sábado, 10 de setembro de 2011

Furacões e papel higiénico

Há uns tempos, numa pesquisa online em trabalho, deparei-me com uma preciosidade que me causou grande espanto e um "uaaaaau..." assim daqueles que se dizem baixinho, em tom de respeito e fascínio.

Que preciosidade foi essa?

Um .pdf muito detalhado e - note-se! - oficial e completamente formal sobre todos os passos a dar em caso de desastre natural. Um plano norte-americano. Note-se que não era um folheto daqueles com pontos, do tipo dos que nos dão na escola sobre "O que fazer em caso de incêndio". Era uma coisa muito longa e com detalhes, do género: a quantidade de comida que se deve ter sempre em casa para se estar preparado para estas coisas, os litros de água que se de levar, por pessoa e por dia, no caso de evacuação, listas de coisas a ter à mão e para levar no carro, o que fazer com os animais, onde ter o dinheiro, quanto ter, etc.

Ora, eu, enquanto me ia apercebendo que não estou preparada para um ciclone/terramoto/incêndio/cheia colossal/desastre natural no geral, entrava em pânico moderado (como acho que é a intenção inconsciente dos autores daquele plano...). Só apetecia era imprimir aquilo, encadernar e levá-lo sempre comigo, assim agarradinho ao peito possessivamente "Aqui está a minha salvação em caso de furacão!" - muito frequente em Portugal, como se sabe.

Como estava a dizer, houve um misto de fascínio, surpresa e pânico. Mas que durou só a leitura. E ainda bem. Porque acho que não conseguia cumprir o plano. Falhava logo a parte o stock alimentar. Porque eu, desde que sou housewife que me apercebi que não sou mulher de stocks. Não consigo o feito que muita gente consegue de ter largas quantidades de coisas para gastar/comer/utilizar que durem meses. Muitas vezes para azar meu, porque se utilizo mais do que o esperado ou se faço uma refeição diferente estrago o stock todo e os complicados cálculos das refeições da semana.

Eu compro para a semana. Talvez me tenha ficado da primeira experiência como housewife em Londres (verdadeira housewife aí, fazia tudinho em casa, o D. era o breadwinner trazia a nota, que família tão tradicional como quer a Igreja e o Estado, que família feliz, pena foi viver em pecado, pode ser que o voluntariado agora me redima aos olhos do Senhor), eeer... onde é que eu estava? Ah, hábito que ganhei de o salário do breadwinner ser recebido à semana e eu fazer as compras de 2a até domingo. Lista de refeições, o que iria fazer para cada uma delas e comprar os ingredientes. Não ter despensa e uma cozinha pequena, e muito tempo livre para estes planeamentozinhos todos contribuiu para a ausência de stocks. E um hipermercado do outro lado da rua também.

E agora mantenho o hábito. É a mentalidade do temporário que adotei e que está para durar nos próximos anos. Mentalidade de emigra-a-qualquer-momento.

Exceção feita ao papel higiénico. Esse tenho pilhas dentro dos armários. Porquê? Porquê?! Ora essa, porque não?...

Não tem explicação, não. Fui às compras, e apesar de não estar na lista (e eu cumpro SEMPRE a lista de compras) deparei-me com o corredor dos papéis higiénicos e um impulso de trazer um pacote deles subiu por mim a cima (ou desceu por mim abaixo, nunca sei), e pumba para dentro do carrinho. Ainda olhei para aqueles pacotes enormes, que nem cabem no carrinho, e pensei "Pff, quem é que compra papel higiénico para o ano inteiro?!".

Quando cheguei a casa, ao arrumar os meus novos rolinhos de p.h. deparei-me com mais 10. Pumba, engole o gozanço... Lá fui eu fazer pilhas de rolos, intervalando os de folha fina com os de folha dupla (sim, há toda uma gama de p.h. diferente. Há que variar para não habituar).

Conclusão:

Na eventualidade de um furacão/terramato, posso morrer à fome. Mas pelo menos morro limpinha.

E com esta bonita imagem termino o post mais estranho deste blog.




S.

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