Mostrar mensagens com a etiqueta Guia xenófobo sobre os portugueses. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guia xenófobo sobre os portugueses. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de julho de 2012

O guia xenófobo sobre os portugueses #2

Como disse no último post sobre o fantástico livrinho xenófobo, é verdade que o autor afirma várias coisas sobre os portugueses que eu não faço ideia onde foi buscar. Mas por isso mesmo vou partilhá-las; pode ser o meu conhecimento sobre os meus compatriotas que tem lacunas.

"Algumas lojas portuguesas ainda fecham para almoço e embrulham as nossas compras em papel e fio."

?? Não faço ideia onde este senhor inglês andou às compras aquando da sua pesquisa para o livro, mas o facto é que eu não me lembro, em toda a minha vida, de ter comprado alguma coisas e trazê-la embrulhada em papel e enrolada com um cordel. Inclusive, tenho vívidas memórias de infância da loja onde a minha mãe trabalhou durante anos e nunca a vi fazer isso. E nós vivíamos numa aldeia.

Outra:

"Em 1974, quando o exército português se rebelou contra as ordens do regime para subjugar os movimentos de independência nas colónias portuguesas, a música do cantor de folk e fado José "Zeca" Afonso foi o despoletador do que ficou conhecido como a "Revolução dos Cravos" ..."

O Zeca Afonso foi um fadista?? Sinceramente nunca me apercebi. Mas isto posso ser só eu...

Mas o que realmente mereceu um esgar de outraje da minha parte foi o seguinte:

"Apoiar uma equipa de futebol em Portugal é um assunto complexo. Se fores de Coimbra, serás com certeza um apoiante do Académica. A não ser quando o Benfica joga contra a Académica, pois nesse caso torcerás pelo Benfica. Ou podes ser apoiante da outra equipa mais operária de Lisboa, o Sporting."

Equipa operária?!?!?! Mas que confusões vem a ser estas?!?!?! A equipa operária da capital é o Benfica; que eu saiba o Sporting nasceu precisamente como equipa da elite! Aliás, não faltam entre nós portugueses as piadinhas entre a origem social de quem apoia as duas equipas. Ainda que hoje em dia já não haja a correlação entre equipa e classe social, é completamente errado afirmar que o Sporting é a "equipa mais operária" da capital. 

Enfim, deixo aqui provas empíricas para suportarem o meu argumento:






Como diz o Raminhos, no fundo vai tudo dar ao mesmo. ;)



S.


P.S. Já agora, os programas do Rui Sinel de Cordes, Gente da minha terra, e Gente da minha terra - Europa, são praticamente versões em vídeo destes guias xenófobos sobre diferentes nacionalidades e regiões do nosso país. Garantido, o humor negro e por vezes mórbido do apresentador determina que ele não agradará a todos e terá alguns problemas em Portugal (como teve). Mas a meu ver, é simplesmente certeiro e mordaz. À moda de um Frankie Boyle, quase.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O guia xenófobo sobre os portugueses

Há um tempo atrás deparei-me com uma coleção de livros na papelaria do Parlamento que me captou imediatamente a atenção. Trata-se nada mais nada menos do que guias xenófobos sobre várias nacionalidades. Ou seja, pequenos livrinhos de bolso que versam sobre as características de cada povo europeu sob o olho generalizador de um estrangeiro.

Muito me aborrecia nunca ter encontrado o que eu mais curiosidade tinha em ler: o que versava sobre os portugueses, claro está. Como os livros estavam arrumados numa prateleira giratória sobre o balcão, sempre que ía pagar qualquer coisa mirava-os tentando antever que preconceitos e estereótipos os autores teriam escolhido. Havia o guia xenófobo sobre os franceses, os suecos, os ingleses, os espanhóis, os irlandeses e afins. Foi só quando vi o livro sobre os estónios que pensei "Fogo, se se deram ao trabalho de escrever um guia xenófobo sobre os estónios tem que haver um sobre os portugueses!" Rodopiei o expositor giratório com toda a convicção e o meu coração deu um pulo quando li "Portuguese" na lombada de um dos livrinhos. Juntei-o ao envelope que ía pagar sem hesitação.




E se valeram a pena todos os cêntimos que dei por ele!

A capa começa bem. A antiga caravela mais o galo de Barcelos, como não podia deixar de ser, e até uma camisola da seleção mostra que em princípio os estereótipos estão todos lá. Segue-se um mapa para abrir a narrativa, bastante preciso, por sinal (fora o "The Alentejanas" que não faz muito sentido e que acho que era suposto ser "Os Alentejanos"):




Gosto especialmente do "void" na parte espanhola da Península. E dos "mouros" no norte de África. Depois temos como únicas terras apontadas Lisboa ("lettuce eaters" hahahaha!), Porto ("tripe eaters" hahahahaha!), Fátima e Olivença ("used to be ours"). "Começa bem", pensei logo eu.

Depois temos a brilhante descrição dos portugueses que eu achei acertada e que nos diferencia dos outros sulistas: 

"Podem estar na mesma turma que os europeus do sul, mas os portugueses são os alunos tímidos que se sentam lá atrás na esperança de não dar nas vistas. Ser português significa ser reservado: aquela exuberância gesticuladora pertence aos seus primos mediterrânicos."

...

Muito bem, sim senhora, aplica-se à generalidade dos portugueses que eu conheço. Mas claramente este senhor (inglês) nunca foi ao Norte.

 O livro lê-se numa hora, hora e meia. Ía-me deliciando com cada página que virava. Há coisas que não sei onde o autor foi buscar e que me fizeram exclamar "Hã?!"s mais do que uma vez, e palavras portuguesas mal escritas como "descenrascanço" (que o senhor inglês diz que é no que os portugueses são melhores) que me deram vontade de escrever e-mail para a editora a reclamar "Escrevam essa porcaria em condições!!! E em proofreading, nunca ouviram falar?!", mas no geral está muito bem conseguido. 

Acho que vou abrir nova rubrica para falar um bocadinho destes estereótipos e encher isto de citações do livro só porque sim (I'm lazy and I know it). Logo se vê.



S.