Europa, seja argumentos para defesa da igualdade de género, seja a construção de artigos sobre estudos de caso, devidamente apoiados por investigação científica. É o único meio em que me sinto à vontade para partilhar e o consigo fazer eficazmente (má, tão má no debate em falatório, credo). As experiências do último ano vieram certificar e selar a certeza do que eu acho que desde sempre soube. Tenho muito que aprender, pois claro que tenho. E muito curso avulso que tirar para sistematizar algo que apenas faço amadoramente. Mas é um percurso no qual me vejo a gostar realmente do que faço, diariamente.

Escrever, seja em forma de artigos seja em pesquisa académica, dar-me-ía outra coisa que eu tenho vindo a valorizar cada vez mais: a gestão autónoma do meu tempo. Os múltiplos projetos do último ano habituaram-me a tal. E, mais importante, fizeram-me ver que é possível. Era voluntária em dois projetos britânicos e nunca desde então pus o pé em solo londrino (graduation não conta). O escritório é irrelevante neste tipo de trabalhos, horário das 9h-17h, idem. 

Por isso, é com o coração um pouco mais leve desde o início deste post - blog catártico, é o que isto é - que eu confesso: o meu nome é S. e o meu futuro já não está nas instituições europeias diretamente, mas na escrita, jornalística e/ou académica. Assim, no máximo que me é possível antever, acho que serei feliz profissionalmente.






S.   

P.S. - E agora meter aqui no meio disto tudo os direitos das mulheres e a igualdade de género, coisa que me toca cada vez mais e me estimula o intelecto? Argh... Fica para outro dia, que neste pedaço de escrita esgotei as confissões todas para um mês!

terça-feira, 1 de maio de 2012

Ele há coisas... #8

Não bastava o meu enamoramento geral com Amsterdão, tinha de lá ter visto isto:


Isso mesmo, um carrinho elétrico a carregar a bateria. Neste ponto acho que devo ter mesmo dado um grito de alegria e surpresa; já tinha visto vários pontos de carregamento, em Londres, Lisboa e Faro, mas nunca um carro elétrico a carregar.



Sou adepta fervorosa de carros elétricos. Conheço bem as desvantagens destes automóveis - a pouca autonomia das baterias e a escassez de pontos de abastecimento, aliadas ao elevado custo dos mesmos ainda são grandes entraves à sua expansão - mas acredito piamente que são desvantagens normais para qualquer tecnologia recente e que com o aperfeiçoamento da técnica e com a massificação da produção irá chegar o dia em que estes meninos serão a norma. E eu mal posso esperar.



S.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Floralia Brussels

Há cerca de um mês, comecei a ver posters destes pela cidade:


Não foi nenhuma promoção bem disseminada, acho mesmo que a impressão que tive do "comecei a ver posters pela cidade" foi porque, na verdade, havia um no meu caminho diário, daí parecer que eram muitos porque o via todos os dias. Percebendo desde cedo que esta é uma cidade que não se dá a conhecer facilmente, que há que ser pro-ativo na sua conquista, estou sempre de olho nestas exposições/eventos efémeros que de vez em quando brotam aqui e ali na cidade. A imagem do castelo com as flores coloridas à volta suscitou a minha curiosidade e eu fiquei tentada a visitar a exposição das flores nesse mês. Pensei "Ver flores é uma ode à primavera, tenho de escolher um dia de sol para lá irmos visitar e isto ser mesmo bonito. Com o tempo e o calor que tem estado, não deve ser difícil."

Coitadinha, mal sabia eu que cidade meio-nórdica é esta. Ainda estava de ressaca da felicidade que foi usar manga-curta em meados de março, e do sol que na primeira metade no mês nos tinha brindado constantemente. Claro que uma pessoa, chega aqui, sente este tempo, e pensa: "Entrámos na primavera, isto agora é sempre a melhorar!

Pobre alma ingénua. Tive que levar com um mês inteiro de chuva diária, num padrão irritantemente regular de "amanhecer soalheiro + fim de tarde com chuva", apanhar uma molha porque me esqueci do chapéu-de-chuva num dos dias (lá está, uma pessoa sai de casa com céu limpo e nem se lembra que pode piorar) e ser atacada por calhaus brancos a cair do céu e trovões para dar valor a uma tardezinha de sol.

Assim, foi com uma alegria muito grande e nada antecipada que hoje acordei e um sol resplandecente entrava pela janela do quarto. Mais: estava calor! Foi assim, ainda surpreendida, que eu resgatei a ideia da Floralia dos recantos da minha memória onde já a tinha guardado sem qualquer esperança e decidi: é agora ou nunca! E lá fomos nós.

Claro que o sol resplandecente não poderia resistir ao padrão climatérico de Bruxelas e a seguir ao almoço já o céu se encontrava coberto de nuvens. Não desanima, ainda está calor! Felicidade acrescida por, pela primeira vez num mês, ter podido sair à rua sem o casacão de inverno.

O Castelo de Grand-Bigard fica nos arredores da capital. Tivemos de apanhar o metro, um tram e andar um bom bocado para lá chegar (meio às cegas porque não havia placas a indicar o caminho). A quantidade de moradias e o largo pitoresco de vila com os cafés e brasseries a toda à volta, mais a igreja centenária, anteciparam que o Castelo estaria perto e que já não nos encontrávamos propriamente em Bruxelas.

À medida que nos aproximávamos do Castelo, a minha antecipação crescia porque eu tinha visto uma ou outra foto na net e aquilo parecia ser qualquer coisa de especial.

Não desapontou. Ainda não estávamos lá dentro do recinto e eu já usava um sorriso de orelha a orelha ao descortinar canteiros de flores de todas as cores e feitios.




O Castelo fica numa grande ilha rodeada a toda à volta por um fosso de água, que em tempos deve ter servido para defender os seus habitantes e que atualmente dá um ar de conto de fadas a todo aquele cenário. Entra-se por uma ponte e encontramo-nos logo no páteo em frente ao Castelo. Tem um ar algo germânico, agora que penso nisso. Depois de devidamente admirado, passa-se ao que lá fomos realmente ver: os jardins no seu auge primaveril. Verde por todo o lado, canteiros e canteiros de flores de toda a espécie e cor, árvores imponentes, arbustos moldados, tudo muito bem arranjado e cuidado. 




Tenho de confessar que uma pessoa começa a enjoar tanta beleza. Ainda há pouco, enquanto passava as fotografias para o computador dei por mim a olhar incrédula para metade delas porque me pareciam montagens ou aqueles wallpapers de imagens de natureza impossivelmente bonitas.




Mas impressionou-me, sem dúvida. Apesar de hoje em dia ser difícil irmos às cegas para qualquer lado - googlar o sítio antes é tão tentador - e eu saber ao que ía, há qualquer coisa de especial em estar fisicamente no local, experimentar uma vista a 360º, percorrê-lo com os nossos pés, sentir os cheiros, o calor (abafado) do dia e ver o que as fotos estilizadas nunca nos mostram. E, claro, descobrir estes locais de extrema beleza aqui em Bruxelas faz bem à alma.




S.