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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Veados, veados por todo o lado

Acho adequado vir aqui apresentar o desfecho deste episódio:

Fui hoje - finalmente - ao Richmond Park e vi dezenas de veados. À beira da estrada, a atravessar a estrada, nos prados, ao pé de Hampton Court, à beira de uma avenida incrível como quem vai para Teddington.




 Eram mais que as mães.

Quanto à zona adjacente, sim senhora, todo o cenário idílico que lhe dá a fama de uma das zonas mais procuradas da Grande Londres: casas lindíssimas de classe média-alta, muito sossego, limpeza e ordenação, longe da confusão do centro londrino, muito branquela, muito à subúrbio respeitável. Tudo do que neste momento da minha vida quero estar bem longe.



S.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Veados algarvios em sonhos concretizados

Depois de incursões falhadas a Windsor, ao Richmond Park e até à Tapada de Mafra, foi no Algarve que eu concretizei o meu sonho de confraternizar com veados.



Animais maravilhosos e altivos, não sei quem estava mais nervoso com a aproximação, se eu ou eles. Parecendo que não, há ali muito chifre pontiagudo e afiado. E, pelo outro lado, os humanos são animais de movimentos bruscos e barulhentos. A desconfiança era, portanto, mútua.





 
No final, não só confraternizei com eles como ainda vieram comer à minha mão. Ainda estou em êxtase. 





S. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Portugal à segunda vista

Ainda estou a digerir um pouco o facto de que já não estou de férias. Nunca fiquei com depressões pós-férias nem nunca me custou regressar à escola/trabalho. Muito pelo contrário: setembro é um dos meus meses favoritos do ano, é como se fosse o Ano Novo, é o mês da rentrée, o fim da silly season, o mergulho na vida a sério, cheira a livros novos, tem a força da vontade das empreitadas novas, é o apagar de mais uma vela no bolo de aniversário. Mas isto anda tudo vazio, é Bruxelas, é a blogosfera, é os emails, é o escritório. Já estou pronta para setembro mas o resto do mundo ainda não. E isso entristece-me mais do que o fim das minhas férias.

Nestas semanas de regresso à pátria fiz um esforço consciente para visitar coisas que me andavam a fazer cócegas na imaginação há muito tempo. Mas como as férias são tempo para usar e abusar da presença física dos mais próximos - e de quem não podemos abusar durante o resto do ano, valha-nos o Skype mas não nos vale assim tanto, é pura imitação - arrastei a família atrás, ah pois.

Sintra. Aquele pedaço de terra mística que me é tão familiar mas tão superficialmente conhecido. As odes nos jornais, nos livros, na História, no Pessoa, nos Maias, na boca e nos olhos brilhantes dos estrangeiros que já visitaram Portugal e dificilmente encontram palavras para descrever a sua visita quando lhes digo de onde venho. O meu conhecimento superficial e a pouca distância da minha casa de 20 anos, aliada àquele sentimento de coisa adquirida que temos pelo que convivemos quotidianamente, fez-me achar durante muito tempo que Sintra estava um tanto ou quanto overrated.



Não está, porra. Não está. À Regaleira fui há uns anos, numa visita prenda-de-anos, e não desapontou. Tornou-se instantaneamente num dos meus lugares portugueses mais preciosos, com espacinho no coração (não são muitos). Desta vez fomos lá acima, ao topo da serra, ao Palácio, que vale mil vezes mais pelas vistas maravilhosas que pelo interior do edifício. Que serra maravilhosa. Que vista desafogada (50 pontos para quem conseguir distinguir o Convento de Mafra ao fundo). Ainda tivemos direito a testar o microclima sintrense porque a dada altura começou a chuviscar e eu passei o dia a vestir e a despir o casaco, consoante as esquinas do palácio que virava.

Porto. Xii, o Porto. Revelo com a vergonha devida que conhecia mesmo, mesmo muito mal a segunda cidade do país. Mas se calhar por isso ela arrebatou-me pelos pés e virou-me do avesso. Juro que a frase que mais pensei enquanto era guiada pelas ruelas da cidade, pela Ribeira, pela Foz e pelos miradouros, foi que o Porto batia aos pontos a beleza de Lisboa*. E que a cidade está ainda demasiado underrated, tanto na mente dos morcões como na dos estrangeiros que visitam Portugal e talvez não contem o Porto como parte do seu itinerário de viagem. Meu deus, a riqueza que é ter pontes que se percorrem a pé! Ter uma margem sul que não é bem Margem Sul porque é tão já ali. Ir ao Porto é acreditar que há vida para além de Lisboa, há Portugal vivinho da silva para além da capital, e isso fez-me extremamente bem às perspetivas.




E depois a descida do rio Tejo, sempre na ânsia do "já chegámos? já chegámos? já chegámos?" porque sabia que a qualquer momento iria virar uma curva e vislumbrar o Castelo de Almourol em toda a sua glória, e sim, ali estava ele, no meio do rio, lindo como sabia que só podia ser, mágico como esperava que fosse, um bocado, er... vazio por dentro como não sabia, mas com vistas do caraças quando se sobe mesmo até lá acima. Dá para sentir como um conquistador, e se semi-cerrarmos os olhos com convicção e se o sol brilhar forte na cabeça pode ser que dê para vislumbrar um exército a cavalo lá ao fundo. Mas o sol tem que estar a bater forte e quente na cabeça, claro.



Finalmente, a Tapada. Tão perto mas durante demasiado tempo longe do coração. Sempre a querer ver veados em Richmond e não sei quê, e afinal vivi durante tanto tempo tão perto deles. Ali, mesmo à mão de semear, quase que dá para se fazer festinhas, não fosse a desconfiança dos bichos em relação ao pessoal de duas patas. Teria mais sorte com os javalis, suspeito. Peguei numa coruja pela primeira vez e estou quase a completar a minha experiência HPteriana. Só falta o tour às Highlands.




Ainda voltei para uns dias no sul, que foram muito bons para levar muitos banhos de calor familial, uns tantos de sol e ainda mais uns literais de mar. Que maravilha é ter um mar só para nós e uma praia semi-deserta às 9 da manhã. E sim, é possível tal coisa no Algarve em pleno agosto. É só saber onde procurar :). Serviu também para apreciar o fresquinho de Bruxelas e maravilhar a possibilidade de andar na rua sem precisar de óculos de sol na cidade. Que esta aprendizagem me sustenha durante os próximos meses (já estou a pensar que tenho de comprar um casaco verdadeiramente quente e umas botas verdadeiramente aderentes. Pensar em neve em meados de agosto é espetacular.)


(Foto roubada ao primo que tira fotos melhor do que eu)


Agora vou sossegar um bocadinho aqui em Bruxelas e aprender a chamar "home" à casa nova, voltar a encaixar a biblioteca na minha vida e cruzar os dedos até mais ou menos maio. 



S. 


*Entretanto, já nem sei, porque uns dias depois fui à Baixa e desci a Rua Augusta e o sol brilhava forte no céu azul intenso e a pedra do arco da Rua Augusta estava tão mas tão branca, e fiz a procissão até ao Cais das Colunas - que sim, aquele caminho tem mais de sagrado e ritualesco que muita romaria que por aí anda - e eu fiquei novamente embriagada com o caráter de Lisboa e já quase lhe implorava perdão por ter pensado que outra cidade portuguesa a podia bater. Igualar, pronto vá, lá me decidi pela justeza.  

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Esses malditos veados

Em boa verdade, eles não têm culpa nenhuma de nada. Mas foi o que eu disse várias vezes durante a última passagem por Londres.

Quando se formulou a pergunta: "Vou estar umas boas horas em Londres, alguma coisa em especial que nunca tenha visto / deva ver / queira mesmo muito voltar a ver?" Nada se me afigurou ao primeiro pensamento. Mas aí ao terceiro, uma coisa muito nítida começou a tomar contornos: veados. Muitos veados. Richmond... Este vídeo maravilhoso:




Depressa pus de parte a ideia porque Richmond fica um bocadinho longe da área monumental da cidade e ainda assim havia o mercado de Spitalfields (adoro dizer esta palavra) a que também nunca tinha ido e já merecia uma visita.

Mas depois de horas e horas a deambular pela cidade a obsessão com Richmond foi subindo à tona e numa fração de segundo decidi ir almoçar à cidade/vila da Virgínia (por falar em Virginia Woolf, a senhora é uma alumna da King's e eu não sabia:



Sempre à espera que alguma da genialidade se transmita por osmose ou assim...) e ir finalmente deleitar a vista com as illusive creatures que estes veados londrinos provaram ser.

Como fui de mãos a abanar no que aos mapas diz respeito, e porque só estive em Richmond uma vez, vi-me obrigada a procurar um daqueles postes na rua com a bolinha vermelha do You are here para saber onde ficava o parque. Depressa encontrei um Old Deer Park, não muito longe dali. Meti os pés ao caminho.





Como diz o Nilton: "Bela merda..."

Na minha ingenuidade, achei que a palavra-chave em Old Deer Park era Deer. Afinal era Old, na medida em que era, já não é. Porque veados, viste-los.

Não era mais que um grande descampado verde com balizas (!) de rugby e futebol, um grande campo de golfe atrás, e uma via rápida a correr num dos lados. Que parque tão prazenteiro à vida animal...





Foi quando reparei noutro mapa-poste, desta vez a mostrar o Richmond Park que se fez luz na minha cabeça e que eu fiz o maior facepalm da vida. Parque errado... (mas quantos parques tem Richmond, também?! Quando lá fui em 2010 estive num à beira do Tamisa e nos Kew Gardens e agora no Old Deer Park e nada de veados...)

Resumindo: foram 40 minutos até lá, mais 40 minutos até cá, e mais umas 2 horas a deambular pela cidade/vila deitados pelo esgoto abaixo. E cheguei à conclusão que Richmond também não é tão bonitinho, bucólico e suburbano quanto a minha seletiva memória o havia idealizado. Ainda assim, lá voltarei novamente porque à terceira será de vez e os veados não me vão escapar.



S.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Aparentes paradoxos


  • Em Inglaterra não vi nenhum veado, apesar disto
             e de ter estado na terra disto



                         e, no geral, de ser a terra oficial deles.

  • Em Portugal, todos os dias durante 3 anos passei de autocarro perto de uma quinta com veados, à entrada da A21 (!!!, eu sei), e fui correr (2 vezes, para aí, mas contam) a um parque onde os há, em pleno centro da vila aqui do sítio (outro !!!).

  • Em Portugal, o único bolo que me dignava a fazer e a esperar os 30 minutos que demorava no forno, eram scones. 
  • Em Inglaterra, terra de scones por excelência, não comi nenhum. Não vi sequer à venda um que fosse. E eu que bebia tanto chá...

  • As minhas séries preferidas são as britânicas. Americanas, só mesmo em casos extremos de bons actores, argumento, ou aborrecimento.

  • Em Inglaterra, nem uma vi, ainda que as tivesse disponíveis na TV 24/7 (Tudors no PC não conta).

  • Não gosto de poesia, mas Fernando Pessoa fascina-me como nenhum outro escritor.

E pronto, é isto. Não fosse o ser humano cheio de paradoxos e incoerências e o mundo seria uma chatice de tão previsivelzinho.



S.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Verdura Citadina - Parte III

Como referido no último post, aqui está uma 'Verdura Citadina' dedicada aos Kew Gardens.



São sem dúvida os jardins mais bonitos de Londres. Ficam um pouco deslocados do centro, em Richmond, e talvez por isso ocupam uma área vastíssima, impensável no centro da cidade (há um comboio que percorre o parque e que os visitantes podem apanhar, o que revela a dimensão do mesmo). Estes jardins têm também um ar natural/selvagem que os parques centrais não conseguem igualar. Ao mesmo tempo, nota-se a organização pensada deste parque, uma vez que há um certo ordenamento do espaço e está tudo impecavelmente arranjado (excluíndo os cocós de pato pela relva. Vamos atribuir isso à parte 'selvagem' dos jardins).

 Aqui estou eu a temer o pior...

Visitei estes jardins no outono, e o charme das folhas douradas e a natureza a preparar-se para mais uma estação de frio sentia-se bastante bem. Não pude deixar de pensar como seria visitar estes jardins na primavera, quando as árvores e as flores estão no seu esplendor máximo. 






O interesse deste parque é que tem várias atrações para além da óbvia Natureza. Uma torre oriental chamada pagode, uma estufa fria, outra estufa que imita diferentes climas nas suas diversas salas (húmido das florestas tropicais, seco dos desertos, temperado, etc), um jardim japonês, uma casa de bambú, fazem com que visitar este parque se torne interessante e nada aborrecido.







Outra das atrações mais famosas destes jardins é o Kew Palace, que, sejamos sinceros, não tem grande ar de palácio, só de casa anormalmente grande.



A atração mais incomum deste parque é um chamado 'passeio pelo topo das árvores'. Não aconselhado a pessoas com medo de alturas, uma vez que a estrutura de ferro por onde se anda dá para ver o chão lá em baixo e parece que caminhamos pelo ar. Perturbante, e para ser feito num instantinho (deu para tirar uma ou outra foto da vista, não mais do que isso).



Aconselho vivamente, tanto o parque como a própria vila de Richmond. É um lugar com muitos espaços verdes à beira rio, de ar suburbano e bastante diferente de Londres. Existe um parque em Richmond com veados, que infelizmente não visitei e que deve ter mais aspecto de floresta ou de campo, já que os ditos bichos vivem lá livremente. Os Kew Gardens pagam-se, uma anomalia em parques londrinos, mas valem definitivamente a pena.




Nível de esquilidade: elevado (não só nestes jardins como nas outras zonas verdes de Richmond, é impressionante a quantidade de esquilos que se vê. Se se levar bolachas, é garantido o abuso de esquilos e fugir é a opção mais segura. Falo por experiência própria.)



Nível de avicidade: elevado (muitos patos têm estes jardins...)

Nível de pombaria: er... sinceramente, não me lembro. Mas vou apostar em elevado (não há razão nenhuma para que os pombos não frequentem este local.)

Nível de bambicidade: nulo, nos Kew Gardens (em Richmond é moderado-a-elevado, devido à existência do Richmond Deer Park, que, agora que vejo as imagens no Google, não acredito que não visitei).

Se eu visse isto acho que desmaiava de alegria.



S.

domingo, 1 de maio de 2011

Bristol

Como referi no último post, e ao contrário de Londres, não conheço o Reino Unido tão extensivamente como gostaria. Cambridge e Bristol foram as duas cidades que visitei fora de Londres e ambas relativamente perto da capital. Richmond foi outra cidade visitada mas, apesar do seu ar de subúrbio no melhor dos sentidos, ainda pode ser considerada como fazendo parte da zona metropolitana de Londres (o metro londrino chega lá portanto, para mim, continua a ser Londres).  Foi um dos locais que mais gostei de visitar e os seus Kew Gardens vão merecer um post na categoria de 'Verdura Citadina'.

A oportunidade de visitar Bristol surgiu devido a uma entrevista de emprego que, apesar de não pensar em aceitar o dito cujo, participei para ir ganhando experiência nestes processos de seleção. As aulas já tinham acabado, tempo era coisa que não me faltava e claro, o facto de implicar conhecer outra cidade foi motivação suficiente para a deslocação. Um dia não deu para visitar tudo mas deu para ficar com um cheirinho de uma cidade inglesa que não Londres.

Cambridge não é definitivamente uma cidade. Tem uma aura rural, é um sítio calmo, que vive para a universidade homónima e onde se respira história. Bristol, no entanto, é bastante diferente.


       Cambridge

Mais uma vez fui de olhos bem abertos durante a viagem, a deleitar-me com as paisagens verdejantes e as casinhas que aqui e ali se vislumbravam. Numa viagem de 2h40m às 9 da manhã (tinha acordado às 6 e meia) nos banquinhos confortáveis de um autocarro que viaja a direito por uma auto-estrada isto é algo difícil mas lá consegui fazer o esforço. Quando me deparei com este sinal de trânsito quase soltei uma gargalhada:

        (não tive tempo de sacar da máquina fotográfica e registar o verdadeiro sinal mas era igualzinho a este)

A primeira impressão que tive de Bristol foi que era uma cidade de ruas estreitas e inclinadas. E muito mais pequena que Londres.



 Fiquei algo desapontada. Tenho noção de que só andei pelo centro da cidade, não vi ícones fundamentais como o Avon Gorge ou os Bristol Zoo Gardens mas de qualquer forma o centro da cidade não me encantou particularmente. Como Bristol é a cidade da série Skins estava sempre à espera de vislumbrar adolescentes problemáticos. Não foi entre adolescentes, mas vi a minha primeira cena de pancadaria numa esplanada. E depois queixam-se dos estereótipos, pff.

Sou naturalmente atraída por espaços verdes e, tal como em Londres, são sempre sítios que me maravilham os sentidos. Gosto de caminhar por eles sem particular destino e observar as outras pessoas a ler, a conservar ou simplesmente a dormir uma soneca na relva (quem disse que as sestas são exclusivas dos países mediterrânicos está muito enganado).


Tenho alguma vergonha em admitir que pensei que este rio fosse o Tamisa... Parece que Bristol não fica assim tão perto de Londres para partilharem o mesmo rio. Este é o rio Avon.

Neste dia estava sol e uns 20 graus primaveris, de maneira que o parque estava cheio de pessoas a almoçar os seus terríveis almoços de pacote. Eu preferi uma cornish pasty. Desde que a I. me convenceu a provar em Cambridge me rendi completamente (1 libra mais barata do que em Londres! Uma pequenina prova de que o custo de vida londrino não reflete o custo de vida inglês).




Como a entrevista dizia apenas 'afternoon' e o meu comboio estava marcado para as 16:30, não tive muito mais tempo para visitar Bristol. Limitei-me a ir à baixa onde ficavam as lojas e à zona dos escritórios, onde ficava a entrevista.

Não fiquei enamorada por esta cidade mas fiquei a conhecer mais um pedacinho de Inglaterra. Acredito firmemente que uma capital não reflete um país, e portanto limitar-me a Londres seria não conhecer minimamente Inglaterra, e muito menos o Reino Unido, tão rico em diferenças nacionais (em Gales têm uma língua diferente e Escócia nem sequer faz parte de certos organismos nacionais como os censos, e o sistema educativo escocês é completamente à parte do inglês, galês e norte-irlandês).





S.

sábado, 26 de março de 2011

Verdura citadina - parte I

Não é muito difícil escolher a característica de Londres que mais me fascina. Os extensos km2 de verdura que esta cidade contém sempre foram objeto da minha profunda admiração. Como é possível que uma das maiores cidades do mundo tenha no seu centro extensas áreas verdes que não servem para mais nada que não para o puro contentamento dos seus habitantes? Pressão imobiliária é algo alheio a estes governantes.

Com a primavera a chegar com todo o seu esplendor e várias visitas de amigos/familiares nas últimas semanas, longos passeios nos ditos parques têm sido fonte de grande contentamento para mim (e para os visitantes também :) ). Daí que decidi fazer uma série de posts sobre os parques mais conhecidos de Londres e outros menos conhecidos, os que valem mais a pena e os que ainda tenho de ver se valem a pena.


Hyde Park

Começo pelo mais conhecido dos grandes parques londrinos, e também o maior. Começou por ser uma reserva de caça do rei Henry VIII. O que não espanta que me tenha envergonhado à frente da pobre empregada da loja do parque com o meu entusiasmo a perguntar se havia deers ali (não há). Abriu ao público no séc. XVII.

É muito semelhante ao Central Park em Nova York, como esta foto aérea mostra, o que me surpreendeu bastante quando a vi (pff, americanos, que falta de originalidade).



A característica mais visível deste parque é o grande lago, o 'Serpentine', que na verdade divide essa imensidão verde em dois parques: o Hyde Park e os Kensington Gardens. Visitei-o em pleno inverno e há uma semana atrás, e a diferença não podia ser maior:




É realmente um espetáculo ver a alegria e a mudança de hábitos nesta cidade quando o sol dá o ar da sua graça :). Converge tudo para os espaços verdes, vê-se gente a andar de cavalo (!), a patinar, a andar de skate, a andar de barquinho no Serpentine, a passear os cães, a passear os filhos, sentados na relva a ler, a fazer uma sesta, a meditar, a namorar...



A palavra que melhor caracteriza o Hyde Park é 'extenso', não só por causa do seu tamanho mas principalmente pela impressão que dá: relva e mais relva e mais relva, sempre plano, com uma árvore aqui e ali mas sem grandes pormenores como outros parques londrinos têm. Não se vê muitos canteiros com flores, arbustos ou semelhantes detalhes de jardinagem. Perfeito para fazer um piquenique na relva ou, se se tiver idade para isso, simplesmente rebolar nela (quão eu invejo crianças).

A atração mais conhecida neste parque é o Speaker's Corner, que como o nome indica fica numa das esquinas do parque. Segundo consta, é tradição centenária deixar qualquer pessoa discursar sobre qualquer assunto naquele local. Epítome do direito à livre expressão, ainda hoje se podem ver (e ouvir) pessoas a discursar todos os domingos sobre os mais variados assuntos.


Outras atrações incluem o Holocaust Memorial, o 7/7 Memorial (em memória das vítimas dos atentados de 2005), e o Diana Princess of Wales Memorial.


Nível de esquilidade: baixo (lá está, não é suficientemente selvagem para que os esquilos se sintam à vontade)

Nível de avicidade: moderado (em contrapartida, o enorme lago gera grande felicidade para tudo o que e pato)

Nível de pombaria: elevado (er... é um parque, há pessoas potenciais portadoras de bolachas/pão, é claro que há pombos)

Nível de bambicidade: mínimo (não se verifica :( . Veados é coisa inexistente neste parque. O Henrique VIII deve tê-los caçado todos)



S.