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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A torre de Babel a desmoronar-se

Já sou oficialmente uma aluna de alemão. 

Mas antes de o ser estava sentada numa carteira de sala de aula, com mais 20 outros pré-alunos de línguas, à espera que nos viessem entregar os testes de aferição das respetivas línguas para nos meterem nas turmas corretas. Olho de soslaio para o papel de inscrição da pessoa ao meu lado. Descortino as palavras "test: portugais" escrevinhadas à pressa no topo da folha. O meu estômago dá uma cambalhota. Já sabia que naquela escola também havia um curso de português, tinha até visto que o primeiro nível já estava completo, mas estas coisas só vendo para crer. Começo a sentir-me a recetora de olhares de soslaio também, lançados a mim e à minha folha com o seu "test: DE". Até que a senhora se me dirige em alemão. Um bocadinho de pânico misturado com um bocadinho de alegria, polvilhado de frustração por ver que dos nove meses de aulas há três anos só me resta a capacidade de compreender a palavra "deutsche" no meio de uma frase que deve ter sido muito simples. Dirijo-me a ela em francês. Dá-se um clique e eu percebo que numa sala de vinte e poucos alunos, ela, alemã, que estava ali para testar o seu português, se sentou ao lado da única portuguesa que estava ali para testar o seu alemão. Coincidência maravilhosa. Não sei qual das duas ficou com o coração mais quente por a outra desconhecida ter o interesse suficiente em se dedicar à sua língua materna, que não é especialmente popular nem tem os glamours de um italiano ou espanhol, ou as exoticidades de um árabe ou mandarim. Começou a falar-me num português enferrujado mas assustadoramente correto, e eu perguntei quanto tempo tinha ela vivido em Portugal, para justificar tal competência. Nunca tinha ido a Portugal (sequer! Como é possível falar tão bem...) mas gostava mesmo muito de lá ir um dia. Tudo isto em português, a minha língua materna. Fiquei triste de não lhe poder retribuir a mesma gentileza. No fim do teste, recebi um "Gut Glück!" e sussurrei um "Boa sorte!" de volta. 

Parece-me um ótimo prenúncio. 




S. 

P.S. O que também me parece um ótimo prenúncio é a quantidade de faíscas que a parte linguística do meu cérebro fez naqueles dois ou três minutos. Ouvi alemão, respondi francês, devolveram-me português, continuei num português self-conscious porque queria muito que ela me continuasse a entender, depois acho que mudei a meio para francês novamente, mas inglês era o que me estava a soar melhor mentalmente já que é território neutro, espécie de acordo subentendido sempre que duas pessoas que não partilham a língua materna nem a língua de acolhimento devem falar. Mas depois lembrei-me que não era preciso porque ela falava português, e depois fiquei triste por não poder falar-lhe em alemão. Prenúncio das mindfucks que me esperam nas aulas de alemão em francês, foi o que isto foi.




sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Feliz Ano Novo

A silly season está mesmo, mesmo a acabar - e ainda bem porque já estou farta da expressão silly season. Porque eu ainda não consegui descolar da mentalidade de ano letivo, e setembro deixa-me um ano mais velha e por isso é mês de rito de passagem, e eu este ano estou cheia de pica e vontade de fazer coisas, aqui fica a minha lista de desejos para o Ano Letivo Novo até ao Ano Novo:

- É mesmo desta que vou recomeçar a minha aprendizagem do alemão. Vou voltar aos cartõezinhos com palavras para decorar os géneros, vou voltar às tabelas com as declinações, vou voltar aos livros com histórias Disney em alemão. Não quero saber que vivo numa cidade bilingue mas em que nenhuma das línguas oficiais é a germânica, não quero saber que ainda teria muito francês para aperfeiçoar e que ainda não consigo manter uma conversa de jeito na língua dos gauleses, nem quero saber que aqui vou ter que ir através da língua francesa para chegar à alemã. Desejos recorrentes e que duram anos ganham pontos pela persistência e merecem ser elevados à categoria de concretizados. E o francês, sinceramente, não me dá pica. Longe de dominada mas demasiado familiar. E posso sempre consolar-me com o facto de que o alemão - descobri-o há pouco - é a terceira língua oficial da Bélgica.

- Em dezembro vou correr nove quilómetros numa hora. Em termos humanos, nada de especial, mas como diz o outro, o que interessa não é ser superior aos outros, é ser superior ao que já fomos. E eu já fui uma pessoa que corria cinco minutos e ficava com o peito a rebentar (não estou a dramatizar). Conseguir a hora redondinha vai-me deixar orgulhosa porque, ao contrário de estudos e coiso, sempre foi uma coisa que eu acreditei nunca conseguir. Suspeito que me vai deixar mais orgulhosa do que o dia em que eu conseguir ler um livro em alemão pela primeira vez (mesmo que seja uma história Disney).

- Antes de 2013 acabar, terei a minha candidatura a doutoramento completa. E fora do meu controlo. Mais um passarinho que enviarei por essa janela à espera que me traga um raminho de oliveira no bico.

- Terei acabado de ler o European Feminisms 1700-1950. (Irra, que a porcaria do livro não me larga!)

- Terei acabado o meu primeiro curso da Coursera. Após três tentativas falhadas. 

- Terei aprendido a gostar de mais um legume cru. Após o básico tomate e alface. 

- Terei visitado Bruges. Após 30287 tentativas falhadas.

- Conseguirei acompanhar um episódio de uma série qualquer dobrada em francês sem fazer cara de nojo.

...

Só espero não me tornar uma ilustração da expressão "ter mais olhos que barriga".




Apareceu-me esta imagem enquanto pesquisava imagens para wishlists. A relação entre os dois está para lá da minha compreensão mas quem sou eu para negar o destino.




S.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

De olhos abertos

Ano e meio depois, volto a ter televisão em casa. Não é que a falta dela fosse muita, mas comecei a achar que seria positivo ter um meio fácil e preguiçoso para aprender francês sem dar por ele, e a estar mais informada sobre o que se passa neste canto da Europa. Se bem que foi o facto de ter BBCs que selou a decisão de a instalar.

O balanço assim muito inicial é positivo. Em meia-hora já vi:

- um programa do Goucha aqui da zona;
- o The Big Bang Theory dobrado em francês;
- o The Office americano dobrado em francês;
- uma prova de ciclismo passada não sei bem onde;
- o telejornal português;
- um programa sobre as raposas que existem em Londres à solta.

Agora vou lutar muito para conseguir ver o Prison Break ou assim dobrado em flamengo.






S.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Na dúvida, afrancesa-se

Palavras que, contra todas as minhas suspeições, os franceses entendem:

- tossir (tousser)
- muco (moco)
- catarro (catarrhe) !

Palavras que eu pensei que eram internacionais e vai-se a ver e não são:

- Mebocaína


A minha estratégia de afrancesar palavras portuguesas e esperar pelo melhor resulta melhor do que o que eu julgava.





S.

sábado, 9 de março de 2013

Feira do Livro: versão indoor

Continuando no tema dos livros, hoje foi dia de visitar a Foire du Livre de Bruxelas. Não estava com expectativas de comprar nada, já que a língua em questão, aliada ao meu cada vez mais especializado gosto e à preferência pelos e-books, tornava a tarefa de encontrar algo que me fizesse puxar da carteira mesmo muito díficil. Da carteira tive que puxar na mesma, uma vez que para meu enorme espanto e indignação a entrada era paga. Sim senhora. Autoridades bruxelenses sempre a promover a cultura. Deu-me logo uma grande pontada de saudade no coração da maravilhosa Feira do Livro de Lisboa, aquele Parque Eduardo VII cheio de filas e filas de barraquinhas de livros, muito sol, muita luz, muito calor, ar livre, um passeio anual que não falhava. Levantei o queixo do chão, engoli a indignação e puxei da nota sem reclamar. 



"Um dia o Obama pediu ao Harry Potter para transformar o seu inimigo em sapo." Quem terá sido este inimigo de que eles falam, hum? Será que o Mitt Romney passou a pertencer à classe dos anfíbios e ninguém deu por nada?

A certa altura ainda pensámos que o bilhete de entrada podia ser como nas discotecas e tivesse livro incluído (não tinha). Paga-se mesmo só pelo privilégio de poder ir ver e comprar livros. Hahahaha, está boa, esta.

Tinha muitos livros interessantes e originais para crianças, algo que desconfio que os belgas são bons, uma vez que já tinha reparada na livraria do aeroporto umas coisas engraçadas. Não sei se tem alguma coisa que ver com a tradição de bandas-desenhadas e ilustrações. Isto trouxe-me um sorriso aos lábios:




Tenho que confessar que me senti muito deslocada, naquela feira. É mesmo muito estranho percorrer quatro pavilhões enormes (ao jeito da FIL de Lisboa) e não encontrar um único livro que se conheça, nenhum nome de autor que ressoe. Ali dei de caras com o quão superficialmente conheço o meu país de acolhimento, a sua literatura contemporânea e clássica, essa parte tão fundamental da cultura e identidade de um povo. É uma coisa que me incomoda, põe-me desconfortável e, ao invés de me fazer querer ler mais sobre a Bélgica, agarrar numa História deste país, faz-me ter vontade de fugir daqui a sete-pés, enroscar-me nos braços da cultura britânica, numa língua que eu conheço não só as palavras mas também e fundamentalmente o tom. Não me é nativa como a visceralmente portuguesa, mas precisamente por estar a meio caminho entre a belga que desconheço e a lusitana que me está entranhada, dá vontade de profundar mais e mais.

Nunca lá fui a feira do livro alguma.

A União Europeia tinha uma secção num dos pavilhões, onde figurava uma imagem gigante da sala do plenário de Estrasburgo, uma imagem com quase todos os atuais deputados e com sinais a indicar que grupo político se senta onde.   



Os 20 deputados europeus belgas tinham direito a fotos maiores, e a senhora responsável pela secção deu-me placas com os nomes deles todos para eu tentar adivinhar quem era quem. Fiquei ainda mais desanimada por ver que nenhum deles me ressoava na memória, muito menos seria capaz de juntar nome e cara. Lá acertei um que me lembrava de ver nas reuniões de igualdade de género no PE, nem tudo esteve perdido.

Saí de lá de mãos a abanar, um niquinho triste pelo sentimento de alienação mas de bons espíritos. Afinal, a experiência foi partilhada com quem mais importa e portanto os risos somados e a tarde diferente pesaram bem mais na balança das experiências. E uma História da Bélgica pode já vir a caminho...



S.  

sábado, 3 de novembro de 2012

Comédia à francesa

Depois de muito debate e de muita hesitação, hoje decidimos ir ao cinema. Foi a primeira vez que o fizemos cá, e, como explanarei de seguida, não foi uma decisão fácil.

A ideia começou a pairar com mais intensidade quando estreou o novo Astérix. Dos poucos filmes que vimos em francês - e gostámos - seria sempre mais um que iríamos ver de qualquer forma. Decidimos que seria o filme ideal para nos estrearmos num cinema belga.

Várias coisas constituem um problema em ir ao cinema em Bruxelas. As que já sabíamos:

- som francês: o problema mais óbvio de todos. Nenhum dos dois entende francês tão bem que consiga acompanhar uma história do princípio ao fim, perceber todos os detalhes e piadas como se se tivesse a ver um filme em português ou inglês. Aqui há também a mania de dobrar os filmes americanos, e, ainda que se se procurar bem dê para encontrar versão original, não é fácil. 

- legenda neerlandesa: ah, legendas; as nossas melhores as amigas. NOT. Filme dobrado em francês com legenda em neerlandês é ouro sobre azul, sem dúvida. Não basta uma pessoa estar a esforçar-se para ouvir e perceber um filme numa língua à qual não está habituada a ter numa sala de cinema, como ainda quando aparece o guia visual da tradução, está numa língua ainda mais impercetível para dois pobres portugueses. Há que fazer um esforço consciente para ignorar o palavreado com que somos bombardeados na parte inferior do ecrã.

- o preço: cinema equivale a luxo nestes países do norte e uma pessoa chora internamente enquanto paga vinte euros por dois bilhetes. Ainda que já tenha pago 26 libras.

Foi por isso com um misto de ansiedade e excitação que entrámos hoje na sala de cinema e nos sentámos à espera dos trailers e do filme que sabíamos não poder esperar entender perfeitamente. Por entre risos combinámos que pelo menos isto era um filme de comédia, e portanto saberíamos que os pontos altos das piadas seria quando ouvíssemos gargalhadas do resto da sala, que era só imitar.

Chegaram os trailers e eu fiquei logo com uma dor de cabeça enorme. Uns eram em francês sem legendas, outros em inglês com legendas em francês, outros em francês com legendas em neerlandês. Um houve cujo som era italiano e portanto tinha legendas duplas em francês e neerlandês, a correr em simultâneo. Começou a apetecer-me bater com a cabeça no banco da frente. 

Depois começou o filme e começa-se a ouvir a versão original francesa. A legenda aparece e os olhos descem inconsciente e instintivamente para a ler, mas lá vem a linguagem dos flamengos e uma pessoa respira fundo enquanto se mentaliza que tem que se apoiar apenas nos ouvidos para entender o filme que aí vem.

É um bocadinho triste. Aquela gente fala muito rápido e se há variação de tom, como um murmúrio, lá vai o entendimento para o galheto. E depois começa tudo a rir na sala e nós não captámos a piada e olhamos um para o outro como que a perguntar "...Percebeste?...". Uma pessoa sente-se excluída. Mas ainda assim não foi tão mau. A comédia é uma faca de dois gumes nesta coisa da linguagem: por um lado as ações, sentimentos, etc são muito mais exagerados e portanto chega-se lá facilmente pela linguagem corporal dos atores, ainda que não pelas palavras exatas; por outro lado é feita de piadas e é permeável a trocadilhos, a que só se chega verdadeiramente se se entender a língua muito bem. Por isto mesmo conseguimos perceber muita coisa, definitivamente entendemos a história, apenas algumas cenas cómicas se perderam.

O sentido de humor destes filmes, cheio de nonsense e atravessado de anacronismos conscientes é um que eu prezo muito e muito bem-vindo por ser tão diferente do habitual hollywoodesco, e distinto também do humor britânico (se bem que este filme era sobre aventuras do Astérix na Grã-Bretanha por isso houve uma espécie de mix entre os dois e, claro, festa de estereótipos :D).

Fazía-nos bem ter TV local. É a conclusão que me ocorre tirar.





S. 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sobre o Kobo

Agora que passou um mês e meio desde a sua compra bastante ansiada e atribulada q.b., está na altura de fazer uma review sobre o meu e-reader Kobo. No fundo, dizer o que gosto e o que me aborrece neste novo mundo dos livros digitais.

Posso dizer que quando fui a Manchester, roí-me toda de inveja por ver que aquela gente tem Kindles à sua disposição para compra por tudo o que é loja de eletrónica. Porquê, oh porquê que eu não aproveitei quando lá vivia...! Mas a minha inveja tornou-se em sobranceria quando reparei que, lado a lado com Kindles estão Kobos, e que estes lhes custam para cima de 150 libras, e eu comprei o meu por 99 euros. Toma lá.

Duas coisas fazem-me preferir o Kobo ao Kindle: o ecrã tátil do primeiro, e o facto de não estar escravo da Amazon (ou no caso do Kobo, nem da Fnac que é a sua loja-mãe). O facto de eu poder virar páginas com um toquezinho do dedo torna a experiência de leitura muito mais intuitiva do que se o fizesse num botão. Mas o mais agradável é poder tocar numa palavra qualquer de um livro e ver instantaneamente o seu significado. Mas já lá vamos a esta última.

Toca a dividir isto por temas, para se tornar um guia útil para alguém que esteja a pesar prós e contras quanto a aquisição de um destes meninos:


Vantagens em relação aos livros de papel:

- o peso e a finura: consigo facilmente ler no Kobo com uma só mão a segurá-lo, não preciso de estar a forçar com as duas mãos para ler no meio dos livros ou segurar páginas, e apoio-o facilmente no colo ou nos joelhos. Resumindo: dá mais jeito para se segurar enquanto se lê;

- o armazenamento: acho mesmo que este deve ser uma das, se não a maior vantagem destes aparelhos. Mas tem o valor que lhe quisermos dar. Para mim, que abomino ter coisas, fisicamente, coisas que ocupam espaço em casa e em malas quando se muda de casa, é perfeito. Diria que 95% dos livros que leio não lhes mexo novamente; então para quê tê-los a ganhar pó em casa? Grande, grande ponto a favor. Não faço ideia quantos consegue armazenar - depende do tamanho dos mesmos - mas centenas cabem ali à vontade. A página principal mostra sempre os cinco últimos livros em que mexemos, portanto não há o perigo de nos perdermos na imensidão da biblioteca digital;

- o dicionário: o inglês, por razões profissionais, académicas e mesmo de interesse pessoal, substituiu há alguns anos o português no top das línguas em que mais leio. É uma coisa que tento contrariar conscientemente, e há autores portugueses que amo de paixão, como Saramago e os romances históricos da Stilwell, mas os meus interesses literários são muitas vezes anglófonos. E recuso-me terminantemente a ler traduções quando consigo ler o original. Isto tudo para dizer que é frequente aparecerem palavras cujo significado seja mais dúbio, e que compreenda o que o autor quer dizer, mas que quero saber exatamente como e onde se utilizam. Num livro normal, estas são palavras que nunca na vida me ia dar ao trabalho de procurar no dicionário ou no Google. Mas o Kobo tem uma maravilha de aplicação que é um dicionário incorporado: está-se a ler um livro, toca-se numa palavra durante dois segundos e puf, aparece a definição da mesma. Útil, útil, útil.

- a instantaneadade (?): ter o livro na hora, no fundo. Apetece-me ler uma obra qualquer, pesquiso-a no Google para ver se há em formato livre, procuro na Amazon para saber se vale a pena comprar. Se valer, pago-a e tenho-a no meu computador para descarregar na hora. Nada de esperar alguns dias até chegar pelo correio, e potencialmente ir levantar a encomenda ao posto de correios mais próximo (ou não) até poder ler o dito cujo;

- clássicos gratuitos: literatura da boa, incluindo praticamente todas as obras mais aclamadas desta arte, estão disponíveis online para download grátis. Acho que tem qualquer coisa que ver com o direitos de autor expirados ou assim (os do Saramago não se encontra, por exemplo), e isto tem me feito experimentar ler coisas que, se tivesse que investir numa compra, não o teria feito. 



Coisas que me aborrecem no Kobo

- o dicionário: não é o dicionário em si, é mais a falta de dicionários que não seja o inglês. No outro dia estava a tentar ler um livro em francês e tinha-me dado muito mais jeito o dicionário incorporado que me conseguisse dar as definições de palavras na língua francófona. Fui à net pesquisei e descobri que há muita gente chateada como eu, e que, ah e tal, os fabricantes do Kobo estão a trabalhar para arranjar dicionários em mais línguas brevemente. Fiquei levemente frustrada por ver as minhas tentativas de melhoramento do meu francês saírem furadas;

- o preço dos e-livros: é inexplicável e completamente ridículo que um livro que esteja para sair na Amazon tenha um preço duas libras mais caro na sua versão eletrónica no que na sua versão capa-mole. Ridículo! Um livro eletrónico não gasta papel, não tem que ser transportado, não tem custos de impressão. Não tem custos de nada, diria! Apenas os da propriedade intelectual. Mas esses também o livro de capa-mole tem. Ainda há um caminho a percorrer nisto dos livros eletrónicos e cartéis para demolir (a UE já lhe cheirou a price-fixing ilegal, é favor castigar essa gente, que eu quero livros eletrónicos a preços justos). Até lá vai-se sendo compensado pelos clássicos grátis;

- fraca disponibilidade em português: pois é, o mercados dos livros eletrónicos em português está ainda na sua infância. Isto faz com que poucos sejam os que consigo encontrar, mesmo comprando, em formato digital. O que significa que ainda não pude abdicar do papel completamente.



Coisas que, não me aborrecendo, podem aborrecer outrém

- a fácil maleabilidade: o facto de podermos ter num só aparelhinho centenas de livros significa que é mais fácil saltar entre uns e outros e não haver focagem. Dei por mim a desistir de dois livros porque simplesmente não me estavam a prender a atenção nem a suscitar curiosidade e a partir para outro. Uma vez que não gastei dinheiro nos mesmos, nem me ocupam espaço numa prateleira, nem tive que esperar por eles, faz com que tenha muito menos pachorra e espírito de sacrifício na sua leitura. Também pode acontecer a pessoa não querer largar de todo o livro que está a ler, mas ter a curiosidade de começar outro simultaneamente. Para quem se distrai com facilidade, o Kobo pode não ser uma coisa boa.


Outros

- o Kobo tem uma funcionalidade que é a de sublinhar coisas. Com o dedo dá para arrastar uma espécie de marcador sobre a frase que se quer e guardar esse sublinhado. Dá jeito;

- este e-reader não é de todo uma espécie de computador (como eu temia), que demora algum tempo a ligar. É mais comparável a um telemóvel ou a um iPad. Tem um botãozinho em cima que se desloca e nos dá imediatamente a página do livro onde estávamos a ler. Mesmo que se troque entre livros, o Kobo guarda sempre a última página onde se esteve, o que também é útil.

- já li num parque, com luz do meio-dia, já li em casa, já li na cama com luz fraca. Não parece que estou a ler num ecrã, a luminosidade é sempre a mesma e equivalente a uma folha de papel. Bem diferente de ler num computador ou num iPad.


Acho que é isto. Espero ter ajudado a esclarecer alguém que esteja em dúvida quanto a comprar um e-reader. Na minha opinião, valem muito a pena. Noto que tenho lido mais pela conveniência que o Kobo me traz (ainda que não tanto como gostaria, mas o coitado não tem culpa das minhas deambulações internautas) e isso para mim é a prova mais óbvia de que ele me é útil.





S.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Encomendas, autocarros e tudo o que fica pelo meio

A Bélgica tem o sistema de correios mais aleatório com que já lidei. A sério.

As cartas escapam a esta observação, já que aí ainda não tive problemas de maior. Mas no que toca a encomendas, há que fazer um esforço grande para não desatar a arrancar cabelos.

Quatro encomendas que já recebi aqui, todas vindas de Portugal. Os correios belgas conseguiram a proeza de dar quatro destinos diferentes a essas encomendas. Da primeira vez, chegou o carteiro e, como não estava ninguém em casa, deixou o normal papelinho para ir levantar aos correios mais próximos. Sim, senhora. O facto de os correios aqui, tal como em Londres, estarem abertos ao sábado, facilita muito as coisas para pessoas que tem um horário das 9h às 17h (no meu caso é das 8h30 às 17h30 mas vai dar ao mesmo).

Da segunda vez, Jesus! Tentaram entregar em casa, falharam, fui obrigada a telefonar para a DHL. "Ah e tal, a senhora vai ter que vir buscar aos nossos armazéns." Que ficam SÓ A UMA HORA DO CENTRO DE BRUXELAS. Senão larga 30 euros e já te vão entregar a casa. Comecei a mal-dizer a hora em que fui na cantiga da Wook e dos portes internacionais grátis...

Da terceira vez, DHL novamente, mas com mais sofisticação. Tentam entregar, falham, enviam mensagem e e-mail a avisar para telefonar e agendar nova entrega. Assim que a carrinha da DHL parou em frente à nossa janela no dia combinado, já estava eu à porta para receber a encomenda. O estafeta olhou-me com o respeito devido a alguém que possui poderes telepáticos e eu respirei de alívio por me entregarem em mãos uma coisa pela qual paguei dez euros de portes.

Quarta vez: recebo novo papelinho para ir levantar aos correios a encomenda cuja entrega - surpresa! - falhou, mas qual não é o meu espanto quando olho a morada e não era o mesmo posto de correios da primeira encomenda. Suspiro gigante. Vejo o caminho no Google, mas porque envolvia autocarros, perdi-me, andei às voltas durante uma hora, lá cheguei à rua certa, suspiro gigante, desta vez de alívio. Qual não é o meu espanto quando descubro que o posto de correios não era um posto de correios mas uma comum papelaria onde carteiros vão meter encomendas cujas entregas falharam. Eeeer... Tudo bem.

Mas voltando à segunda encomenda e aos armazéns da DHL. Como hoje tive tarde livre e já me tinha perdido durante a hora do almoço quando fui buscar a quarta encomenda, decidi aventurar-me e ir reclamar o que era meu. Vi o trajeto no Google maps, como é óbvio, e fiquei surpresa por ver que só precisava de apanhar um tram e um autocarro e que não havia transferências. Ou seja, nada de ter que andar para a rua seguinte ou procurar armazéns um bocadinho mais à frente porque era tudo muito certinho: chegar, trocar, chegar, porta dos armazéns a 40 metros. Aponto na mesma os nomes das paragens, direções dos transportes a tomar e números. O que é que podia correr mal, certo?

Basicamente, tudo o que podia correr mal, correu. Começou logo nos tempos de espera de tram e autocarro, que esqueço-me que não tem a regularidade de um metro, com o bónus de este autocarro ser suburbano e portanto apenas de quarenta em quarenta minutos. Não tinha aqueles painéis jeitosos a dizer quais as paragens seguintes, nem uma voz a avisar "próxima estação: X". Comecei logo a panicar. Sabia que eram cerca de 16 paragens até ao destino, mas ele não pára em todas e portanto a partir da terceira ou quarta já não fazia ideia quantas tinham ficado para trás. "Pergunto ao condutor? Não pergunto?", a viagem toda com esta pergunta a moer-me a consciência. Começámos a entrar numa terra que tinha o nome precisamente da paragem onde eu tinha que parar, mas os nomes que lia de relance nas paragens não se aproximavam do tal. Foi só quando vi uma grande placa com BRUXELLES - BRUSSEL e um risco vermelho por cima, e quando tudo de repente aparece escrito em flamengo, é que eu começo realmente a panicar e decido-me a ir perguntar ao motorista se faltava muito para Diegem. O ar de "pffuuuu!..." dele não me descansou. Estávamos a cinco quilómetros, mas porque já tínhamos passado! De notar que estávamos perto do aeroporto, aqueles locais de ninguém com vias-rápidas largas e cheios de armazéns de carga (e nenhum o da DHL, porra!) que tornam a perspetiva de ter que esperar mais meia hora pelo autocarro de volta e chegar a casa de mãos a abanar nada atrativa. O senhor lá foi muito simpático e disse o que eu tinha que fazer: sair, apanhar autocarro até ao aeroporto e lá esperar pelo 272 que me levaria perto do armazém.

Saio, espero, chega o autocarro para o aeroporto. Entro e pergunto se vai para o aeroporto já que dizia:  Zaventem - Vertrek (que agora sei querer dizer "Partidas e Chegadas"). "Isjngfisuengucht", "Pardon?", "Isjngfisuengucht", volta o motorista a dizer, com um aceno afirmativo da cabeça. Ainda pensei "Epá, este senhor tem um francês mesmo cerrado..." Qual francês! Estava a falar comigo em neerlandês! E acho mesmo que levou a mal eu me dirigir a ele em na língua da Valónia... Única passageira. Só me ocorre um "Isto 'tá bonito..." Só quando começo a ver aviões baixinhos e tabuletas a indicar o aeroporto é que me permito respirar um bocadinho.

No aeroporto, só pensava em voltar para casa. Já tinham passado mais de duas horas, já devia estar a voltar, segundo as contas do Google, mas em vez disso estava ali, com indicações obsoletas num papel, sem fazer ideia onde era o armazém, apenas com a indicação do número de um autocarro, sem fazer ideia de como depois ía voltar (não me apetecia voltar outra vez para o aeroporto; seria pelo menos mais uma hora até casa) e rodeada de palavras escritas somente em neerlandês e de pessoas que olham com má cara quem lhes dirige uma palavra em francês e insistem em continuar palavreado na mesma língua. Eu sei que eu é que estou no país deles, eu que me lixe. Mas é assustador ir-se no mesmo autocarro, passar-se um sinal com BRUXELAS e risco por cima e parecer que se está noutro país porque a língua francesa sumiu. Tive mais 40 minutos para matutar sobre isto.

Finalmente, o 272. Desta vez, de morada do maldito armazém em punho, decidi não cair no mesmo erro e perguntei logo ao início se aquele autocarro passava na DHL e onde tinha de parar. "Não sei.", foi a resposta (pediu-me se podia falar comigo em inglês. Oh meu amigo, faça favor! Menos esforço francófono aqui para a menina!) Ah, e tal, que não fazia ideia porque a DHL tinha inúmeros armazéns na zona circundante ao aeroporto, que a rua que estava no meu papel tinha vários quilómetros de comprimento e que ele não fazia ideia se passaria no número 151. Mas porque eu tinha perguntado uns minutos antes no autocarro errado pelos armazéns da DHL e a motorista indicou-me o autocarro correto e até a paragem lá perto, e quando eu disse o som da paragem houve reconhecimento da parte do motorista (a mim soou-me a "Cánádie", afinal era "Kennedy". Nem comento.) decidi arriscar. Mas o meu passe não dava porque já não estávamos em Bruxelas. Depois de muito rabuscar na mala, reparo que tinha deixado o porta-moedas em casa. A sério que quase desatei a chorar. Mas afinal os autocarros suburbanos belgas tem um sistema muito útil que dá para pagar bilhetes através de SMS, e por sorte uma das redes era precisamente a que eu uso. Ai, a sortezinha.

Lembro-me de ele dizer "Kennedy!" e de eu ser largada na paragem sem fazer ideia nem de onde estava nem onde poderiam ser os armazéns da DHL. A esta altura já eu respirava fundo, conscientemente, numa tentativa de me acalmar: "Sossega, S., o pior que pode acontecer é teres de voltar para a paragem, esperar mais 40 minutos e fazer o caminho inverso até ao aeroporto, relaxa, no máximo daqui a três horas estás em casa."

Quando chego à tal rua com muitos quilómetros e assim que vejo que o armazém em frente era o 141 (o meu papel indicava que a DHL ficava situada no 151), quase desatei num pranto. A correr tenho a certeza que desatei. Largo todo o ar que tinha nos pulmões e vou finalmente buscar os tão inatingíveis livros.

Por um acaso qualquer ou instinto ou que seja, apanhei um autocarro diferente de volta a Bruxelas. Descobri que este é que era o certo. E que me levou exatamente até onde tinha que apanhar o tram para casa.

Conclusão: Não volto a confiar no Google.

Conclusão 2: Vou parar de andar de autocarro. A sério. Já começa a ser ridículo.








S.   

terça-feira, 19 de junho de 2012

A voz germânica

De há uns meses para cá tenho andado com uma vontade incomodativa e persistente de aprender alemão. É uma espécie de moínha, que está lá sempre no cérebro a aborrecer, que não me traz dramas existenciais mas que incomoda. O que é estúpido, já que a vozinha que me devia andar a moer a cabeça devia ser francófona e não germânica. Ou quando muito flamenga.

Não é que esteja uma falante de francês de alto nível - nem sequer médio, para moderada frustração minha - mas uma vez que convivo com o francês diariamente, acho que tenho a secreta esperança que vá escorrendo qualquer coisa para dentro do meu cérebro (ainda que o francês com o qual convivo se limite na maior parte das vezes a "Bonjour"s e "Bon journé"s). Ainda assim, é inevitável que vá entrando qualquer coisa. Mas seria expectável querer aperfeiçoá-lo, vivendo onde vivo e tendo todas as intenções de ficar indefinidamente.

Mas... Não. Definitivamente a voz que me aborrece e me espicaça a curiosidade neste momento é a alemã. É uma das três línguas de trabalho da União Europeia, verdade, mas não é essa a razão que me faz querer entendê-la. Sei que não é uma língua nada glamourosa ou particularmente atrativa ou sequer fácil (declinações, oh alegria!), e o que está na berra neste momento é ser contra tudo o que é alemão por princípio, mas há qualquer coisa de masoquismo fascinante no alemão falado e escrito que me atrai. Há demasiadas coisas boas escritas em alemão para me parecer uma grande pena não as conseguir apanhar na sua origem, muito pensador germânico fundamental, muita revista interessante, muita cultura e história entre as quais eu e elas existe a barreira aterradora da língua. 

É certo que tive 9 meses de aulas de alemão há dois anos. Envolveu muita paciência, persistência e disciplina (eram aulas através de uma plataforma online do Goethe, tinha exercícios, uma tutora e textos mensais para entregar, fácil de resvalar para a ronha) mas não foi, nem de longe nem de perto, suficiente. Recortei e desenhei objetos em flashcards para aprender vocabulário e os géneros (porque os alemães têm o "neutro", além do feminino e masculino, oh, alegria!...), até comprei um livro de histórias da Disney em alemão para começar a ler! Normalmente só percebia "Bambi", "Simba", "Ariel" mas às vezes, com muito esforço e dicionário ao lado, lá compreendia uma ou outra frase. Ganhava o dia nessas alturas.

Mas infelizmente não consigo manter nem uma simples conversa em alemão, lendo apenas apanho palavras soltas e não entendo alemão falado. E tudo isto me parece um grande desperdício: já que se começou, acabe-se!

Sei perfeitamente o que custa aprender uma língua e chegar a um nível em que nos possamos orgulhar. Sei o ingrediente principal - muita auto-disciplina - e o que é preciso para poder pelo menos chegar um nível aceitável de conhecimento da língua: rodearmo-nos o mais possível dela (ouvir música alemã para afinar o ouvido aos sons guturais, começar a tentar ler livros, de preferência contos infantis ou histórias que se conheça de trás para a frente, ouvir e ver telejornais alemães, os tais flashcards para aprender e treinar vocabulário, etc). Claro que teria de voltar a ter aulas; a língua alemã é-me demasiado desconhecida e gramaticalmente difícil para poder pegar onde a deixei. Mas as aulas não são o suficiente - nunca o foram em nenhuma língua - e daí a importância de todos os outros extras que têm de ser encarados como passatempos e ocupação de tempos livres.

Vou ver até onde vai esta ambição do aprender alemão. Se daqui a umas semanitas a voz germânica continuar a chatear, vou ter de começar a procurar aulas de alemão em Bruxelas (francês? Não... flamengo? Não. É mesmo alemão. Caprichos aleatórios, vá se lá entender...). E tentar arranjar espaço na minha vida para mais uma dedicação.




S.   

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O outro lado do passeio

No meu caminho para o trabalho e do trabalho para casa, todos os dias, sigo sempre pelo mesmo lado da estrada. Pela simples razão de que o caminho é sempre a direito. E eu sou agarradinha à rotina como lapa, à mesma maneira de fazer as coisas repetidamente. E como de manhã é cedo e está frio e eu tenho sono, é mais fácil ligar o piloto-automático e deixar os pés seguirem a rota pré-definida.

Mas hoje, pela circunstância de um carro atravessado no passeio, vi-me obrigada a atravessar a estrada e a mudar-me para o outro lado. E tenho de confessar que só aí me apercebi de que nunca tinha feito o meu caminho daquele lado da estrada. Porque de repente tudo parecia diferente. Descobri um gabinete de um psiquiatra, dois apelidos portugueses em campainhas e um gato cinzento a olhar-me com altivez através de uma janela.

E um pouco mais à frente, quase ao final do caminho, uma vista que me elevou o coração: um cachorro preto, felpudo, conduzido à trela por uma senhora. E porque tinha mudado de passeio, e porque o cachorro recusou-se a andar assim que viu uma pessoa-potencial-fonte-de-mimos, os nossos caminhos cruzaram-se. "Faço festa, não faço; faço festa, não faço" foi a luta interna que me acompanhou enquanto me aproximava daquela criatura maravilhosa e tão criança-canina. A minha decisão efémera de "Não faço, tinha que pedir, não me ocorre como se diz 'Posso?' em francês..." caiu por terra assim que passei por ele e vi aqueles olhos negros cheios de alegria por anteciparem festas de um humano. Lancei um olhar à dona que me abriu um enorme sorriso e cujo "Bonjour!" muito bem-disposto me poupou um "May I?" por não me ocorrer mais nada. Sorri-lhe em agradecimento, agachei-me e corri as mãos sedentas de contacto com o pelo de um animal (e este era bem felpudo, que maravilha!) e matei as minhas saudades caninas. Ele lambia-me as mãos, abanava o rabinho daquela forma desengonçada de cachorro, louco de felicidade como só os da sua raça mostram para connosco, humanos. O mais engraçado foi que não lhe consegui murmurar aquelas palavras totós que se murmuram aos animais porque só me ocorria "És tão lindo! Ai, coisinha fofa! Que fofinho!" e, apesar de derretida, só pensava "Não vais dizer isso, isto é um cão francófono..." Wtf!? Eu sei. Lá consegui controlar a minha vontade de ficar a dar festas o resto da tarde - a dona estava à espera, afinal - e exclamei um "C'est très joli!" bem sentido e graças aos anjinhos achado a tempo e continuei o meu percurso pelo lado novo do passeio.

Isto tudo para dizer que às vezes basta darmos uns passos para fora da nossa zona de conforto (no meu caso, literalmente) para termos surpresas agradáveis à nossa espera.

Era tipo assim:


Pensando bem, acho que teria atravessado a estrada a correr assim que o visse para ter que me cruzar com ele, de qualquer das formas.




S.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ele ouve-se coisas... (ou "não vás estudar francês que não é preciso!")

Quando regressava do trabalho, oiço uma voz de menina muito entusiasmada que gritava "Le CHÁ! Le CHÁ! Le CHÁ!" enquanto apontava para um muro. Assim que ouvi a palavra virei-me (gosto mesmo muito de chá) e pensei "Chá? Aonde?"

Era um gato.







S.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Adenda ao post anterior

Quando eu disse "quem me dera que na Bélgica ninguém falasse inglês" e não sei quê, esqueci-me que aqui fala-se também - e generalizadamente - flamengo. A minha intenção era "quem me dera que na Bélgica ninguém falasse inglês" na medida em que este seria unicamente substituído por francês. Porque tive a brilhante ideia de aceitar a sugestão do Google de passar o meu Google Search para .be e agora tenho esta merda toda em flamengo. Incluindo o blogger.





S.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Parlez-vous français?

No meio do valente número de chamadas para marcar visitas a casas, vi-me obrigada a falar francês numa delas. E correu bem, o senhor entendeu-me, eu entendi o senhor e a visita foi marcada.

Espero, muito sinceramente, ser obrigada a falar francês mais vezes. Quem me dera que ninguém em Bruxelas falasse inglês. Porque desconfio que a preguiça e a comodidade vai falar muitas vezes mais alto e o discurso vai resvalar para o tão mais fácil, tão mais entranhado, tão mais familiar inglês. Quero por isso que me digam muitas vezes 'non, je ne parle pas anglais' e que me olhem com sobrancelhas erguidas, com um bocadinho de desprezo até, sempre que eu seguir a via mais fácil.

Estão no seu direito, eu é que me meti no país deles, tenho a obrigação de me esforçar. E o exercício só será bom para mim.





S.