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domingo, 16 de janeiro de 2011

Surrealismo e Tudors

Ultimamente andava com a ideia metida na cabeça de que já tinha visto tudo o que há em Londres para ver, turisticamente falando. Dei voltas e voltas à cabeça e não conseguia arranjar um sítio que conhecesse onde ainda não tivesse ido. E isso estava-me a fazer muita confusão.

Os três dias passados com os meus primos em Londres foram de intensiva visita à cidade. Palmilhámos todos os sítios obrigatórios, entre eles alguns onde eu ainda não tinha estado, como a Torre de Londres, o Hyde Park, Kensington Gardens, St. James's Park e Piccadilly Circus. Ou melhor, onde ainda não tinha estado desta vez, já que na minha visita de estreia a Londres com os pais, em 2002, já tinha passado por esses sítios. Mas há coisas que só se vêem realmente com o state of mind certo :). A Torre de Londres é o melhor exemplo. Era de longe o sítio mais antecipado por mim na visita com os primos, uma vez que estou completamente imersa no mundo dos Tudors. A série que retrata os 6 casamentos de Henrique VIII, mais os livros de Philippa Gregory sobre o mesmo tema fizeram com que eu me deixasse fascinar pela Inglaterra quinhentista. Que melhor sítio para estar do que em Londres, vivendo a 20 min. de Hampton Court (palácio do dito rei) para me fascinar por essa época :D? Claro, a Torre é fulcral já que foi lá onde foram executadas duas das mulheres de Henrique VIII, mais um sem número de personagens históricas importantes, que ainda por cima aparecem na série. Tudo isto para dizer que desfrutei muito mais da minha 2ª visita à Torre, já que estava muito mais consciente da história e portanto mais atenta aos pormenores.Quando no início de janeiro, antes da ida a Portugal, fui a Hampton Court encerrei a lista de sítios antecipados que ainda me faltavam ver em Londres.

Esta semana, com a rotina normalizada e as aulas a começar, eu e a I. decidimos continuar os nossos passeios matinais de domingo. Não foi muito fácil ser inventivo, de maneira que nos voltámos para os museus grátis que abundam na cidade. Tate Modern. Er... A arte contemporânea é idiota. Por muito que me esforce por ser intelectual não consigo chegar a outra conclusão. Anyway, deu para as gargalhadas meio disfarçadas e para aprender alguma coisa: o surrealismo de Salvador Dalí vale sempre a pena. Tivemos a nossa primeira experiência de evacuação de emergência, já que o alarme começou a soar pelas galerias e fomos obrigadas a abandonar o edifício, juntamente com o resto dos visitantes. Pelas portas e escadas de emergência! Sempre quis passar por aquelas portas proibitivas. Mais uma experiência acumulada.

Com algum desapontamento nosso não foi nenhuma ameaça de bomba ou algo igualmente mítico, de forma que continuámos pela Millenium Bridge até à margem norte. Com a imponente St. Paul's Cathedral mesmo à minha frente enquanto atravessava a pé o rio e me deixava impressionar com a vista, ficou provado que Londres ainda me consegue surpreender. Sem esforço nenhum por parte da Sra. Cidade :).








S.   

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Aleatoriedades (singular)

Uma curiosidade que me deixou orgulhosa:

Churchill viveu uns anos em Hounslow, a minha actual cidade emprestada.

Orgulhosa porquê? Porque eu sou mesmo assim, ligo a estas coisas curiosas e históricas. E porque actualmente não há tempo para pensamentos mais profundos e desenvolvidos. :)

(random, random, I know)



S.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Waterloo

Dia de greve do metro em Londres é sinónimo de manhã chata. Implica pesquisa de rotas alternativas no dia anterior e meia hora a menos na cama de manhã. Considerando que já me levanto 2 horas e um quarto antes das aulas começarem, meia hora significa muito cedo.

Em dois meses e meio já é a terceira greve de metro que testemunho. É inteligente da parte dos senhores dos sindicatos escolherem o metro: metro londrino parado significa grande reboliço na cidade. Só nestes dias dá para perceber a importância deste transporte para a cidade. A confusão que se instala é enorme.

Mas é uma confusão com ordem. Comboios e autocarros ficam apinhados mas toda a gente sabe exactamente a alternativa a tomar para chegar ao trabalho/escola como sempre. Ainda que isso implique meia hora a menos na cama.

Londres tem uma coisa magnífica: o site de transportes. Nele metemos o ponto de partida e o ponto de chegada e dá-nos a rota a tomar para lá chegar. Mostra não só os diferentes tipos de transporte e as mudanças como o tempo máximo em cada um e o tempo estimado da viagem total. Nem é preciso explicar como isto já me foi útil em dezenas de situações. Refere também as linhas de metro que estão suspensas ou com atrasos em determinado dia, particularmente aos fins-de-semana. De maneira que todos os commuters londrinos sabem bem o que fazer quando há perspectiva de greve.

Uma viagem que costuma demorar 45 min demorou hoje o dobro do tempo. Apanhei um autocarro até a uma estação de comboio e aí apanhei comboio até à estação central de Londres para todos os comboios suburbanos: Waterloo. Não era suposto ser preciso tanto tempo, mas o comboio atrasou-se 20 min. Sardinha em lata é a expressão que melhor define a minha viagem até Waterloo. Sardinha em lata com pernas dormentes depois de 40 min em pé (somados aos 20 min à espera na estação dá uma hora. Já mencionei que estavam 0 graus? E que eram 8 da manhã?)

Depois é o terror tentar apanhar um autocarro, em dia de greve de metro, numa das estações mais movimentadas do país. Num papelinho levei todos os números que paravam na minha univ. Acabei por apanhar um que parou na rua de cima. Não é novidade. Consigo sempre fazer com que uma (aparentemente) simples viagem de autocarro se torne mais complicada. Ou é porque o autocarro não passa onde eu pensava, ou é porque tem de ir por um desvio ou é porque não tenho a certeza do nome da paragem. Autocarros não são definitivamente para mim. Já o metro foi o melhor transporte alguma vez inventado para grandes cidades. Leva-me do ponto A ao ponto B sem desvios, e como pára em todas as estações não há margem para engano. Se bem que o Tube tem algumas variações com que é preciso contar...

 Acabei por chegar um quarto de hora atrasada. Início de manhã atribulado tal como é suposto em dia de greve. Well done, senhores sindicais, you did it.

A viagem de regresso foi o agradável oposto. Se o metro é o melhor transporte inventado, o comboio é de certo o mais confortável. As carruagens são novas e as linhas bem mantidas. O que faz com que o comboio não ande mas deslize sobre os carris. Se juntarmos assentos confortáveis mais aquecimento no máximo e carruagens desertas não é difícil perceber o meu estado de contentamento na viagem de regresso.

Mas antes da viagem consegui maravilhar-me um pouco com a estação de Waterloo. Não era de todo a primeira vez que ali estava (3 greves de metro...) mas como tive de procurar nos placards qual era a plataforma e a que horas o comboio partia a observação foi especial. Fiquei uns bons minutos especada a olhar para os (mais que) muitos placards electrónicos com os destinos e as estações em que parava cada comboio. Há uma magia qualquer nestes espaços de partida e chegada, semelhante à dos aeroportos. E aprende-se geografia! Alguns nomes eram-me familiares, outros nem por isso. Da próxima vez já o serão porque lembrar-me-ei "Já vi o nome dessa terra nalgum lugar..." O sentido de orientação e localização melhoram também.

Por todas as estações onde passava o comboio havia sal espalhado na beira da plataforma. Mais um prenúncio da neve que teima em chegar...






S.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

England state of mind

Cambridge foi a minha primeira saída fora de Londres. A cidade que se tinha tornado num mundo imenso a ser explorado foi assim relativizada: é apenas um grande espaço inserido num espaço muito mais abrangente chamado Inglaterra.

Estava em pulgas para ter o meu primeiro cheirinho da Inglaterra rural, ou seja, vislumbrar a verdadeira essência do meu país adoptivo (por um ano). Porque Londres, fabulosa como é e apelando a todos os sentidos como o faz, não dá a conhecer a verdadeira "Inglaterra". Porque é uma capital e uma cidade cosmopolita,. Tal como Nova York, nunca pode ser expressão de um país só porque é um centro do mundo.

Ainda que uma auto-estrada não seja o melhor lugar para se observar as terras circundantes, deu para ter os meus primeiros vislumbres de pequenas aldeias no meio de campos, casas de telhados inclinados, e verde, tanto verde como em Portugal não é possível haver. E os subúrbios! Filas e filas de casinhas todas iguais, testemunha de um planeamento rigoroso e de uma uniformidade que chega a ser desconcertante.

A minha ideia de Inglaterra (ou mais concretamente, de Grã-Bretanha) é uma mistura de vários elementos que fui recolhendo ao longo das minhas muitas leituras. A Grã-Bretanha celta e druida das Brumas de Avalon, a Britannia romana, a Escócia de Julliet Marilier nas Crónicas de Bridei, Idade Média da Guerra das Rosas e dos Tudor, a Inglaterra das manor houses de Jane Austen e, claro, a Grã-Bretanha mágica/muggle de Harry Potter. Todas estas leituras, umas mais do que outras, contribuíram para formar uma imagem e identidade de um sítio que só agora comecei a explorar timidamente. É essa a beleza da literatura :) .

Cambridge.

Vila (ou cidade pequenina) que vive pela, em função e por causa da universidade homónima. Tudo fica perto de tudo, o centro é agradável e acolhedor, lojas que se encontram em todo o lado encaixadas no meio de lojas tradicionais. Toda a gente anda de bicicleta. Nas estradas há o perigo de se ser atropelado mas não por carros. Os gradeamentos das capelas e colleges estão repletos de bicicletas estacionadas e papéis que anunciam inúmeros eventos/palestras/meditações/reuniões. Cambridge tem a mesma atmosfera de Richmond, uma cidade nos subúrbios de Londres. Todos os serviços estão lá, nada falta, a não ser a confusão e dinâmica acelerada da capital. Há um cuidado e atenção pelo pormenor e pelo ordenamento da vila impossível na maior cidade da Europa.

As colleges funcionam nos mesmos edifícios imponentes em que foram inauguradas no séc. XV, o que é bastante desconcertante. Como é possível ter aulas num mosteiro?! Num mosteiro lindíssimo ainda por cima. E depois os claustros e os jardins verdíssimos e bem cuidados, onde uma pessoa tem sempre presente a noção que está dentro de um postal.

As portas dos escritórios dos professores parece que dão para quartos de monges! Dá a sensação que se as abrirmos de repente vamos encontrar um monge ajoelhado a rezar aos pés de uma cama de madeira com colchão de palha.

As bibliotecas devem ser inimagináveis...


 


 S.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010