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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Essays revisitados

Hoje foi um dia semelhante à 5a feira passada. A professora voltou a falar do que esperava nos essays finais e houve mais uma aula extra sobre como escrever textos académicos, desta vez dissertações. Mas o dia correu de maneira muito diferente :) .

Hoje foi o culminar do trabalho para EU institutions. Esta semana era a minha vez de escrever um essay sobre o tópico semanal (Política regional e de coesão da União Europeia) e de fazer uma apresentação, tudo isto em conjunto com a minha colega R.. Se se lembram, o pânico sobre os essays era mais que muito pois essays não me são instrumentos de avaliação e trabalho especialmente familiares. Portanto este primeiro essay, apesar de ser apenas um quarto do que os finais terão de ser, seria uma introdução ao trabalho que terei de desenvolver até Janeiro.

Acho que não podia ter corrido melhor. :D

No nosso essay tivemos em conta as críticas feitas a essays anteriores apresentados nessa disciplina para nos guiar para longe do que o que não devemos fazer, e indo assim por exclusão de partes para o que se deve fazer. Depois da aula extra sobre como escrever um essay em já tinha em mente a seguinte ideia muito simples: um essay é a tomada de uma posição e a defesa dessa posição através de provas. Ter isso em mente ajudou-nos bastante a escolher a direcção a tomar na estrutura do trabalho. Argumentos a defender a nossa posição, mais argumentos a defender a posição oposta e o porquê da nossa posição ser melhor. É basicamente isto.

O nosso esforço valeu-nos elogios de colegas no debate da aula e da professora. O meu coraçãozinho voou por uns momentos quando no final a professora disse: "I really liked your essay, you really nailed it" o que pode ser traduzido como "acertaram na muche". Fiquei incrivelmente orgulhosa de mim, pela primeira vez neste mestrado. Apetecia-me pular e soltar gritinhos histéricos de contentamento.

A apresentação que era suposto acompanhar o essay não podia ter corrido melhor também. A R. fez a introdução e eu apresentei um estudo de caso. Qual? Nada mais nada menos que Portugal :D. Uma data de slides com dados, mapas das regiões que recebem os fundos comunitários e tabelas com os programas e o dinheiro que a UE dispende foram uma tentativa de explicar uma parte complicada da política da UE através de algo concreto. Resultou. Os colegas mantiveram o interesse, fizeram montes de perguntas e comentários no final e alguns até nos congratularam. Pela primeira vez numa apresentação cá não levei qualquer apontamento sobre o que ía dizer, expliquei e analisei os dados consoante eles apareciam nos slides naturalmente e de cor. Não me engasguei (apesar de ter ficado presa uma ou duas vezes numa palavra; acontece-me sempre, tanto em português como em inglês; mas consegui sempre dar a volta e continuar o que queria dizer :) ) e consegui improvisar e responder às perguntas dos colegas de forma satisfatória e construtiva.

Isto tudo para dizer que o sentimento de dever cumprido e de orgulho no final da apresentação era mais que muito. O pânico dos essays desapareceu como por magia e um novo sentimento substituiu-se-lhe: confiança. Já tenho uma ideia clara do que um essay é. Ainda que como aplicar isso a diferentes casos e temas seja outra história.

Quanto à dissertação final, ou tese, nenhum pânico semelhante ao da semana passado se instalou. Parece-me apenas um mega-essay, mais elaborado e mais extenso mas com a mesma estrutura. E com isso eu posso lidar :).

Em suma, o dia de hoje não podia ter corrido melhor. Uma apresentação "very interesting", um essay elogiado, algum tempo passado com 3 colegas que timidamente se vão tornando amigas, o dia com temperaturas mais baixas desde que cheguei mas no qual não senti frio NENHUM (os dois pares de collants devem ter ajudado), o papelinho na caixa do correio para ir levantar o router da internet (após mês e meio!) e os segredos da temida dissertação finalmente revelados fizeram-me pensar enquanto caminhava para casa "Realmente só faltava começar a nevar!..."








S. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Essays, Portugueses e Pânicos

Hoje foi um dia de preocupações académicas. Um daqueles dias em que tive de respirar fundo várias vezes para não começar a entrar em pânico.

Acontece que a aula extra sobre como escrever essays teve um efeito contraditório: fez-me ver que um essay não é algo inescrutável, como tudo o que é racional tem uma técnica (ok, não são nada de outro mundo, respira, até tens aqui uma folha com o que fazer e não fazer num essay! O que mais podes querer? respira..) mas por outro lado o que é exigido parece-me demais para mim.

Na aula de hoje de EU institutions a professora começou por explicar o que era esperado do essay final. Não, não é espetar bocados de livros sobre o assunto e não, não é dizer "eu defendo esta posição porque sim". Isso já eu sabia. Em teoria, porque na prática continuei a fazer isso - ainda que de maneira mais refinada - por toda a minha licenciatura todas as vezes (muito poucas) em que tive de fazer trabalhos de investigação. Basicamente lia-se alguns livros sobre o assunto e resumia-se os factos e as posições dos autores e estava feito. Dá cá um 18.

Ora o problema agora é que são pedidos estudos de caso. Dados empíricos que demonstrem os argumentos. Porque um essay (fiquei a saber hoje!) não é um resumo da literatura existente nem uma compilação de factos sobre determinado assunto; é antes uma tomada de posição controversa em relação a um tema muito específico, seguida - e esta é a novidade causadora do ataque de pânico - de informação empírica detalhada que apoie a defesa dessa posição.

Isto dá muito mais trabalho. Implica submergir nas bases de dados da União Europeia, vasculhar relatórios e actas de reuniões à procura de informação que suporte o nosso argumento. Quão mais fácil é dizer "eu acho que é assim porque o autor fulano disse que era assim, e ele sabe! porque fartou-se de investigar os documentos reais nas vastas bases de dados existentes"... Parece que agora não se pode fazer isso. Diz que os essays têm de ser trabalhos originais que acrescentem conhecimento e não sei quê.

De forma que comecei o dia bem, logo com um cheirinho do que a aula extra me iria relevar sobre esses temidos essays. E não melhorou. Estava eu a pagar o meu hot chocolate (amo amo amo) quando me deparo com a minha professora atrás de mim. "Ah, como é que estão a ir as coisas?", "Ah vão bem, tirando os mini-pânicos que se formam cada vez que penso nos essays finais. Vou agora assistir à aula extra sobre eles. Sabe, é que nunca fiz um." É aqui que ela arregala os olhos e diz "O que queres dizer com isso? Onde é que estudaste?!" O mini-pânico começa a formar-se. "Er, Portugal... Era tudo à base de exames." Ela tenta reconfortar-me: "Mas agora também tens exames, não é?", "Não, é mesmo tudo essays..." Os olhos arregalam-se outra vez e tenta disfarçar a preocupação: "Bem, tira muitos apontamentos na aula extra e se precisares de alguma coisa diz" assegura-me ela, lançando-me um sorriso reconfortante. Só não entrei em pânico completo porque tinha um hot chocolate comigo.

Pela primeira vez senti que a minha Univ Nova me tinha falhado. Preparação em trabalhos académicos foi algo que não tive como deve ser. Mas tive notas altas em trabalhos! Um método que foi altamente recompensado na licenciatura tornou-se inútil em mestrado.

Enquanto esperava pela aula conversei com a N. sobre dissertações e disse-lhe como achava que 10 mil palavras não eram assim tanto para uma tese de mestrado e como em Portugal eram 30 mil palavras. "A minha dissertação de licenciatura teve 50 páginas, tens alguma ideia de quantas palavras são?" Eu calei-me e chorei por dentro a ausência de hot chocolate para me reconfortar desta vez.

A amiga do lado: "De onde és?", "Portugal", "?!?! não pareces portuguesa! És tão branca e tens cabelo claro...". Hahaha, estereótipos são sempre uma fonte de imensa risada da minha parte :D . "Mas sou baixa, portanto isso qualifica-me como portuguesa.", "Ah, tens razão." A N. perguntou-lhe então como é que ela achava que eram os portugueses: "Então, são mais escuros e de cabelo preto". Gostei imediatamente desta rapariga :D.

A aula em si teve o efeito contraditório como já referi, mas pelo menos agora já tenho um plano sobre o que fazer e o que não fazer num essay, o que incluir e não incluir, as preocupações a ter. De forma que o balanço foi positivo.

Tal aula coincidiu com a preparação do meu primeiro essay em grupo. Será apenas um quarto do tamanho dos essays finais e já está a dar tanto trabalho :( . Como é suposto ser apresentado dá para ter depois em conta as impressões e os comentários da professora. Amanhã vou escrever a minha parte. Espero sobreviver para contar :D




S. 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Apresentações e mortificações

Amanhã é a minha apresentação na King's. Apresentação que no fundo tem mais de sessão de esclarecimento sobre o curso, as disciplinas e a tão temida tese. Amanhã é também (finalmente!) o dia para inscrição nas disciplinas.

Estou um bocado desapontada comigo mesma. Não tenho lido livros sobre a UE, não tenho lido jornais, revistas, não tenho visto telejornais, nada que contribua para uma mente informada que deve ser a de um estudante num curso de mestrado sobre a UE. Li mais livros de estudo sobre a UE enquanto trabalhei nas piscinas do que agora que não faço nenhum.

E o pânico começa a surgir dos recônditos dos meus pulmões (sim, o pânico forma-se nos pulmões) se começo a pensar seriamente que daqui a um ano vou ter de estar a apresentar uma tese sobre um tema original pesquisado, analisado e concluído por mim. Wtf!! Que sei eu de inovador para apresentar ao mundo?

Isto não é falsa modéstia. Li livros suficientes sobre a UE para chegar à conclusão simples de que eu não sou capaz de fazer parecido. Sou sucinta demais. E tenho a mania que é necessário explicar sempre mais do que o que é realmente preciso. Ou seja, meto pouca informação e a que meto era provavelmente desnecessária.

E o riso descontrolado que me apetece soltar quando penso que vim estudar União Europeia precisamente para o seu Estado-membro mais relutante? Quem sabe se este paradoxo não virá a dar material para um esboço de tese...

O ponto que aguardo com mais ansiedade amanhã é a visita guiada à biblioteca da universidade. Bibliotecas são dos meus sítios preferidos no mundo. E esta foi uma das frases mais nerds que já disse. Mas é a verdade. Ter a possibilidade de vasculhar livros numa biblioteca enorme como aquela fascina-me. E ainda bem. Parece-me que vou passar várias horas dos próximos meses nesse lugar fascinante.


 



S.