A Time Out fez um questionário sobre quais os sotaques mais sexy deste mundo e quem ganhou, quem foi? O britânico.
De acordo, mas não esperava este resultado. O pessoal tem um fascínio um bocado estranho pelo italiano ou até pelo francês. Menos os americanos, que por acaso fascinam-se um bocado pelo sotaque dos primos do outro lado do Atlântico (se as constantes referências no Family Guy e New Girl forem indicação suficiente). Ah, espera... Time Out americana. Está explicado.
O The Guardian fez uma peça bem-disposta sobre a coisa e realmente o autor fala de uma coisa pertinente que o intriga: sotaque britânico, mas qual deles? Especificai, por favor.
' But there is one glaring problem.
What British accent does Time Out mean? Is it the upper class English-British of the Queen, Sir Roger Moore and Harry Potter?
Is it the earthy, northern-English-British of Sean Bean and the rest of Game of Thrones’s Stark family?
Or is it the rolling, Welsh-valleys-British of Tom Jones and Catherine Zeta-Jones and presumably a lot of other people called Jones?
Perhaps it’s the Northern-Irish British of Liam Neeson, George Best and Rory McIlroy?
One accent we can rule out is the Scottish-British of Sean Connery and Andy Murray. Confusingly, “Scottish” counted separately in the Time Out poll, coming in eighth. '
(Eu só acrescentaria ' Is it the youthful yet grave and deep-voiced Yorkshire accent of Alex Turner? ' - embora pareça que o está a perder.)
Claro que não se pode esperar muito de um questionário que mete 'latin-American' numa categoria mas separa 'Spanish' por alguma razão, ou fala do 'British' e 'Scottish' separados (a Escócia votou 'não' à independência há uns meses, olhem aí as sensibilidades). Nem de uma amostra que faz com que o sotaque americano fique em segundo lugar. Mas é divertido.
Nestas duas semanas de stress e trabalho acrescido, muito eventful, só tenho tido isto a ocupar o resto do cérebro que não estava devotado ao tal trabalho acrescido:
É amanhã que os vou ver pela primeira vez ao vivo, após um susto do caraças porque desataram a cancelar concertos no início desta semana devido a uma laringite do senhor Turner, após vários anos de espera, numa sala de espetáculos como deve ser e com duas horas de concerto como mereço.
É caso para dizer: FINALMENTE.
Muito poucas coisas me tiram do sério e me metem estrelas nos olhos (neste caso, nos ouvidos) por isso as que fazem é porque me valem mesmo mesmo mesmo a pena.
Sempre quis ficar num quarto com este número :D (apesar de ainda não fazer qualquer ideia do que eles querem dizer com 505...)
E por falar em Arctic Monkeys, ontem descobri que eles vêm cá a Bruxelas. Nunca, ninguém de jeito vem a Bruxelas. E quando alguma mega estrela vem à Bélgica, vai é a Antuérpia, só por despeito. Por isso fiquei uns segundos sem respirar, de boca aberta porque eu ando a arranjar maneira de os ir ver há 2 ou 3 anos (e estava até a contemplar o SBSR não obstante a minha aversão a festivais, poeirentos e com maus acessos, ainda por cima). Acho mesmo que soltei um gritinho-de-animal-ferido quando vi que os bilhetes já esgotaram. Como, quando, onde é que foi possível tal anúncio que eles vinham cá atuar escapar-me continua uma incógnita das grandes.
Entretanto parece que dá para comprar bilhetes à mesma, ficando-se numa lista de espera caso haja pessoas que desistam da sua reserva. Eu ia comprar e vi que o número que me alocavam era o 1678 por isso mandei mais um gritinho-de-animal-ferido e fui refletir. Não faço ideia de quão expectável é que 1678 pessoas que já reservaram bilhete desistam, e não é claro o que eles fazem caso vendam bilhetes a mais. Abrigava uma secreta esperança que eles fossem impelidos a fazer um concerto extra caso tivessem suficientes pessoas na lista de espera mas depois vi que há outros dois marmanjos quaisquer que vão atuar no dia antes e no dia a seguir ao concerto deles, de maneira que essa esperança caiu-se-me por terra.
Vou puxar mais uns cabelos e bater com a cabeça na parede, já cá volto.
Ando há dois ou três anos a ansiar ir vê-los, estive quase para ter ido ao Super Bock em 2011, quase para ter ido a Madrid, quase para ter ido a Paris. Eu não ligo nada a concertos e ajuntamentos e música e pessoas em geral mas pelos Arctic Monkeys arrastava a minha pessoa até ao inferno do Meco e da Herdade do Pó.
Mas teria que viajar até Portugal (férias de verão antecipadas?...)... E depois teria que testemunhar gente bêbeda e crianças-adolescentes que nunca saíram de casa sozinhas e levar com um copo de cerveja ou dois e engolir muito pó e ir para lá muito cedo porque da última vez houve filas de 4 horas desde Lisboa ou acampar lá ou raios os partisse...
Decisões... decisões...
Porque é que tinham que ir ao SBSR? Porque é que não podiam ir ao Pavilhão Atlântico tocar para as pessoas normais e oh-tão-pegadas-ao-conforto?
Ultimamente não tenho ouvido muita música. Não sou nem nunca fui daquelas pessoas que dizem que ouvem música a toda a hora ou que não conseguem viver sem música; eu passo muito bem sem ouvir canções durante dias a fio.
Mas de vez em quando lá se descobre uma música de que se gosta especialmente e não se consegue parar de ouvir. Há seis meses estava na fase do "Vou levar-te à América", passei por um período em que andava obcecada por "Nothing Else Matters", tudo isto intervalado por músicas da única banda que me fascina realmente - os Arctic Monkeys - e a única que sonho ainda ir a um concerto.
O que é engraçado é quando por vezes um excerto de uma música sai lá dos recônditos da memória e se instala no nosso consciente, repetindo sem parar. E são quase sempre músicas aleatórias, que já não ouvimos há meses ou mesmo anos (para não falar das músicas que odiamos e que se prendem aos miolos como pastilha elástica).
É por isso que hoje dei por mim a ouvir músicas dos Milénio no Youtube... Sim, Milénio, a minha boyband da pré-adolescência, que obsessão era aquilo, meu deus! Eu tinha - ainda tenho, aliás - um dossier que a minha prima me ofereceu num aniversário com todos os recortes da Bravo e Super Pop que foi humanamente possível arranjar, mais os posters deles. Estava tudo ali. Reconhecia as vozes de cada um nas músicas (especialmente a do dos olhos verdes, ai Jesus, o fraquinho que eu tive durante meses e meses!), sabia as suas comidas e cores favoritas, de onde eram, a idade, etc, etc. Hoje acho que nem os nomes dos membros dos Arctic Monkeys eu sei, só o do vocalista...
Pronto, mas esta conversa toda como pretexto para eu deixar aqui o meu novo vício musical, envergonhando-me pelo caminho:
Oooops, não era esta, que parvoíce, já passei a minha fase das boybands, hahaha (risinho nervoso; engolir em seco), não não não, a que eu ando mesmo viciada é nesta:
Love is a Laserquest - Arctic Monkeys
And do you look into the mirror to remind yourself you're there?
Or have somebody's good-night kisses got that covered?
S.
P.S. - Só mais uma observação, como é que eu só há pouco tempo é que descobri que a música "My Way" do Frank Sinatra é uma das melhores canções jamais escritas? E porque é que o "Moves Like Jagger" cola-se ao meu cérebro e eu não consigo parar quieta quando a oiço? Podem os dois estar na mesma playlist ou é demasiada blasfémia?
- 24 das nossas 25 músicas mais tocadas são dessa respetiva banda;
- após 7 meses ainda não nos fartámos do primeiro álbum que começámos a ouvir ("You should know you're his favourite worst nightmaaaare");
- decidimos que 4 álbuns não chegam e portanto toca a sacar tudo o que é single;
- as músicas são tão brilhantes que passado uns meses revelam novas rimas de génio e/ou passagens que acabam por viciar;
- cada semana se descobre uma nova música preferida (esta é o Jeweller's Hands, a semana passada foi o Crying Lightning);
- ouvimos uma nova música aleatória de outra banda, gostamos e tal, "sim, mas não é Arctic Monkeys...". O padrão para comparações passa a ser essa banda;
- ouve-se a banda em qualquer sítio, com qualquer estado de espírito.
A minha teoria sobre ser pessoa de pessoa só? Pois, parece que também sou pessoa de banda só. E finalmente encontrei a minha.
Jeweller's Hand
"If you've a lesson to teach me
Don't deviate, don't be afraid"
The Hellcat Spangled Shalalala
Toda ela é brilhante ao nível da letra mas
"I took the bateries off my mysticism
And put them in my thinking cap"
É uma expressão que gosto especialmente.
Crying Lightning
É bem capaz de ser a minha música favorita.
"With folded arms you occupy the space like toothache
Stood and puffed your chest out like you never lost a war
And though I tried so not to suffer the indignity of a reaction
There were no cracks to grasp
Nor gaps to crawl
And yooooooooour....
Pastime consisted of the strange
Twisted and deranged
And I love that little game you had called
Crying Lightning"
(chega)
E por fim... A primeira música deles pela qual me apaixonei:
505
"Stop and wait a sec
Oh, when you look at me like that my darling
What did you expect
I probably still adore you with your hands around my neck"
Qual será a próxima música preferida? Não faço ideia. Muito provavelmente uma que me tem passado despercebida até agora e que em breve acenderá uma luzinha que me fará dizer "Espera lá, esta música é bem capaz de ser qualquer coisinha..." E vai-me apetecer ouvi-la em repeat durante dias. (Mas não vou porque é assim que se estragam as músicas. Eu sei, aprendi com a experiência.)