sábado, 9 de março de 2013

Feira do Livro: versão indoor

Continuando no tema dos livros, hoje foi dia de visitar a Foire du Livre de Bruxelas. Não estava com expectativas de comprar nada, já que a língua em questão, aliada ao meu cada vez mais especializado gosto e à preferência pelos e-books, tornava a tarefa de encontrar algo que me fizesse puxar da carteira mesmo muito díficil. Da carteira tive que puxar na mesma, uma vez que para meu enorme espanto e indignação a entrada era paga. Sim senhora. Autoridades bruxelenses sempre a promover a cultura. Deu-me logo uma grande pontada de saudade no coração da maravilhosa Feira do Livro de Lisboa, aquele Parque Eduardo VII cheio de filas e filas de barraquinhas de livros, muito sol, muita luz, muito calor, ar livre, um passeio anual que não falhava. Levantei o queixo do chão, engoli a indignação e puxei da nota sem reclamar. 



"Um dia o Obama pediu ao Harry Potter para transformar o seu inimigo em sapo." Quem terá sido este inimigo de que eles falam, hum? Será que o Mitt Romney passou a pertencer à classe dos anfíbios e ninguém deu por nada?

A certa altura ainda pensámos que o bilhete de entrada podia ser como nas discotecas e tivesse livro incluído (não tinha). Paga-se mesmo só pelo privilégio de poder ir ver e comprar livros. Hahahaha, está boa, esta.

Tinha muitos livros interessantes e originais para crianças, algo que desconfio que os belgas são bons, uma vez que já tinha reparada na livraria do aeroporto umas coisas engraçadas. Não sei se tem alguma coisa que ver com a tradição de bandas-desenhadas e ilustrações. Isto trouxe-me um sorriso aos lábios:




Tenho que confessar que me senti muito deslocada, naquela feira. É mesmo muito estranho percorrer quatro pavilhões enormes (ao jeito da FIL de Lisboa) e não encontrar um único livro que se conheça, nenhum nome de autor que ressoe. Ali dei de caras com o quão superficialmente conheço o meu país de acolhimento, a sua literatura contemporânea e clássica, essa parte tão fundamental da cultura e identidade de um povo. É uma coisa que me incomoda, põe-me desconfortável e, ao invés de me fazer querer ler mais sobre a Bélgica, agarrar numa História deste país, faz-me ter vontade de fugir daqui a sete-pés, enroscar-me nos braços da cultura britânica, numa língua que eu conheço não só as palavras mas também e fundamentalmente o tom. Não me é nativa como a visceralmente portuguesa, mas precisamente por estar a meio caminho entre a belga que desconheço e a lusitana que me está entranhada, dá vontade de profundar mais e mais.

Nunca lá fui a feira do livro alguma.

A União Europeia tinha uma secção num dos pavilhões, onde figurava uma imagem gigante da sala do plenário de Estrasburgo, uma imagem com quase todos os atuais deputados e com sinais a indicar que grupo político se senta onde.   



Os 20 deputados europeus belgas tinham direito a fotos maiores, e a senhora responsável pela secção deu-me placas com os nomes deles todos para eu tentar adivinhar quem era quem. Fiquei ainda mais desanimada por ver que nenhum deles me ressoava na memória, muito menos seria capaz de juntar nome e cara. Lá acertei um que me lembrava de ver nas reuniões de igualdade de género no PE, nem tudo esteve perdido.

Saí de lá de mãos a abanar, um niquinho triste pelo sentimento de alienação mas de bons espíritos. Afinal, a experiência foi partilhada com quem mais importa e portanto os risos somados e a tarde diferente pesaram bem mais na balança das experiências. E uma História da Bélgica pode já vir a caminho...



S.  

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