sexta-feira, 23 de novembro de 2018

A democracia participativa é um mimo

Estava aqui a pesquisar informação sobre orçamentos participativos, embalada por sonhos de um novo projeto de investigação, quando me deparo com esta pérola nos projetos aprovados em 2017:


Um projeto de dois anos, financiadinho por 200.000 euros dos contribuintes portugueses, para tornar a "cultura tauromáquica" em Património Cultural Imaterial de Portugal (e portanto Tradição™e impossível de eventualmente proibir legislativamente). Foi um dos mais votados.

Um dos problemas mais difíceis de solucionar na democracia é que a maioria de votos, seja numa eleição, num referendo ou numa votação para um orçamento participativo, não representa a vontade da maioria da população, mas tão somente a vontade da maioria que se expressou. E há grupos que, por diversas razões, se tendem a expressar mais.

Aqui há uns anos, o governo britânico impôs umas medidas bem catitas de austeridade que começaram a levar municípios à ruína. O governo central reduziu drasticamente as contribuições para as autoridades locais, pelo que muitas câmaras municipais não tiveram outra opção que cortar inúmeros serviços numa lógica de escolher o mal menor. Bibliotecas públicas e centros de infância fecharam aos rodos.

Num levantamento que mais tarde se fez, concluiu-se que centros destes tinham sido fechados em maior número em zonas mais pobres do que em zonas mais ricas - o que só agrava a tragédia porque é normalmente nas zonas mais pobres onde são mais precisos. Isto não foi apenas porque os municípios mais pobres foram os que perderam mais quando o governo central começou a cortar no financiamento, embora isso também seja verdade. Mas o facto de nas zonas mais ricas os cidadãos terem maior capacidade de se organizarem - porque têm mais escolaridade, mais contactos, mais tempo disponível e mais empoderamento pessoal para enfrentar os decisores locais - levou a que as câmaras municipais vissem a tarefa de cortar serviços públicos mais difícil. E não fecharam (tantas) bibliotecas.

Este viés é agravado em situações de democracia direta, ou participativa, como é o caso dos referendos ou dos orçamentos participativos. No caso dos últimos, se não há um esforço concertado de publicitar e de proativamente encorajar grupos marginalizados ou em menor vantagem a participar, corre-se o risco de os projetos vencedores serem apenas os que foram mais bem sucedidos na sua própria promoção e em ativar o público interessado a votar em massa. Pior: se esse esforço de encorajamento de participação não existir, os projetos em votação à partida refletiram sempre e apenas os desejos e experiências de uma pequena minoria da população, minoria essa já relativamente privilegiada.




S. 


P.S. Nos entretantos, acho que esse plano de investigação está afinal mesmo em fermentação... 





quinta-feira, 12 de julho de 2018

Deve dar para perceber pelas teias de aranha neste blog

O doutoramento fez-me enjoar escrita e construção de argumentos fundamentados.

O que é muito azar, já que o meu trabalho depende disso.



S.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

As coisas mundanas são muitas vezes as mais significativas

Por exemplo, como hoje, quando apaguei o blog sobre assuntos europeus da LSE dos meus RSS feeds, e o substitui pelo blog sobre política britânica. Ou como há um ano, quando parei de estudar francês e alemão, sem perspetiva de voltar a essas línguas.




S.  


(O dia 24 de junho de 2016 foi o dia mais determinante da minha vida e o mais surpreendente de tudo é que isso me foi claro como água na altura. E água da nascente da Serra da Estrela, não do Tejo ou do Tamisa. Não é muito comum se poder atribuir rumos de vida a um evento específico mas no meu caso está mais do que atribuído.)

terça-feira, 17 de abril de 2018

O síndrome de impostor é tão real

Passei quatro anos num projeto de investigação sobre a União Europeia, estou literalmente a duas semanas (figas, muitas figas!) de concluir um doutoramento em ciência política (com a tal investigação sobre a UE), trabalho como investigadora numa organização que acabou de lançar um relatório sobre o potencial impacto do Brexit nas mulheres aqui no UK mas a minha reação quando recebo um convite para falar sobre estas coisas numa conferência é "hãã, que sei eu sobre isto?! Enganaram-se de certeza."

A sério, gostava de ter a confiança para me exprimir nos tópicos da minha especialidade que os mansplainers têm em se exprimir sobre tópicos que não conhecem.





S.

segunda-feira, 5 de março de 2018

My mind is more caguinchas than your mind

O problema numa corrida não é aguentar o esforço físico; é lutar contra a mente - e ganhar.

Isto parece uma frase motivacional pirosona, sem originalidade nenhuma ainda por cima, mas deixem-me partilhar o que se passou comigo ontem.

Como já cheguei a dizer aqui, eu sou uma pessoa muito avessa ao desconforto físico. Sou dona de uma mente muito dramática que panica rapidamente quando se descobre fora do seu normal. Mas sonho muito. Com números e paces, tempos de corrida a bater. Já conquistei a distância rainha, e como não gosto de trail, só me consigo superar agora pela velocidade. Invejo records de outros atletas, quero aquelas horas e minutos para mim, quero que seja aquele fácil para mim também. Tenho sonhos de longo prazo, que vão durar anos a conseguir, mas quero-os. E então planeio e treino e tento recomeçar o daily grind que é o único caminho para obter essa velocidade, pelo meio das múltiplas mudanças de cidade, casa, trabalho que têm sido os últimos anos (mas, figas, no more!).

Estes sonhos envolvem muito desconforto físico - oh, se envolvem! Não é o no pain, no gain, que nada disto é suposto doer, e é muito mau sinal que doa. Mas sofrimento tem que haver. Porque grande parte do treino para meias-maratonas e maratonas é habituar a mente a ter o corpo desconfortável durante períodos longos de tempo. E isto para mim já devia ter sido mais do que claro há muito tempo, uma vez que já passei por um ciclo de treino para maratona e o que me quebrou - mas o que me salvou no dia da prova - foram aquelas manhãs todas de domingo no verão de 2015 a palmilhar estrada durante 3 horas e tal, sozinha e em silêncio. Mas só ontem se me fez luz.

Porque ontem foi a mente a minha pior inimiga. E os assaltos que os pensamentos fizeram na minha capacidade de continuar a pôr um pé à frente do outro fizeram da The Big Half, a minha primeira corrida nas ruas de Londres, a minha corrida mais sofrida até hoje.

Já não sou novata nenhuma na distância e sei perfeitamente como o meu corpo reage a ela, os pontos críticos e onde vai ser mais difícil continuar (ali dos 12 aos 16 km, quando já passou metade mas ainda faltam tantos km para o fim). Mas os pensamentos intrusos continuam tão fortes como sempre. É exatamente como se estivesse alguém a falar-me ao ouvido: "Desiste". Não é um grito, mas durante algum tempo é o pensamento que domina.

"Pára". (Ressoa em toda a cabeça)

"Isto não é a tua vida".

"É tão fácil, olha, é só encostares-te à beira do passeio".

"Olha um voluntário da prova, diz-lhe que não aguentas mais. A sério, é tão fácil, ninguém te vai recriminar, dizes que não conseguias respirar bem. O que é verdade, estás constipada. Olha esse nariz a pingar. De certeza que os pulmões estão obstruídos. Dizes que foi por precaução, que foi pela tua saúde. Tens a de maio, essa é que é a verdadeira, para a que estamos a treinar."

"Pelo menos pára de correr e caminha, não faz mal nenhum caminhar numa prova. Depois continuas."

"Olha aquele atleta a caminhar, vês? Não é vergonha nenhuma, vá. Anda."

É horrível porque é tão sedutor, tão senso-comum, tão fácil. E tudo verdade. E de repente num ataque de ansiedade noto vividamente a minha respiração acelerada, as minhas pernas pesadas, as bolhas que começo a sentir nos dedos dos pés, e essas coisas, perfeitamente aguentáveis até aqui, tornam-se insuportáveis. E a confiança em como vou cruzar aquela meta dentro do tempo que queria - que vou sequer cruzar a meta! - esfuma-se e eu já não sei o que estou a fazer.

"Faltam 8 km ainda, achas mesmo que vais aguentar 8 km neste ritmo? São 45 minutos. Nunca na vida."

"Se não é para acabar nesse tempo mais vale parar - não andamos aqui a colecionar meias-maratonas pelo prazer que isto dá. QUE É NENHUM."

Apetece-me chorar, porque depois viro uma esquina e vejo uma reta interminável à minha frente e nenhuma placa de mais um km ultrapassado à vista (estavam em milhas, ainda por cima, menos e mais escassas pelo caminho. Pelo menos deram-me algo para entreter o cérebro e abafar a voz sedutora: cálculos milhas-km). O tempo demora a passar, a reta não termina, o km - a milha! - não chega e a noção de tempo altera-se. Sinto que estou a correr há uma vida e não sei quando vai acabar. É isso que a mente, inconscientemente, teme: que aquilo agora seja a nossa vida. O esforço hercúleo é ir buscar a razão e dizer: "faltam 7 km, faltam 6 km, tu sabes o que custam 6 km, nada!, são duas vezes 3 km, são três vezes aquelas séries rápidas que fizemos ainda a semana passada e conseguimos, oh. Depois isto acaba, este esforço não é permanente."

Ao pé deste combate mental, o esforço físico durante as duas horas é canja.

Eu sei que isto é um mecanismo biológico completamente normal. É uma questão de vida ou morte. O principal objetivo da mente é preservar a minha sobrevivência e ela sabe que aquele esforço não é sustentável. Está a ser exigido dos meus músculos um trabalho fora do normal, os pulmões são obrigados a puxar mais ar do que o habitual, o coração é obrigado a enviar o sangue com mais rapidez para onde ele está a ser preciso.  Dali a uma ou duas horas acabam-se as reservas de energia e por isso os alarmes da reserva já acenderam lá dentro. É daqui que vêm os pensamentos intrusos.

Mas não é uma questão de vida ou morte. E é a isso que a parte racional tem de se agarrar: "isto não é a nossa vida a partir de agora, daqui a 40 minutos isto acaba."

O meu problema é que não sou muito boa a combater os pensamentos intrusos. A minha força de vontade é fraca nestas situações porque eu não gosto de desconforto físico. Torno-me insuportável, rabugenta. De repente odeio as pessoas que nos estão a ver, odeio o barulho que fazem a puxar por nós, o-d-e-i-o os gritos de incentivo que incluem "you're almost there!" e "you can do this!". Sempre me garantem pelo menos um minuto de resmunguice interior: "I can do it o quê, sei lá se consigo! Não sei se consigo, vou aqui a morrer, sabes lá tu alguma coisa da minha vida, pessoa aleatória a ver-nos passar." Acabo sempre por ceder aos pensamentos intrusos. Nunca tinha não caminhado um bocadinho numa meia-maratona. Nunca tinha não cedido aos pensamentos intrusos.

É por isso que ontem foi tão excecional. Tão sofrido: os pensamentos intrusos não gostam de ser ignorados, voltam uma e outra vez, inesperadamente quando pensávamos que tinham ido finalmente dar uma volta ao bilhar grande. Mas é por isso que estou tão orgulhosa. Mais do que ter conseguido o tempo que almejava mas que só contava conseguir em maio, pela primeira vez cruzei a meta de uma meia-maratona tendo dado absolutamente tudo (já tinha cruzado uma de 10 km com esta sensação, mas aguentar uma hora de esforço é fácil, os pensamentos intrusos não têm tempo para se instalar e o nosso caso racional é mais forte: faltam sempre só 5, 4, 3 km e isso é tão pouco!). Não sei como não desfaleci assim que passei a meta. Lembro-me do gemido-soluço patético que soltei, vindo tão cá de dentro, por ter chegado ao fim. E das pernas cederem assim que parei de correr. Nunca me tinha sido tão nítido que o que me sustinha era força de vontade. Ela ganhou pela primeira vez. E agora já não me param.

***

Uma vez li que a lógica do treino é a de mandar stress (controlado) para cima do nosso corpo. Ele vai-se adaptando porque pensa que aquilo agora é a nossa vida. É por isso que a coisa mais importante para se melhorar é a consistência. A regularidade. Convencê-lo de que a qualquer momento vai ser preciso acelerar: o coração, pulmões e músculos das pernas têm de estar preparados. É maravilhoso pensar nisto, mesmo: sempre que treinamos as fibras minúsculas dos nossos músculos partem-se e durante o descanso o nosso corpo encarrega-se de as recoser, mas mais fortes dessa vez, para da próxima não se partirem. E por isso temos de ir aumentando o stress que lhe lançamos, ou pela distância, ou pela velocidade, ou pelo volume. Sempre devagarinho, para o corpo ter tempo e capacidade de se ir reconstruindo. Mas regularmente, para ele pensar que esta é a nossa nova vida. E é assim que melhoramos.




S.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

É só substituir Negro por Woman e White City Council/Ku Klux Klan por Juiz Neto de Moura/José António Saraiva

Hoje, em dia de Martin Luther King, esta passagem da Letter from a Birmingham Jail, onde ele advoga a estratégia da resistência não-violenta contra o racismo, fez-me lembrar esta onda de gente que acha que o assédio sexual é mau mas só quando envolve violação (e boa sorte em prová-la), que o #metoo está a ir longe demais, que se está a tornar numa caça-aos-bruxos, e que as mulheres deviam era fazer tudo certinho pelos trâmites legais que existem para não perturbar muito os homens no geral e não fazê-los ponderar comportamentos e temer consequências (bem se viu onde isso nos tem levado até aqui):

"... the Negro's great stumbling block in the stride toward freedom is not the White City Council-er or the Ku Klux Klanner, but the white moderate who is more devoted to 'order' than to justice; who prefers a negative peace which is the absence of tension to a positive peace which is the presence of justice; who constantly says 'I agree with you in the goal you seek, but I can't agree with your methods of direct action;' who paternalistically feels he can set the timetable for another man's freedom; who lives by the myth of time and who constantly advises the Negro to wait until a 'more convenient season.' Shallow understanding from people of goodwill is more frustrating than absolute misunderstanding from people of ill will. Lukewarm acceptance is much more bewildering than outright rejection."




S.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Guia para um run-commute bem-sucedido

Isto era uma coisa que queria fazer desde o verão, quando voltei a trabalhar num escritório regularmente, que ainda para mais tinha cacifos: correr nos meus percursos casa-trabalho-casa.* Dois grandes problemas se me afiguraram:

1. Não tenho chuveiro no escritório, logo correr casa-trabalho não era opção. O combo toalhitas-champô seco nunca foi verdadeiramente opção.

2. Mesmo que ignorasse a questão do chuveiro ou passasse só a correr trabalho-casa, o meu trabalho implica usar o computador portátil sempre, sem exceção, algumas vezes com um livro ou outro atrás. A marmita é importante também, mas até poderia ser ignorada se todas as outras condições fossem perfeitas. Ora isto implica uma mochila grande o suficiente para transportar um Macbook Air dos maiorzitos, que embora levezinho e fininho, ocupa espaço considerável em comprimento e largura. Problema acrescido: sou uma pessoa baixa e magra, assim a modos ao que aqui nas roupas se apelida de "petite", de maneiras que a mochila teria que ser grande o suficiente para acomodar o portátil, mas pequena o bastante para não passar da cintura e poder correr confortavelmente com ela. Problema acrescido ao acrescido: aqui a modos que chove bastante, pelo que waterproof seria uma característica imperativa para conservar o portátil durante mais uns bons anos.

Passei dias e dias obcecada a procurar a mochila ideal. Há muitos modelos, de vários materiais, tamanhos (em litros) e para várias bolsas. Não queria gastar 100 libras numa mochila sem saber se esta era uma rotina à qual ia realmente aderir, mas para ter o conforto necessário para considerar aderir à rotina run-commute, a mochila tinha de ter boa qualidade, ao nível do tecido respirável, do design para amortecer os abanos das coisas que lá vão dentro, e do formato da mochila em si para evitar que comecem a aparecer bolhas, raspões ou dores com o atrito dos saltitos que a corrida implica.

O problema maior com que me deparei foi o problema mestre do nosso mundo: homem como padrão. 90% das mochilas no mercado são desenhadas com a fisionomia do homem médio como padrão: acabam portanto a passar a cintura da maioria das mulheres, o que se torna muito desconfortável quando vamos na corrida sempre com a porcaria da mala a bater no rabo, largas demais nas costas, o que implica mau ajuste no que se queria um fit adequado das várias alças à volta dos braços e dos ombros, e finalmente, nenhuma consideração por mamas, pelo que as fitas que prendem as alças uma à outra pelo peito, crucial para impedir a mala de abanar e descair, estão normalmente no sítio errado.


Esta não é má em relação ao que às mamas diz respeito, já que tem uma fita por baixo e outra por cima, mas continua a ser desproporcional nas alças para uma pessoa pequena: iam-me roçar no pescoço. Acabei por me focar nas poucas marcas que têm modelos desenhados para mulheres, o que me limitou francamente as opções (mochilas de run-commute já são um nicho bastante reduzido de mercado, mochilas de run-commute de preço acessível ainda mais; agora imaginem mochilas de run-commute de preço acessível para mulheres!) A Osprey tem umas catitas.

O maior quebra-cabeças no entanto foi tentar decidir o tamanho da mochila, a tal combinação perfeita portátil-costas pequenas, o que sinceramente com tudo em litros não ajudou. Sei lá eu quanto mede uma mochila de 42l ou de 20l! Fui a uma loja de corrida mas não tinham grande oferta de mochilas, pelo que fiquei um bocado na mesma.

Entretanto comecei a trabalhar no meu escritório atual e cheguei à conclusão que havia uma possibilidade de fazer o meu run-commute sem andar com tralha às costas: deixar as minhas coisas lá! Ideia revolucionária, eu sei. Mas o problema sempre foi deixar o portátil pessoal para trás. Mas sendo que tenho pelo menos dois dias fixos e seguidos por semana em que trabalho a partir do escritório, posso fazer com que o trajeto trabalho-casa do 1º seja feito a correr. Passar uma noite sem o portátil não me vai matar.

Foi portanto isso que experimentei ontem: levei para o escritório a roupa de correr e a minha mochila de hidratação sem a bolsa de água, para poder transportar a carteira, chaves e telemóvel na corrida para casa, deixei o portátil fechadinho a sete-chaves no escritório, e a roupa de dia na mochila debaixo da secretária. E pronto, foi esta a simplificada logística com que tive que lidar.


Eu aqui toda feliz após o meu primeiro run-commute.

Isto não me irá funcionar todos os dias porque só tenho os tais dois dias seguidos garantidos no escritório e uma noite é o máximo que fico sem o portátil (não tenho televisão, todo o meu trabalho e lazer e admin geral de vida é feito através do menino), pelo que só posso fazer run-commute uma vez por semana (e quando há reuniões fora do escritório é para esquecer, já não consigo partir dele, já não consigo deixar a tralha lá). Numa situação mais normal de trabalho num sítio fixo das 9 às 5, cinco dias por semana, é possível correr trabalho-casa às segundas, terças, quartas e quintas (de manhã leva-se a roupa de correr para a tarde, num saco, para não acumular 4 ou 5 malas numa semana no escritório) e na sexta à tarde traz-se tudo o que ficou no escritório para casa. Fácil! Quem tem chuveiro no escritório pode ainda optar por correr as idas também, garantindo só que à segunda de manhã leva a tralha toda necessária para o resto da semana, incluindo mudas de roupa para correr e mudas de roupa para o dia-a-dia.

E pronto, é isto. Lamento não ter uma resposta mais definida e baseada na experiência de uso em relação ao problema das mochilas para run-commute, o que torna o título um pouquinho enganador, mas esta é a minha experiência com um run-commute light e parcial, só trabalho-casa levando apenas carteira, chaves e telemóvel (mas já cheguei a usar esta mochila de hidratação para ir buscar e devolver livros a bibliotecas por esta cidade fora e funcionou muito bem! Imagino que a marmita pudesse substituir o livro. Infelizmente só não cabe é o portátil.)

Experiências, sugestões ou dúvidas nisto do run-commute muito benvindas nos comentários!


ADENDA: uma coisa que me agrada francamente nas corridas trabalho-casa é o facto de ser um treino feito em linha reta: vou de um ponto ao outro, sem ter que voltar para trás e isso mentalmente para mim é muito melhor. Odeio treinos/corridas que passam por pedaços do caminho à volta. A maratona de Lisboa, de Cascais ao Parque das Nações, nesse aspeto ganha muitos pontos.


S.



*Não existe expressão para isto em português, uma palavra que traduza commute. Pensava que os movimentos pendulares que se aprende em Geografia era o mais próximo que havia mas não está correto; um movimento pendular implica que o sítio onde se viva e o sítio onde se trabalha sejam em duas cidades e/ou regiões diferentes, o que não é necessariamente o caso com a palavra commute. Um fenómeno tão importante nas vidas diárias de quase toda a gente, à volta do qual se determinam tantos outros - tempo de lazer, orçamento mensal, decisão sobre onde viver, que transporte utilizar - não tem expressão em português. Está certo.   

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Quase ouvi o revirar de olhos

Depois de mais um pânico coletivo em Oxford Street num dia tradicionalmente associado a compras, isto começa a soar um bocadinho à história do Pedro e o Lobo.

As autoridades começam a ficar impacientes connosco. Ontem num anúncio sonoro no metro ouvido numa voz que os britânicos dominam desde sempre - aquela fúria e impaciência transmitida através de um keep calm and carry on entredentes:

'Please. do not. run.'

x'D



S.  

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Consumismo 2.0

Ver a forma como tanta gente, incluindo bloggers portuguesas proeminentes, listam o número de viagens que fizeram ao estrangeiro e equacionam isso com sucesso e um ano 2017 bom, faz-me pensar que viajar não é necessariamente melhor do que adquirir coisas materiais. Parece-me consumismo na mesma, colecionar nomes de sítios em vez de malas caras, pôr certinhos ao lado de listas de sítios a visitar uma extensão da mentalidade consumista, não uma substituição da mesma por algo mais integral e saudável.



S.



(Esta observação pode ser mais fácil de fazer por estar numa fase muito bizarra em que a minha vontade de viajar para conhecer sítios novos é nula, em que a minha mente se rebela ativamente se alguém me propõe uma visita a um país/cidade estrangeiro numa de sightseeing. Não há espaço em mim desde há um par de anos para nada que não seja Reino Unido, e pouco tolerado neste momento se não for Londres. Se escarafunchar a mente encontro as minhas inseguranças todas como causa, mas elas nunca me preocuparam menos porque sei perfeitamente o que quero.)  

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Wholeness

'We’re kind of teaching our kids that happiness is the default position — it’s rubbish. Wholeness is what we ought to be striving for and part of that is sadness, disappointment, frustration, failure; all of those things which make us who we are. Happiness and victory and fulfilment are nice little things that also happen to us, but they don’t teach us much… I’d like just for a year to have a moratorium on the word “happiness” and to replace it with the word “wholeness.” Ask yourself, “is this contributing to my wholeness?” and if you’re having a bad day, it is.'

Lido hoje aqui, do Hugh MacKay.