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domingo, 22 de setembro de 2013

Fora com as quatro rodas!

Fiquei um bocado triste quando ouvi no telejornal português que hoje, Dia Europeu Sem Carros, em Lisboa havia mais carros do que em anos anteriores. Que a tradição já não é o que era, e várias entrevistas a ciclistas desiludidos por verem que a circulação dos carros se mantinha igual aos outros dias do ano. Eu tinha acabado de vir de uma corrida por uma das artérias mais movimentadas de Bruxelas e fiz o caminho quase todo no meio da estrada, sem necessidade de parar em semáforos (a minha velocidade média agradece) e tinha tido como única preocupação desviar-me de vez em quando de uma bicicleta mais desgovernada. Por isso fiquei triste que em Lisboa não fosse o caso.

Esta foi apenas a segunda vez que o vivi mas já se tornou facilmente no meu dia preferido do ano. Ao contrário do ano passado, que nem estava a contar com ele, nem sabia o que era, desta vez esperava ansiosamente este penúltimo domingo de setembro porque já sabia o que aí vinha: uma cidade completamente transformada a muitos níveis. Um silêncio impensável (só nos apercebemos do barulho constante dos carros quando ele desaparece), um ar bem mais puro (fizeram análises em vários pontos da cidade o ano passado neste dia e foi incrível a diferença dos níveis de poluição no DESC comparativamente ao normal), uma alegria contagiante nas ruas. Em Bruxelas, é proibido carros circularem neste dia dentro da cidade. Apenas carros da polícia, ambulâncias, táxis, autocarros e trams percorrem as estradas. É possível obter uma autorização para andar de carro no DESC, mas a justificação tem que ser mesmo muito boa, e a circulação só pode ser feita para essa coisa em especial. Aqui não estão com voluntarismos nem à espera que sentidos cívicos maiores se levantem: é dia sem carros, é proibido circulá-los e ponto final.

Há-de haver muitos resmungos, não duvido, mas para a vasta maioria das pessoas compensa. E se compensa! Nunca vi tanta bicicleta junta na minha vida nem tanta gente a usufruir das ruas da cidade. A Avenue Louise parecia uma parte da Volta à Bélgica em Bicicleta, tal era a quantidade de ciclistas a dominar a estrada. Centenas e centenas de pessoas a pedalar, a caminhar, a andar de patins-em-linha, de trotinete, de skate. Mas um silêncio anormal numa avenida tão movimentada. A cidade parece um parque gigante. Estivemos meia hora sentados num café mesmo à beira de um semáforo a observar e vi a quantidade de bicicletas mais diversa da vida. A cada semáforo vermelho, era ver umas vinte bicicletas a agrupar à espera da luz verde. E ali ficámos nós a admirar as fornadas constantes de bicicletas a chegar e mais uns quantos transportes estranhos que normalmente só podem ver a luz do dia em parques construídos para o efeito.

Não me lembro de isto no ano passado ter sido assim, apesar de ter estado mais calor do que hoje. Talvez haja cada vez mais gente a aderir a este dia, e, espera-se porque afinal é essa a intenção, a largar de vez o carro no seu commuting diário dentro da cidade. O Dia Europeu Sem Carros aqui em Bruxelas mostra tudo o que uma cidade poderia (poderá?) ser, se se tirar aos motores a primazia que infelizmente ainda detêm. A imagem é maravilhosa, bem real neste dia, ainda que utópica nos outros 364.
      





S.

domingo, 16 de setembro de 2012

Bruxelas sem carros

Hoje foi o Domingo Sem Carros aqui em Bruxelas. Um dia espantoso de sol e calor fez com que milhares de pessoas saíssem às ruas e tornassem a cidade em algo que eu ainda nunca tinha visto.


À hora do almoço, quando vinha do ginásio, reparei que a praça do Châtelain estava transformada num mercado de coisas em segunda mão. Fui a casa devorar o comerzinho e voltei ali para dar a atenção merecida às bancas de roupa, livros, sapatos, brinquedos, acessórios para a casa e etc.


Nem às quartas-feiras, dia de mercado de legumes e frutas, eu havia alguma vez visto tanta gente! Ainda trouxe algumas peças para casa, a preços de chorar por mais.

Resolvi depois deambular mais um bocado pela cidade para experimentá-la sem o barulho infernal do trânsito e sem a preocupação da segurança rodoviária. Sabia que no centro havia vários eventos e portanto lá fui eu até à Grand Place.

Entretanto fiquei sem bateria na máquina fotográfica, de maneira que as próximas fotos são roubadas ao Google. Mas fazem jus ao que vi hoje.


Aqui, no Mont des Arts, uma das vistas mais bonitas sobre a cidade, completamente livre de carros (o que vem lá atrás é um táxi. Hoje os transportes públicos não foram impedidos de circular, e os táxis idem)



A praça em frente ao Palácio Real



Piqueniques em frente à Bolsa



Uma das avenidas mais movimentadas da cidade, frente ao Parc Cinquantenaire, completamente irreconhecível



De notar que a quantidade de ciclistas na rua foi brutal, e Bruxelas fez-me lembrar Amesterdão. E tal como em Amesterdão, há cagaços com bicicletas que fazem travagens bruscas mesmo em cima de nós ou que se desviam no último centímetro. Mas pronto, faz parte, e mais vale levar com uma bicicleta desgovernada do que com um carro...

Para casa vim um pedaço de bicicleta, para completar a minha experiência do Domingo Sem Carros. 

É realmente pena ser apenas um dia por ano. A cidade ganha um ar completamente diferente - literalmente - e as pessoas ganham uma qualidade de vida incomparável. Só o facto de não se ouvir motores de carros é mindblowing... E o mais estranho foi que eu apenas reparei que não se ouvia nenhum carro quando, de vez em quando, passava algum autocarro. Aí é que eu pensava para mim "Realmente, está aqui um silêncio esquisito..." Bem-vinda ao futuro! (esperemos que ele se pareça com isto)



S.