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sexta-feira, 1 de julho de 2016

História nacional done right

"O transporte de trabalhadores escravos de África, iniciado pelos Portugueses para o desenvolvimento do Brasil, não tardou a envolver as colónias espanholas, inglesas, francesas e holandesas da América. Esta deslocação forçada de um número de indivíduos estimado em doze milhões provocou uma quantidade enorme de mortes, durante a viagem e nos primeiros anos de cativeiro. A imposição do domínio português em portos cruciais (e no território circundante) de África e da Ásia causou a destruição de famílias, comunidades e grupos étnicos, bem como o desmembramento de sistemas culturais e políticos. Por estas razões, a publicação deste livro carece de toda e qualquer natureza comemorativa. Ao escrevermos história, a nossa intenção é ir além de uma apropriação ideológica do passado e desconstruir conscientemente os sucessivos mitos que foram criados por várias historiografias. A necessidade de reescrever a história da expansão portuguesa decorre da nossa recusa de perspectivas ideológicas ou nacionalistas específicas; o nosso objectivo é superar as camadas de historiografia retrógrada que ainda são comuns."

in A Expansão Marítima Portuguesa 1400-1800, Francisco Bethencourt e Diogo Ramada Curto (eds)


Página 5 e já estou a gostar muito deste livro.



S.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A explicar como isto do sexo e do género é complicado

- O Transparent é capaz de ser uma das melhores séries dos últimos anos, de tão bem interpretado e com tão bons diálogos (e nem precisa de dragões);

- O Middlesex é page-turner desde o primeiro capítulo (obrigada, Febre dos Fenos, não vou mais largar o Jeffrey Eugenides);

- O Mein Freund aus Faro foi uma surpresa das grandes, pensando que ia juntar Portugal e alemão acabei foi com questões de identidade de género pelo meio;

- O Berlin 36, baseado numa história verídica, junta gajas a darem baile aos nazis com questões intersexuais*.





S.

* os filmes alemães a que tenho acesso parece que cabem em duas caixas perfeitinhas: ou filmes sobre segunda guerra mundial ou filmes sobre pessoal transgénero (se alargar esta última caixa a 'feminismo' ainda posso, mesmo que um bocadinho forçosamente, juntar o Hannah Arendt)  

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O encantamento da maternidade

Every year we set aside
A very special day
To remind you, Martyr Dear,
That home is where you stay.

Your family wants do thank you
For your martyrdom
After all, without you
No real work would get done.

While Hubby challenges the world
His wonders to perform
You cook his meals, clean his home
And keep his bedside warm.

Your children are your challenge,
In them your dreams are sown,
You've given up your own life
And live for them alone.

Now look upon your daughter
Will she too be enslaved
To a man, a home, a family
Or can she still be saved?

This is your real challenge -
Renounce your martyrdom!
Become a liberated mother
A woman, not a "mom".

Mother's Day Incantation, by WITCH (Women Interested in Toppling Consumer's Holidays), submovimento da segunda vaga feminista de finais da década de 60, inícios de 70.

Tirado do incrível abre-olhos que está a ser o livro The Mommy Myth - The Idealization of Motherhood and How It Has Undermined All Women (das autoras Susan J. Douglas e Meredith M. Michaels). 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

I got 99 problems but weight ain't one



Já há muitos anos que não vou. Não há altura que me parta tanto o coração de não estar em Portugal como este fim de maio/inícios de junho, por causa das barraquinhas brancas alinhadas pelo Parque Eduardo VII abaixo.

Mas uma vez que em julho vou ter muito tempo também fui à feira do livro. Mas como vou ter pouco espaço, fui virtualmente.


Feminismos:











Historicismos:





Humorismos:




Ficcismos:







Corridismos:



Linguismos:




Nerdismos:




Outrismos:






Sou capaz de me ter excedido, mas bom, que se lixe. Não tarda os meus hábitos de leitura vão ser controlados por forças exteriores à minha vontade, é bom que aproveite agora.




S.

domingo, 11 de maio de 2014

"É difícil ser português hoje em dia"

2014 é ano de aniversário redondinho de vários acontecimentos históricos que me interessam particularmente: os 40 anos do 25 de Abril, os 70 anos do desembarque dos Aliados na Normandia, e o centenário do início da Primeira Guerra Mundial. Visto que nenhum dos três conheço em proporção igual ao interesse que me despertam, ando de olhos abertos para tentar descobrir os melhores informadores sobre estes acontecimentos. Para o 25 de Abril, a escolha foi fácil e rápida.




Andava há uns anos a querer saber mais sobre o papel da CIA durante o PREC e a forma como os americanos e europeus ocidentais sustiveram a respiração durante o "Verão Quente" de 1975. Este ano, queria comemorar os 40 anos do fim do Estado Novo alargando o meu conhecimento sobre o golpe de Estado. Assim que me deparei com este livro num programa qualquer da RTP Internacional nem precisei de procurar mais: matei dois coelhos de uma cajadada. Culpem a minha educação em Relações Internacionais mas eu só me consigo interessar por assuntos internos na medida em que estes se relacionam com o exterior. De modo que um relato de como a nossa Revolução dos Cravos e os meses conturbados que se lhe seguiram foram analisados por jornais internacionais tornou-se o livro perfeito sobre o 25 de Abril.
 
É um livro verdadeiramente delicioso. Foi o primeiro livro de papel que comprei em muitos meses e a razão (para além de não existir versão eletrónica) foi a quantidade enorme de ilustrações, cartoons e capas estrangeiras alusivas à Revolução e ao PREC que o livro reproduz. O livro é uma obra fabulosa de documentação de reações jornalísticas a este período pela parte de cerca de 100 publicações de 20 países diferentes. Muita hora a consultar jornais por essas capitais fora, este livro.
 
Os autores vão descrevendo as reações aos acontecimentos caóticos que se sucediam em catadupa através de citações desses jornais e de cartoons da época, o que torna o acompanhamento das descrições muito fluido e por vezes humorístico. Temos assim um relato do 25 de Abril e PREC através de olhos exteriores.
 
Três ideias em especial me despertaram o interesse:
 
1. "Certamente que vale a pena evitar a guerra civil quase a qualquer preço. Mas é difícil perceber como é que pode ser evitada, a não ser que os radicais no interior do MFA abandonem as suas tentativas de continuarem a empurrar Portugal à força para a esquerda." (The Times, 1 setembro 1975)
 
Quase todos os analistas estrangeiros, numa altura ou noutra, acreditaram piamente que Portugal caminhava para uma guerra civil. E se calhar seria inevitável, não fosse o temperamento do povo português, que muitos deles também exaltam:
 
2. "Até agora, os portugueses testemunharam sempre a sua repugnância pelo uso da violência física. Perguntamo-nos em que outro país da Europa se poderia desenrolar um tal processo revolucionário sem que soldados ou civis recorressem às armas." (Le Figaro, 7 agosto 1975).
 
A nossa revolução foi realmente excecional pela ausência de sangue e as profecias ao longo do ano e meio que durou o PREC não se realizaram.
 
3. "É importante que Brejnev deixe claro que vai desencorajar os seus amigos em Portugal quanto às posições extremas que têm vindo a assumir. Os comunistas portugueses apoiam-se nas espingardas dos seus aliados do exército para se apropriarem de um poder não representativo. Se isto prosseguir com a bênção russa, [...] o conceito de desanuviamento [...] devia ser revisto. O presidente Ford deve dizer aos russos que têm de levar Cunhal e o general Gonçalves a desistir da sua tentativa de, pela força, impedir uma larga e crescente maioria de, em Portugal, dirigir o seu próprio país como a democracia liberal que ambiciona." (The Economist, 16 agosto 1975).
 
Eu pensei que o PREC tinha tido a mão da URSS e que Portugal tinha sido uma espécie de fantoche vigorosamente disputado, ainda que de forma dissimulada, pelas duas superpotências durante e logo após o 25 de Abril, até ter sido claro em finais de 1975 que seríamos mesmo uma democracia pluralista. Afinal, a URSS não tinha nenhum interesse em que Portugal se tornasse um satélite comunista, isto porque os soviéticos não tinham capacidade de sustentar o PCP e o país como haviam feito com Cuba, porque seria muito difícil mobilizar tropas para aquele retângulo tão geograficamente ocidental, e porque em 1975 houve o plano de desanuviamento entre as duas superpotências no sentido de manterem o mundo no equilíbrio em que estava e com as divisões previsíveis da altura. Há ainda a curiosidade paradoxal de o PCP ser quase mais comunista que Moscovo e Brejnev chegar mesmo a discordar da ortodoxia do Partido Comunista Português. Bizarro.
 
Concluindo, foi um livro que gostei mesmo muito. É um relato minucioso sobre o ano e meio que se seguiu ao 25 de Abril mas que acaba por não ser chato pelos comentários e citações dos periódicos estrangeiros e pela míriade de cartoons em cada página.




S.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O vendaval da leitura


a ler Wuthering Heights stop há muito tempo que não conseguia não pousar um livro stop telegrama escrito em pausa para wc stop embrenhar outra vez leitura stop



S.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Aprender a andar de bicicleta com rodinhas

Por falar em livros que despoletam boas memórias:


Porque não? Se foi assim que aprendi inglês...

Lembro-me perfeitamente de começar a Pedra Filosofal na versão original e com a tradução portuguesa por baixo, seguindo frase a frase a história em ambas. Não há motivação maior para acelerar o conhecimento de uma língua do que saber que o próximo volume sai quatro ou cinco meses antes da tradução em português... 

Sei perfeitamente que ainda assim o meu nível de inglês quando comecei a ler HP na versão original era melhor do que o meu nível de alemão agora. Mas o meu conhecimento de HP agora é imensuravelmente maior do que na altura, chega a ser embaraçoso mesmo, por isso é capaz de equilibrar. Não sei linhas de cor, credo, não cheguemos a tanto, mas conheço a história o suficientemente bem para não ser capaz de me perder, mesmo que haja avalanche de palavras estranhas.

Portanto, plano para os próximos meses: ler o livro acompanhado com a versão em audio (sim, eu não faço as coisas por menos. Se é para aprender, É PARA APRENDER). Quando descobri o maravilhoso mundo dos livros audio - também no universo HP e porque queria treinar o meu ouvido inglês - passava horas e horas deitada no sofá muito sossegadinha a ouvir o senhor Stephen Fry a contar-me histórias, a fazer as vozes das personagens e a pronunciar as feitiços em latim muito cómicos. Era capaz de meter impressão para terceiros porque eu passava literalmente horas a olhar para a parede ou para o teto desfocadamente, com os fones a debitarem-me história diretamente no ouvido. Parecia que tinha perdido o gosto pela vida ou assim. 

Depois veio a fase do ler alto, mas não vamos já enlouquecer. 



S. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Ele há coisas... #34

Devia inaugurar aqui uma rubrica intitulada "Como é que demorei mais de um ano a decidir-me a visitar isto?!". A Filigranes figuraria aqui, Bruges, Antuérpia e, pensando bem, TODA e qualquer cidade belga exceto Oostende, bem como o Parque de Tensboch há umas semaninhas e o Cook & Book hoje. Sou estupidamente preguiçosa para visitar coisas. Procrastino indefinidamente, porque aqui vivo por tempo indefinido e penso que "um dia destes vou". Mesmo coisas que sei que iria gostar muito e mesmo havendo a forte probabilidade de me fascinarem. 

Foi numa tarde quente e soalheira (como atesta esta foto de porção de céu bem azul) que o Cook & Book passou a figurar na rubrica "Como é que demorei mais de um ano a decidir-me a visitar isto?!". Conheci-o sensivelmente um ano após ter ouvido falar dele pela primeira vez e não ter percebido como podia tal coisa existir. "Como assim, uma livraria onde se almoça?!"


Mas é precisamente isso que o Cook & Book é: uma livraria onde se almoça. Não é uma livraria ampla como uma Fnac. É ao invés constituída por uns cinco edifícios dispostos em semi-círculo, cada um com a sua livraria especializada (incluindo uma britânica, uma de ficção, de artes, de viagens e uma discografia), e com esplanadas à porta. 


Além dos habituais cafés/refrescos/aperitivos que é suposto uma esplanada ter, aqui servem-se almoços também. É muito famoso o brunch domingueiro e o C&B tornou-se local popular pós-trabalho, tanto por ser um sítio original e agradável e devido às suas horas de abertura extraordinárias: todos os dias até às 21h e aberto ao domingo.


No interior, cada livraria está decorada a preceito. A da ficção tem um teto incrível, onde parece que chovem livros:


Mas o que é verdadeiramente original nesta livraria é o restaurante ao pé do livro. Cada edifício tem uma zona no centro da sala onde se servem os brunches e que está separada das estantes por muito pouco.




Ou por nada:


Não sei se é suposto as pessoas pegarem em livros enquanto comem, se há alguma restrição, se se confia no bom senso dos clientes, como é. Mas acho que a ideia é tornar a livraria um espaço vivido, onde as pessoas vivam realmente e não apenas uma loja onde vão comprar um livro de fugida. Esborratar a linha que separa a hora de comer da hora de ler. Pessoalmente não consigo imaginar melhor programa para um domingo do que almoçar virada para a prateleira dos guias de viagem, fitando obsessivamente o da Escócia enquanto mastigo o meu strogonhoff de frango, ou beber um chá acompanhado de uma tarte de maçã enquanto olho de forma sonhadora os livros da Mireille Calmel, a qual descobri há pouco tempo (romances históricos ingleses são o meu guilty pleasure há muuuito tempo. Daqueles que falam da perspetiva de uma mulher. Acho mesmo que foram as Brumas de Avalon que despertaram em mim o feminismo, muitos anos antes de saber o que isso era sequer). 


Pormenor delicioso: a casa-de-banho no C&B tem prateleiras com livros. Levando a literatura a toda uma outra dimensão.


Um dia destes lá farei um brunch (lá estou eu a procrastinar, oh. Nada de data concreta, antes um "um dia destes", "quando tiver tempo", etc. Fraquinha.), nem que seja só para descobrir se é suposto as pessoas lerem enquanto comem, se o fazem, ou se é só nos intervalos entre um prato e outro.



S. 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Amazon intriguista

Ontem recebi um email da Amazon, daqueles de publicidade diária, que é abrir e delete instantâneo. Só que este era diferente. Vinha endereçado a mim pessoalmente. E falava de como estavam interessados num livro que eu tinha comprado há uns tempos, e se por acaso eu não o queria trocar.

Oito da manhã é ainda assim muito cedo para processar informação inesperada e com um wtf larguei o botãozinho delete e guardei para ler mais tarde, com tempo e sem pressas matinais.

E foi assim que descobri o Amazon Trade-In. 

Oh, que maravilha de sistema! Ao que parece, a Amazon estava-me a perguntar se eu por acaso não estaria interessada em enviar de volta um livro que comprei há uns dois anos e receber dinheirinho do bom por ele. Dado que o livro em questão é um daqueles calhamaços teóricos que se compra para uma disciplina e nunca mais se volta a pôr os olhos em cima, ia chorando de alegria. Queres o meu livro? Oh, querida Amazon, tomai-o! Em troca recebia um voucher para gastar livremente pelas Amazons desse mundo.

Aquilo imprime-se umas etiquetas postais pré-pagas, envia-se para a Amazon, eles avaliam se o livro está em bom estado, e ou o aceitam e enviam o voucher amado, ou rejeitam e enviam de volta o livro, de graça. Que desvantagem há aqui? Nenhuma!

Exceto que não se aplica às "Amazons desse mundo". Aplica-se à britânica unicamente. E os envios dos livros têm que ser feitos de e para o Reino Unido. Daí que o email se tenha referido àquele livro em concreto; um livro que comprei quando vivia em Londres.

Chorei lágrimas sofridas.

Oh Amazon, porque me tormentas assim! Vivia feliz na ignorância do sistema Trade-In, para quê me o introduzires se não tenho como o usar? É para me esfregares na cara que já vivi em Londres e já não vivo, é? Espeta mais a faca, sua bandida. Como se fosse preciso.

Odeio quando websites se armam em espertos. "S., olha só este novo sistema que temos aqui, o Trade-In. Muito útil para trocares livros que estão a ganhar pó em casa por dinheiro, e até tens este aqui que queremos muito. Aaah... Já não vives no UK. Uuups..."

Estúpida.





S.

sábado, 9 de março de 2013

Feira do Livro: versão indoor

Continuando no tema dos livros, hoje foi dia de visitar a Foire du Livre de Bruxelas. Não estava com expectativas de comprar nada, já que a língua em questão, aliada ao meu cada vez mais especializado gosto e à preferência pelos e-books, tornava a tarefa de encontrar algo que me fizesse puxar da carteira mesmo muito díficil. Da carteira tive que puxar na mesma, uma vez que para meu enorme espanto e indignação a entrada era paga. Sim senhora. Autoridades bruxelenses sempre a promover a cultura. Deu-me logo uma grande pontada de saudade no coração da maravilhosa Feira do Livro de Lisboa, aquele Parque Eduardo VII cheio de filas e filas de barraquinhas de livros, muito sol, muita luz, muito calor, ar livre, um passeio anual que não falhava. Levantei o queixo do chão, engoli a indignação e puxei da nota sem reclamar. 



"Um dia o Obama pediu ao Harry Potter para transformar o seu inimigo em sapo." Quem terá sido este inimigo de que eles falam, hum? Será que o Mitt Romney passou a pertencer à classe dos anfíbios e ninguém deu por nada?

A certa altura ainda pensámos que o bilhete de entrada podia ser como nas discotecas e tivesse livro incluído (não tinha). Paga-se mesmo só pelo privilégio de poder ir ver e comprar livros. Hahahaha, está boa, esta.

Tinha muitos livros interessantes e originais para crianças, algo que desconfio que os belgas são bons, uma vez que já tinha reparada na livraria do aeroporto umas coisas engraçadas. Não sei se tem alguma coisa que ver com a tradição de bandas-desenhadas e ilustrações. Isto trouxe-me um sorriso aos lábios:




Tenho que confessar que me senti muito deslocada, naquela feira. É mesmo muito estranho percorrer quatro pavilhões enormes (ao jeito da FIL de Lisboa) e não encontrar um único livro que se conheça, nenhum nome de autor que ressoe. Ali dei de caras com o quão superficialmente conheço o meu país de acolhimento, a sua literatura contemporânea e clássica, essa parte tão fundamental da cultura e identidade de um povo. É uma coisa que me incomoda, põe-me desconfortável e, ao invés de me fazer querer ler mais sobre a Bélgica, agarrar numa História deste país, faz-me ter vontade de fugir daqui a sete-pés, enroscar-me nos braços da cultura britânica, numa língua que eu conheço não só as palavras mas também e fundamentalmente o tom. Não me é nativa como a visceralmente portuguesa, mas precisamente por estar a meio caminho entre a belga que desconheço e a lusitana que me está entranhada, dá vontade de profundar mais e mais.

Nunca lá fui a feira do livro alguma.

A União Europeia tinha uma secção num dos pavilhões, onde figurava uma imagem gigante da sala do plenário de Estrasburgo, uma imagem com quase todos os atuais deputados e com sinais a indicar que grupo político se senta onde.   



Os 20 deputados europeus belgas tinham direito a fotos maiores, e a senhora responsável pela secção deu-me placas com os nomes deles todos para eu tentar adivinhar quem era quem. Fiquei ainda mais desanimada por ver que nenhum deles me ressoava na memória, muito menos seria capaz de juntar nome e cara. Lá acertei um que me lembrava de ver nas reuniões de igualdade de género no PE, nem tudo esteve perdido.

Saí de lá de mãos a abanar, um niquinho triste pelo sentimento de alienação mas de bons espíritos. Afinal, a experiência foi partilhada com quem mais importa e portanto os risos somados e a tarde diferente pesaram bem mais na balança das experiências. E uma História da Bélgica pode já vir a caminho...



S.  

quinta-feira, 7 de março de 2013

Filigranes

Ora então, perguntam vocês, o que vai esta feminista fazer no Dia Internacional da Mulher? Nada, respondo eu.

Não é nenhuma ação deliberada, contestatária ou o que quer que seja; simplesmente vou estar a trabalhar (o meu horário laboral entretanto alargou) e não descobri nada para fazer na noite de amanhã. Mas fico muito feliz por ver um grande conjunto de ações de formação e informação sobre igualdade de género, desigualdades salariais, conciliação trabalho-família, violência contra as mulheres, prostituição, inclusão dos homens nisto do feminismo, mulheres nos media, um pouco por toda a parte. Coisas boas vão acontecer em Lisboa, a maior parte pela mão da UMAR, e vi uma conferência interessante que vai decorrer no ISCTE.

A UE, particularmente o Parlamento Europeu, andam numa roda viva de iniciativas para comemorar o dia e para que não nos esqueçamos que ainda só vamos a meio caminho. Hoje foi a grande conferência sobre a igualdade, que já aqui tinha falado, e ainda fui a tempo de participar no chat online em que o presidente da comissão dos direitos das mulheres do PE participou durante uma horita esta tarde.


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Bruxelas este dois dias com temperaturas a bater os 17-18 graus. Eu andei numa espécie de transe sempre que saía à rua, e por não sentir frio. Sabia que iam estar temperaturas de dois dígitos mas não fazia ideia que era assim. Ia-me dando um piripaque quando vi equivocamente o número 17º num mostrador de farmácia, e só não tirei foto para futura referência porque estava montada na bicicleta (ia caindo com o susto). Maravilha de ar, aquela temperatura perfeita, quando não se sente nem frio nem calor, quando não sopra nenhum vento e o céu está azul. Oh, paraíso! Paraíso que entretanto já está a ir embora e a dar lugar a -5º já na segunda-feira. Apetece-me chorar mas recuso-me.

Com esta maravilha de tempo decidi ir ontem visitar uma coisa que me estava encravada já há quase um ano, desde que tomei conhecimento dela: a maior livraria de Bruxelas, a Filigranes. Fui a pé a rue de la Loi abaixo, sem luvas nem gorro, e lá cheguei à dita cuja, onde uma amiga me esperava.

Tem mesmo muitos livros, é o que me ocorre dizer. Muito maior que a parte de livraria da Fnac e muito mais compacta; uma pessoa mal ciranda pelo meio dos corredores de tanto livro por todo o lado. Mas assim é que é: sente-se que os livros estão mesmo ali à mão, não há barreiras invisíveis entre nós e eles, é só esticar a mão e agarra-se num, mexe-se, folheia-se, pousa-se ou não. Livrarias muito arrumadinhas são um ultraje à literatura; uma livraria quer-se é caótica, a abarrotar, com conhecimento que não cabe nas costuras.

                                          

Dá a sensação na Filigranes de que nem há espaço para pôr tanto livro, e portanto há que improvisar mostradores no meio dos corredores, prateleiras por debaixo do balcão de pagamento, puros labirintos de escrita por aqueles corredores fora. 

Gostei do facto de haver um mini-café no centro da livraria, com mesas onde as pessoas se encontram para falar, beber um café ou simplesmente ler umas páginas daquele livro que é mesmo viciante. A Fnac, eu sei, tem isto, mas é a modos que numa parte separada, parece não haver ligação entre uma coisa e outra.




Fiquei mesmo muito contente quando a minha amiga me disse que a livraria está aberta ao domingo porque coisas abertas ao domingo são a raridade das raridades e esta cidade a modos que hiberna todo o Santo Dia. Ganhei possibilidade de novo programa de fim-de-semana: ficar a olhar horas e horas as lombadas de livros, especialmente um expositor particular que tinha centenas de livrinhos de bolso sobre todo o qualquer tema possível. Adoro estas coleções que têm a ambição dantesca de produzir pequenas introduções ao conhecimento humano; é uma promessa enorme ler-se os títulos tão distintos como "A História das Mães e da Maternidade no Ocidente" (estive com este livro na mão para o trazer, mas contive-me), "Direito Canónico", "A Literatura Japonesa", "História das Relações Internacionais desde 1945", ou a "Metapsicologia".

Ao que parece, a Filigranes costuma ter nas prateleiras à entrada livros alusivos a um certo dia que se aproxima ou a alguma comemoração especial. Por estarmos pertinho do Dia da Mulher tinha alguns títulos sobre o tema, um deles sobre a organização Femen, que já aqui falei. Mas foi quando vi este título que até se me arrepanhou a espinha:




Epá... Não. Não vão por aí, a sério. Porque não é verdade, nem é desejável, é puramente sensacionalista. É um bocadinho como aquela música profundamente feminista da Beyoncé, "We Run the World (Girls)"; não runam nada, não vale a pena fingir que sim. É por isso mesmo que se luta; se já runassem não tínhamos estatísticas vergonhosas como estas:



Enfim, eu sei que a controvérsia e o sensacionalismo é que vendem, e aquele livro até pode ter pouco que ver com o título e ser uma tese de investigação muito interessante (ainda assim duvido), mas eu prefiro que uma capa me apele à inteligência, não à emoção.

Hei-de lá voltar porque a horita e pouco lá passada a seguir ao trabalho soube a pouco. E eu não provei a tarte de framboesa.



S.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Beauvoir explica

Com muita pena minha e após muita pesquisa, descobri que a obra-prima da Simone de Beauvoir não existe em livro eletrónico - nem para fazer download nem para comprar. Teria sempre que comprá-lo em papel, portanto. Primeiro decidi que o iria requisitar numa biblioteca aqui da cidade; estou num país francófono, ora que bolas! (bom, parcialmente, pelo menos). Mas depois cheguei à conclusão que teria mesmo que o comprar já que este é um livro que tenho que ter, para ler, voltar a reler, folhear, ir clarificar qualquer coisa.

Por altura do Natal, deparei-me com isto, que me alertou para uma livraria de livros em segunda mão, a caminho do meu trabalho:



Ali estava uma boa oportunidade para obter o livro de forma baratinha.

A livraria era enorme - o que não deixou antever antes de entrar - e tinha filas e filas de prateleiras cheias até ao teto. Pus logo de parte a ideia de procurar o livro sozinha e assim que perguntei ao livreiro se tinha obras da Beauvoir, ele encaminhou-me para uma estante tão insuspeita quanto as outras todas (maravilha-me o facto de os livreiros saberem sempre exatamente onde estão os livros, qualquer um que se peça, mesmo quando o sistema de organização das obras não é nada explícito).


Eram dois volumes e estavam agarrados por um elástico. E custaram 5 euros, os dois. Que achado!

Devo confessar que a minha excitação por ir começar a ler esta obra-prima do feminismo era de equivalente proporção ao meu medo que isto fosse um livro ideológico, dogmático, um manifesto. Eu gosto mesmo muito do feminismo, mas não gosto de bíblias. Aceito as premissas do feminismo, essa da igualdade entre géneros, mas gosto de saber porquê, que me expliquem as coisas, que me as argumentem logica e racionalmente, sem dogmas e sem credos. Por isso mesmo parti um bocadinho de pé atrás para esta leitura que esperava muito que fosse elucidatória.

Digo agora de consciência muito tranquila e até aliviada que os meus receios eram completamente infundados. Beauvoir antes de ser feminista é filósofa e portanto todo O Segundo Sexo é um discorrer lógico de pensamento. Não há uma pontinha de dogma na obra que muitos apelidam de a Bíblia do Feminismo.

O ponto central da obra é descobrir porque é que a mulher, em toda a História e em todas as sociedades humanas, foi invariavelmente subjugada pelo homem, relegada para um papel secundário, inferior, como segundo sexo, arredada da construção do mundo. A autora explora várias teorias que se debruçaram sobre este fenómeno, como a psicanálise e a inveja do pénis, o materialismo histórico e a importância da produção no valor do homem, etc. Nenhuma delas, no entanto, consegue explicar na totalidade a subjugação da mulher. Todas parecem incompletas. Até a História, por não conseguir apontar o momento ou o acontecimento que relegou a mulher para segundo sexo, não consegue dar uma resposta satisfatória. Mas depressa Beauvoir chega à conclusão que:

"Sempre houve mulheres; elas são mulheres pela sua estrutura fisiológica; tão longe quanto a História consegue alcançar, elas foram sempre subordinadas ao homem; a sua dependência não é a consequência de um acontecimento ou de algo que surgiu."

"Il y a toujours eu des femmes; elles sont femmes par leur structure physiologique; aussi loin que l'histoire remonte, elles ont toujours été subordinées à l'homme; leur dépendence n'est pas la conséquence d'un événement ou d'un devenir, elle n'est pas arrivée." 

Ou seja, isto deixa antever que há algo inerente à fêmea humana que explica a sua condição subalterna. E foi aqui que eu tremi. Não estava bem a compreender onde é que a Simone ia parar indo por esta linha de pensamento abaixo. Fraqueza inerente? Isto cheira precisamente à misogenia que durante séculos manteve a mulher subjugada: "A mulher é naturalmente mais fraca que o homem, tem perturbações de humor, é histérica, é emotiva, é uma incapaz, é melhor deixá-la lá estar sossegadinha no lar. É para bem dela."

Simone envereda pois pela biologia. Vai tentar descobrir onde está a característica que terá que ser comum a todas as fêmeas humanas e que explica o "ser mulher". Rapidamente descobre que só o facto de ser fêmea não explica que a mulher tenha que ter uma posição subalterna ao homem; na Natureza e entre as outras espécies tal não se verifica. Sim, geralmente as fêmeas são mais pequenas do que os machos, menos fortes, e têm obviamente uma função importante na continuação da espécie. Mas estão par a par com os machos; ou seja, funções diferentes sim mas equivalentes. O que não acontece com as sociedades humanas: a mulher, relegada para o lar e para a função reprodutora, tem um papel manifestamente secundário na sociedade (de notar que o livro foi lançado em 1949, e enquanto toda a argumentação é perfeitamente válida hoje, o papel da mulher mudou bastante nestes últimos 60 anos).

Então o que é que a autora descobre? Uma coisa surpreendente na nossa biologia. Nenhuma outra fêmea, na Natureza, está tão escravizada à sua função reprodutora, à sua espécie, portanto, quanto a fêmea humana. Beauvoir enumera: 

- nenhuma outra espécie tem a possibilidade de engravidar todos os meses - se pensarmos nos cães e nos gatos, estes têm, o quê? dois ou três cios por ano, enquanto uma mulher está condicionada pela sua função reprodutora doze vezes por ano; 

- nenhuma outra espécie tem uma semana de relativa alteração hormonal todos os meses fruto do seu ciclo reprodutor que é, lá está menstrual, e que, consoante a intensidade é mais ou menos incapacitante;

- nenhuma outra espécie dá tanto de si, biologicamente, durante a gestação. A gravidez é nas humanas uma condição que lhe suga literalmente elementos indispensáveis à vida;

- nenhuma outra espécie sofre tanto com o parto como a fêmea humana.

Daqui a Simone retira que a mulher é, fisiologicamente, uma escrava da espécie. E que esta escravidão constitui o busílis da questão da sua inferioridade na sociedade:


"A razão profunda que no advento da História relegou a mulher ao trabalho doméstico e a interdiu de tomar parte na construção do mundo, é a sua escravização à função geradora."

"La raison profonde qui à l'origine de l'histoire voue la femme au travail domestique et lui interdit de prendre part à la construction du monde, c'est son asservissement à la fonction génératrice."


Isto era tudo muito bonito, diz ela, na altura em que o homem caçava para comer, esculpia as suas ferramentas, e sobrevivia apenas. Aí a mulher tinha, como qualquer outra fêmea na Natureza, a tarefa de gerar. Mas esta era tão válida quanto a da caça, já que ambas se destinam à perpetuação automática da espécie. É a partir do momento em que o homem começa a modelar o mundo, a explorá-lo, a domá-lo, a desbravar terras e a cultivá-las, que o seu papel ganha uma transcendência impossível até aqui e que a fêmea humana, pela dupla razão da sua escravização à função reprodutora e por ser geralmente mais fraca que o macho humano, é relegada para a caverna de forma definitiva:

"A fecundidade absurda da fêmea impede-a de participar ativamente no crescimento dos recursos uma vez que ela (a fecundidade) cria indefinidamente novas necessidades."

"La fécondité absurde de la femme l'empêchait de participer activement  à l'acroissement de ses ressources tandis qu'elle créait indéfinemant de nouvelles besoins."


Beauvoir chega a interrogar-se no entanto porque é que mesmo assim a mulher não gozou de uma posição igual ou mesmo superior ao homem precisamente pela sua capacidade de gerar vida; se há coisa mágica e geradora de inspiração e maravilhamento é a capacidade de onde só havia um, passar a haver dois. Mas ela depressa descobre porquê:

"É arriscando a vida que o homem se eleva acima do animal." - Ou seja, o homem adquire o seu valor enquanto Homem quando arrisca a vida, quando empreende, quando desbrava o mundo.

"Se en risquant sa vie que l'homme s'élève ao dessus de l'animal." 

"Gerar, amamentar, não são atividades, são funções naturais; nenhum projeto é aqui empenhado; é por isso que a mulher nunca encontrou aí motivo de uma afirmação superior da sua existência; ela apenas se submete passivamente o seu destino biológico."

"Engendrer, allaiter ne sont pas des activités, ce sont des fonctions naturelles; aucun projet n'y est engagé; c'est pourquoi la femme n'y trouve pas le motif d'une affirmation hautaine de son existence; elle subit passivement son destin biologique."

Isto é quase como levar uma chapada na cara. Tão acutilante, tão sem-misericórdia, tão cru, tão racional, tão... controverso. Mas tão lógico e tão clarificador. Explica duas coisas fundamentais da condição da mulher:

1. O historial de subalternidade, desde sempre e em todas as sociedades sem exceção;

2. Porque é que só agora, há pouco mais de 50 anos, é que se tem assistido a uma verdadeira alteração no papel fundamental da mulher. Numa palavra: pílula.

Pela primeira vez na História, a mulher domina o destino a que a espécie a devotou ao controlar quando, como e onde será (ou não) mãe. Só agora a sua participação ativa no mundo, na produção e no conhecimento é possível:

"Um dos problemas essenciais que se colocam à mulher é a conciliação do seu papel reprodutor com o seu trabalho produtor."

"Un des problèmes essentiels qui se posent  à propos de la femme, c'est la conciliation de son rôle reproducteur et de son travail producteur."


Dei pulos de contente quando desenredei todo este pensamento; eu sabia que a minha suspeita de que a conciliação trabalho-família é o grande obstáculo para a igualdade de género na Europa era fundada!

E pronto, chega assim ao fim o ponto central e fundamental d' O Segundo Sexo. Não é o único, bem entendido: falta o papel da religião, a explicação da sexualidade diferente, e as consequências que séculos de relegação para papel inferior tiveram (e ainda têm) no que é "ser mulher" e em como a mulher se vê a si própria. E ainda há todo o papel fundamental que o Cristianismo teve nisto tudo.

Fica para futuros posts.

Por agora, ficarei muito contente se tiver feedback, seja ele do género "isto não faz sentido nenhum" ou "sim senhora, muita lógica" ou ainda "faz sentido mas discordo aqui e aqui". Como diz o outro, é a falar que a gente se entende.



S. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O Napoleão é um ovo podre

O Napoleão não fez o trabalho de casa. Ainda não li Os Miseráveis até ao fim, mas sei que esta será a conclusão mais importante que deles vou poder tirar.

Estava eu muito bem a ler o livro quando o Vítor Hugo decide começar a contar a história da batalha de Waterloo. Fiquei muito contente: Waterloo é mais um daqueles grandes virar de página da História Europeia e portanto um marco da identidade partilhada do velho continente. Além disso, fica a uns 40 km aqui de Bruxelas e diz que todos os junhos, no dia da batalha, lá fazem uma recriação histórica muito bonita e cheia de figurantes e tal. Já não me lembro por que é que não fomos lá o ano passado, mas havemos de ir este ano. Em princípio.

De qualquer forma, dizia eu que o Vítor Hugo começou a contar a batalha de Waterloo. Como é que foi, como é que não foi, de onde é que veio um batalhão, por onde é que entrou a infantaria e a cavalaria e não sei quê. Às tantas, diz ele:

"If it had not rained in the night between the 17th and the 18th of June, 1815, the fate of Europe would have been different." 

Arrebitei logo o ouvido (não obstante o facto de estar a ler. Mas adiante):

"A few drops of water, more or less, decided the downfall of Napoleon."

Olha que curioso, ironias do destino, hein, como os acasos deitam abaixo super-homens como o Napoleão...

"All that Providence required in order to make Waterloo the end of Austerlitz was a little more rain, and a cloud traversing the sky out of season sufficed to make a world crumble."

Foi quando eu li este "a cloud traversing the sky out of season" que se fez luz e eu desatei às gargalhadas. Porque, a sério, isto é tão caracteristicamente belga e tão igualzinho ao que eu penei o ano passado que só pude comiserar. Ora então, o grande Generalíssimo, super-mestre-génio-militar senhor Napoleão é derrotado por uma chuvada fora de época. Na Bélgica. 

Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha!

O senhor Napoleão devia saber que na Bélgica não há chuvadas fora de época. Qualquer altura do ano é boa para cair chuva - e não interessa que nos quinze dias anteriores tenha estado um calor de morrer (o que também é muito difícil). Não interessa que tenha estado um sol magnifíco MEIA-HORA antes do acontecimento: há sempre, a toda a hora, em todos os dias de todo o ano, a forte probabilidade de desatar a chover. Exceto em janeiro, que por causa do frio é mais provável que neve.

Eu sei que ele deve ter escolhido muito bem o dia e o mês para reduzir fortemente as probabilidades da água a cair do céu, embalado lá pela noção da terra dele de que as estações fazem sentido e que o tempo se comporta normalzinho e que no verão não chove. Errou foi no território, pronto. 

Diz que depois aquilo era só lama e a artilharia não conseguia avançar e que depois havia um vale que, por causa da chuva, estava meio inundado e os soldados não repararem que, bom, era um vale, e caiu tudo por ali abaixo. 

Ora então, parece que o tempo bipolar belga livrou a Europa de ser dominada por um déspota. (O Vítor Hugo discorda; diz que quem ganhou Waterloo foi a contra-revolução, as monarquias, o conservadorismo, e quem perdeu foi a Revolução Francesa e a Liberdade. Mas que raio de liberdade é que pode haver com ditadores que se auto-intitulam "Emperator", pergunto eu. E o Vítor Hugo também diz que o Napoleão só perdeu a guerra porque Deus não queria rivais, e o Universo estava a ficar demasiado desequilibrado, de tão divino e maravilhoso que o Napoleão era, e não por mérito do Wellington, que era só razoavelzinho. Por isso o seu juízo é claramente enviesado).

Espero que no dia 18 de junho em que eu vá a Waterloo, seja de que ano for, esteja a chover, que é para a experiência ser completa e extremamente hilariante. Só assim a recriação histórica estará completa.


 

S.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O bicho da leitura volta a atacar

A minha vida tem se resumido a praia, piscina e leitura como se não houvesse amanhã. De maneiras que ando o mais desagarrada disto do blog e dos Facebooks como nunca. Quem mais beneficia com este facto é o meu bicho da leitura, que se tem revelado na sua plenitude máxima por entre mergulhos refrescantes e pés na areia. E o resto é conversa (literalmente).

(Neste momento navego em Salem, tendo alternado entre o mundo dos Tudor e a frieza de S. Petersburgo e  dos autores russos, passando por uma viagem à América de meados do séc. XIX. E outros 60 já me esperam guardadinhos na biblioteca eletrónica do meu maravilhoso melhor amigo, Kobo.)


S.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Sobre o Kobo

Agora que passou um mês e meio desde a sua compra bastante ansiada e atribulada q.b., está na altura de fazer uma review sobre o meu e-reader Kobo. No fundo, dizer o que gosto e o que me aborrece neste novo mundo dos livros digitais.

Posso dizer que quando fui a Manchester, roí-me toda de inveja por ver que aquela gente tem Kindles à sua disposição para compra por tudo o que é loja de eletrónica. Porquê, oh porquê que eu não aproveitei quando lá vivia...! Mas a minha inveja tornou-se em sobranceria quando reparei que, lado a lado com Kindles estão Kobos, e que estes lhes custam para cima de 150 libras, e eu comprei o meu por 99 euros. Toma lá.

Duas coisas fazem-me preferir o Kobo ao Kindle: o ecrã tátil do primeiro, e o facto de não estar escravo da Amazon (ou no caso do Kobo, nem da Fnac que é a sua loja-mãe). O facto de eu poder virar páginas com um toquezinho do dedo torna a experiência de leitura muito mais intuitiva do que se o fizesse num botão. Mas o mais agradável é poder tocar numa palavra qualquer de um livro e ver instantaneamente o seu significado. Mas já lá vamos a esta última.

Toca a dividir isto por temas, para se tornar um guia útil para alguém que esteja a pesar prós e contras quanto a aquisição de um destes meninos:


Vantagens em relação aos livros de papel:

- o peso e a finura: consigo facilmente ler no Kobo com uma só mão a segurá-lo, não preciso de estar a forçar com as duas mãos para ler no meio dos livros ou segurar páginas, e apoio-o facilmente no colo ou nos joelhos. Resumindo: dá mais jeito para se segurar enquanto se lê;

- o armazenamento: acho mesmo que este deve ser uma das, se não a maior vantagem destes aparelhos. Mas tem o valor que lhe quisermos dar. Para mim, que abomino ter coisas, fisicamente, coisas que ocupam espaço em casa e em malas quando se muda de casa, é perfeito. Diria que 95% dos livros que leio não lhes mexo novamente; então para quê tê-los a ganhar pó em casa? Grande, grande ponto a favor. Não faço ideia quantos consegue armazenar - depende do tamanho dos mesmos - mas centenas cabem ali à vontade. A página principal mostra sempre os cinco últimos livros em que mexemos, portanto não há o perigo de nos perdermos na imensidão da biblioteca digital;

- o dicionário: o inglês, por razões profissionais, académicas e mesmo de interesse pessoal, substituiu há alguns anos o português no top das línguas em que mais leio. É uma coisa que tento contrariar conscientemente, e há autores portugueses que amo de paixão, como Saramago e os romances históricos da Stilwell, mas os meus interesses literários são muitas vezes anglófonos. E recuso-me terminantemente a ler traduções quando consigo ler o original. Isto tudo para dizer que é frequente aparecerem palavras cujo significado seja mais dúbio, e que compreenda o que o autor quer dizer, mas que quero saber exatamente como e onde se utilizam. Num livro normal, estas são palavras que nunca na vida me ia dar ao trabalho de procurar no dicionário ou no Google. Mas o Kobo tem uma maravilha de aplicação que é um dicionário incorporado: está-se a ler um livro, toca-se numa palavra durante dois segundos e puf, aparece a definição da mesma. Útil, útil, útil.

- a instantaneadade (?): ter o livro na hora, no fundo. Apetece-me ler uma obra qualquer, pesquiso-a no Google para ver se há em formato livre, procuro na Amazon para saber se vale a pena comprar. Se valer, pago-a e tenho-a no meu computador para descarregar na hora. Nada de esperar alguns dias até chegar pelo correio, e potencialmente ir levantar a encomenda ao posto de correios mais próximo (ou não) até poder ler o dito cujo;

- clássicos gratuitos: literatura da boa, incluindo praticamente todas as obras mais aclamadas desta arte, estão disponíveis online para download grátis. Acho que tem qualquer coisa que ver com o direitos de autor expirados ou assim (os do Saramago não se encontra, por exemplo), e isto tem me feito experimentar ler coisas que, se tivesse que investir numa compra, não o teria feito. 



Coisas que me aborrecem no Kobo

- o dicionário: não é o dicionário em si, é mais a falta de dicionários que não seja o inglês. No outro dia estava a tentar ler um livro em francês e tinha-me dado muito mais jeito o dicionário incorporado que me conseguisse dar as definições de palavras na língua francófona. Fui à net pesquisei e descobri que há muita gente chateada como eu, e que, ah e tal, os fabricantes do Kobo estão a trabalhar para arranjar dicionários em mais línguas brevemente. Fiquei levemente frustrada por ver as minhas tentativas de melhoramento do meu francês saírem furadas;

- o preço dos e-livros: é inexplicável e completamente ridículo que um livro que esteja para sair na Amazon tenha um preço duas libras mais caro na sua versão eletrónica no que na sua versão capa-mole. Ridículo! Um livro eletrónico não gasta papel, não tem que ser transportado, não tem custos de impressão. Não tem custos de nada, diria! Apenas os da propriedade intelectual. Mas esses também o livro de capa-mole tem. Ainda há um caminho a percorrer nisto dos livros eletrónicos e cartéis para demolir (a UE já lhe cheirou a price-fixing ilegal, é favor castigar essa gente, que eu quero livros eletrónicos a preços justos). Até lá vai-se sendo compensado pelos clássicos grátis;

- fraca disponibilidade em português: pois é, o mercados dos livros eletrónicos em português está ainda na sua infância. Isto faz com que poucos sejam os que consigo encontrar, mesmo comprando, em formato digital. O que significa que ainda não pude abdicar do papel completamente.



Coisas que, não me aborrecendo, podem aborrecer outrém

- a fácil maleabilidade: o facto de podermos ter num só aparelhinho centenas de livros significa que é mais fácil saltar entre uns e outros e não haver focagem. Dei por mim a desistir de dois livros porque simplesmente não me estavam a prender a atenção nem a suscitar curiosidade e a partir para outro. Uma vez que não gastei dinheiro nos mesmos, nem me ocupam espaço numa prateleira, nem tive que esperar por eles, faz com que tenha muito menos pachorra e espírito de sacrifício na sua leitura. Também pode acontecer a pessoa não querer largar de todo o livro que está a ler, mas ter a curiosidade de começar outro simultaneamente. Para quem se distrai com facilidade, o Kobo pode não ser uma coisa boa.


Outros

- o Kobo tem uma funcionalidade que é a de sublinhar coisas. Com o dedo dá para arrastar uma espécie de marcador sobre a frase que se quer e guardar esse sublinhado. Dá jeito;

- este e-reader não é de todo uma espécie de computador (como eu temia), que demora algum tempo a ligar. É mais comparável a um telemóvel ou a um iPad. Tem um botãozinho em cima que se desloca e nos dá imediatamente a página do livro onde estávamos a ler. Mesmo que se troque entre livros, o Kobo guarda sempre a última página onde se esteve, o que também é útil.

- já li num parque, com luz do meio-dia, já li em casa, já li na cama com luz fraca. Não parece que estou a ler num ecrã, a luminosidade é sempre a mesma e equivalente a uma folha de papel. Bem diferente de ler num computador ou num iPad.


Acho que é isto. Espero ter ajudado a esclarecer alguém que esteja em dúvida quanto a comprar um e-reader. Na minha opinião, valem muito a pena. Noto que tenho lido mais pela conveniência que o Kobo me traz (ainda que não tanto como gostaria, mas o coitado não tem culpa das minhas deambulações internautas) e isso para mim é a prova mais óbvia de que ele me é útil.





S.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O guia xenófobo sobre os portugueses

Há um tempo atrás deparei-me com uma coleção de livros na papelaria do Parlamento que me captou imediatamente a atenção. Trata-se nada mais nada menos do que guias xenófobos sobre várias nacionalidades. Ou seja, pequenos livrinhos de bolso que versam sobre as características de cada povo europeu sob o olho generalizador de um estrangeiro.

Muito me aborrecia nunca ter encontrado o que eu mais curiosidade tinha em ler: o que versava sobre os portugueses, claro está. Como os livros estavam arrumados numa prateleira giratória sobre o balcão, sempre que ía pagar qualquer coisa mirava-os tentando antever que preconceitos e estereótipos os autores teriam escolhido. Havia o guia xenófobo sobre os franceses, os suecos, os ingleses, os espanhóis, os irlandeses e afins. Foi só quando vi o livro sobre os estónios que pensei "Fogo, se se deram ao trabalho de escrever um guia xenófobo sobre os estónios tem que haver um sobre os portugueses!" Rodopiei o expositor giratório com toda a convicção e o meu coração deu um pulo quando li "Portuguese" na lombada de um dos livrinhos. Juntei-o ao envelope que ía pagar sem hesitação.




E se valeram a pena todos os cêntimos que dei por ele!

A capa começa bem. A antiga caravela mais o galo de Barcelos, como não podia deixar de ser, e até uma camisola da seleção mostra que em princípio os estereótipos estão todos lá. Segue-se um mapa para abrir a narrativa, bastante preciso, por sinal (fora o "The Alentejanas" que não faz muito sentido e que acho que era suposto ser "Os Alentejanos"):




Gosto especialmente do "void" na parte espanhola da Península. E dos "mouros" no norte de África. Depois temos como únicas terras apontadas Lisboa ("lettuce eaters" hahahaha!), Porto ("tripe eaters" hahahahaha!), Fátima e Olivença ("used to be ours"). "Começa bem", pensei logo eu.

Depois temos a brilhante descrição dos portugueses que eu achei acertada e que nos diferencia dos outros sulistas: 

"Podem estar na mesma turma que os europeus do sul, mas os portugueses são os alunos tímidos que se sentam lá atrás na esperança de não dar nas vistas. Ser português significa ser reservado: aquela exuberância gesticuladora pertence aos seus primos mediterrânicos."

...

Muito bem, sim senhora, aplica-se à generalidade dos portugueses que eu conheço. Mas claramente este senhor (inglês) nunca foi ao Norte.

 O livro lê-se numa hora, hora e meia. Ía-me deliciando com cada página que virava. Há coisas que não sei onde o autor foi buscar e que me fizeram exclamar "Hã?!"s mais do que uma vez, e palavras portuguesas mal escritas como "descenrascanço" (que o senhor inglês diz que é no que os portugueses são melhores) que me deram vontade de escrever e-mail para a editora a reclamar "Escrevam essa porcaria em condições!!! E em proofreading, nunca ouviram falar?!", mas no geral está muito bem conseguido. 

Acho que vou abrir nova rubrica para falar um bocadinho destes estereótipos e encher isto de citações do livro só porque sim (I'm lazy and I know it). Logo se vê.



S.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A guerra, o amor, o Lobo e o divórcio

Depois de ler o livro com a compilação das cartas enviadas à mulher durante a Guerra Colonial, e depois de saber que entretanto já casou mais 2 vezes, fiquei com uma vontade enorme de ler mais obras deste autor.




Quando se lê coisas tão íntimas como cartas, sendo elas cartas diárias de amor, escritas durante uma guerra, fica-se com a sensação que se conhece esta pessoa, que o véu que cobre a alma de cada um de nós foi levantado e espreitámo-la na sua intimidade e crueza.

Gostava de perseguir a sua obra para tentar encontrar pistas que desvendem a vida deste homem, como evoluiu a partir do rascunho da sua primeira obra que preparava em Angola, o acompanhamento que fez da filha bebé, o nascimento da segunda, o que levou à separação da mulher que tanto idolatrava e à qual invariavelmente escreveu todos os dias durante provavelmente os dois anos mais difíceis da sua vida.

É que saber todo aquele amor e devoção acaba em divórcio, faz uma pessoa sentir-se traída. "Ai amavas tanto a mulher, tanto 'Gosto de Tudo de Ti", tanta idolatraria, tanta angústia de separação e saudade para acabar em divórcio?". Fico triste com a vida e com a natureza humana.

Ao que parece, este senhor não tem é uma escrita fácil, daí que não saiba por onde começar. Começo pelo primeiro livro? Haverá um mais fácil que sirva de introdução a toda a obra? Sugestões aceitam-se.



S.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Literatura para Porteiras #3 - Game of Thrones

A lição mais importante que tenho aprendido desde que me meti em mil e uma coisas profissionalmente é que o tempo é um bem muito, mas mesmo muito precioso. Sou cada vez mais seletiva com as coisas que me o gastam e menos paciente com o que considero desperdício do mesmo. A linha orientadora é agora: "Passei uma hora nisto. O que é que nessa hora eu podia ter feito de mais proveitoso?"

Claro que continuo a gastar tempo em coisas estúpidas (Ninegag em força, Facebook mais do que gosto de admitir) porque isto é um sistema que ainda está em aperfeiçoamento, mas o que é facto é que a universal e demasiado utilizada desculpa do "Ai não tenho tempo" é coisa que já não me sai da boca. Já o "Não é merecedor do meu tempo" é uma decisão que tento tomar para cada vez mais coisas. Por exemplo, entre as mil e uma coisas em que me meti não figura desporto de qualquer espécie (exceto se contarmos as tardes de domingo passadas na praia a passear o cão). Desculpa do "Ai, não tenho tempo"? Não. Se quisesse conseguia encaixá-lo algures. Decidi-o tão simplesmente não merecedor do meu tempo. Bem ou mal, não o sinto como prioridade.

É por isso que a minha decisão de abandonar a leitura do Game of Thrones não foi tão sentida como culpa como o teria sido há um ano atrás. Já é o terceiro livro em poucas semanas que ponho de parte sem pestanejar.




Este livro tinha tudo para se tornar num favorito. Castelos, cavaleiros, batalhas, intrigas e estratégias para usurpar tronos e conquistar territórios, aliado a uma escrita na 1ª pessoa (em várias 1as pessoas, na verdade, pois os capítulos vão intervalando as perspetivas das diversas personagens), tem a marca de algumas das minhas coleções favoritas: Brumas de Avalon, Sevenwaters, Bridei Chronicles, The Women of the Cousin's War. No entanto, falhou redondamente em me prender às suas páginas e era com impaciência que nos últimos dias já pegava nele para o ler. Falta-lhe qualquer coisa. E eu lanço aqui sugestões sobre o que acho que é:

- logo nas primeiras páginas, uma suspeita apoderou-se de mim e que eu confirmei logo a seguir: o autor é americano. Não sei como a ganhei mas eu tenho uma aversão de princípio contra inglês americano. É coisa que enquanto amante de ortografia, gramática, linguística e todos esses sistemas aborrecidos não consigo deixar de parte enquanto estou a ler. E que me fez torcer o nariz logo de início em relação a este livro;

- relacionado com a sugestão de cima está a linguagem do livro. É má. Nota-se que o autor está a fazer demasiado esforço para escrever em inglês mais-ou-menos antigo - o esperado nestes livros medievais - mas que de vez em quando falha e deixa transparecer linguagem contemporânea. Atenção, não são coisas demasiado escandalosas mas percetíveis o suficiente para o meu gosto;

- o facto de a história se passar numa terra completamente inventada, numa espécie de universo e tempo paralelo porque não dá para focalizar a história nem no tempo nem no espaço. Sabemos que se passa no antigamente, os castelos, reis, lutas pela coroa e objetos dão ar de medievalidade, mas não dá para apontar um espaço definido na história. Ora, eu preciso de balizas temporais e geográficas. Gosto de contexto. Gosto de ler este tipo de romances porque me dão uma melhor perceção dos sítios, da História, da forma como as pessoas viviam, que contribuam para a minha perpetiva geográfica e para associação de lugares e povos. Mesmo dando-se o desconto da ficção e de certos anacronismos, é este o verdadeiro appeal que este tipo de romances tem para mim. No Game of Thrones, nada disto está presente;

- os nomes das personagens. Ai, os nomes. Num mundo inventado, o autor foi pela lógica de que os nomes teriam também de ser diferentes, originais. Pois exagerou. Os nomes de metade das personagens parecem conjuntos de letras que o autor andou a juntar aleatoriamente. Achou que assim dava um ar de antiguidade/exotismo. Na minha opinião, foi falhanço.

Ainda assim, percebo perfeitamente a excitação geral em relação a esta coleção. Nunca vi a série, acredito que seja aliciante para os amantes deste tipo de histórias, onde me incluo. Simplesmente é um livro/coleção que não me enche as medidas. O potencial que o conteúdo encerra está para mim gravemente limitado pela forma escolhida para o envolver.

Desta forma, é um livro que posso dizer que não gostei mas que percebo perfeitamente quem o ama, o ponto contrário do que posso dizer em relação ao Twilight (que nem o conteúdo salva a forma, deus meu).



S.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Lista ao Pai Natal

Caros familiares,

Como sei que uma pessoa nesta altura do ano se debate com incertezas sobre o que oferecer no Natal, será que a pessoa vai gostar, o que lhe fará falta, etc, resolvi deixar aqui as minhas wishlists de livros para que tenham uma garantia que qualquer coisa dali me deixará contente e ser-me-á realmente útil.

É tipo uma lista de casamento mas em vez de ser para a casa é para o cérebro.

Cá vai a da Amazon:

http://www.amazon.co.uk/registry/wishlist/14JUGALNGCX5X/ref=cm_wl_act_vv?_encoding=UTF8&visitor-view=1&reveal=


E a da WOOK:









E pronto, é isto.



S.