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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Minha rica cunha

Estou neste momento na biblioteca da LSE, tentando concentrar-me na minha leitura mas falhando redondamente, porque não consigo bloquear a conversa de duas betas de Cascais de como com a sua educação LSEiana conjugada com as connections da mamã, vão ter uma grande vantagem no mercado de advocacia português.
 
Acho que devo ter vomitado um bocadinho para dentro.




S.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Saudades e feminismo em Belém

O síndrome da procrastinação para visitar coisas só me ataca quando sei que o tempo é indeterminado. Quando não é, até planeio e aponto o que ver e quando na minha agenda. A lápis, para dar espaço à espontaneidade, mas ainda assim um bocado à maníaca da organização do tempo.

É por isso que tenho andado numa espécie de roda-viva a visitar sítios por este Portugal que, aquando em Bruxelas, me andaram a fazer cócegas ao espírito. Isto das saudades tem muito que se lhe diga e eu tenho descoberto que é das coisas mais aleatórias que eu sinto falta: das waffles de uma barraquinha que só aqui aparece no verão, do Cais das Colunas no Terreiro do Paço, do Cascaishopping (wtf, não meto os pés lá há anos!), da vista do mar no cimo da minha (dos meus pais? bah, isto de "casa" tem muito que se lhe diga) rua, do pêlo do meu cão que já não cá está, dos olhos do que está, de jantar com os meus pais, de deambular pela Baixa, de olhar o Palácio da Pena pequenino no topo da serra, de subir uma estrada aqui perto e ver uma bela porção da costa portuguesa aparecer como quem destapa um pano de repente, do Parque Eduardo VII cheio de barraquinhas brancas com livros, de sentir areia debaixo dos pés descalços. Lisboa, por estranho que pareça porque nunca lá vivi, é sempre o que se apresenta mais forte quando perscruto na minha alma lusa a definição de "Portugal". É assim um misto de Belém, muito Chiado, alguma Baixa, e um bocadinho de Saldanha. Mas mais Chiado. É por isto que não consigo vir a Portugal não indo dar uma volta qualquer a Lisboa também. A visita ao país natal fica incompleta se não o fizer. E claro que tendo lá meia dúzia de caras e espíritos dos que mais falta me fazem torna a volta a Lisboa inescapável.


Mas desta vez, a ida a Lisboa incluiu uma paragem especial. Desde que ouvi falar da sua abertura há umas semanas atrás que me lastimava por não cá estar e poder lá ir deitar um olhinho. Falo da biblioteca pública feminista em Belém. Fica na Biblioteca Municipal de Belém e é uma sala dedicada ao estudo do feminismo. É claro que lá tive que ir.


  



A minha intenção em relação ao sítio era pura e simplesmente satisfazer a curiosidade. Queria saber a dimensão, o tipo de livros que tinha e se era vocacionada para a história do feminismo em Portugal (que, se tudo correr como espero, me seria mesmo muito útil daqui a um ano) ou se era mais generalista. Após uma pesquisa atenta e deliciada pelas lombadas dos livros expostos fiquei contente por ver que os grandes clássicos feministas lá estavam, incluindo obras de Germaine Greer, Betty Friedan e, claro, Simone de Beauvoir. Fiquei com a impressão que é uma coleção que, apesar de mais pequena do que estava à espera, é bastante abrangente, tendo livros de pura literatura de ficção que às vezes me fizeram suspeitar que ali estavam apenas por terem sido escritos por mulheres, obras mais filosóficas sobre o que é ser mulher e a condição da mesma ao longo dos tempos e em vários países, bem como livros que analisam políticas que influenciam a condição da mulher como o divórcio, as leis laborais e as licenças parentais, etc.


Eu fui um bocado gananciosa e levei para a mesa estes 4 livros, embora só tenha conseguido dar atenção - e nem sequer a devida - ao da Maria de Lurdes Pintasilgo. Aguçou-me a curiosidade o facto desta mulher ter sido uma feminista e, o que é mais, ter escrito sobre o assunto. Ela auto-declara-se uma feminista católica, o que é ainda mais interessante porque as duas coisas são normalmente contraditórias na sua teoria. Não lhe consegui ler o livro todo mas gostei mesmo muito do que li. É uma coisa muito terra-a-terra, explicando coisas elementares mas basilares como o que é o feminismo e o sexismo, não deixando que aquilo seja mero dicionário mas deixando transparecer que a autora pensou, remoeu e fez a comparação com a realidade sobre os temas que ali fala. Fiquei extremamente interessada em conhecer mais sobre esta figura da história recente portuguesa.

Era a única pessoa ali - quase na biblioteca toda, aliás - e isso deixou-me um bocadinho desanimada. Na minha ingenuidade, estava à espera que às duas da tarde de um dia de semana em julho aquilo estivesse compostinho mas pelos vistos não conheço bem muitas bibliotecas públicas. Bom, uma coisa é certa, é um lugar ideal para ir trabalhar frequentemente...



S.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Sobre monogamia e bibliotecas

Tenho para mim que sou pessoa de uma pessoa só. 

Nunca gostei de ter muita gente na minha vida. O dito 'conhecidos tenho muitos, amigos tenho poucos' nem sequer se aplica a mim. Amigos conto pelos dedos das mãos, mas conhecidos também não abundam. Tenho dificuldade em relacionar-me com pessoas no geral, sou inapta em conversa situacional, meço ao centímetro o que digo na presença de quem me quer bem, e ao milímetro o que digo na presença de conhecidos e/ou estranhos (uma pessoa conhecida pode ter a qualidade de 'estranho'. Vice-versa já é muito mais raro). 

Nada disto é novidade para mim, nem tem nada de extraordinário. A verdade é que hoje, durante a minha viagem de autocarro, me apercebi de um padrão. De dois, vá. Um, que as viagens de autocarro (só as de volta) estão a tornar-se frutíferas em epifanias. O outro, que sou pessoa de uma pessoa só.

Nos vários ambientes nos quais girou a minha vivência quotidiana, fossem eles escola, faculdade, Londres, trabalho, a minha tendência foi sempre a busca de alguém essencial. Mas uma pessoa essencial não necessariamente para todo o ambiente, mas sim uma pessoa essencial para determinado momento. Uma única pessoa com a qual a afinidade, nem que fosse apenas por algumas horas por semana (no caso de determinada aula na faculdade, por exemplo), fosse máxima. Nas minhas relações pessoais tendi sempre para uma melhor amiga, uma pessoa que na ausência de tudo o resto me bastasse. É uma característica absolutista, eu sei. Vem-me da infância. Old habits die hard. Quem subestima a sua infância corre o risco de não se conhecer sinceramente. E de não ser capaz de identificar padrões que se repetem por longos anos, às vezes uma vida inteira. O meu, é o absolutismo nas relações sociais. Um absolutismo não de sinónimo de ditadura, mas de sinónimo de único, exclusivo, individual.

É por isto que raramente sou feliz em festas grandes, em jantares disto, em almoços daquilo, que por definição envolvem muita gente. Fico como que à deriva. Afundo-me na multiplicidade de vozes e de personalidades que se entrecruzam nesses ajuntamentos. Esgoto-me mental e emocionalmente. A não ser que haja mais uma pessoa, pelo menos uma pessoa com quem possa exponenciar uma afinidade exclusiva. Assim sou feliz. E divirto-me. No fundo porque bloqueei as múltiplas maneiras de estar e entrei em sintonia com uma só.

Então, volto a dizer. Sou pessoa de pessoa só. Nasci naturalmente monogâmica. Pessoa de homem só, pessoa de amiga só (não de única amiga, mas de amigas com características únicas, com quem sinta afinidade em diferentes coisas, para momentos individuais). Pessoa de conversa só. Gosto de conversas a dois. Gosto de olhar nos olhos da outra pessoa, perceber que me está a perceber, de ter atenção reservada e de dar a minha atenção individida. Seja numa conversa de chacha seja numa conversa íntima. Daí que a minha voz seja serena e menos audível do que por vezes deveria. Que odeie falar ao telefone. E que seja má em debates. 

Mas que adore ler. Ler é o epitome da exclusividade de atenção. É o estabelecer de uma afinidade completa e individida com determinado autor, num determinado momento. Por consequência (epifania!), a biblioteca só poderia ser o meu local favorito. Afinal, não tem apenas que ver com o meu nerd 'eu'; é o lugar onde existem potenciais afinidades exclusivas a estabelecer! É, tão-só, o meu sonho social. 



S.    

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Auf Wiedersehen, London

Visitar sítios e questionar se será a última vez que ali passamos não é uma sensação agradável. Mas não está a ser tão dolorosa como pensei.

No fim de maio voltamos para Portugal, o que significa que tenho um mês para me despedir de Londres. Não sei bem o que sinto a respeito disto, mas pânico já não é e dor acho que também não. Mas tal deve ter muito que ver com mais uma mudança que tenho no horizonte. 

A verdade é que Londres já foi explorada à exaustão e não irei embora com a sensação de que não vi o que devia ver. Se vi tudo? Claro que não. Londres é a maior cidade da Europa, dá para viver aqui uma vida inteira e continuar a ser surpreendido uma e outra vez. Agora, Inglaterra, isso já é outra história. Irei embora daqui com a sensação de que não conheço, nem de perto nem de longe, o que gostava do Reino Unido. Não fui à Escócia, não fui ao País de Gales, não fui à Cornualha... Mas se há coisa que aprendi neste último ano foi a não achar que conheço o meu futuro. Porque há um ano ainda nem sabia que estaria a viver aqui, a estudar na King's e a preparar uma dissertação em igualdade de género. Por isso quem sabe onde estarei daqui a um ano.

Não pareço a mesma rapariga que escreveu sobre o seu pânico de voltar a Portugal há uns posts atrás. Mas tal em muito se deve ao facto de não ficar lá indefinidamente. Viena espera-me em setembro e 6 meses lá nos aguentaremos. O entusiasmo ainda não bateu verdadeiramente mas acho que também nunca estive extrovertidamente entusiasmada antes de vir para Londres. Começo a pensar que sou mesmo assim, não acredito subsconscientemente nas coisas até as viver e continuo desconfiada até ao último minuto. É um 'viver de pé atrás', uma ação natural de proteção contra desilusões na vida. Sei que uma das primeiras coisas em que pensei quando soube que ir para a Viena era uma forte possibilidade foi: 'Áustria tem reis? Se tivesse posso continuar a escrever neste blog sem lhe alterar o título...' Nunca escondi o meu apego à insignificância.

O que já pesa é a certeza de mais uma aventura, um sítio diferente a fazer algo de diferente, e isso para a minha paz de espírito neste último mês em Londres é fundamental. O regresso a Portugal é assim não mais do que um interregno entre duas emigrações, um respirar fundo antes de novo mergulho no desconhecido. Porque já percebi como estes mergulhos são viciantes, oh, se são... Só custa o primeiro, porque envolve cortar as raízes e isso é o mais difícil. Uma vez cortadas, e depois de uma experiência bem sucedida, o que nos impede de voltar a repetir? Nada. O mundo passa a ser visto como um espaço de possibilidades e, haja vontade, a mudança torna-se sempre possível. No meu caso não o mundo, mas sim a Europa. A Europa é o meu espaço de conforto, de familiaridade e de felicidade. Porque sei que estando na Europa, tenho tudo o que preciso, conheço as regras, aceito os costumes, estou em casa. Eurocêntrica? Muito. Apenas porque é o meu espaço civilizacional, é onde me sinto bem e em casa. É onde quero estar. 

É recomendado que faça uma lista de sítios que quero (re)visitar antes de abandonar Londres e o Reino Unido. Não. Tenho medo de me voltar a apaixonar por Londres e a saída ser dolorosa. Por isso este último mês não vai ser gasto a ir a todo o lado que nem uma maluca, a visitar o que falta, a revisitar museus, parques e monumentos, a ver musicais e peças só porque é suposto e porque posso já não voltar a ter hipótese. Porque não é assim que quero relembrar Londres (como turista histérica). Quero que as memórias desta cidade sejam naturais e espontâneas, e que não seja através deste último mês que me vá lembrar da cidade no futuro. E porque despedir-me de todos estes locais seria admitir que não vou voltar mais e isso para mim é inconcebível. Por isso este último mês será passado entre casa e a biblioteca porque tenho uma dissertação em que pensar e que escrever antes de setembro e portanto muito trabalho que fazer. 

E que melhor maneira de me despedir da cidade do que passar tempo numa das suas bibliotecas, o único sítio no mundo verdadeiramente universal, onde consigo flutuar num limbo maravilhoso onde nem espaço nem tempo contam, só o livro que tenho na mão?...






S.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Apresentações e mortificações

Amanhã é a minha apresentação na King's. Apresentação que no fundo tem mais de sessão de esclarecimento sobre o curso, as disciplinas e a tão temida tese. Amanhã é também (finalmente!) o dia para inscrição nas disciplinas.

Estou um bocado desapontada comigo mesma. Não tenho lido livros sobre a UE, não tenho lido jornais, revistas, não tenho visto telejornais, nada que contribua para uma mente informada que deve ser a de um estudante num curso de mestrado sobre a UE. Li mais livros de estudo sobre a UE enquanto trabalhei nas piscinas do que agora que não faço nenhum.

E o pânico começa a surgir dos recônditos dos meus pulmões (sim, o pânico forma-se nos pulmões) se começo a pensar seriamente que daqui a um ano vou ter de estar a apresentar uma tese sobre um tema original pesquisado, analisado e concluído por mim. Wtf!! Que sei eu de inovador para apresentar ao mundo?

Isto não é falsa modéstia. Li livros suficientes sobre a UE para chegar à conclusão simples de que eu não sou capaz de fazer parecido. Sou sucinta demais. E tenho a mania que é necessário explicar sempre mais do que o que é realmente preciso. Ou seja, meto pouca informação e a que meto era provavelmente desnecessária.

E o riso descontrolado que me apetece soltar quando penso que vim estudar União Europeia precisamente para o seu Estado-membro mais relutante? Quem sabe se este paradoxo não virá a dar material para um esboço de tese...

O ponto que aguardo com mais ansiedade amanhã é a visita guiada à biblioteca da universidade. Bibliotecas são dos meus sítios preferidos no mundo. E esta foi uma das frases mais nerds que já disse. Mas é a verdade. Ter a possibilidade de vasculhar livros numa biblioteca enorme como aquela fascina-me. E ainda bem. Parece-me que vou passar várias horas dos próximos meses nesse lugar fascinante.


 



S.