quarta-feira, 5 de março de 2014

Burocracia DIY

A minha comuna, apesar de ser esquisita, é bastante funcional e no outro dia ofereceram-me um leitor de cartões, para poder aceder aos serviços públicos online (portal de finanças, gerador de comprovativos de moradas e etc).

Como os cartões de identificação belga são mesmo muito semelhantes ao nosso cartão do cidadão, tive a brilhante ideia de experimentar se também lia estes últimos. Oh, joy to the world, lê os dois!

Apanhei um susto grande porque assim que instalei o software de leitura do CC a primeira coisa que apareceu foi a minha foto acinzentada em grande plano no ecrã do computador, e as fotos de Cartão de Cidadão são as maravilhas que toda a gente sabe. A reação seguinte foi a de gargalhar sinistramente enquanto a música "I've Got the Power" ecoava na minha cabeça.

Por entre códigos de alteração disto, códigos de verificação daquilo, códigos pin do não-sei-quê, uma pessoa sente que está a navegar por entre um software muito à NSA. E os meus dados estão ali todos, lidos por aquela maravilha de aparelho. Ainda não cheguei à fase do terror de ser espiada, ainda estou na sensação do seja-espia-você-mesma (ainda que só dos meus próprios dados), da S.-almighty.

Alterei a morada em casa, com os novos códigos que entretanto me tinham chegado e de forma a poder votar para as europeias na embaixada portuguesa. Uma ida desnecessária à embaixada poupada.





S. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

A máscara de atleta

"E tu, S., de que te mascaraste ontem, domingo de Carnaval?"

Ora, eu vesti a minha máscara de corredora e lá fui eu por esses caminhos bruxelenses afora, armada em atleta.

Agora a sério. Se há coisa que eu agradeço por viver em Bruxelas é não ter que levar com o Carnaval aí pelas ruas, gente mascarada, apitos, música sambaesca e afins característicos da época. Nem preciso de saber que é Carnaval, posso deslizar por esta festividade numa inconsciência abençoada que muito agradeço.

Mas vesti-me de corredora, sim senhora. Foi o meu último record de distância antes da meia-maratona em Lisboa, a corrida da ponte, como a gosto de pensar, que é já daqui a duas semanas. Foram 17.85 km (eu ainda não me dignei a arranjar uma coisa para medir caminhos. Calculo-os antes de sair para correr e confirmo quando volto, no site muito catita do Mapmyride. Aqueles 150 m deixaram-me um bocadinho piursa na altura de confirmar o que tinha mesmo corrido).

Estes praticamente-18-km significam praticamente-2-horas a correr e eu ainda não sei o que sinto realmente em relação a isto.

A corrida entrou na minha vida como um vendaval e eu tenho com ela a relação mais estranha que já tive com qualquer outra coisa. E não faço ideia onde ela vai culminar. Já fiz as pazes com o facto de ter sido uma batata de sofá durante tanto tempo, de odiar as aulas de educação física, de odiar desporto, de ter tentado tantas vezes incorporar exercício na minha vida e continuar a odiá-lo, e de agora ter metido na cabeça que ia correr uma meia-maratona porque sim. Já não me interessa que não me conheça, e agora a surpresa deste compromisso virou confiança absoluta de que se eu consigo fazer uma coisa tão fora da minha (antiga) zona de conforto, então consigo fazer qualquer coisa que possa imaginar. Pior (ou melhor, vá): o meu corpo consegue fazer coisas incríveis. E eu não fazia ideia. E precisamente por causa disto ganhei-lhe um respeito imensurável, tenho por ele uma admiração e carinho tão grandes que só me apetece é continuar a correr mais longe, a correr mais rápido para continuar a puxar-lhe os limites, a fazê-lo feliz, a cumprir-lhe o destino biológico para o qual ele foi feito, animal que é.

Isto parece um bocadinho esquizofrénico, falar do meu corpo na terceira pessoa, até porque é mais como a gralha disse há pouco tempo: a minha relação com o meu corpo mudou desde que eu percebi que o meu corpo sou eu, não é um trambolho que arrasto de má vontade, e que portanto fazê-lo feliz, metendo-o a mexer e recompensando-o, só me fará a mim feliz.

E eu digo que a corrida é a relação mais estranha que eu já tive com alguma coisa porque eu não sou só feliz a correr. Aliás, eu raramente sou feliz a correr. Geralmente sou derrotista, às vezes sou aborrecida, tantas vezes penso "o que é que estás a FAZER?! vai para casa, JÁ!", muitas vezes aperto as luvas que levo na mão com tanta força que quase sinto as unhas a cravarem-se na palma, já me deu vontade de chorar com o esforço. Mas há mesmo muito poucas coisas tão boas nesta vida como o primeiro passo que dou na rua antes de começar um treino quando me sinto leve, leve, leve, ou receber olhares esbugalhados de pessoas encasacadas por ver uma menina de sorriso maníaco a correr de t-shirt quando estão pouco mais de zero graus, ou a vista da minha porta, já mesmo ali, 17 km depois e quase a chorar de alegria. E acordar nervosa antes dos treinos de maior distância, ao fim-de-semana porque sei que vem aí luta física e, muito provavelmente, quase duas horas que custam a passar. Nervosa! Como se fosse algo que não dependesse de mim absolutamente só, algo que só a mim me dissesse respeito, para o qual não tenho absolutamente nenhuma amarra.

Já tive dias que não me apetecia ir, manhãs que prolonguei na cama até quase ao limite da tarde porque já sabia o que me esperava assim que me levantasse. Já lamuriei ser dia de ir correr e temi que o meu entusiasmo com a corrida estivesse a desvanecer-se, como é tão normal com estas paixões explosivas mas efémeras. Houve dias em que me respeitei a mim própria, quando a vontade era tão negativa, e não fui, ficou para o dia seguinte.

Porque isto foi o que eu descobri e que me surpreendeu ainda mais do que se a paixão se tivesse desvanecido: eu acabo sempre por ir. E eu não sei explicar porquê nem o que me impele. A saúde não é, a perda de peso muito menos, a competição ainda menos. Diz que é a adrenalina. Talvez. Confissão um bocado envergonhada: às vezes dou por mim a vir do trabalho a pé e apetecer-me desatar a correr pela rua, qual cavalo galopante, só porque sinto falta da corrida e porque aquelas ruas são-me familiares do treino. É uma vontade um bocado desconcertante, de tão animalesca.

Uma rapariga que eu mal conhecia mas com quem falei entusiasticamente durante meia hora sobre isto das corridas, e que já tinha corrido quatro maratonas só no ano passado (!!!) disse-me assim: se tu queres correr uma maratona, fá-lo. Mas fá-lo por ti própria, aliás, tens que querer fazê-lo apenas por ti própria porque mais ninguém vai querer saber. Ninguém vai querer saber da distância que tu correste, do tempo que demoraste, nem do que te custou. Por isso só podes fazê-lo por ti.

E eu acho que é exatamente por isto que eu acabo por ir. Porque ninguém me obriga, nem eu tenho um compromisso com ninguém. Tem que ver única e exclusivamente com o que eu sinto, e com o que sei que sentirei assim que terminar a prova/treino.

É também por estas palavras sábias da minha mal-conhecida das maratonas que eu termino o post. Já chega, e ninguém quer saber. ;)




S.

Olá cidade belga, adeus cidade belga

Ainda não me habituei a isto de fazer uma viagem de menos de meia-hora de comboio e parecer que estou num país completamente diferente. Esqueço-me sempre, sempre, que Bruxelas é um enclave numa Flandres cada vez mais nacionalista e que me rosna sempre que ouso trazer os meus hábitos linguísticos francófonos para dentro do seu território. É como se sair para as redondezas de Bruxelas fosse ir ao estrangeiro. Os mesmos mecanismos mentais têm que ser feitos: desabituar a ver as coisas escritas numa língua que se entende, desabituar a ouvir pessoas falarem numa língua que se entende, e ter de ter cuidado para se nos dirigirmos a elas no inglês de turista. É estranho, ir ali dar um passeio a Louvain (ou, devo dizer antes, Leuven?) numa tarde e sentir-me uma turista desenquadrada, apesar de não ter passado nenhuma fronteira nacional.

Nem vou falar da cidade em si, toda limpa, ordenada, pituresca como uma caixa de bolachas belgas, e cheia de bicicletas. Só iria dar azo a mais lamentos sobre a fealdade, estranheza e sujice bruxelense. Como todas as cidades flamengas (das que eu conheço, pelo menos), Leuven tem aquele ar de País Baixo que mete impressão.

Só para registar aqui então que dei início à minha despedida formal da Bélgica no sábado ao começar uma série de passeios pelas cidades principais do país que vai deixar de ser o meu não tarda muito e do qual eu conhecia vergonhosamente pouco. Lovaina (até me assustei quando descobri que era este o nome da cidade em português) foi a primeira.




S.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dores de crescimento

Dei-me agora conta de que faz hoje dois anos que chegámos à Bélgica.

O que são dois anos numa vida? Nada. 

Continuo a sentir-me tão criança quanto quando aqui cheguei. Continuo com a leve sensação de que não faço ideia do que estou a fazer, nem do que devo fazer, e, às vezes, nem do que gostava de fazer. Sei, tão claro como a água (mas não a que sai das torneiras bruxelenses) que daqui a quatro meses vou-me embora daqui sem saber se estou a fazer a coisa certa. E o pior: provavelmente nunca vou saber. E isto é horrível. Eu cresci convencida de que os adultos sabiam sempre o que estavam a fazer e o que deviam fazer. Esta liberdade e múltiplas opções de escolha é humanizante mas paradoxalmente claustrofóbica. Nunca vamos saber se tomámos a decisão certa e haverá sempre tantas pessoas a enveredar por caminhos diferentes que nos farão questionar o nosso. É o ter que fazer uma escolha e viver com o "e se" de todas as outras que recusámos. Suficiente para uma pessoa dar em doida.

Haverá sempre alguém a fazer o mesmo que tu, melhor do que tu.

A única frase que me regula as perspetivas e acalma as ânsias, embora eu não consiga explicar porquê. A perspetiva de que há sempre alguém melhor do que nós só deveria era potenciar essas ânsias. Estranhamente, acalma-me a necessidade de querer ser melhor, de querer mais, de saber mais e de estar agudamente consciente de que sou a única responsável nisto tudo. Do ser melhor. É capaz de ser na lógica do "perdido por cem, perdido por mil", do fuck all para isto tudo.

Espero é entretanto não ter ficado a gostar da Bélgica afinal.






S.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

Definição de casa-pátria

Em Bruxelas, existem carros de muitas nacionalidades. Como aqui há gente de muitas nacionalidades, causa direta de isto ser a capital da Europa e de tudo o que gira à volta desse facto, haver carros de matrículas tão variadas não é nada de estranho ou digno de nota. Mas eu gosto de números e letras arranjados aleatoriamente e por isso ter matrículas variadas é uma coisa que me distrai os sentidos.
 
Portugal é o único país que usa uma faixa amarelinha de lado com o ano e mês em que o carro foi registado. Eu não sabia, mas após esta longa experiência empírica já concluí que sim, é o único. E então acontece que o meu estômago dá um salto de cada vez que eu descortino uma matrícula com uma listinha amarela, porque sei automaticamente que aquele carro vem de Portugal e algures ali perto (talvez até ao volante, se não estiver apenas estacionado) estará um português. É o mesmo tipo de salto de estômago que acontece quando oiço português na rua.
 
Agora imaginem quando vou a Portugal. O meu estômago parace um ginasta olímpico. É só carros com listas amarelas nas matrículas! E como isto já se tornou uma reação inconsciente, eu tenho que estar a dizer, frequentemente, ao meu estômago para parar com essa merda porque ali é normal. Estamos na terra deles! Ouvir português em todo o lado, idem.
 
Isto para dizer que ainda não tenho a certeza absoluta, mas acho que já encontrei a minha definição de casa, não a casa particular, mas a casa-pátria: a minha casa-pátria é onde todos os carros têm listas amarelas nas matrículas.
 
 





S.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O vendaval da leitura


a ler Wuthering Heights stop há muito tempo que não conseguia não pousar um livro stop telegrama escrito em pausa para wc stop embrenhar outra vez leitura stop



S.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Escócia, desculpas, não desculpas?"

O The Guardian publicou uma lista extremamente cómica e espirituosa com tudo o que os ingleses precisam de pedir desculpa aos escoceses. Para ver se eles não saem da União no próximo setembro:


Está escrita na primeira pessoa e percorre a história comum dos dois países. Tem algumas coisas demasiado locais para serem facilmente entendidas por outsiders, que se sentem quase como private jokes, mas no geral está muito boa. Ficam aqui algumas que me fizeram rir muito alto:

(sobre os escoceses serem mais socialistas que os vizinhos do sul)

2 "So sorry for the years of heartless Conservative governments that you never voted for and that ripped the heart out of the Scottish mining, steel and shipbuilding industries, butchered public services and imposed an unwonted, dismal neo-liberal ethos on a land to which such a callous political and economic philosophy was inimical."

(sobre os ingleses se apropriarem do Andy Murray quando lhes convém)

7 "We're sorry for describing Andy Murray as Scottish when he was rubbish and British when he won Wimbledon. It's just that we don't win much."

(sobre os submarinos nucleares estacionados ao largo da costa escocesa e claramente indesejados)

16 "Sorry, too, for putting Trident nuclear submarines at the Faslane naval base, thus once more transforming blameless parts of Scotland into a nuclear target. Perhaps in retrospect we should have put them nearer London."

(sobre os Jogos Olímpicos de 2012, que só serviram para enriquecer - ainda mais - Londres)

19 "So sorry, what's more, for the 2012 Olympics. We know you paid for quite a lot of it and that most of it took place in London or nearby. With hindsight we can see that taking billions of the nation's taxes and paying them to huge civil engineering firms that build luxury flats that push up London house prices and fatten profits for property developers and local estate agents wasn't fair. If we'd been Scottish, we'd have been quite annoyed."

(sobre os três maiores partidos em Westminster conluírem na recusa irredutível de uma futura união monetária com uma Escócia independente)

23 "On that point, so sorry for the three main Westminster parties saying: "Well, if that's how you're going to be you can't be part of our sterling currency union. Ner ner ner ner ner!". We're just terrible neighbours. Sorry again."

(a Muralha de Adriano e as sucessivas piadas sobre onde acaba a civilização e começam os bárbaros)

26 "Sorry about Hadrian's wall. True, the Romans built it to keep you out but we could have bulldozed it rather than conserving it as a world heritage site and symbol of how civilisation stops – as if! – at Carlisle."

(sobre a Susan Boyle do Britain's Got Talent)

35 "Sorry for being unpleasant about Susan Boyle."

(haha, geografia!)

39 "Sorry for calling Scotland 'northern Britain'"

(HAHA, isto é tão verdade, apesar de ser a mesma moeda os ingleses recusam-se a aceitar pounds vindas do norte!)

43 "Sorry for not accepting Scottish banknotes as legitimate currency south of the border. We all know that RBS is the worst bank in the history of banking, but the Clydesdale bank's notes are OK."

(sobre a mediatização de sítios)

47 "Sorry for the films of JK Rowling's Harry Potter books. In particular that one of the most imposing pieces of Scottish architecture, the railway viaduct at Glenfinnan, is now called the viaduct from the Harry Potter film. Woeful."

(sobre a revolução industrial 'inglesa' e mais umas piadas com nomes inventados)

52 "Sorry for not recognising that the 'English' industrial revolution was unthinkable without Scots engineers – Thomas Telford, James Watt, John Loudon McAdam, Lena Zavaroni and Wee Dougie McSporran."

(sobre a língua inglesa)

56 "Sorry for making you speak English. To be fair, you could always stop if you become independent. The Americans didn't when they went independent, but you could make your national language Gaelic if you go it alone. We're just saying."

(ai, os Tudor, aquela família de chanfrados)

61 "Sorry for what we did to Mary Queen of Scots. True, she was trying to topple her cousin, Elizabeth I of England, and install herself on the throne but executing her was a bit rich. Especially that bit when the executioner held up her decapitated head and her wig fell off."
 
(hihi, as ligações a Londres :) )
 
71 "Sorry for being so unfriendly when you arrive at Euston or King's Cross."
 
(sobre um potencial exército escocês)
 
74 "Sorry for laughing at the prospects for your army in an independent Scotland. Of course you could always use it to invade the Faroe Islands if nothing else."
 
(e, finalmente, a desculpa pelo tempo que levou a desculpa)
 
76 "Ultimately, so very sorry for taking so long to say sorry. It's just that we've done so much bad stuff that we've had to say lots of other sorrys before we got to you. (...)"
 
 
O autor manteve o cinismo tipicamente inglês em muitas delas mas nem sempre se consegue perceber onde ele está ou onde está a sinceridade (que também me parece estar presente, na medida em que pode haver sinceridade num texto inerentemente humorístico). Mas é precisamente por este cinismo camuflado que o humor britânico (inglês? Fico baralhada com tanto overlap de identidade) é tão genial.
 






S.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nota-se muito?

O entusiasmo está a ser mais que muito e a minha vontade é só a de falar da viagem, de tão embrenhados que estamos no planeamento. É extremamente irritante, eu sei. Só espero que o entusiasmo todo se mantenha até julho, quando chegar a altura de fazê-la mesmo...
 
Para não afundar este blog numa torrente de posts sonre quilómetros e terras, e para ter um sítio limpo e único onde arrumar tudo o que concerne a viagem, criei o De Bicicleta pela Costa, que já está ali de lado. Quem quiser acompanhar venha daí, e todas as sugestões são mais que benvindas.




S.


P.S. Já temos mapa do trajeto! :)

Outra blasfémia, outra heresia, outro palavrão

Por falar em tradições de pastelaria que já não são o que eram (ou que começo a desconfiar que nunca chegaram a ser), num ano quase inteiro que vivi em Londres nunca comi scones. E isto é uma coisa que eu tenho muita vergonha em admitir. Não foi por esquecimento ou por recusa (eu gosto mesmo muito de scones) mas porque nunca os vi a serem servidos em cafés ou pastelarias.

Posto isto, não sei se um dos símbolos vendidos como o supra-sumo da Britishness é na verdade falso, ou se Londres tem pouco de British, ou se fui eu que andei de olhos fechados durante dez meses.

Em contrapartida, em Bruxelas já devo ter comido scones umas quatro ou cinco vezes. 

Não é só o clima que anda todo trocado, está visto.





S.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Valentim que se cuide

No One Billion Rising bruxelense deste ano estava muito menos gente do que no ano passado. A greve dos transportes e o facto de ser ao meio-dia não deve ter ajudado.
 
  
 
 
Mas, como se costuma dizer, erámos poucas mas boas :) . E fizémos muito barulho.
 
Ao princípio, como sempre, eu era a imagem perfeita da timidez. Sossegada, de chapéu de chuva na mão, a sondar o sítio e as pessoas presentes sem mexer o pé.
 
Mas depois uma senhora veio ter comigo e deu-me isto:
 
 
 
 
Um apito!
 
E a carnavaleira que há em mim - e que eu nem sabia que existia - acabou por manifestar-se em todo o seu esplendor.
 
Tirei o pé do chão, apitei muito, bati muitas palmas, sorri muito, e acabei por me divertir bastante, tal como no ano passado. Houve "I Will Survive", houve coreografia do One Billion Rising, houve comboínho daqueles extremamente divertidos que ninguém consegue deixar de participar de sorriso rasgado.
 
E pronto, foi isto. Agora estou aqui num café das redondezas, a ouvir Sara Tavares (!!! Música portuguesa em cafés bruxelenses rula muito), a trabalhar de chávena de chá na mão e com as antenas viradas para Lisboa, ansiosa para saber como vai correr o Lisbon V-Day.
 
Boas flash-mobs para logo.
 
 
 
 
S.