- O Transparent é capaz de ser uma das melhores séries dos últimos anos, de tão bem interpretado e com tão bons diálogos (e nem precisa de dragões);
- O Middlesex é page-turner desde o primeiro capítulo (obrigada, Febre dos Fenos, não vou mais largar o Jeffrey Eugenides);
- O Mein Freund aus Faro foi uma surpresa das grandes, pensando que ia juntar Portugal e alemão acabei foi com questões de identidade de género pelo meio;
- O Berlin 36, baseado numa história verídica, junta gajas a darem baile aos nazis com questões intersexuais*.
S.
* os filmes alemães a que tenho acesso parece que cabem em duas caixas perfeitinhas: ou filmes sobre segunda guerra mundial ou filmes sobre pessoal transgénero (se alargar esta última caixa a 'feminismo' ainda posso, mesmo que um bocadinho forçosamente, juntar o Hannah Arendt)
Eu sou (era?) daquelas pessoas que se borram todas com filmes de terror daqueles com espíritos, e crianças sinistras e assim. Vi o Sexto Sentido quando tinha 11 ou 12 anos e por causa dele apanhei uma psicologice marada em que chegava à noite e era como se uma depressão se abatesse sobre mim, andava convencida, na minha cabeça, que o dia seguinte não chegaria, e que ninguém me conseguiria garantir que ele chegaria (era uma criança muito profunda, eu sei). Não consegui adormecer durante um mês sem ter alguém ao meu lado. Eu era (sou?) este tipo de pessoa.
Continuei-me a borrar com estes filmes ao longo da adolescência, porque isto é mesmo assim, o ser humano tem uma atração masoquista pelo mórbido, e ainda hoje me borro. Mas agora, e quero acreditar que isto é fruto da maturidade, evito filmes destes como a praga. Dos que metem litros e litros de sangue, gritaria e facas nunca gostei, porque também sou daquelas pessoas que começa a ver tudo a andar a roda se vê um pingo de sangue (e um dia conto uma história muito engraçada de como quase desmaiei quando levei a minha gata ao veterinário para tirar análises). As versões mais sofisticadas - e tão incrivelmente sádicas que não percebo como os seus criadores ainda não foram presos (just in case, diria) - como Saws e afins muito menos, por isso diria que filmes de terror não são para mim.
De quando em vez lá me conseguem convencer a suportar o sacrifício, daí que saiba que me continuo a borrar com filmes de espiritices. Mas há uns dias eu tive uma epifania que mudou a minha maneira de olhar para estes filmes. Os filmes que envolvem almas penadas, fantasmas e seres de outros mundos são do melhor porque exploram o nosso medo muito humano do desconhecido, e particularmente se nunca se chega a ver a fonte dos barulhos, risos maléficos e fenómenos estranhos então é de nos ficar a remoer a mente porque é uma ameaça nunca concretizada, impossível de lutar contra. Mas isso é raro, e normalmente lá aparece uma bruxa feia, toda despenteada e de olhos esbugalhados, ou uma criança sinistra de pijama com ar muito sério, e normalmente uma pessoa pensa cheia de desilusão "ah, é isto...". Mas voltando à epifania. Normalmente, nestas coisas dos espíritos e demónios e assim, a arma tem um simbolismo cristão. Nos exorcismos então diria que é 100%. Terços, crucifixos, águas bentas, padres, etc, são sempre a maneira de afastar estes bichos do Além. E isto, descobri eu, é muito aborrecido para uma ateia como eu. Estabelece-se no filme uma narrativa em que o Cristianismo é a realidade. Não há espaço para Alás, nem para Budas, nem deuses mitológicos. E os próprios espíritos vivem (salvo seja) segundo essa narrativa! E validam-na. Ora, porquê? Porquê que um espírito iria dar a mesma validação a um objeto que só tem validação porque os humanos lhe dão? Porque é que atirando com uma Tora à "cabeça" do espírito não funciona? E de que é que tinham medo os espíritos no "Antes de Cristo"? Para mim, a história dos espíritos até seria verosímil, mas deixa de o ser a partir do momento em que vejo o conluio cristão da coisa; se eu não engulo o sagradismo da coisa então também não consigo engolir a sua antítese. Cai todo o sistema de pavor que o filme tenta incutir.
Outra coisa são as metáforas. Muito gostam os espíritos de assustar através de mensagens veladas. No Conjuring, há lá uma parte em que começam a cair da parede os quadros todos com fotografias dos membros da família. Porquê? Porque o espírito queria matar os membros da família. Uuuuuh, que metáfora tão bem pensada... Para quê? Que maquinação tão humana, valha-me deus*. Deixar mensagens e não sei quê, quer matar, mata. Parvoíce.
Depois há a velha história de alguém que morreu na casa assombrada, que é sempre uma mulher, ou que ficou maluca, ou que matou os filhos ou assim. E estas coisas da representação dos géneros nos filmes vai-me acionando a mente nos momentos mais inoportunos e eu chego à conclusão que isto é tudo a exploração de velhos temas que fazem parte do folclore ocidental há séculos: a loucura que se achava que todas as mulheres tinham em maior ou menor dose mas sempre latente, e o mito da maternidade como expoente máximo da mulher e o sagrado da relação mãe-filho e do quão contra-natura e inspirador de medo é quando isso não é assim (refletido no extremo com a mãe a matar o filho/a filha. Isso é sobrenatural, um homem matar os filhos é "apenas" homicídio a sangue frio). Aposto que esta relação entre filmes de terror e mitos sobre a condição feminina dava um estudo interessantíssimo e aposto como já existem uma data deles.
Não me interpretem mal, eu continuo a ver estes filmes por detrás das mãos e a apanhar cagaços mesmo assim (se metessem aquelas músicas numa comédia continuava-se a apanhar cagaços, mas enfim), mas agora já não me desafiam mentalmente, já não fico com eles agarrados durante dias e dias à cabeça a rever imagens mentais do filme. O que está por detrás dos cagaços e da música bem escolhida tornou-se só parvo.
* isto é uma expressão linguística, não venham chatear a ateia.
Houve alguém que decidiu pegar em alguns filmes Disney e meter-lhes nomes mais honestos ao que a história é. O resultado é muito bom, especialmente na parte das Princesas:
A Cinderela e a sua super makeover que envolveu abóboras transformadas em coches e sapatos perdidos:
A pior Princesa Disney com o título que merece e que eu já tinha reclamado há uns mesitos:
Este filme nunca vi por isso não posso atestar sobre a veracidade da crítica. Mas fez-me rir:
Oh, este é muito bom :'D
Muito bem apanhado, sim senhora. Ficam aqui mais duas que, não tendo que ver com representação das mulheres nos media, me arrancaram mais umas boas gargalhadas:
Exato, tanto cão que aquele filme tem!
Hahahaha! Disney, a promover Shakespeare entre os mais novos desde 1994 :D
Eu bem digo que é nos filmes em que menos espero que encontro pérolas do anti-cliché-da-representação-feminina. Neste caso, não foi nenhuma personagem em especial que me despertou a atenção nem o próprio enredo. O London Boulevard é apenas mais um filme de gangsters. O facto de ser passado em Londres foi decisivo para a sua escolha mas isso agora não é para aqui chamado.
O filme tem mais uma daquelas cenas de 15 ou 20 minutos que pela bofetada à máquina hollywoodesca - e aos media em geral - faz com que mereça um lugar aqui. Cá vai ela:
Pronto, é isto. As 3 personagens-tipo femininas que eu mencionei há vários posts atrás. É a neurótica para contrastar com o homem que só quer é levar uma vida normal, a sedutora e a virgem que servem apenas de pretextos para as torpelias masculinas, e a mãe que representa a figura omnipresente na vida da personagem masculina. Todas, no fundo, não passam de bengalas ao ator principal. Daí que incluírem uma personagem de um filme a constatar isto seja mesmo muito bom. Gosto muito quando Hollywood morde a própria cauda.
E o Colin Farrell anda a levar muitas lições de representação das mulheres nos filmes, haha!
O descubra-o-estereótipo nem estava ligado desta vez. Há alturas em que o tenho que pôr em stand-by, alturas essas em que normalmente estou muito bem-disposta e num humor de ver tudo o que há de bom nas coisas, de dar o desconto, como se costuma dizer. Ou então alturas em que o D. me começa a lançar olhares exasperados, ou a levantar os olhos ao céu numa atitude de quem pede largas doses de paciência aos anjinhos, que isto de se ter metido com uma feminista cujo passatempo favorito é vociferar contra a televisão (eu não era assim quando ele me conheceu, coitado), não é fácil e "Deixa lá ver o filme em paz...!". Aí eu respiro fundo e rodo o botão para "stand-by", limitando-me apenas a uns ares de enfado e a um ou outro revirar de olhos. Já é palpável a dose de embaraço e culpa do homem quando aparece nudez gratuita de mulherio nos filmes - particularmente comédias, aí ela é quase sempre gratuita (e sim, revolta-me apenas a que não serve nenhum propósito na história; sou contra a objetificação da mulher, não sou púdica) - portanto sei que de vez em quando tenho que me controlar. Para bem da minha saúde mental, também, e para continuar a conseguir ver filmes e televisão.
Dizia eu que desta vez o descubra-o-esterótipo estava apenas em stand-by. O filme em questão tinha um título meio aleatório e cómico, a frase que o recomendava prometia uma história engraçada e parecia-me que vinha de fora da máquina hollywoodesca. A introdução no artigo da Wikipédia: "Seven Psycopaths is a 2012 British black comedy..." (que só vi agora, devo dizer) faz antever que o humor que encerra não é habitual.
Sem querer entrar em spoilers, basicamente é a história de um escritor que está a escrever um policial sobre 7 psicopatas (mas que não quer que o livro seja violento) e cujas linhas de enredo de cada personagem se vão desenvolvendo e cruzando com a vida real do escritor. Há uma altura em que dois amigos dele, que se dedicam a roubar cães para uns dias depois os irem entregar e receberem a recompensa dos donos, roubam o shih tzu de um mafioso qualquer e aquilo depois não corre muito bem. É mesmo muito boa a história, as personagens e o passo do filme, que é rápido e com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, o que resulta muito bem para comédia. Cada psicopata tem os seus próprios quirks e afetações que os tornam complexamente cómicos, e lembro-me por exemplo de um que andava sempre com um coelho branco ao colo, e que uma vez gritou ao escritor "Achas que eu estou a brincar??!! É porque tenho sempre um coelho branco, não é, ninguém me leva a sério!!" e eu desatei a rir até ficar sem ar porque, convenhamos, psicopata que é psicopata não afaga coelhos. Ainda por cima brancos, que coisa mais fofinha conseguia ele ir buscar.
É um filme que é impossível adivinhar para onde vai a seguir e muito menos como vai acabar. Não há template nenhum que se afigure por detrás do enredo já que nunca se viu nada assim antes. São os meus preferidos, estes. Nem há o tão comum "dois finais possíveis" que normalmente acontece quando o filme é bem conseguido mas uma pessoa sabe que ou será uma coisa ou outra, não há muito por onde fugir. Aqui nem sequer seria o "o cão é devolvido / o cão não é devolvido" porque a história é bem mais densa e cheia de torpelias do que merece ser reduzida nesses termos. É filme dos bons, portanto, e comédia honestamente original.
Ainda assim, o que tem este filme de feminista para merecer figurar no "Media, é assim mesmo"? Em sete personagens no cartaz, só duas são mulheres, onde está a originalidade neste campo? A resposta é uma cena de 15 ou 20 segundos, mas que me fez rir a bandeiras despregadas pelo brilhantismo puro e tão atirado ao acaso:
"As tuas personagens femininas são terríveis."
"Nenhuma delas tem algo a dizer em sua defesa."
"E a maior parte delas ou leva um tiro"
"ou é esfaqueada até à morte em cinco minutos."
"E as que não são provavelmente vão ser mais para a frente."
"Bom..."
"É um mundo difícil para as mulheres. Sabes?"
"Sim, é um mundo difícil para as mulheres,"
"mas a maior parte das que eu conheço consegue articular uma frase."
Isto é tão cómico porque aborda a questão da representação das mulheres nos filmes em geral de forma tão acutilantemente irónica, extrapola a cena onde é dita, o próprio filme, e é uma punhalada na clichézeda humorística que abunda por aí. Pareceu-me suficiente para vir parar ao "Media, é assim mesmo". Um filme não tem que ter todas as personagens principais no feminino nem versar só sobre as relações entre elas para merecer um lugar aqui. Se bem que, sabe deus o quão raro isso é. E, a sério, a originalidade do enredo e das piadas não as consigo recomendar demais.
O que eu sabia antes de ir ver o filme era que tinha uma rapariga ruiva como protagonista, empunhando um arco, e que supostamente era diferente dos filmes habituais da Disney. O nome tornou o tom do filme óbvio mas o facto de ser sobre uma personagem feminina - ainda por cima, ruiva*! - suscitou a minha intenção de o ver. Tive-o no computador durante algum tempo e foi só quando me apercebi que a história se passava na Escócia, e para além disso, falada toda ela no sotaque tão característicamente escocês, é que me decidi a vê-lo de uma vez por todas.
Depois de parar de sorrir estupidamente e me habituar ao tão raro de ouvir na TV inglês de pronúncia escocesa, concentrei-me na história e liguei o descubra-o-estereótipo. Mas desta vez, e porque já ia precavida que era um filme original, o descubra-o-estereótipo estava de pernas para o ar, ligado em descubra-a-originalidade. E agora vou tentar explicar como a Brave bateu o record neste novo jogo tentando ser o mais cuidadosa possível para evitar contar o que acontece na história.
O que mais me surpreendeu neste filme, e suspeito que isto seja uma coisa que a Disney tem vindo a aperfeiçoar ultimamente, foi a qualidade dos detalhes. Não falo apenas da animação, embora quanto mais atenta ao detalhe for mais agradável se torna, mas sim dos pequenos quirks que as personagens deste filme têm. As personagens não são mais só más ou só boas, como acho que já não o eram há uns anos. Mas a Disney na Brave vai mais longe e introduz características subtis nas ações e personalidades das personagens que as faz parecer complexa e contraditoriamente humanas. A sério: enquanto o filme se desenrolava eu só pensava que quanto filme "real", com pessoas verdadeiras em vez de desenhos animados, eu já tinha visto que eram tão pior conseguidos que este. Bolas, todas as personagens das novelas portuguesas e brasileiras são unidimensionais comparadas com as personagens do Brave! Para mim esta é a marca de um grande filme e o que o caracteriza como bom ou mau. Tenho cada vez menos paciência para coisas flat no grande ou pequeno ecrã. E não estou a falar de filmes em 3D; para os efeitos visuais estou-me pouco lixando. São as personagens quem conduz a história e quem faz o filme.
Bom, então dizia eu que a Brave tem este grande traço de originalidade transversal a todas as suas personagens. Isto faz com que não só se torne interessante e desafiador ver o filme, ainda que feito a desenhos, como torna o enredo difícil de adivinhar. A personagem principal não é também a típica menina rebelde, do género adolescente que diz "não" só porque o pai ou a mãe diz "sim". Tem todo um conjunto de quirks muito subtis que a tornam quase humana, e, ainda que definitivamente corajosa e ativa, não seja a pura rebeldia em pessoa. Também não existe, como eu temia, uma espécie de antagonista a esta personagem que seja a má; sim senhora, há uma rixa entre a Merida e a mãe, mas a própria mãe tem uma série de subtilezas que a impedem de se caracterizar na puramente rígida figura autoritária parental.
Duas outras coisas que fizeram este filme um dos mais originais que vi ultimamente:
1. A relação mãe e filha é central ao filme todo. Pela primeira vez desde, er... eu arriscaria "sempre", temos um filme de desenhos animados com duas personagens femininas como personagens principais. Lembrai as categorias de personagens-tipo femininas que eu fiz há uns posts atrás: nenhuma delas se encaixa. A mãe não se encaixa na personagem-mãe típica porque não é nem self-effacing nem serve de bengala à filha; está antes par-a-par com esta, tem personalidade complexa e própria e é essencial à trama. As duas têm uma relação mãe e filha cheia das contradições e incoerências próprias das relações mãe e filha reais.
Ah e ela também não tem uma família disfuncional, do tipo justificação para ser espigadota; é tudo gente fixe e cada um com a sua pancada, o que torna o enredo divertido mas plausível.
2. Continuando nisto da personagem-tipo bengala, a Merida também não serve de bengala a personagem masculina nenhuma. Confesso que no meu subconsciente estava sempre à espera de ver surgir na tela o "príncipe encantado", o amigo, pelo menos, que a ajudaria a desenvencilhar-se da trama da história e que inevitavelmente selaria o final feliz. Eu tinha ouvido dizer que a Brave era original mas podia ser só por ser corajosa. E nisto das representações eu aprendi a ter as expectativas baixas. Mas quanto à personagem príncipe-encantado, nada. Nicles. Nem o cavalo, que aqui era o mais próximo de amigo que se poderia apontar a ajudou a desenvencilhar-se das coisas assim por aí além.
Depois há os bónus: os que já falei sobre o sotaque escocês e as paisagens constantes das Highlands, a história ser contemporânea dos contos da Juliet Marillier que eu costumava ler, se ouvir constantemente folclore escocês e os irmãos dela a um ponto estarem a brincar com haggis :D Ah, e tem um bocado de magia, como não podia deixar de ser, e para se poder qualificar como um conto de fadas.
Conto de fadas mas, por tudo o que expliquei, conto de fadas original acima de todas as minhas expectativas. Se a Disney continuar nesta linha vai certamente redimir toda a clichézada que tem na sua história de princesas.
Um grande thumbs-up à Merida ;)
S.
* O ser ruiva por si só não lhe acrescenta nada de originalidade em termos de personagem feminina Disney - a Ariel é ruiva, atenção. É só mesmo porque eu tenho um fascínio por ruivez, um fascínio um bocado aleatório e impossível de explicar. Por isso para mim ela já tinha ganho pontos antes de ver o filme :D
Depois de muito debate e de muita hesitação, hoje decidimos ir ao cinema. Foi a primeira vez que o fizemos cá, e, como explanarei de seguida, não foi uma decisão fácil.
A ideia começou a pairar com mais intensidade quando estreou o novo Astérix. Dos poucos filmes que vimos em francês - e gostámos - seria sempre mais um que iríamos ver de qualquer forma. Decidimos que seria o filme ideal para nos estrearmos num cinema belga.
Várias coisas constituem um problema em ir ao cinema em Bruxelas. As que já sabíamos:
- som francês: o problema mais óbvio de todos. Nenhum dos dois entende francês tão bem que consiga acompanhar uma história do princípio ao fim, perceber todos os detalhes e piadas como se se tivesse a ver um filme em português ou inglês. Aqui há também a mania de dobrar os filmes americanos, e, ainda que se se procurar bem dê para encontrar versão original, não é fácil.
- legenda neerlandesa: ah, legendas; as nossas melhores as amigas. NOT. Filme dobrado em francês com legenda em neerlandês é ouro sobre azul, sem dúvida. Não basta uma pessoa estar a esforçar-se para ouvir e perceber um filme numa língua à qual não está habituada a ter numa sala de cinema, como ainda quando aparece o guia visual da tradução, está numa língua ainda mais impercetível para dois pobres portugueses. Há que fazer um esforço consciente para ignorar o palavreado com que somos bombardeados na parte inferior do ecrã.
- o preço: cinema equivale a luxo nestes países do norte e uma pessoa chora internamente enquanto paga vinte euros por dois bilhetes. Ainda que já tenha pago 26 libras.
Foi por isso com um misto de ansiedade e excitação que entrámos hoje na sala de cinema e nos sentámos à espera dos trailers e do filme que sabíamos não poder esperar entender perfeitamente. Por entre risos combinámos que pelo menos isto era um filme de comédia, e portanto saberíamos que os pontos altos das piadas seria quando ouvíssemos gargalhadas do resto da sala, que era só imitar.
Chegaram os trailers e eu fiquei logo com uma dor de cabeça enorme. Uns eram em francês sem legendas, outros em inglês com legendas em francês, outros em francês com legendas em neerlandês. Um houve cujo som era italiano e portanto tinha legendas duplas em francês e neerlandês, a correr em simultâneo. Começou a apetecer-me bater com a cabeça no banco da frente.
Depois começou o filme e começa-se a ouvir a versão original francesa. A legenda aparece e os olhos descem inconsciente e instintivamente para a ler, mas lá vem a linguagem dos flamengos e uma pessoa respira fundo enquanto se mentaliza que tem que se apoiar apenas nos ouvidos para entender o filme que aí vem.
É um bocadinho triste. Aquela gente fala muito rápido e se há variação de tom, como um murmúrio, lá vai o entendimento para o galheto. E depois começa tudo a rir na sala e nós não captámos a piada e olhamos um para o outro como que a perguntar "...Percebeste?...". Uma pessoa sente-se excluída. Mas ainda assim não foi tão mau. A comédia é uma faca de dois gumes nesta coisa da linguagem: por um lado as ações, sentimentos, etc são muito mais exagerados e portanto chega-se lá facilmente pela linguagem corporal dos atores, ainda que não pelas palavras exatas; por outro lado é feita de piadas e é permeável a trocadilhos, a que só se chega verdadeiramente se se entender a língua muito bem. Por isto mesmo conseguimos perceber muita coisa, definitivamente entendemos a história, apenas algumas cenas cómicas se perderam.
O sentido de humor destes filmes, cheio de nonsense e atravessado de anacronismos conscientes é um que eu prezo muito e muito bem-vindo por ser tão diferente do habitual hollywoodesco, e distinto também do humor britânico (se bem que este filme era sobre aventuras do Astérix na Grã-Bretanha por isso houve uma espécie de mix entre os dois e, claro, festa de estereótipos :D).
Fazía-nos bem ter TV local. É a conclusão que me ocorre tirar.
Há uns largos meses que queria ver este documentário:
Hoje foi o dia.
A premissa é do mais simples que há: acompanhar a vida de quatro bebés em diferentes partes do mundo durante o seu primeiro ano.
É simplesmente... fascinante.
São-nos apresentados quatro exemplares humanos na sua forma mais pura, acabados de chegar ao mundo em ambientes muito diferentes, às vezes a roçar os extremos. Um é da Namíbia, outro da Mongólia, outra de Tóquio, e a última de S. Francisco.
O meu interesse era o óbvio perante um filme destes: saber como se educam bebés em diferentes partes do mundo. Ver, com os meus próprios olhos e sem ninguém me contar, como é que estes bebés humanos lidam com o que os rodeia e que nestes quatro casos é tão diferente entre si.
E o que vi deixou-me maravilhada. Isto porque as quatro crias humanas são iguaizinhas, não obstante os seus ambientes. A curiosidade em relação ao que as rodeia é exatamente a mesma, a atenção e alegria quando a mãe as desafia é igual, os sons balbucionados são os mesmos, as tentativas de gatinhar e depois de começar a andar semelhantes, os guinchos não se distinguem, a displicência com que pegam em tudo e enfiam na boca é a mesma.
Porque uma coisa é dizer que somos todos iguais, todos irmãos, todos a mesma espécie. Isto toda a gente sabe na teoria. Mas ver este facto espelhado nas ações de quatro bebés de sítios e culturas tão diferentes é maravilhoso e faz com que se assimile essa igualdade como verdade verdadinha por ser tão óbvia.
O documentário não pretende dar nenhuma lição a ninguém, nem tem qualquer moralidade subentendida. Isto porque os autores escolheram não meter nenhum narrador ou comentário de qualquer espécie (o filme parece um No Comment da Euronews especialmente longo. E tal como na Euronews, a intenção é "tirem vocês próprios as conclusões"). E, de facto, não fiquei convencida sobre qual é a melhor cultura para se educar um bebé...
Basicamente não temos ninguém a falar, apenas cenas completamente aleatórias da vida destes bebés, que espelham muito bem como é o seu quotidiano. Temos assim o bebé namibiano sempre livre, nu e a meter terra, pedras e um osso (!) à boca com a naturalidade típica dos bebés, o bebé mongol a brincar na sua tenda forrada a tapetes onde de vez em quando aparece uma cabra ou um galo que salta para cima da sua cama (estava sempre à espera que pusesse um ovo para ver a reação do bebé que o olhava atentamente mas a palavra-chave aqui parece que é mesmo GALO). Depois temos a bebé japonesa rodeada de brinquedos e gadgets corriqueiros nos países ditos desenvolvidos, e a bebé norte-americana naquelas aulas de cantigas e danças para bebés mas para as quais os mesmos estão-se mais que borrifando.
Isto lido assim parece tendencioso mas estas são meramente as atividades que me chamaram mais a atenção. Porque, mais uma vez, o documentário não tenciona provar nada e o foco são mesmo os bebés. O seu ambiente surge apenas como algo secundário e inevitável quando se tenta mostrar estas vidas tão diferentes mas tão primordialmente semelhantes.
É curioso como uma verdade tão básica se tira deste filme: bebés há-os em todo o mundo. Não interessa se crescem rodeados dos mais avançados brinquedos, se dormem debaixo daquele edredão de penas de pato, se tomam banho numa tina de água ferrujenta ou se tem como animais de companhia cabrinhas bebés (até me arrepiei quando o bebé mongol agarrou numa mãozapa de pelo da cabra e a puxou pelo chão. Mas o bicho parecia estar habituado e nem pestanejou), se frequentam aulas de ginástica desde os seis meses ou se brincam em parques de diversões ou dentro da poça à porta de casa. O que é facto é que eles crescem, absorvem tudo o que os rodeia e são felizes.
Claro que os cuidados de saúde, alimentação e conforto da bebé japonesa não se comparam aos do bebé namíbio; mas essa não é a questão. O que este documentário prova é que é estúpido pensar que se comete um grande crime de parentalidade se não se tiver o carrinho-de-bebé de marca McLaren ou se não se levar o filho a frequentar aulas de música desde os três meses, e que na ausência de todas estas mariquices o bebé não será feliz. Bebés sempre os houve e continua a haver, mesmo nas condições mais primordiais que se possa imaginar.
Porque o ambiente inevitavelmente os irá moldar para lá do reconhecimento deste documentário, seria extremamente interessante ver como eles serão diferentes daqui a 10 anos. Entretanto, fica pelo menos a constatação de que vieram do mesmo sítio e no seu primeiro ano de vida são iguaizinhos no que mais de humano tem.
Ando com uma vontade louca de comer pipocas enquanto vejo um filme em casa. Não pelo prazer de comer pipocas, mas para poder mandá-las ao ecrã cada vez que me zango com alguma personagem. Especialmente em filmes de terror. 'Epá, não vás por aí!' pumba, pipoca no ecrã.
S.
Se este post podia ser mais interessante? Podia, mas depois de uma sesta de duas horas é difícil.
1. após muita espera, chegou finalmente o dia do início da candidatura para os estágios de Março 2012 na Comissão Europeia. Quem me conhece - e eu escrevo apenas para quem me conhece - sabe que a minha ambição profissional de há muitos anos é a UE, mais concretamente a Comissão Europeia. É a minha paixão, medida através do indicador que a Rowling uma vez me ensinou: "a minha paixão é ser escritora, sei-o porque só me imagino a ser escritora e não percebo porque é que toda a gente não quer também ser escritora". Desde que li esta frase que meço as minhas paixões por ela, especialmente a profissional. Sei que a minha paixão é a Comissão porque não percebo como é que o resto das pessoas não ambiciona também trabalhar lá.
Isto que não seja lido como arrogância, egoísmo ou self-centrismo da minha parte; tal exprime apenas o meu desejo visceral, a minha ambição máxima, a minha paixão pela União Europeia, concretamente, Comissão. E o que ela significa para mim. Portanto, sim, trabalhar na Comissão, para a Europa. O meu mantra.
Vá daí que este dia seja importante. Não porque já me tenha inscrito (tenho até setembro e trabalho e tenho uma dissertação para escrever) ou porque me vá inscrever tão depressa, mas porque a época começou. E isso enche-me de nervosinho miudinho e histeria interior.
2. Comissão também. Hoje saíram os resultados do meu teste de candidatura à função pública europeia. Esta mais a sério porque implica mesmo emprego, trabalho, carreira. Inscrevi-me em março ou abril, só porque sim, para ver como era o processo e os testes. Sou realista e a minha cabeça estava noutro lado: em plena época de essays e início de pesquisa para dissertação, mais mudança para Portugal e pesquisa de estágios, não me preparei rigorosamente nada para os tais testes. Coisa que diz que se tem de fazer, no mínimo dois meses antes, não sei quantas horas por dia. Ainda assim tive um bom resultado, que, ainda que não esteja nos 20% melhores (de onde eles tiram os que passam à fase de entrevistas), não me desiludiu e tornou-me confiante de que para o ano, com a devida preparação, chego lá.
3. Ai, dissertação, dissertação... Sei que estás mortinha por começar a ser escrita, por começar a tomar forma, por começar a nascer. E pela minha parte sei que acabaram-se-me os textos para ler, os artigos para pesquisar, os livros de igualdade para folhear. Daí que o passo seguinte para este fim-de-semana seja abrir um documentozinho do word, cruzar os mil e um apontamentos espalhados pelas cento e uma folhas, e começar a debitar texto. Estou cheia de nervoso. Cheia de inseguranças e cheia de medo que se assemelha àquele pânico inicial sempre que pensava na dissertação final. Não sei, não consigo, não escrevo bem, o meu inglês ficou em Londres, tenho saudades da minha biblioteca gigante, da minha mesa do estúdio, das horas infinitas à minha frente para escrever. Sorrio quando penso que daqui a 3 meses vou-me lembrar que a minha dissertação foi feita nas horas apertaditas de fim-de-semana, na mesa comprida da minha casinha, com os meus gatos a miar à porta e o sol portguês a escaldar lá fora.
Tudo se há-de arranjar. E daqui a 3 meses vou-me rir com afeto destas inseguranças que afinal surgem sempre que inicio a escrita de um essay, agora em maior escala diretamente proporcional ao tamanho da dissertação final.
4. E não é que ontem fiz o gesto corajoso de pressionar o play no filme Harry Potter and the Half-Blood Prince? E não é que pela primeira vez fiquei impressionada com um filme de HP?? E não é que só critiquei umas 10 vezes, em vez das habituais 50??? Ía fazendo direta só para ver o Deathly Hallows I. (!) Queres ver que vou mesmo à estreia do último filme...
5. Hoje vou ao cinema. Depois de um ano, há que registar este facto. Quero olhar para o bilhete e rir com alegria os 5 euros e qualquer coisa que vou pagar. Em vez das 13 libras da última vez. (De notar que os filmes nos cinemas londrinos não levam serviço de legendagem. Então para quê preços duas vezes mais elevados do que os que levam? Observação que sempre me mistificou).
Ontem em vez de ver o derby escolhi ver o filme As Horas, bem mais interessante mas igualmente deprimente. A verdade é que este filme saltou logo para a minha lista de filmes preferidos, quando ainda nem tinha decorrido meia hora do mesmo.
Em nota de abertura tenho a dizer que é um enorme prazer ver qualquer filme em que entre a grande senhora Meryl Streep. Todas as suas interpretações são de uma naturalidade impressionante e de um rigor impecável. É daquelas poucas atrizes que quando entram em cena não dá para despregar olho do ecrã pela interpretação incrível que fazem da personagem.
Julianne Moore é outra atriz que vale a pena. Era relativamente desconhecida por mim até há pouco tempo mas uma série de bons filmes que vi em que esta entrava captaram-me a atenção para a dita atriz, incluíndo o perturbante Blindness, baseado no livro Ensaio Sobre a Cegueira.
Sem dúvida quem mais me surpreendeu foi a Nicole Kidman neste filme. Sem dúvida alguma. Estive mais de meia hora a tentar certificar-me de que era mesmo a Nicole Kidman quem estava a fazer de Virginia Woolf, e fiquei na dúvida até mais de metade do filme. A minha habilidade para reconhecer caras nunca foi famosa, mas o que é fato é que esta senhora estava irreconhecível como Virginia Woolf (vejam por vós próprios), uma mulher escritora com imensos problemas psiquiátricos e uma personalidade algo apagada no filme.
Graças à brilhante interpretação da Nicole Kidman fiquei fã desta famosa escritora. Tinha uma vaga ideia de que era uma escritora da primeira metade do século XX, tinha pertencido ao Bloomsbury Group, um clube londrino de intelectuais, entre os quais Keynes. Tinha também a impressão que, tal como outros membros desse grupo, tinha-se suicidado. Tudo verdade até aqui. O que me impressionou neste filme foi a profundidade da escritora em si, os temas sobre os quais escreveu e o seu percurso de vida.
Mas talvez seja melhor fazer uma sinopse do filme para poderem julgar por vós próprios.
As Horas captou-me a atenção pelo fato de contar 3 histórias de mulheres de épocas diferentes mas com algo em comum, neste caso o gosto por um romance de Virginia Woolf ('Mrs. Dalloway', prioridade elevada na minha lista dos 'a ler'). Este ponto é logo receita bem-sucedida para eu gostar do filme. À medida que o filme foi decorrendo fiquei com a nítida impressão que este filme me fazia lembrar o Revolutionary Road, e a verdade é que a essência de ambos é muito semelhante.
Basicamente seguem a mesma linha: mulheres que vivem nos subúrbios, que têm tudo o que é suposto ter - casa com jardim, marido, filhos, vida folgada, boa reputação no bairro -, que aparentemente são felizes mas que por dentro sentem um desespero terrível. Revolutionary Road foi a primeira história do tipo que vi e impressionou-me bastante. A Kate Winslet e o Leonardo Dicaprio estavam impecáveis nas suas interpretações.
As Horas é ainda melhor, na minha opinião. Isto porque combina as tais 3 histórias das 3 mulheres em épocas diferentes. A primeira é a própria Virginia Woolf, enquanto escrevia o livro Mrs. Dalloway. A segunda é uma mulher dos anos 50, e a outra uma mulher do presente. O que é fascinante neste filme é que as 2 últimas histórias vão sendo contadas à medida que acompanhamos Virginia Woolf na sua escrita do livro. Ou seja, tudo o que ela vai decidindo que irá acontecer à sua heroína fictícia, a Sra. Dalloway, vai influenciando o curso que as outras 2 mulheres vão dando às suas vidas. É brilhante. E extremamente parecido com o que se passa no meu filme preferido de sempre, Shakespeare in Love. Também aqui há a mistura de uma vida real (a de Shakespeare) com a invenção e escrita de uma obra fictícia (neste caso Romeu e Julieta).
Mas o que me impressionou realmente no As Horas foi a essência da história: o desespero de uma mulher que vive segundo o que é esperado dela. A vida nos subúrbios, com a casinha da 'white picket fence', o casal de filhos, e a mulher que espera o marido chegar a casa - no fundo, o tão famoso American Dream - é aqui retratado como fútil e desesperante para estas mulheres. Fútil porque monótono e previamente antecipado (a mulher sabe como será a sua vida do início ao fim), e desesperante porque a mulher não consegue entender, muito menos explicar, porque é que é extremamente infeliz se tem tudo o que se é suposto ter. Detetei também um cheirinho de Fernando Pessoa neste tipo de história, o que me agradou imenso. A sua visão da monotonia da vida e da existência humana era igualmente deprimente mas tão certeira que chega a assustar. O Livro do Desassossego é particularmente exemplo disso.
Em resumo, é um filme com um enredo profundo e 'enredado' pois estas 3 histórias acabam por se cruzar realmente, não têm apenas em comum o livro de Virginia Woolf. As interpretações das 3 senhoras são brilhantes e extremamente entusiasmantes de assistir. Destaco a interpretação de Virginia Woolf (personagem), de quem fiquei fã curiosa, e de Nicole Kidman (a atriz), de quem passei a admirar.
O facto de o filme ter estreado e não ter ainda decidido ir vê-lo anda-me a moer a consciência.
É uma espécie de pedrazinha no sapato que não perturba mas que de vez em quando uma pessoa se lembra que está lá. E a verdade é que nem sequer tenho a certeza se o vou ver.
Porque a questão é que este é o último livro (ainda que não o último filme) e daqui a cerca de um ano a histeria Harry Potter vai acabar. E estou em Londres, bolas! Ainda no outro dia deparei-me com a lista de lugares onde filmaram cenas dos filmes e fiquei surpreendida com a quantidade deles onde já estive (para não falar de dois pelos quais passo todos os dias). A histeria e o entusiasmo deviam ser mais que muitos.
Mas não são e eu sei perfeitamente porquê. Não houve um único filme em que não saísse profundamente desapontada do cinema. O showbiz, a má qualidade dos actores principais e os directores duvidosos fazem com que o grande foco sejam os efeitos especiais em detrimento da história. Isso irrita-me profundamente. Harry Potter não tem NADA a ver com magia e criaturas fantasiosas. Tem a ver com a natureza humana, com fazer as escolhas certas e desafiar o establishment quando é preciso. Ensina coragem, o valor da amizade, o poder da determinação e a importância de agirmos consoante os nossos valores. Mostra que o "lado do mal" nunca é algo completamente definido e que a distinção do "bem" e do "mal" é uma luta diária e nunca acabada.
De maneira que escolhi não ter ido ver o último filme (6º). A história acaba sempre deturpada e pormenores importantes transformados para ficarem melhor na tela. Eterna luta entre o cinema e a literatura.
Ora agora para este último livro insistiram dividi-lo em dois filmes, ao que parece para contar a história como deve ser. O que é uma grande treta porque o último filme é o rematar dos fios de história desenvolvidos ao longo dos livros. Se esses fios não foram desenvolvidos nos outros filmes, é impossível serem-no agora no último.
Mas a razão mais importante é outra. A histeria Potteriana para mim acabou quando li "the end" no sétimo livro. Não consegui voltar a lê-lo. Nunca mais li a série do princípio ao fim. Foi uma decisão meio consciente meio insconsciente mas necessária afinal de contas para a minha sanidade mental. A história acabou. A ânsia constante de esperar pelo próximo livro para saber o que se passaria a seguir acabou com ela.
Jurei que este post seria curtinho e que não me ía meter nesta explicação toda sobre Harry Potter porque é um assunto que não gosto particularmente de discutir. O impacto que teve na minha mentalidade e na minha formação a vários níveis é algo que não consigo explicar. A verdadeira essência dos livros é impossível de explicar a quem não os tenha lido de forma devota. Mas enfim, este blog está a tornar-se muito catártico :).
Voltando à questão inicial: Harry Potter: sim ou não? Provavelmente não. Se não pensar muito nisso. Se não ceder ao marketing constante que me invade a casa e os sentidos sempre que ligo a televisão ou caminho pela rua e um cartaz do filme me apanha desprevenida. Acima de tudo se quiser evitar mais uma grande desilusão.
Nunca ter estado presente em Londres numa fila de livraria à meia-noite à espera de um livro de Harry Potter continuará um dos grandes (muito raros) arrependimentos da minha vida :) .