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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ele há coisas... #28



Sei que estou bem arranjada quando vou à Loja Twinings, o único centro físico no mundo onde posso encontrar coisas da Twinings em habitat natural, e não têm o chocolate quente da Twinings.

Repito: a loja Twinings não tem Twinings Hot Chocolate. Está esgotado.

??????


Uma cuppa o caraças... Não há!

Se isto se passa na Loja Twinings, que esperança resta para as outras lojas? Eu digo que esperança resta: Nenhuma!


Afoguei as mágoas em alguns chás diferentes, só porque não queria sair dali de mãos a abanar.



Entretanto já cuspi dois deles, o Orange and Cinnamon Rooibos e o Liquorice. Não.Suporto.Chás.Doces. Porquê que continuo a achar que sim?

Toda contente, que tinha descoberto nova loja e marca de chás e afinal resultou no primeiro chá que não consigo beber. I'm not amused, Whittard.



S.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

The closest thing to London

Costumava fazer-me espécie as pessoas que emigravam e no seu pais de acolhimento se isolavam com os seus compatriotas. Só falarem português, instalarem a Meo em casa e só verem telejornais e programas portugueses, só terem amigos portugueses, só frequentarem cafés e restaurantes geridos por outros portugueses, só comerem comida portuguesa. Como se vivessem num gueto cultural. Que interessa então viver noutro país?

Hoje, após ter viajado mais de duas horas para ir comprar a porcaria de uma lata de chocolate quente, percebo que não passo de uma hipócrata. Pior; uma hipócrata patética porque estas pessoas pelo menos refugiam-se no que sempre conheceram, na cultura onde viveram imersas desde que nasceram. Eu corro atrás de produtos de um estilo de vida que tive durante nove meses pensando que são o auge da coolicidade e que não consigo viver sem eles. Sou uma hipócrata wannabe, portanto.

Dito isto, vou falar um bocadinho de Stonemanor.

Desde maio sensivelmente que andava cheia de comichões por a lata de chocolate quente que senhor meu parceiro trouxe de Londres estar a acabar e não haver substituto à vista. Procurei em tudo o que era grande superfície e média superfície e nada. Nunca compreendi como é que o Carrefour de cá, que tem a maior seleção de chás Twinings que já vi - excluíndo a própria loja da marca mas não por muito - não podia ter também o tão afamado chocolate em pó. Procurei, também em vão, o da Nestlé, já que também se tolera, mas só via era Ovomaltines (ia cuspindo quando provei; chocolate o tanas, aquilo sabe a cereais) e uma marca muito duvidosa chamada cécemel, e que além de chocolate contém - surpresa! - mel.

Perguntei nos grupos do Facebook de imigrantes em Bruxelas, diziam que o melhor que tinha a fazer era cruzar o Canal da Mancha e dar um pulinho a Dover. Obrigada pelo conselho, realmente... Estava convencida que a minha viagem a Manchester seria frutífera no que ao chcolate em pó diz respeito mas enganei-me; corremos uns três ou quatro supermercados diferentes e nada. Em Edimburgo, pura e simplesmente esqueci-me (já vivia privada do doce há demasiado tempo).

Mas depois vêm os graus negativos e uma pessoa volta a ansiar. O chá aquece a barriga mas não aconchega, não mata a fome. Começa o périplo pelas chocolaterias sem fim desta terra na esperança de encontrar o chocolate dos deuses mas em pó. Nada.

Durante a minha pesquisa incessante pelos grupos de Facebook, alguém sugeriu uma loja britânica que existe em Bruxelas mas... que fica a uns 30 km da cidade. Mas depois de pesquisas online pelas Amazons do costume e ver que os portes custavam o preço de duas latas, e após emails e mensagens no mural do FB da loja a confessar o meu forte desejo por chocolate quente e a implorar que me dissessem se tinham, e confirmarem, bati o pé e disse "É amanhã." (assim, sem ponto de exclamação nem dada, toda resoluta).

Devia ter sido um "É hoje" mas eu para andar de autocarro suburbano em Bruxelas preciso de horas de preparação. Especialmente porque os subúrbios de Bruxelas são, er... flamengos. E depois do trauma da encomenda do demo, decidi não arriscar.

Após muita pesquisa de Google Maps, de apontar o número do autocarro e do nome das quase 40 paragens até ao destino, lá fui. 

Começou logo mal porque ao que parece os autocarros não dão troco de 20 euros. Mas a motorista foi surpreendentemente generosa e perdoou-me o euro que faltava após contar as moedinhas todas que me restavam. Ao passar por cada paragem, verificava o nome e ia seguindo pela minha lista. Brilhante, e cerca de uma hora depois chegava a Stonemanor, na pequena vila flamenga de Everberg.



Aquilo é um tanto estranho, já que parece uma vivenda e não uma loja.



A loja é bem grande, ao jeito de um supermercado médio e com carrinhos à porta. Tem também dois andares com coisas de Natal, que vão desde bancas enormes de postais até a todas as decorações que se possa imaginar. Faz-me desconfiar que haja muito britânico que faz ali as suas compras semanais...


Sorriso rasgado quando o encontrei. E meia-gargalhada quando me deparei com o meu amigo haggis:



Assim não é realmente muito convidativo...

Até tive direito a um saco todo catita que dá sempre jeito nas compras daqui (em Bruxelas, todos os sacos em todas os supermercados são pagos. Sem exceção. Há toda uma alteração de hábitos e as pessoas aprendem o valor de economizar sacos. E o ser humano, inventivo que é, adapta qualquer mochila, carrinho, cesto de bicicleta ou até caixa de cartão como meio de transporte das mercadorias. Perguntei duas vezes ao senhor da caixa em Stonemanor se não tinha mesmo que pagar por este. Fui brindada com o segundo gesto de generosidade do dia :) ).




Já bebi a minha caneca de chocolate quente e já estou aconchegada no sofá. Agora vou fazer a minha sopa de feijão bem portuguesa para equilibrar o meu wannabeismo com a minha hipocrisia. Haha!



S.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O inverno não tarda aí, e eu mortinha

Nada me podia ter aquecido melhor o coração (e a barriga, especialmente a barriga) do que isto, após uma semana particularmente esgotante e eventful, e de um dia inteirinho de formação em contabilidade na língua dos gauleses:


Que maravilha! Um chocolate quente que sabe mesmo a chocolate derretido, e não a leite com chocolate, que é só o que eu sei fazer. Com o copinho a escaldar entre as mãos geladas, com a previsão de neve para este fim-de-semana a pairar na minha mente e o mercado de Natal bruxelense que se avizinha, deixei de arrastar os pés cansada e foi quase com saltos de alegria que entrei em casa.

Os mercados de Natal alemães bem que podem ficar para outro ano. Agora tenho é que aproveitar enquanto a prospetiva de uma Bruxelas natalícia ainda é uma fonte de grande entusiasmo e surpresa para mim.



S.