quinta-feira, 31 de maio de 2012

Trocando isto por miúdos

Foi perguntado a crianças pelos países europeus o que era para elas a Europa (eu tive uma disciplina inteiramente devotada ao tema durante a licenciatura, chamada "História da Ideia de Europa", e ainda não sei) e que a desenhassem.

O resultado foi uma maravilha misteriosa de pinturas com as mais variadas coisas desenhadas que se pode imaginar. A exposição encontrei-a eu por acaso, num cantinho do Parlamento.


Gostei de ver como há lugares-comuns que são inevitáveis e conceitos partilhados por crianças portuguesas e húngaras: a Itália tem forma de bota e a Sicília de bola, quão docemente previsível é isto? Já a melancia na Grécia confesso que me deixou baralhada... E o barco ali na heartland do continente, idem.


O recreio europeu das crianças britânicas. Gosto do pormenor de algumas estarem a dar as mãos.


O das crianças portuguesas estava um abuso!... Olhem-me para aquele mapa perfeitinho e aquele Galo de Barcelos todo engalanado!


Quando me deparei com o desenho das crianças finlandesas, confesso que fiquei uns bons 5 minutos a admirar e a tentar decifrá-lo. Consiste, portanto, num castelo, com a bandeira finlandesa hasteada, e com crianças lá dentro a acenar adeus a um boneco de neve gigante cá fora. Tudo branco...

Ora, o branco facilmente se associa à neve. Mas é tudo o que consigo decifrar. Acho que a chave aqui é o ato de dizer adeus... Mas a um boneco de neve?? Que será ele? Sugestões aceitam-se.


As crianças belgas, para mim, levam a bicicleta. Temos pássaros de todas as cores e feitios, segurando no bico uma bandeira nacional e portanto representando os diversos estados-membros. Em moldura a toda a volta temos a palavra em várias línguas que melhor representa o cerne, a verdadeira essência da UE: PAZ.


Cheguei ao escritório ainda com largo sorriso de orelha a orelha.

Deixo aqui o mapa mais completo com os símbolos que representam cada país. Desafio-vos a comparar com as vossos próprios estereótipos :D. Bate tudo certo!





S.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ele há coisas... #14

Bruxelas providenciou-me um novo jogo: em vez de "Onde está o Wally?", o "Onde está o Lápis?"


Na varanda, como que a abrir uma janela 



Na porta da garagem, a empunhar uma espada-lápis 



Na... er... não sei bem o que isto é (uma janela tapada com tijolos?)


Estou com fé que hei-de encontrar mais. É só manter a pestana bem aberta.



S.

domingo, 27 de maio de 2012

Ele há coisas... #13

Antes de chegar a Bruxelas, já levava bem conservada na mente a informação de que a Place Flagey é o eixo da comunidade portuguesa na capital belga. 

Por coincidência, acabámos por arranjar casa relativamente perto. Por isso mesmo, a Place Flagey é lugar frequente de passeatas ou recados (o nosso posto de correio é ali). Os olhinhos vão sempre abertos tentando descobrir nomes de serviços, lojas, cafés, restaurantes, que denunciem a presença lusa intensa à volta daquele local. Três já conseguimos enumerar: um bar chamado "Pessoa", um restaurante de nome "Casa do Bacalhau", e um café entitulado "Vitória".

Ali perto, descobrimos uma loja de produtos portugueses que nos fez brilhar os olhos sob a perspetiva de bacalhau, polvo, e outras iguarias com cheiro a Portugal sempre que as saudades apertem mais forte. 

A aproximação do Euro 2012, coincidente com o Dia de Portugal (que já tem sardinhada e bailarico agendado aqui em Bruxelas!), faz-nos acreditar que a presença portuguesa em Bruxelas vai-se fazer notar em toda a sua plenitude daqui a duas semanas.

Até lá, essa presença vai sendo já descortinada:





S.

sábado, 26 de maio de 2012

Ele há coisas... #12

O calor chegou à nossa rua. E eu, pela primeira vez, coincidência ou não, noto que uma bandeira belga ondula alegremente numa das varandas vizinhas.


Isto não seria uma observação tão peculiar se os belgas fossem dados a nacionalismos, o que não são. De todo.



S.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Canela bebível

Em Caen, encontrei uma daquelas lojas que me aquecem o coração:


Uma loja de chás. Depois da Twinnings, que, como amante de chás, frequentei regularmente quando vivia para lá da Mancha, a Chocolathés. 

Estava eu maravilhada a olhar pela montra para toda a panóplia de jarros e potes com chás de diferentes sabores, quando noto numas embalagens de Kusmi, o meu chá de chocolate. Em menos de um segundo abria a porta (que fez um delicioso "plim", como nas lojas antigas) e estava lá dentro à procura do chá Kusmi de canela, que, a avaliar pelo de chocolate, pensava eu ser imperdível.

Kusmi Cinnamon não tinham mas chá de "Cánéle" havia com fartura. Sim senhora, também serve. É comprado aos 100g de cada vez, pesado e posto num saquinho de papel muito catita, com o nome - lá está - Canelle, escrito, não vá o cheiro intenso a canela que aquilo exala me confundir e pensar que é chá de limão. 

Quando vi que aquilo era vendido aos 100g fiquei um bocado apreensiva pois parecia-me carote. Mas quando vi o senhor a encher a embalagem e que 100g era muito chá relaxei e apetecia-me era passar ali umas boas horas a cheirar chás e a tentar descortinar quais gostaria de experimentar. Mas a excursão às Praias não esperava por nós e portanto tive de me contentar com o de "Cánéle".   


Ainda só provei duas vezes, por isso a minha opinião ainda não está formada... Mas ainda não estou verdadeiramente impressionada. A primeira vez acho que pus pouca quantidade no filtro, infundiu pouco. A segunda esteve melhor mas ainda assim não é tão bom como o de chocolate... A ver vamos se é falta de técnica ou de gosto.




S.


P.S. Facilmente se depreende que este post foi um pretexto fraquinho para eu mostrar que aprendi a fazer gifs.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Normandia, a saborosa

Finalmente, um sítio onde se come bem!


Diz que é uma Ilha Flutuante. O que fomos descobrir...

Clássicos profiteroles

Frango assado (ainda assim a coisa mais cocó que comemos. Não há frango assado como o português...)

A melhor pizza da vida. Tinha natas, ovo estrelado, queijo Camembert, batata e bacon. A minha barriga ía explodindo.

Escalopes de perú à Normando (no fundo, bifinhos com cogumelos)

Uma comida que começa com Bis... Bistrosse ou Bistrot. Era bom, pronto.

Jambom (do bom)

Macarrons gigantes de todas as cores

É veau... Que eu ainda não me dei ao trabalho de ir ver mas acho que é carneiro

Ainda estou com água na boca dias depois das minhas papilas gustativas terem voltado a sorrir (bonita imagem mental). Vivendo numa cidade ridiculamente cara e cuja gastronomia se resume a batata frita com maionese por cima, quase chorei de alegria por estar numa terra com comida variada, cozinhada com cuidado e imaginação e sem se pagar este mundo e o próximo por ela.

Graças à guia que nos levou às Praias, ficámos a saber que as vacas da Normandia são muito boas para leite e a sua carninha é da melhor que há, consequência de terem erva fresca todo o ano (a chuva constante daquela terra havia de ter uma vantagem). Também graças a esta normanda muito entusiástica pela sua terra natal, ficámos a saber que na Normandia não se produz vinho (demasiado frio) mas maçãs há com fartura. Daí que a bebida regional seja a Cidra de Maçã, que tem de ser bebida após 15-20 anos de maturação sob pena de se apanhar uma piela ao primeiro gole. Enchi-me de coragem e numa das refeições pedi uma garrafinha. Molhei o bico e não gostei (para variar). O D. diz que sabe a cerveja. Eu acredito.


Também com maçã provámos um gelado, esse muito bom. Tinha um creme chamado Beurre du Sucre, maçã quente caramelizada, caramelo líquido, chantilly e uma bola de gelado. Que maravilha, senhores!... O objetivo agora seria o de tentar imitar, mas isso era preciso paciência para a culinária, que é coisa que não abunda por estes lados.




S.

sábado, 19 de maio de 2012

Normandia, a sagrada

Os últimos dias têm sido de elevada dose de maravilhamento. Por isso mesmo, tem sido difícil pôr o que vai nesta cabeça em palavras coerentes. E, verdade seja dita, sou daquela espécie de gente que acha que muita coisa boa é mau sinal e que não se deve falar dela, pois está-se sempre à espera que a vida nos pregue uma grande partida e aconteça uma desgraça qualquer para equilibrar. "Ah-ha! Enganei-te!", é o que se desconfia que mais tarde ou mais cedo nos diga a vida.

Mas o maravilhamento mais recente pode ser falado porque já está feita a experiência e essa ninguém me tira. Maravilhamento esse que se chama Normandia e tem cheiro a 1944, mais precisamente o dia 6 de junho.

Esta era uma viagem que me estava a moer a parte de trás da cabeça (que é onde se guarda os desejos, acabei de inventar confirmar cientificamente): visitar a Normandia e as praias onde se deu o desembarque das tropas Aliadas no tão afamado Dia D. Não é uma viagem típica, exótica ou particularmente glamourosa. Mas faz parte do meu fascínio com os pontos de viragem que tornaram a Europa no que ela é hoje. E o que a Europa é hoje, a muito deve à Segunda Guerra Mundial.

Aquelas praias gritam "Liberdade" muito mais do que qualquer sítio que conheço. Conhecendo-se a História e tendo-se uma guia que aviva a memória, explica os pormenores intricados da estratégia e que conhece cada cratera de bala como as linhas da palma da sua mão, é só deixar a imaginação voar e quase conseguimos ver as silhuetas dos navios Aliados ao fundo, ouvir os gritos alemães em terra e os soldados americanos, britânicos e canadianos a pisar solo europeu pela primeira vez desde 1940 para libertar uma Europa temente sob o jugo alemão. Se esforçasse a vista como deve ser, estava certa que conseguiria ver a costa inglesa do outro lado do Canal... (não consegui, não é assim tão perto)

Fiquei a conhecer pormenores deste fatídico dia 6 de junho de 1944 que me fizeram compreender realmente o quanto na guerra é improviso, cabeça fria e boas decisões. Que apenas metade se deve a uma boa, planeada ao milímetro, estratégia, e que o resto está nas mãos do acaso.

Ondas de gratidão invadiam-me à medida que pisava estes lugares e que pormenores eram desvendados dos quais uma pessoa ou não faz ideia, ou não significam grande coisa revelados numa sala de aula. O mar de cruzes brancas que é o Cemitério Americano é um bom exemplo; vastidão de cruzes e cruzes, polvilhado de estrelas de David aqui e ali, nunca um local me conseguiu inspirar tanto respeito e horror como aquele.

Gratidão e maravihamento (não me ocorre melhor palavra em português para descrever isto) perante aqueles milhares de seres humanos que deram a vida por uma causa que não era a deles, que não tinha que lhes dizer respeito, que não lhes tocava pessoalmente. Dar a vida, literalmente, para que o resto do continente pudesse respirar livre. Só me apetecia ajoelhar, rastejar naquele solo tão fortemente carregado de simbolismo, e em toda a humildade agradecer a estes desconhecidos terem dado as suas vidas para que a Europa que conheço hoje possa existir. 

Há lugares sagrados, de facto. Um deles é a costa da Normandia. Não creio que os nossos outros companheiros de viagem, todos americanos e com mais de 50 anos, tenham compreendido por que estávamos naquela excursão. "São estudantes de História?" Não, senhora. "Então e que papel teve Portugal na Segunda Guerra Mundial?" Neutro. A razão do nosso interesse permaneceu um mistério para eles. 

Porque grande parte das pessoas que ingressam neste reconhecimento das praias da Normandia são americanas. A História do seu país liga-as àquele local, compatriotas seus morreram e mostraram bravura sublime ali, quem sabe alguns familiares seus também. Agora, nós, dois portugueses jovens, sem nenhum vínculo nacional ou familiar que nos ligasse ali, o que nos motivava? Além da curiosidade aguda de duas pessoas profundamente fascinadas pela Segunda Guerra Mundial, há uma outra razão: uma razão chamada Europa. Porque eu não sou só portuguesa, sou europeia. E a minha educação como europeia passa pelo reconhecimento dos locais que fazem a minha terra ser Europa, mesmo que tenham ocorrido a milhares de quilómetros do pedaço de terra retangular a que chamamos Portugal. Ali, a nossa europeanidade sobressai, explícita quando pensamos "Uau, a quantidade de americanos que morreram para nos libertar", ao invés de "Uau, a quantidade de americanos que morreram para libertar os franceses". 

A identidade é uma coisa engraçada.

A peregrinação acabou. Amanhã partiremos para algo mais descontraído mas que vai elevar o pico do maravilhamento a níveis impossíveis (assim o espero). O Mont Saint-Michel espera-nos. 




S.

domingo, 13 de maio de 2012

Brincar às Uniões Europeias

Fiquei contente por, apesar de estudá-la à exaustão, trabalhar nela diariamente e escrever artigos todas as semanas sobre a mesma, descobrir que me consigo entusiasmar pela União Europeia como quando ainda era um sonho longínquo. Entusiasmar-nos que nem uma criança com o nosso trabalho só pode ser o prelúdio de uma relação saudável com a parte profissional da nossa vida :)

O mapa onde assinalámos, com uma moeda de 1cêntimo a nossa terra natal

Não é todos os dias que se tem a vista do outro lado... (Parlamento Europeu)

Porque 2012 é o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo


A cadeira lusitana no Conselho de Ministros


 O segundo país a receber mais fundos europeus, logo a seguir à Espanha...

A parafernália de posters para pendurar na parede ("Growing Stronger Together", indeed)




S.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ele há coisas... #11 (HP ALERT)

Entretanto, numa montra não muito longe de casa:



Isto são VARINHAS MÁGICAS à venda!



 As varinhas mágicas dos protagonistas



 Mas isto, isto foi o topo. É o MARAUDER'S MAP, pelo amor de Deus!!


Um time-turner :')


E, como não podia deixar de ser, uma vassoura mágica!


Objetos que eu nunca tinha visto em forma física, apenas imaginado através de poderosas descrições daqueles livros. Muitos dos objetos desta montra aparecem apenas no último livro, o único que só fui capaz de ler uma vez. Ainda assim, o reconhecimento foi total e inegável.

Está mais que visto que nunca vou deixar de sentir atração e fascínio por este mundo. Se isso significar olhos brilhantes e comoção ao ver um par de varinhas ou uma snitch dourada numa montra de uma livraria em Bruxelas, não me vou queixar.



S.

Lavandarias são (demasiado) públicas

O facto de não termos máquina de lavar roupa faz com que a visita à lavandaria, ou melhor, à loja de lavar roupa, seja frequente.

Leva-se a roupa numa mala de viagem, mete-se dentro da máquina com o detergente, enfia-se a ficha e a máquina começa a fazer o seu trabalho (e não, não é preciso separar roupa branca de roupa escura, isso é o maior mito existente sobre a vida doméstica). Normalmente volta-se para casa ou dá-se um passeio e volta-se lá dentro de uma hora para ir buscar a roupa lavadinha.

No outro dia coube-me a mim ir buscar a roupa lavada. Pela primeira vez, depois de ter presenciado roupa a secar naquelas máquinas industriais, acalmei o receio de roupa encolhida (esse sim, não é mito) e meti a roupa molhada toda lá para dentro de uma dessas máquinas gigantes. Aquilo é tirar à mão-cheia de uma máquina e enfiar dentro da outra (atenção que este pormenor é importante).

Sim senhora, em 10 minutos a roupa ficou enxuta, toca a enfiar outra vez dentro da mala e ala para casa (de notar que eu tinha entrado, há meros 20 minutos, com um sol radioso, e quando saí chovia a potes. A surpresa face a estes caprichos climatéricos vai sendo cada vez menor...).

Chego a casa, começo a tirar a roupa da mala, a dobrar tudo muito dobradinho, quando pego numa peça de roupa estranha, arregalo muito os olhos e grito "Isto não é meu!"

E que peça era essa? Nada mais nada menos que um fio-dental branco, transparente e às rendinhas, que tinha viajado muito sossegadinho entre o resto da nossa roupa.

O primeiro pensamento foi "EEW!". O segundo veio imediatamente, em forma de pergunta "E agora que raio é que eu faço a isto?"

Várias hipóteses se me afiguraram:

a) Fica para mim;

b) Volto à loja de lavar roupa, meto-o em cima de uma máquina, e quem for o dono que se acuse;

c) Livro-me dele imediatamente, nomeadamente metendo-o no lixo.

A a) acho que nunca foi verdadeiramente opção... Apesar de eu ter a certeza que aquilo estava lavado - vinha junto com a minha roupa lavada, mais certeza não podia ter - continua a ser nojento. É de outra pessoa qualquer, sei lá onde é que aquilo andou (quer dizer, saber sei, aí é que está o problema). Mas a c) também não me parecia muito bem... Se eu deixasse uma peça de roupa esquecida na máquina ía gostar que quem achasse me a devolvesse. Aquilo podia ter algum valor sentimental, sei lá. Mas o facto é que eu tinha acabado de vir a pé do trabalho, continuava a chover a potes, estava cansada e tinha fome, e não me apetecia muito voltar lá para meter o fio-dental em cima de uma máquina à espera do dono. E ficar com aquilo ali durante mais de uma semana até ser dia de lavar roupa outra vez... Não me parece. Daí que tenha ido direitinho ao lixo.

Aprendi a lição e a partir de agora vou sempre dar umas valentes voltas ao tambor da máquina antes de meter a minha roupinha a lavar e retirar tudo o que estiver a mais. Não me apetece levar com roupa interior alheia outra vez.





S.