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terça-feira, 12 de junho de 2012

Alsácia sem a Lorena

Enquanto janto os melhores bifinhos com cogumelos que já provei na vida (França tem tendência para me brindar com muitos "o melhor *inserir prato* que já provei na vida"...) tento sintetizar as minhas primeiras impressões da Alsácia. 

Se na Normandia se respirava liberdade (historicamente imaginada), aqui respira-se união (fisicamente sentida). E acabaram de me trazer um chá com uma bolacha Speculoos, que coisa tão doce e estranhamente belga! Neste canto francês com tantos nomes acabados em "heim", a pernoitar numa terra demasiado germânica e cujo nome ainda não sei pronunciar, acabo por não conseguir descortinar se Estrasburgo é mais gálico ou germânico. No fundo, pouco importa, pois pertence áquela classe de cidades com qualidade de vida impossivelmente elevada. Dois mundos juntam-se aqui na Alsácia, dando o melhor de si para formar um resultado de louvar: a organização e eficiência germânica com o bom-viver francês.

A França tem também cheiro a casa, descubro agora. O francês palrado de fundo e os "bonjour!"s dados com alegria não fazem parecer que atravessei quatro países para cá chegar. 

Alsácia é a nacionalidade do meu cão, também (do meu ex-cão - pode-se dizer "ex-cão"? Para não confundir com o atual e não dizer "o meu cão que já morreu". Deve-se poder. E este também é o meu blog, portanto, eu é que sei). Alsácia lembra-me sempre "Lobo da Alsácia", vulgo Pastor Alemão (O pai da Merkel é um pastor alemão. Juro. Na altura tive que ler essa frase várias vezes até ela fazer sentido, mas agora faz.). Saudades que fazem sempre cócegas no fundo do estômago e que não têm a distância da Alsácia a Lisboa, mas da Alsácia ao céu.

Gosto deste centro da Europa. Aguça-me a curiosidade por esses dois países imensos que são a França e a Alemanha e ajuda-me a reparar no quanto ainda me falta da Europa para ver com os meus próprios olhos e calcorrear com os meus próprios pés.





S.


P.S. O Kobo já cá canta, sim. Estamos na fase de reconhecimento um do outro, numa relação que se quer duradora e cheia de alegrias.   

P.S.2 E esta vida de quarto de hotel single é esquisita e solitária para caraças. E eu sou a pessoa mais anti-social que conheço...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A 2ª (ou 1ª?) casa do Parlamento

Amanhã rumarei com a peregrinação parlamentar mensal para Estrasburgo. Diz que é uma cidade incrivelmente bonita e irritantemente organizada e limpa, do tipo Amesterdão, vá.



Cidadezinha medieval e céu azulinho... Até já estou a enjoar a perfeiçãozinha toda e ainda não pus lá os pés... (Isto é só inveja porque Bruxelas não é nem medieval nem tem céu azul)

Mas parlamentos, trabalhos, passeios e medievalidades à parte, estou ansiosa porque finalmente vou buscar o Kobo fónix, já não era sem tempo, mal durmo com a antecipação, agora só falta chegar lá e estar esgotado ou assim, com a sorte que eu tenho, e mais 10 km e aquela cidade era alemã e já não dava porque não havia Fnac nem Kobo para ninguém. 

Espero, na viagem penosa de cinco horas de comboio de volta, já ter um novo entretém.



S.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A saga do Kindle

Há coisa de ano, ano e meio, comecei a cobiçar suavemente o Kindle da Amazon. A flirtar seriamente com a ideia de poder ter os meus livros todos num aparelho do tamanho de um livro e tão fino como uma revista. Conheço de ginjeira o argumento principal de quem é contra estes aparelhos: o "e o cheiro a livro novo que a tecnologia nunca pode imitar, e o virar a página que nunca mais vais poder experienciar?". Ao que eu respondo: "Por favor, eu compro quase todos os meus livros em segunda mão pela Amazon, não sinto o  cheiro-a-livro-novo há anos e não é dele que sinto falta: é de ler." O que conta não é a forma, é o conteúdo.  E para isso tanto me dá que as histórias estejam num aparelho eletrónico ou em papel. A qualidade de escrita não se mede pelo meio onde está impressa. Para mim, o maior entrave no ler livros é o espaço que me ocupam antes e depois de estarem lidos. O peso que me ocupam na mala quando tenho de mudar de casa na nossa vida ainda tão temporária. Para mim, a possibilidade de carregar, no melhor e mais leve dos sentidos, mil livros num aparelhinho que pesa menos do que uma chavena de chá é a característica mais valiosa.

Dizia eu que há ano e meio começava a flirtar com o Kindle. Na altura, porque tentava arranjar um método sério e consistente que me permitisse aproveitar as duas horas diárias que passava no metro com estudo, e porque queria levar comigo as leituras, apontamentos e rascunhos da dissertação para a biblioteca, para a universidade, para casa e para o metro, decidi que um notebook seria um investimento consideravelmente mais útil que um Kindle que só me permitiria ler. Acertei, sim senhora. O pequenino computador que encomendei pelo eBay (não tive coragem de dar mais de cem libras por um; chegou impecável a casa, ainda que com teclado inglês) foi o melhor investimento que já fiz ao nível de gadgets. É pequenino e cabe na minha mala pessoal. Levo-o para férias na mochila misturado com a roupa. Serviu o seu especial propósito de me ser a ferramenta indispensável na leitura e escrita para a tese. Não suporta jogos nem cds; mas quem precisa de qualquer um dos dois? Eu cá não.

Só numa coisa ele me falhou: na leitura. É um defeito totalmente meu, assumo-o; o pobre coitado cumpre a sua função com diligência e se eu quisesse poderia ler e-livros aqui como li tanto artigo para a tese há um ano (oh meu deus, está a fazer um ano... para onde é que foi o tempo?!). Tentei, uma vez. Temo não ter funcionado como gostaria. Porque o computador, devido à sua inerente multifuncionalidade e ao meu cada vez mais curto attention span, torna-se o pior sítio possível para ler algo que se pretende saborear. Artigos, funciona; sou obrigada a prestar atenção porque preciso de tirar notas e são relativamente curtos. Mas ler um livro, que se pretende que seja um momento de relaxamento, a dois, só eu e o autor, é impossível. Aprendi isso à custa da experiência, e o interesse pelo Kindle renasceu.

Entretanto voltei para Portugal. Qual não foi o meu grande espanto quando descobri que é impossível encomendar o Kindle para o nosso território! Ou melhor, ser possível, é, mas apenas dos Estados Unidos e a custar mais uns 50 euros do que se comprasse em Inglaterra pela Amazon.co.uk. Como já tive uma muito má experiência com produtos importados dos EUA e presos na alfândega, encomendar coisas americanas é coisa que me recuso a fazer. Fool me once, shame on you, fool me twice, shame on me.

Tentei todas as Amazons europeias, nada. Nenhuma exportava para Portugal, ou mesmo para fora do seu território nacional. Num mercado europeu que se quer livre e único, a honrar a máxima da "livre circulação de bens e serviços", esta é uma das maiores aberrações com que me deparei. Mas adiante.

Quando soube que viria morar para a Bélgica, tive a brilhante ideia de esperar e encomendar pela Amazon francesa. Pensava eu que, tendo a mesma língua, sendo um território contíguo e tão pequeno que as tarifas de expedição de livros normais são as mesmas que para o território continental francês, seria de certo possível encomendar o Kindle francês. Faz de conta que isto ainda era França, xiu, ninguém ía notar. 

Já se deve estar a ver que não foi o caso... Caiu-me o queixo de incredulidade quando vi que Bélgica tinha o mesmo estatuto que Portugal em termos de Kindle: ostracizado. Revoltei-me. Estava fula com a Amazon e comecei a ver outros e-readers. Nenhum me parecia tão bom como o Kindle, no entanto.  Ou tão bom e tão barato, vá. A dois passos de casa descobri uma loja da Sony que tem insistente e irritantemente os bonitinhos e-readers na montra mas que custam o dobro do da Amazon. Recuso-me a pagar mais por um substituto.

Entretanto, descobri que a Fnac tem o seu próprio e-reader também. E que neste momento está com uma promoção que o põe um niquinho mais barato ainda do que o Kindle. As boas características continuam lá - especialmente o ecrã que eles chamam e-ink, que imita a textura de uma folha de papel impressa, tornando a leitura de um livro num e-reader exatamente igual à leitura em papel - e melhor: tem ecrã tátil. Apenas um senão: o Kobo (nome do aparelhozinho) custa mais 30 euros na Fnac belga, neste momento. Segundo momento de frustração com a porcaria do mercado único, ARGH! Nem na mesma empresa, chiça! 

30 euros pode não parecer muito mas há que entender que eu sou uma pessoa com uma relação muito difícil com o dinheiro na medida em que me custa largá-lo. Sou amante possessiva e ciumenta, controladora. Penso sempre "X custa 100 euros, oh! O que eu podia fazer com 100 euros!...". E depois acabo por nunca fazer nada. (Exceto viajar. Não compro uma única peça de roupa desde que cheguei a Bruxelas, mas viajar, ah senhores, isso ninguém me tira!)

Por isso, é com muita antecipação e em meia-voz (com medo que o universo oiça e eu chegar lá e aquela porcaria já não estar em promoção) que eu conto os dias até voltar a solo francês, mais propriamente solo Fnac-francês, para poder finalmente adquirir um e-reader sem pesos financeiros na consciência. E desfrutar dele já no comboio de volta. 






S.


P.S. Entretanto descobri que praticamente todos os clássicos são grátis em formato e-livro, presumo que por razões de direitos de autor expirados ou assim, o que redobrou o meu entusiasmo pelo Kobo e a minha antecipação por voltar a França.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Normandia, a saborosa

Finalmente, um sítio onde se come bem!


Diz que é uma Ilha Flutuante. O que fomos descobrir...

Clássicos profiteroles

Frango assado (ainda assim a coisa mais cocó que comemos. Não há frango assado como o português...)

A melhor pizza da vida. Tinha natas, ovo estrelado, queijo Camembert, batata e bacon. A minha barriga ía explodindo.

Escalopes de perú à Normando (no fundo, bifinhos com cogumelos)

Uma comida que começa com Bis... Bistrosse ou Bistrot. Era bom, pronto.

Jambom (do bom)

Macarrons gigantes de todas as cores

É veau... Que eu ainda não me dei ao trabalho de ir ver mas acho que é carneiro

Ainda estou com água na boca dias depois das minhas papilas gustativas terem voltado a sorrir (bonita imagem mental). Vivendo numa cidade ridiculamente cara e cuja gastronomia se resume a batata frita com maionese por cima, quase chorei de alegria por estar numa terra com comida variada, cozinhada com cuidado e imaginação e sem se pagar este mundo e o próximo por ela.

Graças à guia que nos levou às Praias, ficámos a saber que as vacas da Normandia são muito boas para leite e a sua carninha é da melhor que há, consequência de terem erva fresca todo o ano (a chuva constante daquela terra havia de ter uma vantagem). Também graças a esta normanda muito entusiástica pela sua terra natal, ficámos a saber que na Normandia não se produz vinho (demasiado frio) mas maçãs há com fartura. Daí que a bebida regional seja a Cidra de Maçã, que tem de ser bebida após 15-20 anos de maturação sob pena de se apanhar uma piela ao primeiro gole. Enchi-me de coragem e numa das refeições pedi uma garrafinha. Molhei o bico e não gostei (para variar). O D. diz que sabe a cerveja. Eu acredito.


Também com maçã provámos um gelado, esse muito bom. Tinha um creme chamado Beurre du Sucre, maçã quente caramelizada, caramelo líquido, chantilly e uma bola de gelado. Que maravilha, senhores!... O objetivo agora seria o de tentar imitar, mas isso era preciso paciência para a culinária, que é coisa que não abunda por estes lados.




S.

sábado, 19 de maio de 2012

Normandia, a sagrada

Os últimos dias têm sido de elevada dose de maravilhamento. Por isso mesmo, tem sido difícil pôr o que vai nesta cabeça em palavras coerentes. E, verdade seja dita, sou daquela espécie de gente que acha que muita coisa boa é mau sinal e que não se deve falar dela, pois está-se sempre à espera que a vida nos pregue uma grande partida e aconteça uma desgraça qualquer para equilibrar. "Ah-ha! Enganei-te!", é o que se desconfia que mais tarde ou mais cedo nos diga a vida.

Mas o maravilhamento mais recente pode ser falado porque já está feita a experiência e essa ninguém me tira. Maravilhamento esse que se chama Normandia e tem cheiro a 1944, mais precisamente o dia 6 de junho.

Esta era uma viagem que me estava a moer a parte de trás da cabeça (que é onde se guarda os desejos, acabei de inventar confirmar cientificamente): visitar a Normandia e as praias onde se deu o desembarque das tropas Aliadas no tão afamado Dia D. Não é uma viagem típica, exótica ou particularmente glamourosa. Mas faz parte do meu fascínio com os pontos de viragem que tornaram a Europa no que ela é hoje. E o que a Europa é hoje, a muito deve à Segunda Guerra Mundial.

Aquelas praias gritam "Liberdade" muito mais do que qualquer sítio que conheço. Conhecendo-se a História e tendo-se uma guia que aviva a memória, explica os pormenores intricados da estratégia e que conhece cada cratera de bala como as linhas da palma da sua mão, é só deixar a imaginação voar e quase conseguimos ver as silhuetas dos navios Aliados ao fundo, ouvir os gritos alemães em terra e os soldados americanos, britânicos e canadianos a pisar solo europeu pela primeira vez desde 1940 para libertar uma Europa temente sob o jugo alemão. Se esforçasse a vista como deve ser, estava certa que conseguiria ver a costa inglesa do outro lado do Canal... (não consegui, não é assim tão perto)

Fiquei a conhecer pormenores deste fatídico dia 6 de junho de 1944 que me fizeram compreender realmente o quanto na guerra é improviso, cabeça fria e boas decisões. Que apenas metade se deve a uma boa, planeada ao milímetro, estratégia, e que o resto está nas mãos do acaso.

Ondas de gratidão invadiam-me à medida que pisava estes lugares e que pormenores eram desvendados dos quais uma pessoa ou não faz ideia, ou não significam grande coisa revelados numa sala de aula. O mar de cruzes brancas que é o Cemitério Americano é um bom exemplo; vastidão de cruzes e cruzes, polvilhado de estrelas de David aqui e ali, nunca um local me conseguiu inspirar tanto respeito e horror como aquele.

Gratidão e maravihamento (não me ocorre melhor palavra em português para descrever isto) perante aqueles milhares de seres humanos que deram a vida por uma causa que não era a deles, que não tinha que lhes dizer respeito, que não lhes tocava pessoalmente. Dar a vida, literalmente, para que o resto do continente pudesse respirar livre. Só me apetecia ajoelhar, rastejar naquele solo tão fortemente carregado de simbolismo, e em toda a humildade agradecer a estes desconhecidos terem dado as suas vidas para que a Europa que conheço hoje possa existir. 

Há lugares sagrados, de facto. Um deles é a costa da Normandia. Não creio que os nossos outros companheiros de viagem, todos americanos e com mais de 50 anos, tenham compreendido por que estávamos naquela excursão. "São estudantes de História?" Não, senhora. "Então e que papel teve Portugal na Segunda Guerra Mundial?" Neutro. A razão do nosso interesse permaneceu um mistério para eles. 

Porque grande parte das pessoas que ingressam neste reconhecimento das praias da Normandia são americanas. A História do seu país liga-as àquele local, compatriotas seus morreram e mostraram bravura sublime ali, quem sabe alguns familiares seus também. Agora, nós, dois portugueses jovens, sem nenhum vínculo nacional ou familiar que nos ligasse ali, o que nos motivava? Além da curiosidade aguda de duas pessoas profundamente fascinadas pela Segunda Guerra Mundial, há uma outra razão: uma razão chamada Europa. Porque eu não sou só portuguesa, sou europeia. E a minha educação como europeia passa pelo reconhecimento dos locais que fazem a minha terra ser Europa, mesmo que tenham ocorrido a milhares de quilómetros do pedaço de terra retangular a que chamamos Portugal. Ali, a nossa europeanidade sobressai, explícita quando pensamos "Uau, a quantidade de americanos que morreram para nos libertar", ao invés de "Uau, a quantidade de americanos que morreram para libertar os franceses". 

A identidade é uma coisa engraçada.

A peregrinação acabou. Amanhã partiremos para algo mais descontraído mas que vai elevar o pico do maravilhamento a níveis impossíveis (assim o espero). O Mont Saint-Michel espera-nos. 




S.

sábado, 7 de abril de 2012

O túnel da Mancha

Este assunto, que é ainda uma continuação do post anterior, merece um post à parte. Isto porque tem que ver com algo que há muito brinca com a minha imaginação.

Ora bem, já sabia algumas coisas sobre o túnel do Canal da Mancha antes da passagem do D. por lá, mas havia muita coisa que era ainda nebulosidade no meu conhecimento:

- Sabia que é um túnel que liga a parte mais estreitinha de mar entre França, ou a Europa continental, ao Reino Unido, mais ou menos Calais-Dover;

- Sabia que tinha sido inaugurado em 1994 (!! menos de 20 anos!) e que é tão novinho devido às desconfianças que os britânicos mantiveram durante muito tempo em relação a ter uma ligação terrestre com a Europa continental - assim seriam muito mais fáceis de atacar militarmente. Tendo em conta que foi o facto de serem uma ilha que os livrou de uma invasão Nazi e de uma invasão Napoleónica, e que é uma ilha que não é conquistada por ninguém desde 1066, percebe-se as reticências;


- Sabia que aquilo tem dois túneis, um para passarem comboios - o Eurostar - e outro para passar o trânsito rodoviário.

Mas outras coisas faziam-me coceguinhas no pensamento: será que é tudo escuro? Será que demora muito tempo a atravessar? Será que se veem as famosas White Cliffs of Dover, como quando se atravessa no ferry Calais-Dover (uma das viagens que me ficou encravada por não ter feito)? Por isso chateei as pessoas que conheço que já atravessaram o túnel com a pergunta "Mas o que é que se vê?" Ninguém me soube dar uma resposta satisfatória.

Claro que desta vez com o D. a ir a Londres de expresso a oportunidade era boa demais para me escapar. Bombardeei-o com perguntas até a minha curiosidade estar satisfeita, tanto durante a sua viagem como quando cá chegou (sem nenhuma foto, a blasfémia!).

Há um controlo de fronteira, essa foi a primeira coisa. A minha surpresa tornou-se num revirar de olhos impaciente quando me lembrei que os britânicos não estão no espaço Schengen, o espaço europeu onde se pode viajar de um lado para o outro sem controlos de fronteiras. Ali, há, e a espera que se gera para fazer o "check-in" não é pouca.

Mas a grande surpresa veio depois. Parece que a espera é ainda mais demorada porque os carros/autocarros/camiões entram para dentro de contentores sobre carris (!!!) que transportam os veículos do continente para a ilha e vice-versa.



Ou seja, não há estrada, apenas carris. Os veículos vão muito bem sossegadinhos dentro destes contentores que demoram 40 minutos a atravessar o túnel.




Dado o meu grande interesse neste túnel, não faço ideia porque é que nunca me dei ao trabalho de o ir pesquisar no Google. Mas ainda bem que não. O sistema dos contentores foi bem mais interessante e surpreendente - com direito a olhinhos esbugalhados e brilhantes e boca aberta de surpresa - quando explicados por quem já o experimentou.

Se bem que a ausência de fotos ainda não perdoei completamente... Se não fosse o chocolate quente estava lixada.



S.