Mostrar mensagens com a etiqueta humor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta humor. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sexismo na BD e exercícios inversos

Uma amante de banda-desenhada decidiu desenhar conhecidos super-heróis com fatos altamente sexualizados, como são as indumentárias típicas das super-heroínas. Este é mais um daqueles exercícios de inverter os papéis, que na minha opinião são a forma mais eficaz de provar certos pontos.




Tudo DAQUI.

As intenções dela, segundo o artigo, eram:
 
- fazer com que a primeira coisa que se pensasse assim que se olhasse para as imagens era em sexo, quer se queira quer não;
 
- fazer com que as pessoas do sexo masculino que vissem as imagens se sentissem desconfortáveis;
 
- tornar a coisa num exercício humorista, porque ao fim e ao cabo, torna-se cómico.




S.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

"Escócia, desculpas, não desculpas?"

O The Guardian publicou uma lista extremamente cómica e espirituosa com tudo o que os ingleses precisam de pedir desculpa aos escoceses. Para ver se eles não saem da União no próximo setembro:


Está escrita na primeira pessoa e percorre a história comum dos dois países. Tem algumas coisas demasiado locais para serem facilmente entendidas por outsiders, que se sentem quase como private jokes, mas no geral está muito boa. Ficam aqui algumas que me fizeram rir muito alto:

(sobre os escoceses serem mais socialistas que os vizinhos do sul)

2 "So sorry for the years of heartless Conservative governments that you never voted for and that ripped the heart out of the Scottish mining, steel and shipbuilding industries, butchered public services and imposed an unwonted, dismal neo-liberal ethos on a land to which such a callous political and economic philosophy was inimical."

(sobre os ingleses se apropriarem do Andy Murray quando lhes convém)

7 "We're sorry for describing Andy Murray as Scottish when he was rubbish and British when he won Wimbledon. It's just that we don't win much."

(sobre os submarinos nucleares estacionados ao largo da costa escocesa e claramente indesejados)

16 "Sorry, too, for putting Trident nuclear submarines at the Faslane naval base, thus once more transforming blameless parts of Scotland into a nuclear target. Perhaps in retrospect we should have put them nearer London."

(sobre os Jogos Olímpicos de 2012, que só serviram para enriquecer - ainda mais - Londres)

19 "So sorry, what's more, for the 2012 Olympics. We know you paid for quite a lot of it and that most of it took place in London or nearby. With hindsight we can see that taking billions of the nation's taxes and paying them to huge civil engineering firms that build luxury flats that push up London house prices and fatten profits for property developers and local estate agents wasn't fair. If we'd been Scottish, we'd have been quite annoyed."

(sobre os três maiores partidos em Westminster conluírem na recusa irredutível de uma futura união monetária com uma Escócia independente)

23 "On that point, so sorry for the three main Westminster parties saying: "Well, if that's how you're going to be you can't be part of our sterling currency union. Ner ner ner ner ner!". We're just terrible neighbours. Sorry again."

(a Muralha de Adriano e as sucessivas piadas sobre onde acaba a civilização e começam os bárbaros)

26 "Sorry about Hadrian's wall. True, the Romans built it to keep you out but we could have bulldozed it rather than conserving it as a world heritage site and symbol of how civilisation stops – as if! – at Carlisle."

(sobre a Susan Boyle do Britain's Got Talent)

35 "Sorry for being unpleasant about Susan Boyle."

(haha, geografia!)

39 "Sorry for calling Scotland 'northern Britain'"

(HAHA, isto é tão verdade, apesar de ser a mesma moeda os ingleses recusam-se a aceitar pounds vindas do norte!)

43 "Sorry for not accepting Scottish banknotes as legitimate currency south of the border. We all know that RBS is the worst bank in the history of banking, but the Clydesdale bank's notes are OK."

(sobre a mediatização de sítios)

47 "Sorry for the films of JK Rowling's Harry Potter books. In particular that one of the most imposing pieces of Scottish architecture, the railway viaduct at Glenfinnan, is now called the viaduct from the Harry Potter film. Woeful."

(sobre a revolução industrial 'inglesa' e mais umas piadas com nomes inventados)

52 "Sorry for not recognising that the 'English' industrial revolution was unthinkable without Scots engineers – Thomas Telford, James Watt, John Loudon McAdam, Lena Zavaroni and Wee Dougie McSporran."

(sobre a língua inglesa)

56 "Sorry for making you speak English. To be fair, you could always stop if you become independent. The Americans didn't when they went independent, but you could make your national language Gaelic if you go it alone. We're just saying."

(ai, os Tudor, aquela família de chanfrados)

61 "Sorry for what we did to Mary Queen of Scots. True, she was trying to topple her cousin, Elizabeth I of England, and install herself on the throne but executing her was a bit rich. Especially that bit when the executioner held up her decapitated head and her wig fell off."
 
(hihi, as ligações a Londres :) )
 
71 "Sorry for being so unfriendly when you arrive at Euston or King's Cross."
 
(sobre um potencial exército escocês)
 
74 "Sorry for laughing at the prospects for your army in an independent Scotland. Of course you could always use it to invade the Faroe Islands if nothing else."
 
(e, finalmente, a desculpa pelo tempo que levou a desculpa)
 
76 "Ultimately, so very sorry for taking so long to say sorry. It's just that we've done so much bad stuff that we've had to say lots of other sorrys before we got to you. (...)"
 
 
O autor manteve o cinismo tipicamente inglês em muitas delas mas nem sempre se consegue perceber onde ele está ou onde está a sinceridade (que também me parece estar presente, na medida em que pode haver sinceridade num texto inerentemente humorístico). Mas é precisamente por este cinismo camuflado que o humor britânico (inglês? Fico baralhada com tanto overlap de identidade) é tão genial.
 






S.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Media, é assim mesmo #6

Não sei como vivi sem Family Guy tantos anos da minha vida. Desenhos animados cheios de nonsense e uma sátira tão poderosa que às vezes interrogo-me como é que o MacFarlane escapa com aquilo.



E por falar em Seth MacFarlane: fazer a voz de três das cinco personagens principais, mais inúmeras outras recorrentes, além de ser o criador daquilo tudo? No que me diz respeito, está perdoado pelo fiasco dos Óscares de 2013.

O Family Guy já deve ter sido processado por mais pessoas do que eles próprios conseguem contar. Ninguém nem nenhum grupo escapa à sátira do programa. O criador diz que ainda assim eles conseguem fazer e dizer tanta coisa porque é através de um desenho animado. Eu nunca senti que pisassem o risco mas isto sou eu que adoro humor negro de pessoas como o Gervais e o Frankie Boyle. E depois há aquela coisa de se fazerem as piadas tão negras, ou tão obscenas, que acabam por dar a volta e se tornar é sobre quem as diz, não tanto sobre o grupo atacado. Daí que as piadas que eles já fizeram relacionadas com feminismo estão entre as minhas favoritas e que quase me fizeram engasgar de riso (o Family Guy, sendo uma série com um passo muito apressado, em que muita coisa acontece e é dita em pouco tempo, faz com que risos histéricos do nada sejam frequentes. Não há preparação para os gags, e são uns atrás dos outros, impossível não rir como loucos). 

Ficam aqui umas das que apanhei a tempo para me lembrar de que episódio e série eram e conseguir reproduzir aqui:

Aquela vez em que o Peter é processado por assédio sexual no trabalho:




E depois quando ele foi a um retiro com mulheres e ficou tão embuído de ideais feministas que foi dizer isto:



Mas escolheu o local menos apropriado para o fazer (reunião de afro-americanos) :D :





E aquela vez em que a Lois e uma feminista trocaram galhardetes (muito pertinente para o post sobre as escolhas e o feminismo):








E a minha favorita (nesta engasguei-me mesmo):





Tenho um novo projeto de vida que é ver todos os episódios de Family Guy e alencar todas as piadas que eles fazem que se podem relacionar diretamente com feminismo. Estas todas são só de dois episódios. Considerando que já existem 13 temporadas de mais de 20 episódios cada uma, tenho bom trabalhinho pela frente.




S.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Levas com explicação de alemão em alemão que é para ver se aprendes

E naquele tempo em que eu pensava que ia ter aulas de alemão numa língua que compreendesse?




Às vezes chego a ser querida por ser tão ingénua.



S.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Volta man-washer*, estás perdoado

Desta vez foi numa montra insuspeita de uma loja de fotografia algures em Portugal. Vendia também daquelas t-shirts com ditos engraçadolas, e apanhou-me desprevenida. A modos que me gelou o sangue:



Gosto do pormenor de terem escolhido o vermelho para as letras e para o fundo da camisola e o preto para o punhal. Não deixa escapar nenhuma associação com o real. Eu sei que a comicidade deste tipo de t-shirts por vezes é um bocadinho discutível mas isto parece-me que vai longe de mais. Há ainda demasiadas mulheres a morrer às mãos dos maridos/ex-companheiros, a violência doméstica (tanto física como psicológica) ainda faz parte de demasiadas vidas de mulheres, a ciumeira e os comportamentos obsessivos ainda são levados demasiadamente como normais de quem gosta (tanto no casamento como no namoro) para que isto possa ser uma piadinha bem disposta. E, a sério, quem é que usaria isto? Provavelmente não um verdadeiro assassino mas provavelmente alguém que se sentisse bem na pele de um controlador obsessivo (para lhe dar um eufemismo bonito).

Comédia inteligente e negra é uma coisa extremamente fabulosa mas que tem que ser feita com mestria. Há uma linha demasiado ténue entre comédia negra e a básica ofensa gratuita**. Esta t-shirt não conseguiu alcançar a primeira. 




S.

*para quem não sabe, o man-washer é esta preciosidade
**apetece-me muito fazer um post sobre a diferença já há um tempo. Pode ser que esteja para breve.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Os humoristas andam originais

E por falar em notícias que consistem em imagens grotescas de comida: a oposição na Austrália organizou um jantar e colocou no menu as mamas pequenas e as coxas grandes da primeira-ministra, Julia Gillard.


Espetacular, hã? Dar a um prato o nome de partes do corpo de uma oponente. Só classe. (Notícia aqui)

Claro que, sendo isto revoltante, não é inédito nem devia ser tão surpreendente. Julia Gillard tem um defeito que é ser uma mulher com poder. E as armas de arremesso preferidas contra mulheres no poder (ou contra qualquer mulher, agora que penso melhor) são insultos à aparência. Acho que é um reflexo inconsciente do que nos foi incutido durante a primeira infância, quando contrariados atirávamos à cara da menina que nos estava a chatear seriamente aquele insulto muito demolidor de recreio de infantário de "és feia!". Exceto que a coisa não pára no infantário, continua antes pela vida. Qualquer revista e blog cor-de-rosa o atesta.

Mas o que é mais interessante é como o insulto continua a ser atirado mesmo contra mulheres poderosíssimas, que alcançaram cargos de topo nos países respetivos, e que ainda assim não merecem mais que um "és feia!", "és gorda!", "és velha!", "és mal feita!". Estas mulheres singraram altamente num meio ainda extremamente dominado por homens mas isso pouco parece importar ao lado dos seus falhanços na maior aspiração e papel da mulher: ser bonita. Contem quantas vezes o Ricardo Araújo Pereira, o Bruno Nogueira e o Nilton colocam o adjetivo "gorda" na mesma frase que Merkel. Ou o frenesim que se gerou quando Hillary Clinton apareceu sem maquilhagem algumas vezes e sem cabelo arranjado (acusaram-na imediatamente de estar a descurar os seus deveres como Secretária de Estado. Ao que ela respondeu qualquer coisa como "Oh meninos, eu cheguei a um ponto na minha carreira em que me posso dar ao luxo de me estar a marimbar para se pinto os olhos ou não. O meu título fala mais que todo o meu guarda-vestidos junto." Pimba, calou.)

O que é verdadeiramente preocupante neste caso da Julia Gillard é a escolha da comparação: coxas e peito, duas partes do corpo feminino extremamente sexualizadas. Ou seja, o insulto aqui dá um passo a mais no sexismo dos "és gorda" e "és feia" para passar a ser "és um objeto sexual, para ser olhada, avaliada [o "mamas pequenas e coxas grandes"] e comida". A alusão à violação como forma de silenciar uma mulher e de a submeter à vontade do seu oponente a permear toda esta brincadeira oh-tão-sofisticada. 

Por isso, refletides: da próxima vez que quiserem insultar a Merkel através do seu peso corporal, pensem "E se fosse o Berlusconi, também o chamaria de gordo?" (nunca ouvi ninguém chamá-lo de tal). Aposto que muitas outras infâmias surgiriam à frente na lista de insultos ao palhaço. De modo que chamando "gorda" à Merkel mas "palhaço" ao Berlusconi, tendo os dois senhores relativamente a mesma massa corporal, sim, seria sexista. Sede originais.





S.   

sábado, 6 de abril de 2013

O homem também

Desengane-se quem pensa que a publicidade é no geral apenas misógena; ela também é muitas vezes sexista em relação aos homens. Uma vez que a publicidade assenta na comunicação rápida e, de preferência, que suscite emoções e ligações inconscientes com o produto a ser publicitado, é muito fácil resvalar para clichés que o máximo de pessoas reconheça, precisamente para se nos tornar familiares. E um dos clichés favoritos de muitas marcas são os estereótipos de género. 

E agora que penso nisso o humor também assenta muitas vezes nestes clichés. Fazer piadas com mamas (veja-se os últimos Óscares) ou com a esquisitice das mulheres, versus o homem que sofre muito durante o casamento e que só pensa em sexo a todas as horas do dia, é meio caminho andado para pôr uma audiência de stand-up comedy a rir. Mas tal como os filmes com as suas 2 ou 3 personagens femininas e masculinas muito típicas e muito unidimensionais, é coisa que me dá tédio, chateia e é de uma falta de originalidade que me faz pensar se tais criadores estão ainda presos na adolescência. Se quero piadas com mamas basta-me ir a um recreio de sétimo ano, escuso de gastar 20 euros num bilhete para ir ver "comédia".

Bom, mas não era isto que eu vinha aqui falar. Dizia eu então que a publicidade também consegue ser muito sexista em relação aos homens. E quando são anúncios que tocam em qualquer coisa relacionada com tarefas domésticas, ui Jesus. Se são produtos de limpeza, é garantido que será uma mulher a protagonista. Idem para produtos de higiene - exceto no que toca à barba -, supermercado, compras, etc. Quando aparece um homem é muito frequentemente apenas para reforçar o quão eles não percebem nada daquilo. E depois lá aparece a mulher para, com uma espécie de sorriso condescendente, o corrigir. Ui, que tolinhos que os homens são nessas coisas das tarefas domésticas! Não percebem nada daquilo, nem têm jeito nenhum. 

Exceto que a maior parte dos homens que conheço não é assim. O meu homem de certo que não é assim, o meu pai não é assim, os meus amigos (embora muitos gostem de mandar as piadolas típicas sobre o assunto) sei que não são assim. Mas o estereótipo é tão mais confortável. E a publicidade perpetua-o, cristalizando a ideia muito do senso comum de que há coisas em casa que os homens nunca vão saber fazer como deve ser como:

- passar a ferro
- fazer a cama
- embalar um bebé
- limpar o pó
- estender a roupa
- limpar a casa

(Cozinhar é a exceção, o homem moderno cozinha bem e agora até é costume se dizer que cozinha melhor que a mulher! Porque, como se vê, todos os grandes chefs são homens!)

Como se todas estas tarefas estivessem especialmente inscritas no código genético das mulheres, como se houvesse um gene da limpeza, que miraculosamente escapasse a todo e qualquer espécime do sexo masculino. 

Por isso, quando há marcas que têm a coragem de ser inovadoras, originais, e - sejamos sinceros - realistas, é bom que sejam reconhecidas:



Hi. I'm a dad-mum. This means that while my wife works, I'm at home being awesome.
I know that there's a lot of mum-mums out there who look at my unique mixture of masculinity and nurturing and they find it quite alluring. And I know that there's dads who are out there who are astonished with my ability to dress a four-year-old. But here's a real kicker: I can take even the frilliest girl dress and fold it with complete accuracy. Boom.
And, with Tide Boost, I can use the brute strength of dad to mix with the nurturing abilities of my laundry detergent.
Now if you'll excuse me, I'm going to do pull-ups and crunches in the other room.


53 segundos de pura ironia. Gosto muito!



S.