Mostrar mensagens com a etiqueta LSE. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta LSE. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Minha rica cunha

Estou neste momento na biblioteca da LSE, tentando concentrar-me na minha leitura mas falhando redondamente, porque não consigo bloquear a conversa de duas betas de Cascais de como com a sua educação LSEiana conjugada com as connections da mamã, vão ter uma grande vantagem no mercado de advocacia português.
 
Acho que devo ter vomitado um bocadinho para dentro.




S.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

'Bora escrever uma Constituição?

Entretanto, no Reino Unido, um Professor da LSE lançou a ideia de se escrever uma Constituição através de uma espécie de brainstorming com toda a gente que quiser participar.

O projeto ConstitutionUK foi lançado ontem na universidade londrina e a intenção é dotar este país europeu de uma Constituição escrita, coisa que, bizarramente, ainda não tem. A Magna Carta de 1215 é o que popularmente mais se lhe aproxima mas há muita contestação no meio académico sobre se este documento histórico pode ser considerado sequer uma constituição na altura em que foi assinado, quanto mais a fonte de lei fundamental para um país de séc. XXI. Parece que 800 anos passaram e a Inglaterra mudou um bocadinho (começando pelo nome).

Ainda assim a ideia é envolver o cidadão comum na discussão dos assuntos que deveriam ser incluídos na Constituição, escrevê-la e lançá-la em 2015, véspera dos 800 anos da tal mítica Magna Carta. Conor Gearty, o professor responsável pelo projeto, diz assim:

These people [experts participating in the launch of the project] have knowledge of the law and experience in exercising power, but their main role will be to help me to encourage ordinary people to drive this debate. Normally these issues are left in the hands of professors, judges, ex-civil servants, the ‘well-educated’ and elite members of society. This project is going about this in a slightly different way.

Assuntos quentes a discutir serão a monarquia, a Câmara dos Lordes e o Bill of Rights. 

Do we need all of these and what is the basis for their existence in the UK? Should parliament be given the power to decide whether or not to send the country to war? These are the kinds of issues we hope to unpick in the course of the next six months.

A sério, quão fixe é isto? Participar no "fazamento" da lei fundamental do país. Quem me dera.

Pelo meio (falta menos de um ano!) poderá haver a secessão de parte do território se a Escócia escolher a independência no próximo setembro mas isso, segundo o mentor do projeto, só traria um novo desafio à coisa.

A ideia é depois levar os cidadãos britânicos a eleger representantes para uma assembleia constitucional que é na prática a instituição que debateria e aprovaria a Constituição final. Finalmente, numa terceira fase, poderia ser convocado um referendo para aprovar o texto final, ainda que nada disto esteja para já muito bem pensado. 

Há muitas vozes céticas sobre este projeto e sobre o que ele pretende realmente ser. Muitos académicos rejeitam a própria ideia de que o UK precisa de uma Constituição codificada e escrita. Ainda assim, e segundo Conor Gearty, a ideia é debater o assunto e engajar as pessoas na discussão sobre o sistema político do seu país. 

Uma entrevista com o mentor do projeto poder ser lida aqui e o website do projeto encontra-se aqui.





S.

sábado, 11 de maio de 2013

E respira fundo

Há umas duas ou três semanas, quando pus finalmente mente à obra e a sério para desenhar uma candidatura a doutoramento,  comecei a comiserar o facto de estar numa cidade francófona. Aaai, que não tenho bibliotecas como deve ser, aaai, que os livros que preciso são tão específicos e cá não há, aaai, que é só coisas em francês e eu preciso de uma cidade inglesa, aaai, que Londres fica tão perto mas tão longe, aaai, que a biblioteca da LSE é que era, aaai, coitada de mim. Escapou-se-me o facto de estar a viver no centro sobre all-things-UE, como também me escapou o facto de que aqui também há universidades, universidades que ainda por cima têm institutos europeus, e que universidades têm bibliotecas, e que sim, vivo numa cidade francófona mas literatura académica é universal e portanto anglófona. E só depois de pesquisar incessantemente como poderia reaver a minha membership das bibliotecas londrinas, é que me lembrei que se calhar devia era pesquisar como conseguir ficar membro da biblioteca da Université Libre de Bruxelles, por razões estupidamente óbvias. 

Solução tão simples para os meus problemas.

Ia cética, tenho que admitir, quando cheguei ao campus da ULB para me inscrever na biblioteca de ciências sociais e humanas. Assim que vi todo o edifício devotado à mesma (após cerca de meia-hora às voltas pelo campus, um mapa copiado à pressa para o bloco de notas, e muito desvio, como é sempre inevitável) o ceticismo deu lugar ao entusiasmo. 


Quando, cerca de duas horas depois, saí de lá com um livro emprestado por duas semanas e possibilidade de o renovar através da net, no conforto do lar, quase que vinha a chorar de alegria por ter encontrado tão honrada substituta para a minha biblioteca favorita. Com o bónus de que posso alugar livros (coisa que não podia na outra, daí as intermináveis tardes passadas naquele edifício gigante na Portugal Street) e que fica a 20 minutos de bicicleta de casa - enquanto a outra ficava a 45 de metro.

Hoje lá fui eu estrear o caminho de bicicleta até à univ para ir buscar nova leva de livros. Perto e caminho razoavelmente plano, que mais posso desejar?

Entretanto descobri que mais de metade dos livros que constam na minha to-read list não estão disponíveis naquela biblioteca, o que me frustra um bocado os planos de preparação. Tenho sempre a opção Amazon, mas por serem livros académicos e demasiado específicos raramente os encontro a preços baixos. Será um problema para solucionar mais para a frente. Entretanto descobri que os meus antigos códigos da King's ainda me dão acesso aos academic journals que vou precisar portanto a questão dos livros em falta foi posta de lado. O computador recebeu um beijo repenicado e um abracinho sentido que em boa verdade não são merecidos porque não é ele que dita o acesso aos valiosos artigos. Mas digamos que fiz o inverso do "shooting the messenger".

Isto tudo para deixar aqui registado que voltei à vida académica, ainda que seja só pré-académica por agora, e que toda a minha santa hora livre vai ser agora dedicada à preparação desta nova fase (não de verdade, senão não estava aqui, mas é mais ou menos isso). Só vou no segundo livro e já sinto o meu cérebro a esticar neurónios que não esticava há muito, como quando se vai ao ginásio após o mês de férias de verão. É quase doloroso. Intervalo com muito olhar para a parede desfocadamente, enquanto tento assimilar o que li (muitas vezes sem sucesso), e que equivale aos alongamentos após corrida intensa. 

Eu não consigo estabilizar no mesmo sítio muito tempo, seja ele geográfico, profissional, ou mental. É uma característica que já reconheci que faz mesmo parte de quem sou e tenho vindo a aprender a viver com ela. Temo que um dia me venha a dar problemas - uma pessoa precisa de uma certa estabilidade na vida para chegar a algum lado, seja para progredir na carreira, seja para criar uma rede de amigos e pessoas importantes na nossa vida num lado qualquer. Mas enquanto não me der problemas não há que lamentá-la.

Vou precisar de muita sorte para os próximos meses e de muito conforto emocional. Já re-abasteci o stock doméstico de Nutella, pelo sim pelo não.   




S.