quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Essays, Portugueses e Pânicos

Hoje foi um dia de preocupações académicas. Um daqueles dias em que tive de respirar fundo várias vezes para não começar a entrar em pânico.

Acontece que a aula extra sobre como escrever essays teve um efeito contraditório: fez-me ver que um essay não é algo inescrutável, como tudo o que é racional tem uma técnica (ok, não são nada de outro mundo, respira, até tens aqui uma folha com o que fazer e não fazer num essay! O que mais podes querer? respira..) mas por outro lado o que é exigido parece-me demais para mim.

Na aula de hoje de EU institutions a professora começou por explicar o que era esperado do essay final. Não, não é espetar bocados de livros sobre o assunto e não, não é dizer "eu defendo esta posição porque sim". Isso já eu sabia. Em teoria, porque na prática continuei a fazer isso - ainda que de maneira mais refinada - por toda a minha licenciatura todas as vezes (muito poucas) em que tive de fazer trabalhos de investigação. Basicamente lia-se alguns livros sobre o assunto e resumia-se os factos e as posições dos autores e estava feito. Dá cá um 18.

Ora o problema agora é que são pedidos estudos de caso. Dados empíricos que demonstrem os argumentos. Porque um essay (fiquei a saber hoje!) não é um resumo da literatura existente nem uma compilação de factos sobre determinado assunto; é antes uma tomada de posição controversa em relação a um tema muito específico, seguida - e esta é a novidade causadora do ataque de pânico - de informação empírica detalhada que apoie a defesa dessa posição.

Isto dá muito mais trabalho. Implica submergir nas bases de dados da União Europeia, vasculhar relatórios e actas de reuniões à procura de informação que suporte o nosso argumento. Quão mais fácil é dizer "eu acho que é assim porque o autor fulano disse que era assim, e ele sabe! porque fartou-se de investigar os documentos reais nas vastas bases de dados existentes"... Parece que agora não se pode fazer isso. Diz que os essays têm de ser trabalhos originais que acrescentem conhecimento e não sei quê.

De forma que comecei o dia bem, logo com um cheirinho do que a aula extra me iria relevar sobre esses temidos essays. E não melhorou. Estava eu a pagar o meu hot chocolate (amo amo amo) quando me deparo com a minha professora atrás de mim. "Ah, como é que estão a ir as coisas?", "Ah vão bem, tirando os mini-pânicos que se formam cada vez que penso nos essays finais. Vou agora assistir à aula extra sobre eles. Sabe, é que nunca fiz um." É aqui que ela arregala os olhos e diz "O que queres dizer com isso? Onde é que estudaste?!" O mini-pânico começa a formar-se. "Er, Portugal... Era tudo à base de exames." Ela tenta reconfortar-me: "Mas agora também tens exames, não é?", "Não, é mesmo tudo essays..." Os olhos arregalam-se outra vez e tenta disfarçar a preocupação: "Bem, tira muitos apontamentos na aula extra e se precisares de alguma coisa diz" assegura-me ela, lançando-me um sorriso reconfortante. Só não entrei em pânico completo porque tinha um hot chocolate comigo.

Pela primeira vez senti que a minha Univ Nova me tinha falhado. Preparação em trabalhos académicos foi algo que não tive como deve ser. Mas tive notas altas em trabalhos! Um método que foi altamente recompensado na licenciatura tornou-se inútil em mestrado.

Enquanto esperava pela aula conversei com a N. sobre dissertações e disse-lhe como achava que 10 mil palavras não eram assim tanto para uma tese de mestrado e como em Portugal eram 30 mil palavras. "A minha dissertação de licenciatura teve 50 páginas, tens alguma ideia de quantas palavras são?" Eu calei-me e chorei por dentro a ausência de hot chocolate para me reconfortar desta vez.

A amiga do lado: "De onde és?", "Portugal", "?!?! não pareces portuguesa! És tão branca e tens cabelo claro...". Hahaha, estereótipos são sempre uma fonte de imensa risada da minha parte :D . "Mas sou baixa, portanto isso qualifica-me como portuguesa.", "Ah, tens razão." A N. perguntou-lhe então como é que ela achava que eram os portugueses: "Então, são mais escuros e de cabelo preto". Gostei imediatamente desta rapariga :D.

A aula em si teve o efeito contraditório como já referi, mas pelo menos agora já tenho um plano sobre o que fazer e o que não fazer num essay, o que incluir e não incluir, as preocupações a ter. De forma que o balanço foi positivo.

Tal aula coincidiu com a preparação do meu primeiro essay em grupo. Será apenas um quarto do tamanho dos essays finais e já está a dar tanto trabalho :( . Como é suposto ser apresentado dá para ter depois em conta as impressões e os comentários da professora. Amanhã vou escrever a minha parte. Espero sobreviver para contar :D




S. 

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