sábado, 16 de junho de 2012

Ele há coisas... #17

A cegonha é o símbolo de Estrasburgo. Há-as por todo o lado:


No maior e mais famoso parque da cidade, o Parc de L'Orangerie, há inclusivamente um centro de reprodução destas meninas; o que significa que vi de perto crias de cegonha pela primeira vez. Parece que se dão bem na Alsácia (eu, se fosse cegonha, também me daria bem na Alsácia. Pensando bem, sendo humana, dar-me-ía bem na Alsácia na mesma...)







S.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Alsácia sem a Lorena

Enquanto janto os melhores bifinhos com cogumelos que já provei na vida (França tem tendência para me brindar com muitos "o melhor *inserir prato* que já provei na vida"...) tento sintetizar as minhas primeiras impressões da Alsácia. 

Se na Normandia se respirava liberdade (historicamente imaginada), aqui respira-se união (fisicamente sentida). E acabaram de me trazer um chá com uma bolacha Speculoos, que coisa tão doce e estranhamente belga! Neste canto francês com tantos nomes acabados em "heim", a pernoitar numa terra demasiado germânica e cujo nome ainda não sei pronunciar, acabo por não conseguir descortinar se Estrasburgo é mais gálico ou germânico. No fundo, pouco importa, pois pertence áquela classe de cidades com qualidade de vida impossivelmente elevada. Dois mundos juntam-se aqui na Alsácia, dando o melhor de si para formar um resultado de louvar: a organização e eficiência germânica com o bom-viver francês.

A França tem também cheiro a casa, descubro agora. O francês palrado de fundo e os "bonjour!"s dados com alegria não fazem parecer que atravessei quatro países para cá chegar. 

Alsácia é a nacionalidade do meu cão, também (do meu ex-cão - pode-se dizer "ex-cão"? Para não confundir com o atual e não dizer "o meu cão que já morreu". Deve-se poder. E este também é o meu blog, portanto, eu é que sei). Alsácia lembra-me sempre "Lobo da Alsácia", vulgo Pastor Alemão (O pai da Merkel é um pastor alemão. Juro. Na altura tive que ler essa frase várias vezes até ela fazer sentido, mas agora faz.). Saudades que fazem sempre cócegas no fundo do estômago e que não têm a distância da Alsácia a Lisboa, mas da Alsácia ao céu.

Gosto deste centro da Europa. Aguça-me a curiosidade por esses dois países imensos que são a França e a Alemanha e ajuda-me a reparar no quanto ainda me falta da Europa para ver com os meus próprios olhos e calcorrear com os meus próprios pés.





S.


P.S. O Kobo já cá canta, sim. Estamos na fase de reconhecimento um do outro, numa relação que se quer duradora e cheia de alegrias.   

P.S.2 E esta vida de quarto de hotel single é esquisita e solitária para caraças. E eu sou a pessoa mais anti-social que conheço...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A 2ª (ou 1ª?) casa do Parlamento

Amanhã rumarei com a peregrinação parlamentar mensal para Estrasburgo. Diz que é uma cidade incrivelmente bonita e irritantemente organizada e limpa, do tipo Amesterdão, vá.



Cidadezinha medieval e céu azulinho... Até já estou a enjoar a perfeiçãozinha toda e ainda não pus lá os pés... (Isto é só inveja porque Bruxelas não é nem medieval nem tem céu azul)

Mas parlamentos, trabalhos, passeios e medievalidades à parte, estou ansiosa porque finalmente vou buscar o Kobo fónix, já não era sem tempo, mal durmo com a antecipação, agora só falta chegar lá e estar esgotado ou assim, com a sorte que eu tenho, e mais 10 km e aquela cidade era alemã e já não dava porque não havia Fnac nem Kobo para ninguém

Espero, na viagem penosa de cinco horas de comboio de volta, já ter um novo entretém.



S.

domingo, 10 de junho de 2012

Ele há coisas... #16

Hoje, na Festa de Portugal, em Saint-Gilles:



"Amo-te Portugal, és especial"


Feliz Dia de Portugal!



S.

Despedidas são cocó

Estes últimos dias deram para constatar que Bruxelas, de facto, se consegue ver só num dia. Este facto já me preocupou mais do que agora. Há que acrescentar que Bruxelas se vê apenas num dia, a pé. Esta última parte tem o seu quê de reconfortante. Traz consigo um sentimento de liberdade enorme: saber que os sítios mais interessantes da cidade estão à distância dos meus passos, e que não dependo de mais nada para os ir visitar além da minha vontade de levantar o rabo do sofá.

Noutra nota, vou descobrindo que as saudades conseguem ser sentidas de diferentes formas pelas mesmas pessoas mesmo em circunstâncias semelhantes: desta vez, em Bruxelas, sinto mais a falta dos meus pais do que sentia em Londres. Não sei bem explicar porquê. A distância de Portugal é sensivelmente a mesma, a vida também. Não sei se será da dificuldade acrescida - ainda que sentida inconsciente - de ir a Portugal, uma vez que agora tenho emprego e horários a cumprir e satisfações a dar a chefes e essas coisas chatas. Ou poderá ser do facto de que Londres era a primeira vez que mudava de casa e ía viver sozinha, ainda que acompanhada.

As despedidas para quem fica são terríveis. Ui, senhores. Aquele silêncio que se instala em casa depois de uns dias com ela cheia. Parecido com a ressaca pós-Natal, quando toda a gente se vai embora. E eu nem fiquei sozinha. Faz-me crer cada vez mais que eu seria incapaz de fazer vida de emigrante por minha só conta. Seria berreiro certo, com muito sentimento de penazinha de mim mesma. Uma vénia de enorme respeito a quem faz isto sozinho. 

Verdade que desta vez podia dar a desculpa das hormonas para ter ficado sorumbática e cheia de triste mas não vale a pena. Recuso a aproveitar a minha condição de mulher para desculpas esfarrapadas e justificações de vítima. E é sempre melhor admitir o que se sabe ser verdade: fiquei triste. E isso é saudável e humano (a minha normalidade nas despedidas e a ausência de saudades profundas anteriormente já me tinham preocupado um bocadinho).

Quase me arrastei para o jantar de amigos ontem. A minha natureza anti-social manifesta-se em todo o seu esplendor quando estou mais macambúzia, por isso foi com esforço que troquei de roupa e lá fomos (a pé, cá está!). A minha surpresa quando lá cheguei e me senti instantaneamente melhor, me diverti, sofri com Portugal e distribui palmadinhas verbais nas costas, especialmente ao D.: "Ainda temos dois jogos para jogar, nada de pânico ou desânimo". 

Em julho contamos ir uns diazinhos à terra-mãe. Mas se não formos, será muito provavelmente bom sinal.






S.  

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A saga do Kindle

Há coisa de ano, ano e meio, comecei a cobiçar suavemente o Kindle da Amazon. A flirtar seriamente com a ideia de poder ter os meus livros todos num aparelho do tamanho de um livro e tão fino como uma revista. Conheço de ginjeira o argumento principal de quem é contra estes aparelhos: o "e o cheiro a livro novo que a tecnologia nunca pode imitar, e o virar a página que nunca mais vais poder experienciar?". Ao que eu respondo: "Por favor, eu compro quase todos os meus livros em segunda mão pela Amazon, não sinto o  cheiro-a-livro-novo há anos e não é dele que sinto falta: é de ler." O que conta não é a forma, é o conteúdo.  E para isso tanto me dá que as histórias estejam num aparelho eletrónico ou em papel. A qualidade de escrita não se mede pelo meio onde está impressa. Para mim, o maior entrave no ler livros é o espaço que me ocupam antes e depois de estarem lidos. O peso que me ocupam na mala quando tenho de mudar de casa na nossa vida ainda tão temporária. Para mim, a possibilidade de carregar, no melhor e mais leve dos sentidos, mil livros num aparelhinho que pesa menos do que uma chavena de chá é a característica mais valiosa.

Dizia eu que há ano e meio começava a flirtar com o Kindle. Na altura, porque tentava arranjar um método sério e consistente que me permitisse aproveitar as duas horas diárias que passava no metro com estudo, e porque queria levar comigo as leituras, apontamentos e rascunhos da dissertação para a biblioteca, para a universidade, para casa e para o metro, decidi que um notebook seria um investimento consideravelmente mais útil que um Kindle que só me permitiria ler. Acertei, sim senhora. O pequenino computador que encomendei pelo eBay (não tive coragem de dar mais de cem libras por um; chegou impecável a casa, ainda que com teclado inglês) foi o melhor investimento que já fiz ao nível de gadgets. É pequenino e cabe na minha mala pessoal. Levo-o para férias na mochila misturado com a roupa. Serviu o seu especial propósito de me ser a ferramenta indispensável na leitura e escrita para a tese. Não suporta jogos nem cds; mas quem precisa de qualquer um dos dois? Eu cá não.

Só numa coisa ele me falhou: na leitura. É um defeito totalmente meu, assumo-o; o pobre coitado cumpre a sua função com diligência e se eu quisesse poderia ler e-livros aqui como li tanto artigo para a tese há um ano (oh meu deus, está a fazer um ano... para onde é que foi o tempo?!). Tentei, uma vez. Temo não ter funcionado como gostaria. Porque o computador, devido à sua inerente multifuncionalidade e ao meu cada vez mais curto attention span, torna-se o pior sítio possível para ler algo que se pretende saborear. Artigos, funciona; sou obrigada a prestar atenção porque preciso de tirar notas e são relativamente curtos. Mas ler um livro, que se pretende que seja um momento de relaxamento, a dois, só eu e o autor, é impossível. Aprendi isso à custa da experiência, e o interesse pelo Kindle renasceu.

Entretanto voltei para Portugal. Qual não foi o meu grande espanto quando descobri que é impossível encomendar o Kindle para o nosso território! Ou melhor, ser possível, é, mas apenas dos Estados Unidos e a custar mais uns 50 euros do que se comprasse em Inglaterra pela Amazon.co.uk. Como já tive uma muito má experiência com produtos importados dos EUA e presos na alfândega, encomendar coisas americanas é coisa que me recuso a fazer. Fool me once, shame on you, fool me twice, shame on me.

Tentei todas as Amazons europeias, nada. Nenhuma exportava para Portugal, ou mesmo para fora do seu território nacional. Num mercado europeu que se quer livre e único, a honrar a máxima da "livre circulação de bens e serviços", esta é uma das maiores aberrações com que me deparei. Mas adiante.

Quando soube que viria morar para a Bélgica, tive a brilhante ideia de esperar e encomendar pela Amazon francesa. Pensava eu que, tendo a mesma língua, sendo um território contíguo e tão pequeno que as tarifas de expedição de livros normais são as mesmas que para o território continental francês, seria de certo possível encomendar o Kindle francês. Faz de conta que isto ainda era França, xiu, ninguém ía notar. 

Já se deve estar a ver que não foi o caso... Caiu-me o queixo de incredulidade quando vi que Bélgica tinha o mesmo estatuto que Portugal em termos de Kindle: ostracizado. Revoltei-me. Estava fula com a Amazon e comecei a ver outros e-readers. Nenhum me parecia tão bom como o Kindle, no entanto.  Ou tão bom e tão barato, vá. A dois passos de casa descobri uma loja da Sony que tem insistente e irritantemente os bonitinhos e-readers na montra mas que custam o dobro do da Amazon. Recuso-me a pagar mais por um substituto.

Entretanto, descobri que a Fnac tem o seu próprio e-reader também. E que neste momento está com uma promoção que o põe um niquinho mais barato ainda do que o Kindle. As boas características continuam lá - especialmente o ecrã que eles chamam e-ink, que imita a textura de uma folha de papel impressa, tornando a leitura de um livro num e-reader exatamente igual à leitura em papel - e melhor: tem ecrã tátil. Apenas um senão: o Kobo (nome do aparelhozinho) custa mais 30 euros na Fnac belga, neste momento. Segundo momento de frustração com a porcaria do mercado único, ARGH! Nem na mesma empresa, chiça! 

30 euros pode não parecer muito mas há que entender que eu sou uma pessoa com uma relação muito difícil com o dinheiro na medida em que me custa largá-lo. Sou amante possessiva e ciumenta, controladora. Penso sempre "X custa 100 euros, oh! O que eu podia fazer com 100 euros!...". E depois acabo por nunca fazer nada. (Exceto viajar. Não compro uma única peça de roupa desde que cheguei a Bruxelas, mas viajar, ah senhores, isso ninguém me tira!)

Por isso, é com muita antecipação e em meia-voz (com medo que o universo oiça e eu chegar lá e aquela porcaria já não estar em promoção) que eu conto os dias até voltar a solo francês, mais propriamente solo Fnac-francês, para poder finalmente adquirir um e-reader sem pesos financeiros na consciência. E desfrutar dele já no comboio de volta. 






S.


P.S. Entretanto descobri que praticamente todos os clássicos são grátis em formato e-livro, presumo que por razões de direitos de autor expirados ou assim, o que redobrou o meu entusiasmo pelo Kobo e a minha antecipação por voltar a França.

sábado, 2 de junho de 2012

As cidades dos mortos da Normandia

Este post vem uns dias atrasados porque andei propositadamente a adiar escrevê-lo. Não apetece, e tal, seria um bocado extenso e algo emotivo, escrevo amanhã. Mas após muitos amanhãs e post nem vê-lo chegou a altura de vencer a preguiça e deitar mãos à obra. Isto porque daqui a mais uma semana é que ele deixa mesmo de ser pertinente e há coisas que merecem ser registadas.

Ora bem, cemitérios.

Tinha um professor na licenciatura que uma vez disse que uma das melhores formas de se conhecer realmente um povo e a sua cultura é indo a um dos seus cemitérios observar a forma como honram os seus mortos. A frase ficou-me pregada à memória e penso nela sempre que passo por um ou os vejo assinalados num mapa. E estou cada vez mais convencida que o tal professor tem toda a razão.

Em Londres, um dos sítios mais marcantes que visitei foi o Highgate Cemetery, um cemitério nos arredores da cidade que revolucionou o meu próprio conceito de cemitério.


A partir daí, ganhei fascínio por estas diferentes cidades dos mortos, que espelham realmente bem a forma como uma sociedade encara o seu passado.

Na Normandia, o caso não foi diferente. Tomou talvez outras proporções por serem mortos especiais para a consciência coletiva de vários países, e para a Europa no seu todo. Refiro-me, claro, aos cemitérios de guerra.

As excursões às praias do Desembarque na Normandia todas incluem visitas a cemitérios de guerra. O problema que pode surgir é escolher: há o americano, o britânico e o canadiano. Geralmente as excursões são divididas em temáticas nacionais: os americanos têm como opção visitas guiadas aos setores das praias onde desembarcaram as tropas americanas mais o cemitério americano, e assim sucessivamente para britânicos e canadianos.

A nossa visita incluíu Omaha Beach (americano), Gold Beach (britânico), porto de Arromanches (britânico) e o tão famoso Cemitério de Guerra Americano da Normandia. Estava especialmente curiosa para visitar este último uma vez que os cemitérios americanos são sempre aqueles campos verdejantes e apaziguantes, de cruzes brancas, que se conhece dos filmes.

A verdade é que aquele lugar tem uma atmosfera de surrealidade impossível de descrever fielmente (eu vou tentar na mesma).


O dia, cinzento, chuvoso e frio, com algum vento à mistura, parecia ter sido escolhido de propósito para instalar o humor certo.

Números lidos num livro de História ou apontados a giz num quadro preto de uma sala de aula não conseguem de forma alguma imprimir na nossa compreensão a quantidade de gente que constitui o número dez mil. Mas um campo com cruzes brancas espetadas consegue.


Foi-nos dada cerca de meia-hora para cirandar pelo espaço, olhar as cruzes, ir até à capela multi-confessional no centro do cemitério e procurar a cruz do filho do Presidente Roosevelt, que participou no Desembarque.

Pelo caminho, encontrámos pormenores dignos de nota: as cruzes que não são cruzes, mas sim estrelas de David, assinalando que ali também combateram soldados judeus.


Cruzes engravadas com a frase "Here Rests In Honored Glory A Comrade In Arms Known But To God", assinalando soldados que nunca foram identificados.


Foi-nos dito que ali estavam apenas 40% dos soldados americanos que haviam tombado na Batalha pela Normandia, que durou cerca de 2-3 meses. Dez mil naquele cemitério, volto a frisar. Um campo imenso de linhas e linhas de cruzes brancas, mas afinal apenas uma gotinha no mar imenso das vidas humanas perdidas durante a Segunda Guerra Mundial.

Foi-nos dito também que aquele pedaço de terra onde está o Cemitério Americano foi concedido pela França ao Estado norte-americano, sendo que é completamente gerido pelo outro lado do Atlântico. Um batalhão de jardineiros cuida diária e zelosamente pelo espaço.

Algo que nos espantou foi a quantidade de cruzes que tinham uma rosa na sua base. Flores frescas, note-se. Sabendo que aquele é local de peregrinação de cidadãos americanos, suspeitámos que familiares dos soldados mortos ali fossem deixar as rosas em homenagem. Mas algo não batia certo; tantos e tão regularmente? A guia desfez o mistério. Ao que parece, existem no cemitério pessoas responsáveis por deixar flores nas campas, intervaladamente e de forma a que nenhuma campa esteja mais de duas semanas sem uma flor.

Ainda há fé na Humanidade. 

Dois dias depois, e após muita alteração de planos para melhor acomodar visitas imprevistas a cidades da Normandia, demos um pulinho a Bayeux.


Bayeux é cidade medieval, de ruas estreitas de calçada, casas de ripas de madeira e catedral imponente. É a cidade da famosa Tapeçaria homónima, considerada a primeira banda-desenhada da História, e que retrata a vitória de Guilherme o Conquistador na Batalha de Hastings, a última vez que os britânicos foram invadidos (1066!).

Mas Bayeux é também cidade de Segunda Guerra Mundial. Foi a primeira localidade francesa a ser libertada pelos Aliados. Por ser de ruas tão estreitas, foi a primeira cidade francesa a ganhar uma estrada circunvante, construída pelos britânicos para poderem facilmente deslocar soldados, munições, mantimentos, por esse ponto estratégico da Normandia. Foi, também, a única localidade a ser poupada à destruidora Batalha pela Normandia, graças a um soldado que, apercebendo-se da inexistência de tropas alemãs e conhecendo a importância centenária desta cidade, acorreu esbaforido e aos gritos para que os Aliados a poupassem a um bombardeamento (continua a haver fé na Humanidade).

É, ainda, a cidade do Cemitério de Guerra Britânico.



Este não tem cruzes. Lápides de pedra transmitem o mesmo sentimento de incredulidade perante os advérbios muitos e demasiados.

Aqui, para além do nome e da data da morte, as lápides têm a idade e uma mensagem personalizada, enviada pela família. A sensação de muitos transforma-se em indivíduos. Ali está bem presente que cada uma daquelas pessoas tinha uma mãe, uma mulher, um filho, uma filha que não voltaram a ver o seu ente querido.

As placas inevitáveis ao soldado desconhecido estão presentes, desta vez com a inscrição "A Soldier Of The Second World War Known Unto God".


No monumento principal, uma horda de papoilas de papel, exatamente iguais às que os britânicos usam à lapela por volta do Remembrance Day, em novembro.



Finalmente, o símbolo que melhor representa estas peculiares cidades dos mortos: a cruz-espada.



As duas nações anglófonas têm particularidades na sua relação com os seus mortos. Mas uma coisa é nítida em ambos os cemitérios: gratidão.



S.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O sol quer é aparecer

São 22h. Mas o sol teima em deitar-se. E o céu continua azul.


De manhã, a mesma coisa: às 5h já brilha ele contente pela janela. Já aconteceu acordar sobressaltada por pensar que o despertador não tocou e estou atrasada quando afinal ainda faltam duas horas para levantar. É certo que anoitecer às 16h como apanhei em Londres não é de todo agradável. Mas luz para lá das dez da "noite" altera da mesma forma esquisita o relógio biológico de uma pessoa...



S.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Trocando isto por miúdos

Foi perguntado a crianças pelos países europeus o que era para elas a Europa (eu tive uma disciplina inteiramente devotada ao tema durante a licenciatura, chamada "História da Ideia de Europa", e ainda não sei) e que a desenhassem.

O resultado foi uma maravilha misteriosa de pinturas com as mais variadas coisas desenhadas que se pode imaginar. A exposição encontrei-a eu por acaso, num cantinho do Parlamento.


Gostei de ver como há lugares-comuns que são inevitáveis e conceitos partilhados por crianças portuguesas e húngaras: a Itália tem forma de bota e a Sicília de bola, quão docemente previsível é isto? Já a melancia na Grécia confesso que me deixou baralhada... E o barco ali na heartland do continente, idem.


O recreio europeu das crianças britânicas. Gosto do pormenor de algumas estarem a dar as mãos.


O das crianças portuguesas estava um abuso!... Olhem-me para aquele mapa perfeitinho e aquele Galo de Barcelos todo engalanado!


Quando me deparei com o desenho das crianças finlandesas, confesso que fiquei uns bons 5 minutos a admirar e a tentar decifrá-lo. Consiste, portanto, num castelo, com a bandeira finlandesa hasteada, e com crianças lá dentro a acenar adeus a um boneco de neve gigante cá fora. Tudo branco...

Ora, o branco facilmente se associa à neve. Mas é tudo o que consigo decifrar. Acho que a chave aqui é o ato de dizer adeus... Mas a um boneco de neve?? Que será ele? Sugestões aceitam-se.


As crianças belgas, para mim, levam a bicicleta. Temos pássaros de todas as cores e feitios, segurando no bico uma bandeira nacional e portanto representando os diversos estados-membros. Em moldura a toda a volta temos a palavra em várias línguas que melhor representa o cerne, a verdadeira essência da UE: PAZ.


Cheguei ao escritório ainda com largo sorriso de orelha a orelha.

Deixo aqui o mapa mais completo com os símbolos que representam cada país. Desafio-vos a comparar com as vossos próprios estereótipos :D. Bate tudo certo!





S.