Mostrar mensagens com a etiqueta chá. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta chá. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Outra blasfémia, outra heresia, outro palavrão

Por falar em tradições de pastelaria que já não são o que eram (ou que começo a desconfiar que nunca chegaram a ser), num ano quase inteiro que vivi em Londres nunca comi scones. E isto é uma coisa que eu tenho muita vergonha em admitir. Não foi por esquecimento ou por recusa (eu gosto mesmo muito de scones) mas porque nunca os vi a serem servidos em cafés ou pastelarias.

Posto isto, não sei se um dos símbolos vendidos como o supra-sumo da Britishness é na verdade falso, ou se Londres tem pouco de British, ou se fui eu que andei de olhos fechados durante dez meses.

Em contrapartida, em Bruxelas já devo ter comido scones umas quatro ou cinco vezes. 

Não é só o clima que anda todo trocado, está visto.





S.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Do chá verde, com amor

Numa banca de rua, algures em Camden, uma senhora me disse:

- As folhas de chá verde têm que ser molhadas com água fria antes de lhes botarmos a água a ferver, para perderem o gosto amargo característico do chá verde.

A dica, não pedida mas agradavelmente recebida por vir de uma especialista daquela que era uma banca de chás, mudou a minha relação com o chá verde para sempre. Toda uma gama que me estava vedada por não aguentar o travo amargo está agora novamente à minha disposição. A água fria por cima das folhas? Resulta mesmo.





S.


Acabei de provar o Earl Grey da Rituals e também é bom, bom, bom. Aliás, como tudo naquela loja, a única onde perco realmente a cabeça, maldita seja. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Scotland, you're doing it wrong



Chá com sabor a whisky?! Oh, mãe do céu. O aeroporto de Edimburgo tem as coisas mais estranhas. Primeiro o man-washer, agora um chá alcoólico. Isto é que é gente que gosta de beber. Tudo. E, de preferência, ao mesmo tempo.



S.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Origens duvidosas do chá

Estou aqui a ler um panfleto sobre as origens do chá que trouxe da nova loja da chás que encontrei e isto diz assim:

"A China é o berço da cultura do chá. Segundo a lenda, o chá foi descoberto pelo imperador mítico Shen Nung. Enquanto ele fervia água na floresta, uma ligeira brisa fez cair algumas folhas de um arbusto de chá dentro da água. O imperador achou o perfume e o aroma da infusão deliciosos: foi assim que nasceu o primeiro chá, há cerca de 5000 anos."

A minha questão é: porque é que o imperador estava na floresta a ferver água?

Se ainda não se tinha descoberto o chá, a grande razão para ferver água ainda não existia. Será que ele queria cozinhar alguma coisa? Mas porquê na floresta e o que é que ele estava ali a fazer sozinho? Se era imperador devia estar no seu palácio, não a ferver água no meio da floresta.

E depois caem umas folhas de um arbusto na água e ele vai beber? Sem saber o que era aquilo, nem o que era chá, bota a infusão que podia ser venenosa à boca. Claramente este imperador batia mal da cabeça. Eles chamam-lhe o "mítico Shen Nung", deve ser um eufemismo para chalupa.

E se ainda não se sabia o que era chá como é que o arbusto se chamava "arbusto de chá"?

Tantas interrogações e tanta lacuna. Vou ter que ler a lenda na versão longa, está visto.






S.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Pas de chá

Ando um bocado tristonha. Há largos meses que não encontro um chá bom.

Não é por falta de tentativas. Bebe-se chá como se fosse café nesta casa e a caixa tem que ser frequentemente guarnecida com novas variedades. Só que não acerto em boas.

Experimentei uma loja de chás do Dolce Vita, experimentei a roulotte do mercado ali da Flagey, experimentei a casa de chá aqui do bairro, experimentei até o supermercado. Nada me encanta, nada me traz novidade nem maravilha às papilas gustativas.

Estou um bocado triste.

Acho que me tenho que virar para os chás brancos. Em fevereiro apresentaram-me a um chá branco de baunilha no Chiado e é a única boa memória chá-eira recente que tenho.

Gostava que houvesse um Goodreads para o chá, e que aquilo do Google Nose não tivesse sido só uma partida do Dia das Mentiras. Passaria o dia inteiro nessa rede social, a espetar o nariz contra o ecrã do telemóvel e a magicar qual o cheiro de chá que me pareceria guardar maior potencial. Não havendo tal coisa, faço um apelo sentido: alguém tem recomendações de chás bons? Esta busca infrutífera está a dar cabo de mim.





S.

sábado, 16 de março de 2013

Um chávena de chá e uma diretiva de licença de maternidade

Mais uma vez me encontro de volta de licenças de maternidade, diretivas sobre trabalhadoras grávidas, posições do Lóbi Europeu das Mulheres, teses e apresentações de Powerpoint. A minha amada conciliação trabalho-família. Cada vez gosto mais do tema, tenho uma pontinha de orgulho pela minha humilde mas séria investigação na área, mas, caramba, hoje teria feito as coisas de maneira diferente. Espiolharia mais, metia mais o nariz onde talvez não fosse muito chamada, iria mais fundo. Três ou quatro meses não dariam para muito mais do que eu fiz, mas gosto de achar que agora I know better e utilizaria de forma ainda melhor esses meses. 

Ainda assim, vai ser uma grande honra estar na mesma sala que monstras académicas da igualdade de género, cujos livros de muitas li nas intermináveis tardes passadas na amada biblioteca da LSE, e que constam na bibliografia da minha tese bebé. Vou-me sentir um pardalito ao pé daqueles cisnes académicos, mas um pardalito entusiasmado e cheio de vontade de partilhar os três ou quatro fios de palha que achou e com os quais fez um... coiso (acabaram-se-me as analogias com o mundo das aves).



Vai ser em Barcelona, no sábado. Lá vou eu voar (olha, afinal tinha mais uma!) para os países do sul que espero se portem climatico-gastronomicamente como deles é esperado, que isto aqui anda uma tristeza. Vivi na segunda-feira a minha primeira tempestade de neve, tenho trabalhado que é maluquice, ando euforicamente agradecida por terem voltado graus positivos e acho que as gauffres do supermercado da esquina são uma iguaria. Portanto isto está grave. Tanto a nível gastronómico como climático. 

Pior: há dois ou três meses que não compro um chá de jeito. Tem sido só tiros ao lado. Acabou-se-nos o chá preferido há um mês, o Rooitea Caramel da Tee Gschwendner, e que entretanto descobri, por entre lágrimas sofridas, que custa o triplo do preço encomendando online devido aos portes. Qual a vantagem de viver no centro da Europa se está tudo tão longe na mesma? Rai's partam os portes de envio.

Desconfio que não será Barcelona que me curará esta última miséria. Mas se curar as outras duas, nem que seja por dois diazinhos, já me darei por satisfeita.



S.
    

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Chá de algas

Os chás andam afastados aqui do blog. Mas sem razão. O seu consumo continua extremamente elevado (só não perigosamente elevado porque intervalado com chocolate quente) e recentemente fiz duas descobertas. 

Bem, uma delas não foi uma descoberta minha. A minha prima J. foi passar o Natal a Tóquio e trouxe-me a melhor prenda que alguém me pode oferecer: um chá diferente.



De notar que, por razões óbvias, nenhuma de nós tinha qualquer ideia sobre que chá era este (a única coisa que conseguimos ler foi que a embalagem tinha 10 pacotes; e mesmo assim, considerando que depressa se chega aí, contando-os, não foi uma descoberta particularmente conquistadora). Foi por isso com duplo entusiasmo que estreámos em família este novo chá. Um bocadinho a medo, tenho que confessar.

Começa-se pelo cheiro, claro está, para tentar antever ao que é que aquilo saberá.

Cheiro: praia durante a maré vazia.

Isso mesmo. Um cheiro intenso a lapas ou a mexilhão acabado de apanhar, cheiro àquelas poças que ficam nas rochas quando a maré está baixa, cheias de limos verdes, peixinhos pequeninos, ouriços e anémonas. Cheiro a férias de infância, portanto. Nada mau para começar. Um cheiro invulgar para chá, mas reconfortante.




A cor é esta: verde intenso, o mesmo verde - lá está - dos limos dessas poças. Começámos a suspeitar que o chá era mesmo chá de algas.

Nunca tendo provado algas, não podia dizer com certeza. Mas o sabor era o mesmo que o cheiro portanto acho que acabei por provar a minha primeira bebida/comida feita desses vegetais marítimos.

É um sabor estranho a princípio, mas uma pessoa habitua-se. E dá sempre a sensação de que se está a beber iodo, e isto, numa terra onde o peixe fresco é raro e custa os olhos da cara e onde o mar mais próximo fica a duas horas de comboio, torna-se positivo.



S. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ele há coisas... #28



Sei que estou bem arranjada quando vou à Loja Twinings, o único centro físico no mundo onde posso encontrar coisas da Twinings em habitat natural, e não têm o chocolate quente da Twinings.

Repito: a loja Twinings não tem Twinings Hot Chocolate. Está esgotado.

??????


Uma cuppa o caraças... Não há!

Se isto se passa na Loja Twinings, que esperança resta para as outras lojas? Eu digo que esperança resta: Nenhuma!


Afoguei as mágoas em alguns chás diferentes, só porque não queria sair dali de mãos a abanar.



Entretanto já cuspi dois deles, o Orange and Cinnamon Rooibos e o Liquorice. Não.Suporto.Chás.Doces. Porquê que continuo a achar que sim?

Toda contente, que tinha descoberto nova loja e marca de chás e afinal resultou no primeiro chá que não consigo beber. I'm not amused, Whittard.



S.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Alquimia

Hoje sinto-me um bocadinho alquimista:




Há qualquer coisa de magico nos chás de folha solta. Especialmente agora que estão alinhados lado a lado, numa caixinha própria...



S.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

The closest thing to London

Costumava fazer-me espécie as pessoas que emigravam e no seu pais de acolhimento se isolavam com os seus compatriotas. Só falarem português, instalarem a Meo em casa e só verem telejornais e programas portugueses, só terem amigos portugueses, só frequentarem cafés e restaurantes geridos por outros portugueses, só comerem comida portuguesa. Como se vivessem num gueto cultural. Que interessa então viver noutro país?

Hoje, após ter viajado mais de duas horas para ir comprar a porcaria de uma lata de chocolate quente, percebo que não passo de uma hipócrata. Pior; uma hipócrata patética porque estas pessoas pelo menos refugiam-se no que sempre conheceram, na cultura onde viveram imersas desde que nasceram. Eu corro atrás de produtos de um estilo de vida que tive durante nove meses pensando que são o auge da coolicidade e que não consigo viver sem eles. Sou uma hipócrata wannabe, portanto.

Dito isto, vou falar um bocadinho de Stonemanor.

Desde maio sensivelmente que andava cheia de comichões por a lata de chocolate quente que senhor meu parceiro trouxe de Londres estar a acabar e não haver substituto à vista. Procurei em tudo o que era grande superfície e média superfície e nada. Nunca compreendi como é que o Carrefour de cá, que tem a maior seleção de chás Twinings que já vi - excluíndo a própria loja da marca mas não por muito - não podia ter também o tão afamado chocolate em pó. Procurei, também em vão, o da Nestlé, já que também se tolera, mas só via era Ovomaltines (ia cuspindo quando provei; chocolate o tanas, aquilo sabe a cereais) e uma marca muito duvidosa chamada cécemel, e que além de chocolate contém - surpresa! - mel.

Perguntei nos grupos do Facebook de imigrantes em Bruxelas, diziam que o melhor que tinha a fazer era cruzar o Canal da Mancha e dar um pulinho a Dover. Obrigada pelo conselho, realmente... Estava convencida que a minha viagem a Manchester seria frutífera no que ao chcolate em pó diz respeito mas enganei-me; corremos uns três ou quatro supermercados diferentes e nada. Em Edimburgo, pura e simplesmente esqueci-me (já vivia privada do doce há demasiado tempo).

Mas depois vêm os graus negativos e uma pessoa volta a ansiar. O chá aquece a barriga mas não aconchega, não mata a fome. Começa o périplo pelas chocolaterias sem fim desta terra na esperança de encontrar o chocolate dos deuses mas em pó. Nada.

Durante a minha pesquisa incessante pelos grupos de Facebook, alguém sugeriu uma loja britânica que existe em Bruxelas mas... que fica a uns 30 km da cidade. Mas depois de pesquisas online pelas Amazons do costume e ver que os portes custavam o preço de duas latas, e após emails e mensagens no mural do FB da loja a confessar o meu forte desejo por chocolate quente e a implorar que me dissessem se tinham, e confirmarem, bati o pé e disse "É amanhã." (assim, sem ponto de exclamação nem dada, toda resoluta).

Devia ter sido um "É hoje" mas eu para andar de autocarro suburbano em Bruxelas preciso de horas de preparação. Especialmente porque os subúrbios de Bruxelas são, er... flamengos. E depois do trauma da encomenda do demo, decidi não arriscar.

Após muita pesquisa de Google Maps, de apontar o número do autocarro e do nome das quase 40 paragens até ao destino, lá fui. 

Começou logo mal porque ao que parece os autocarros não dão troco de 20 euros. Mas a motorista foi surpreendentemente generosa e perdoou-me o euro que faltava após contar as moedinhas todas que me restavam. Ao passar por cada paragem, verificava o nome e ia seguindo pela minha lista. Brilhante, e cerca de uma hora depois chegava a Stonemanor, na pequena vila flamenga de Everberg.



Aquilo é um tanto estranho, já que parece uma vivenda e não uma loja.



A loja é bem grande, ao jeito de um supermercado médio e com carrinhos à porta. Tem também dois andares com coisas de Natal, que vão desde bancas enormes de postais até a todas as decorações que se possa imaginar. Faz-me desconfiar que haja muito britânico que faz ali as suas compras semanais...


Sorriso rasgado quando o encontrei. E meia-gargalhada quando me deparei com o meu amigo haggis:



Assim não é realmente muito convidativo...

Até tive direito a um saco todo catita que dá sempre jeito nas compras daqui (em Bruxelas, todos os sacos em todas os supermercados são pagos. Sem exceção. Há toda uma alteração de hábitos e as pessoas aprendem o valor de economizar sacos. E o ser humano, inventivo que é, adapta qualquer mochila, carrinho, cesto de bicicleta ou até caixa de cartão como meio de transporte das mercadorias. Perguntei duas vezes ao senhor da caixa em Stonemanor se não tinha mesmo que pagar por este. Fui brindada com o segundo gesto de generosidade do dia :) ).




Já bebi a minha caneca de chocolate quente e já estou aconchegada no sofá. Agora vou fazer a minha sopa de feijão bem portuguesa para equilibrar o meu wannabeismo com a minha hipocrisia. Haha!



S.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O chá queimado

Há uns tempos, descobri por acaso um chá que se tornou um dos meus favoritos. Precisava de trocos e tinha um supermercado ao pé; o que é que me lembrei de comprar? Chá, óbvio. Na dúvida, vai-se sempre para o chá.

Agarrei num da Twinings quase ao calhas e trouxe-o para casa.




A Twinings tem um indicador que só há pouco tempo aprendi a usar. São aquelas folhinhas na parte inferior da caixa, e que indicam quão forte é o sabor daquele chá. Não é tão bom indicador quanto a possibilidade de cheirar o chá, já que dois chás com "full flavour strength" podem não ter nada que ver um com o outro. Mas dá para ter uma ideia do quão característico será o sabor e o tempo que se pode deixar a saqueta na chávena. O leite, por exemplo, só deve ser utilizado nos chás com sabor forte, uma vez que aos outros deixa-os praticamente sem sabor. Aprendi isso à minha custa.

Este chá tem um sabor muito característico, de facto. À primeira vista, a descrição assusta, já que diz que é feito de folhas (normal) e madeira fumada. E as saquetas cheiram a queimado. Por ter este sabor tão, er..., especial, não pode mesmo ficar muito tempo a infundir.

É... viciante. Depressa fiquei fã deste chá e o sabor a madeira fumada é-me reconfortante e saboroso mesmo. E agora com o viciante e o fumado não consigo evitar fazer comparações com o tabaco. Ou com o salmão fumado.

De qualquer forma, é bom. Se alguém procurar um chá diferente e a modos que exótico, recomendo o Lapsang. E eu não fumo.



S.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Eu conto como foi

E foi assim que, ao dia quinze do décimo-primeiro mês do ano de dois mil e doze da graça de Nosso Senhor, eu descobri que tinha tornado numa velhota. Uma velhota de idade avançada, que faz crochet, mete a mantinha por cima dos joelhos, e tem uma dúzia de gatos em casa.




Ando a ver bules de chá.



S.

Edimburgo a meia luz

Desta vez não comprei chá.

Perdi um bocado a cabeça nas lojas de tecidos tartan, cachemira, lã pura e trouxe mais roupa aos quadrados do que é sensato mas não me arrependo - e só não trouxe mantas e ponchos porque ainda assim só levei uma mochila e eu não tenho dotes mágicos para a fazer alargar.

Por falar em dotes mágicos: Edimburgo, hã... Sim senhora, Rowling. Bem escolhido o sítio. Nunca tinha eu visitado uma cidade que me relembrasse a toda a hora aquele universo mágico. As ruas de calçada, os edifícios de pedra escura, mais o anoitecer típico de inverno às 16h, somado à palidez do céu e ao cinzento das nuvens que normalmente o cobrem (ontem aprendi que os escoceses tem mesmo uma expressão para esse tempo: Scottish dreich) fazem com que não seja mesmo nada difícil imaginar que por detrás daquelas portas de madeira preta vivem confortavelmente feiticeiros que usam cloaks de lã e compram ingredientes para poções na loja da esquina. É a estranheza de entrar num Starbucks que mais parece um Leaky Cauldron, ou numa Topshop que lembra o Gringotts.





Edimburgo é uma cidade de elevações, colinas e o dominante castelo no topo de uma delas. Por vezes, e inesperadamente, vê-se o mar lá ao fundo, relembrando que esta é uma cidade costeira. Não o fiz, mas tenho a certeza que se tivesse subido ao castelo, teria deleitado a vista com a paisagem circundante. E daí talvez não, que o dreich escocês não é muito dado a vistas panorâmicas.


A sensação é de vila, não de cidade, mas uma vila com todas as lojas, serviços e museus (visitei o National Gallery - grátis, claro) que despoletam o estupidamente familiar sentimento de coração quente sempre que estou em território britânico. Aqui, o gaélico não é muito usado e por isso mesmo, aliado à minha curta estadia e não obstante as conhecidas pretensões de país, não senti estar num sítio fundamentalmente diferente do resto do UK. Daqui a ano e meio o referendo ditará se tal continuará assim...

Desta vez não trouxe chá e o arrependimento continua a moer-me a consciência. 



S. 

sábado, 10 de novembro de 2012

Nas margens do rio Main

Apesar de um início de viagem atribulado (seis da manhã é demasiado cedo para ouvir berros de um alemão lunático que acha que as câmaras de gás deviam voltar a ser abertas para os ciganos - não estou a brincar, ouvi isto dito tal e qual...), a day-trip a Frankfurt correu muito bem.

A expectativa de que Frankfurt seria só escritórios e uns arranha-céus e pouco mais desvaneceu-se em pouco tempo, especialmente durante o passeio nas margens ajardinadas do rio Main.



Por entre o rio que me fez lembrar fortemente o Tamisa, com as múltiplas pontes transversáveis a pé, o núcleo de arranha-céus como a City, intervalado com praças centenárias, ruelas e lojas deliciosas, sem esquecer os grandes armazéns comerciais e as marcas multinacionais, mas nem tão-pouco um mercado de rua com coisas alimentares tradicionais (ainda não foi desta que provei o mulled wine), os inúmeros ciclistas que me fizeram ansiar por pegar também numa bicicleta e pedalar e pedalar, como em Bruxelas, e a língua tão misteriosa e estranha mas tão familiar ao mesmo tempo (um dia conquistá-la-ei até ao fim, juro aqui), fiquei muito contente por voltar a sentir-me numa cidade, numa verdadeira cidade.

Depois de provar a tradicional salsicha no pão (que não é o mesmo que o hot dog comum, percebi-o), de encontrar a maior loja de chás que já tinha visto na vida e de não ter apanhado uma gota de chuva, cheguei à conclusão que podia ser feliz na Alemanha...



O D. olhou-me com um misto de impaciência e resignação quando lhe confessei tal coisa. "Tá quieta...", diz ele. Eu limito-me a sorrir e a esfregar as mãos como quem diz "We'll see..." Mas sem gargalhada maléfica no fim. Não o quero assustar.

Acabei por trazer dois chás, que mais podia ter eu escolhido, pff. Especialmente depois de ter tropeçado na loja gigante.



O da esquerda é um chá de inverno, meio natalício, e que por cheirar a canela apaixonei-me instantaneamente. O outro é chá vermelho com caramelo, do qual também gostei do cheiro. (Amo quando as lojas tem testers para se cheirar os chás. Se não conheço o nome e não o posso provar na altura, é óbvio que vou lá pelo cheiro. É ver-me nos supermercados a agitar as caixas seladas na esperança que trespasse algum odor, por entre sobrancelhas levantas de transeuntes que questionam a minha sanidade mental. Por isso, lojas que me poupem a estes esforços infrutíferos ganham uma montanha de pontos na minha consideração). Ainda não os provei mas estou esperançosa.



S. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O fresquinho

Vantagens de estarem 3º:

- voltar a usar gorro;

- felicidade e energia redobrada perante a perspetiva de uma subida de bicicleta; 

- botas peludas;

- bicicletas disponíveis com fartura porque pedalar próximo de zero graus não é para meninos;

- beber quatro canecas de chá por dia deixa de ser esquisito.


Desvantagens de estarem 3º:

- o alívio das descidas de bicicleta torna-se num amaldiçoar constante (merdamerdamerdamerdamerdatáfriotáfriotáfiotáfrio).


Pesando o inverno* na balança dos prós e contras, acho que ele sai a ganhar.




*Mentira. Sei perfeitamente que vem aí pior.



S. 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Canela bebível

Em Caen, encontrei uma daquelas lojas que me aquecem o coração:


Uma loja de chás. Depois da Twinnings, que, como amante de chás, frequentei regularmente quando vivia para lá da Mancha, a Chocolathés. 

Estava eu maravilhada a olhar pela montra para toda a panóplia de jarros e potes com chás de diferentes sabores, quando noto numas embalagens de Kusmi, o meu chá de chocolate. Em menos de um segundo abria a porta (que fez um delicioso "plim", como nas lojas antigas) e estava lá dentro à procura do chá Kusmi de canela, que, a avaliar pelo de chocolate, pensava eu ser imperdível.

Kusmi Cinnamon não tinham mas chá de "Cánéle" havia com fartura. Sim senhora, também serve. É comprado aos 100g de cada vez, pesado e posto num saquinho de papel muito catita, com o nome - lá está - Canelle, escrito, não vá o cheiro intenso a canela que aquilo exala me confundir e pensar que é chá de limão. 

Quando vi que aquilo era vendido aos 100g fiquei um bocado apreensiva pois parecia-me carote. Mas quando vi o senhor a encher a embalagem e que 100g era muito chá relaxei e apetecia-me era passar ali umas boas horas a cheirar chás e a tentar descortinar quais gostaria de experimentar. Mas a excursão às Praias não esperava por nós e portanto tive de me contentar com o de "Cánéle".   


Ainda só provei duas vezes, por isso a minha opinião ainda não está formada... Mas ainda não estou verdadeiramente impressionada. A primeira vez acho que pus pouca quantidade no filtro, infundiu pouco. A segunda esteve melhor mas ainda assim não é tão bom como o de chocolate... A ver vamos se é falta de técnica ou de gosto.




S.


P.S. Facilmente se depreende que este post foi um pretexto fraquinho para eu mostrar que aprendi a fazer gifs.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ele ouve-se coisas... (ou "não vás estudar francês que não é preciso!")

Quando regressava do trabalho, oiço uma voz de menina muito entusiasmada que gritava "Le CHÁ! Le CHÁ! Le CHÁ!" enquanto apontava para um muro. Assim que ouvi a palavra virei-me (gosto mesmo muito de chá) e pensei "Chá? Aonde?"

Era um gato.







S.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Chá de chocolate = 2 vícios num só

Ando viciada neste chá desde que o descobri através de um blog.


Isso mesmo. É chá de chocolate. O preço (módica quantia de 9.95) fez-me torcer o nariz ao início mas a parte do "chocolate" venceu e eu, fraca como sou, não me contive.

Valeu todos os cêntimos. A lata ainda é grandita e aquilo vem bem guarnecido, portanto tenho chá para muito tempo. Quanto ao sabor a chocolate: claro que não sabe a leite com chocolate - portanto também não é enjoativo - tem só um travozinho a chocolate que torna o chá diferente de qualquer outro que já experimentei e agradável. É um bom substituto para o Café Mocca, por exemplo.

É marca que vou manter debaixo de olho.




P.S. ía morrendo agora que descobri que existe Kusmi de Canela. Quero! Amo canela. Será que... Sim. Acabei de ter a brilhante ideia de misturar canela no Kusmi de Chocolate.



S.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Souvenir londrino

A esta hora amanhã estarei a sobrevoar a Mancha ou coisa do género. Por isso nada melhor como último post realmente em terras da rainha que a única coisa que comprei que posso realmente chamar souvenir.


Dei mais um saltinho à Twinnings e escolhi uns saquinhos de chá para experimentar em Portugal. A marca Twinnings é muito conhecida e nos supermercados portugueses lembro-me de ver à venda, no entanto, sabores estranhos como 'Mulled Spiced Tea' devem ser mais difíceis de encontrar. Juntei assim o útil ao agradável: um souvenir realmente londrino que me abrirá os horizontes em termos de sabores de chá, a minha bebida favorita.

Ao escrever este post parece que estou a fugir ao tema de último dia em Londres. Parece-me a mim, que o estou a escrever. Porque este blog foi feito para registar aqui as minhas experiências durante estes meses, para que mais tarde possa voltar a ler e sentir um apertozinho no coração. Como quando se lê um diário antigo. Por isso mesmo parece-me que registar os sentimentos na hora da partida é imperativo.

Houve umas lágrimazitas hoje. E uma sensação muito esquisita enquanto arrumava os armários da cozinha e deitava coisas fora, uma sensação muito parecida com pânico. Acho que foi um ataque de ansiedade. Se querem que vos diga, ainda bem. Sou tão calma por natureza que nunca sinto grandes pânicos, nervosismos ou ansiedades. Por isso este foi muito bem-vindo. Significa que a ligação que estabeleci com esta cidade não está na minha imaginção, é real e sentida. O que me descansa, já que ultimamente, esta ânsia de voltar para Portugal sem pensar muito no que ía perder me estava a assustar. Continuo ansiosa por voltar mas é bom saber que a despedida custa.

Parece uma espécie de masoquismo mas não é. Afinal, são as alterações de humor e de sentimento que nos tornam humanos. E fazem a vida ter sentido.

Amanhã quando estiver no aeroporto, quando entregar as chaves de casa, quando descolar de solo inglês não sei como me vou sentir. Espero que nervosa. E que caia uma lágrima ou duas. Irei ficar surpreendida se isso não acontecer.



S.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Chá da Pérsia, Chá da Índia, Chá Chinês

A minha bebida preferida sempre foi o chá. Há cerca de 10 anos descobri que o chá tinha propriedades desintoxicantes e que chá verde era muito bom para combater a celulite (adolescência, meus amigos...) e decidi começar a bebê-lo religiosamente. No verão, quando se tornava desconfortável beber uma bebida tão quente, chegava a guardar o chá numa garrafa e pô-lo no frigorífico, para beber mais tarde. Resultou? Hmm, talvez um pouco. A frequência e a duração teriam de ter sido maiores para poder ter a certeza. No entanto, uma coisa é certa: um gosto enorme por chá desenvolveu-se.

Já provei de tudo um pouco, verde, vermelho, preto, branco, camomila, tília, cidreira, limão, eucalipto, carquejeira, barbas de milho, ananás (uma porcaria), etc, etc. O meu preferido é sem dúvida o vermelho, se bem que seja um pouco mais difícil de encontrar.

Claro que na minha vinda para cá havia a expetativa de encontrar novas e muitas variedades de chá. Afinal, esta é a terra onde o chá é uma grande tradição (iniciada por uma princesa portuguesa, não esquecer :) ). Uma das minhas primeiras memórias de cá envolve o D. à minha espera no aeroporto com um copo de chá pronto a ser ingerido :). Com leite, claro está.

Isto para dizer que uma das minhas primeiras preocupações quando comecei a abastecer a casa com comida foi escolher o chá ideal. Decidi-me pelo Earl Grey Twinings, talvez o mais normal e mais tradicional de cá. Para ser bebido com leite, que dá ao chá um sabor mais soft e reconforta melhor a barriga depois de bebido.

Isto não me impediu de experimentar outras variedades, não quando tenho a famosa loja da Twinnings a dois minutos da minha faculdade.



É uma loja adorável, antiga, com uma atmosfera muito British e com prateleiras e prateleiras de chás de todas as qualidades (menos vermelho, though :/ ).


E o melhor é que vende saquinhos de chá individuais, a 15p, ótimo para experimentar novos sabores sem corrermos o risco de gastar dinheiro numa caixa inteira que não vamos usar. Há uns meses trouxe 6 diferentes, e guardei as saquetas dos que mais gostei e eventuais candidatos a compra de uma caixa inteira.



No entanto, quando a caixa dos Earl Greys acabou, decidi-me por uma caixa de vários chás de camomila, também da Twinings, que encontrei no Asda. Boa decisão, já que me diverti imenso a ver uma das variedades a tornar a água roxa, e com o leite ficar uma cor lilás muito bonita, mas estranha numa bebida (o chá era bom mesmo assim).

Hoje a caminho da biblioteca decidi entrar na Twinings e dar uma vista de olhos. Encontrei (finalmente!) o chá que ando há anos à procura: jasmim. Esta obsessão pelo chá de jasmim vem de uma das memórias que tenho da escola primária. Numa aula que tivemos sobre Macau no 4º ano, a professora levou chá de jasmim para fazer na aula. Picuinhas na comida como eu era (sou?) entrei em pânico interno. Só pensava 'Chá? Bleurgh...' (nunca tinha provado). 'Não vou conseguir beber e todos vão gozar e a professora vai ficar triste comigo'. O meu enorme espanto quando provei e comecei a gostar. Parecia gelatina líquida quente! Tinha o aspecto de gelatina líquida... E era de jasmim.

De forma que hoje, quando me deparei com o Twinings Jasmin Earl Grey (Limited Edition) um sorriso enorme se espalhou pelo meu rosto e claro que tive de trazer uma caixa.

 

Sabe demasiado ao Earl Grey normal, o aroma de jasmim não é reconhecível no chá com leite. A desvantagem do chá com leite é exatamente essa: amacia o sabor do chá e portanto torna impercetíveis sabores que são apenas aromatizantes. Neste caso, o chá não é realmente de jasmim, é antes Earl Grey com sabor a jasmim, daí que seja preciso experimentar sem o leite. Meu erro.



Para a próxima terei de experimentar chás novos sem adicionar leite, para conseguir provar o verdadeiro sabor, tal como fiz com as 6 saquetas que comprei na primeira visita à Twinings.

Têm algum chá preferido? Com ou sem leite? :)



S.