quarta-feira, 22 de junho de 2011

Casa?

Tudo o que não está rotinizado tem encanto. Esta é a minha conclusão de hoje, atingida enquanto viajava de autocarro para casa.

Desde há uns dias para cá que tenho começado a desconfiar que vivo numa zona incrivelmente bonita. Tem sido  uma conscienlização cheia de surpresa mas de alguma negação e incredulidade. Porque é que nunca reparei antes?! Meu deus, vivo há (quase) 23 anos nesta área e nunca olhei com olhos de ver. E não foi por inconsciência. Está mais que dito e é mais que conhecido que nunca se dá valor ao que se tem tão perto, àquilo pelo qual passamos todos os dias, e não sei quê. Por isso mesmo, sempre que passava pelo Convento de autocarro - todos os dias durante 3 anos - esforçava-me para olhar para ele e espantar-me com a sua beleza e imponência. O meu truque era tentar olhar para o dito edifício como se fosse uma turista que o visse pela primeira vez, entrar naquele estado de espírito que se tem quando se está de férias e entramos em modo de "visita". E a verdade é que só o conseguia admirar se entrasse nesse modo especial.

Ora, o que se passa agora é que de vez em quando levo com a beleza da minha zona em cheio nos olhos, sem ser preciso o tal modo "visita". E nem estou a falar de conventos. Estou a falar de paisagens. De casinhas brancas espalhadas por montes, o verde escuro característico da vegetação portuguesa (Inglaterra de verde tão mais intenso), este céu maravilhoso, imenso, AZUL (em Inglaterra tão mais pálido), claridade que me fere os olhos, o mar ao fundo, o MAR, que saudades do mar! E isto tudo quando menos espero, onde menos esperava.

É aqui que tomo consciência que os 9 meses fora foram necessários para que eu agora - e por enquanto - pudesse estar bem aqui, sentir-me serena, não-aborrecida. Feliz, vá. E que fosse capaz de ver com olhos de ver a minha terra e apetecer-me desatar a correr Portugal com os meus novos olhos para confirmar que sim, Portugal é lindo lindo, tal como Londres é linda linda e que apesar de tudo ter mudado nada mudou e que o mundo é maravilhoso, rico, cheio, completo, e que sempre teremos Portugal, no final das contas. E se for preciso, isso é bem capaz de ser suficiente.



S.   

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