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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Uma-em-três ou uma-em-quatro

No outro dia, tendo como pano de fundo a notícia de que uma mulher tinha sido morta pelo ex-marido no Barreiro - a terceira desde que o ano começou - o D. fez-me uma pergunta muito simples: 

'Achas que no Médio Oriente as mulheres sofrem mais violência doméstica ou a diferença não é assim tão grande em relação à Europa?'

O meu instinto foi replicar-lhe com um muito óbvio 'É CLARO que no Médio Oriente a violência doméstica está mais generalizada do que na Europa. Nem compares, por favor.' mas calei-me a tempo porque o que parece óbvio nem sempre é assim tão óbvio e dei imediatamente conta de que na realidade eu não sabia. Nunca tinha ido ver números, estimativas, estatísticas, comparações, o que fosse. A minha ideia era apenas uma perceção formada por ouvir-dizer, por leituras superficiais ao longo dos anos, por uma ligação que me parecia lógica entre falta de direitos civis e maior desrespeito pela humanidade das mulheres nessa parte do mundo do que na Europa, e pela proximidade às campanhas de consciencialização do tema em Portugal e arredores. O único número que conheço, divulgado pela ONU e adotado por inúmeras instituições internacionais e organizações não-governamentais, é a estatística de que uma em cada três mulheres será vítima de violência de género durante a sua vida. Suponho que haja diferenças entre diferentes partes do mundo e que o 1-em-3 fosse uma média mundial. Supus também que se no Ocidente é difícil por vezes obter estatísticas fiáveis sobre os verdadeiros números da violência doméstica, - nem todas as vítimas fazem queixa, nem todas as vítimas têm a consciência de que foram vítimas de um crime - imaginei que em países ditos em desenvolvimento esses números fossem ainda mais difíceis de conseguir e que portanto uma comparação rigorosa não fosse possível entre Europa e Médio Oriente.

Só para terem uma noção, a União Europeia tem desde há meia dúzia de anos para cá um instituto para a igualdade de género, cuja responsabilidade é realizar estudos quantitativos sobre a igualdade entre homens e mulheres nos 28 estados membros da UE todos os anos em diversas áreas, e compará-los uns com os outros e com a média europeia, para que se conheça a evolução ou a regressão de cada um em cada área da vida (aquilo tem estatísticas para coisas corriqueiras como salários, educação, presença na política e em cargos de liderança de empresas, mas também tem estatísticas em áreas como a saúde, o tempo livre de qualidade que cada sexo tem, a segregação nas áreas do saber, etc. Quem gostar de números aconselho vivamente a visitar o índice que está visualmente apelativo e apresentado de forma interativa aqui: http://eige.europa.eu/gender-statistics/gender-equality-index). Uma das áreas que o índice pretendia medir era também a da violência de género, mas precisamente pela falta de estatísticas recolhidas de forma sistemática e fiável por todos os países europeus, essa parte do índice está ainda por preencher convenientemente.

Portanto, se uma instituição especificamente dedicada à coisa não consegue realizar um índice com estatísticas sobre a violência contra as mulheres na Europa, cujos países têm órgãos de estatística relativamente bem equipados, independentes e fiáveis, imaginemos no resto do mundo. Foi isto que eu pensei.

Acabei por não arrumar o assunto e uma pesquisa no Google direcionou-me para um relatório da Organização Mundial de Saúde sobre a prevalência da violência contra as mulheres no mundo em 2012 (o relatório: http://www.who.int/reproductivehealth/publications/violence/9789241564625/en/ ; sumário dos dados principais: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs239/en/). A OMS publicou esta infografia muito útil para comparação entre regiões:


Portanto como eu suspeitava, há uma diferença entre a Europa e o Médio Oriente e portanto fui logo comunicá-la ao D., contente por ter algo mais concreto com que continuar a nossa conversa do que um 'acho que sim', ou um 'é óbvio que sim' ou coisa do género. 25% das mulheres europeias sofrem violência física ou sexual às mãos de um parceiro (ou sexual às mãos de um não-parceiro) mas 37% sofrem-no no Médio Oriente. O D. não achou essa diferença assim tão significativa - e para ser franca, nem eu. É a diferença entre uma em quatro ou um pouco mais de uma em três, disse-lhe eu. Mas francamente pensei que comparativamente estivéssemos um pouco melhor.

Tenho noção de como esta comparação toda parece no mínimo de mau gosto e no máximo a roçar ideias de superioridade europeia, mas a minha intenção não é de todo essas. Como disse lá em cima, existe uma proposição lógica de que quanto mais igualdade a nível de direitos civis formais existir, quanto mais bem sucedida estiver a ser a luta pela emancipação das mulheres, mais elas serão vistas como pessoas de pleno direito, mais respeito haverá pela sua liberdade e pelas suas decisões, menos aceitável parecerá subjugá-las à vontade de um homem, incluindo pela violência. Por esta lógica, a Europa, como continente onde esta igualdade formal está melhor e há mais tempo conseguida, deveria ser um dos sítios onde a violência seria mais baixa, por oposição a uma região do mundo onde ainda falta dar passos tão básicos em alguns países como direito ao voto, participação no mercado de trabalho, etc. E essa diferença existe realmente, só não é tão pronunciada como eu esperava.

Mas se pensarmos que há pouco mais de 40 anos as mulheres portuguesas não podiam viajar para o estrangeiro sem a autorização do marido, e de que há pouco mais de 20 é que a violência doméstica se tornou crime, se calhar não devia ser assim tão surpreendente. O interessante, mas penso que isso não existe porque só há poucas décadas é que o tópico começou a merecer atenção internacional, era comparar a evolução destas estatísticas europeias ao longo do tempo, saber por exemplo se no início do séc. XX a taxa de violência contra as mulheres era mais elevada do que agora, para termos o consolo de que, por elevada que ela ainda parece no presente, que está a haver decréscimo e que portanto os esforços de consciencialização para o flagelo e as conquistas da igualdade não estão a ser em vão.

Porque depois há outra questão para além da violência em si: a da consciencialização dessa violência e de que ela é mesmo violência. Por exemplo, em 2014 a FRA publicou um estudo realizado nos 28 estados membros europeus sobre a violência contra as mulheres na Europa, este mais completo do que o da OMS porque inclui violência psicológica também (já agora, neste estudo o número de mulheres que foram vítimas de violência física ou sexual é de 33%, diferença ainda menor). Os dados foram baseados em entrevistas com 42 000 mulheres na Europa e estão desagregados por países e por tipo de violência (fica aqui o sumário dos dados em português: http://fra.europa.eu/sites/default/files/fra-2014-vaw-survey-factsheet_pt.pdf ; e o relatório inteiro: http://fra.europa.eu/sites/default/files/fra-2014-vaw-survey-at-a-glance-oct14_pt.pdf). Qual não foi o meu espanto quando os países com as percentagens mais elevadas de mulheres que sofreram assédio sexual foram a Dinamarca, Suécia e Holanda (Portugal estava no meio da tabela). Não só esta não é a minha experiência - nem a de várias mulheres que já viveram em países do norte da Europa e do sul e que portanto sabem a diferença na quantidade de importunações na rua de que somos alvo nuns e noutros - como estes são os países que precisamente têm os melhores indicadores de igualdade entre homens e mulheres do mundo. 

Visto que este é um inquérito sobre perceções, acho que isso faz toda a diferença nos resultados finais. Como ficou bem visto no debate sobre a criminalização do piropo há uns meses/anos atrás, um quantidade absurda de mulheres portuguesas não acha que ouvir um 'Lambia-te essa c**a toda' gritado na rua por um desconhecido seja assédio sexual, quanto mais um ato de violência. Isso vai-se refletir na resposta a este tipo de inquérito sobre experiência de violência. Eu só posso afirmar que fui vítima de determinado tipo de violência se tiver consciência de que aquilo que me aconteceu ou que me foi dirigido é um tipo de violência. Razão pela qual há cada vez mais queixas relacionadas com violência doméstica, razão pela qual parece que a violência doméstica está cada vez pior. Quanto mais consciencializadas, mais elevados os casos, maior a incidência. Isto faz-me suspeitar de que os números do relatório da OMS possam estar subestimados em regiões como o Médio Oriente, se os números se baseiam em inquéritos diretos às mulheres desses países. Não sei de todo se é o caso, mas seria algo a ter em conta. 

Isto para dizer que não, o feminismo não está de todo obsoleto no Ocidente como muitos parecem crer; que não, o progresso, se houve, não foi assim tão espetacular ainda; e que não, no que toca a respeito pela humanidade das mulheres e pela sua liberdade, não há uma diferença tão abismal na prática entre o mundo dito desenvolvido e os muçulmanos, como muitos após os ataques em Colónia nos querem fazer crer.



S. 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

How the mighty fall - part II

Volta e meia lá aparece um estudo que afirma que finalmente se descobriu que os cérebros de homens e mulheres são diferentes. Os anglófonos têm uma expressão muito interessante: hard-wired differently. Ou seja, os cérebros aparentemente não são apenas diferentes em tamanho e peso, mas sim nas conexões que os neurónios fazem uns com os outros.

A reação dos autores destes estudos é mais ou menos a mesma de todas as vezes. Alguma surpresa, genuína ou não, isso agora não é comigo, por os resultados confirmarem de forma tão clara antigos estereótipos nos quais está baseada toda a cultura ocidental, e alguns suspiros de bravura e pioneirismo, de quem conseguiu conduzir uma investigação tão polémica neste mundo dominado pelas feministas e a sua politicamente correta igualdade. 

A reação dos jornalistas é também mais ou menos a mesma de todas as vezes. Ouvem as palavras "diferenças entre sexos" e "estudo científico" na mesma frase e toca a fazer títulos sensacionais. Se há coisa que vende são velhos estereótipos ressuscitados por investigações académicas e revestidos da película sagrada do científico.

A reação dos comentários nos sites dos artigos ou em páginas de Facebook onde estes títulos são publicados também é sempre a mesma. Uns mais trolleiros, outros com pozinhos de sofisticação, resumem-se todos assim: TOMAAAAA, FEMINISTAS! SOMOS DIFERENTES, INCHAAAA!

Foi por isso com uma sensação de impending doom que eu cliquei num desses títulos que me havia aparecido no Feedly através do the Guardian (!). Precisamente por ter surgido neste jornal que dei crédito à coisa: não podia descartar isto como mais um sensacionalismo sexista da direita conservadora. Eu tenho uma genuína confiança na ciência e que a investigação feita nas universidades bem rankiadas é de qualidade e rigorosíssima. E eu não sou de ciências naturais, eu não sei, portanto dei o benefício da dúvida. Como já aqui disse antes, eu gosto das premissas do feminismo, mas não gosto de dogmas. E a investigaçao pura, rigorosa, metódica e peer-reviewed é o melhor sistema que temos contra os dogmas. Por isso contemplei a hipótese de isto da igualdade de capacidades estar errada e continuei a ler. As conclusões mas sobretudo as inferências que os autores faziam pareciam-me um bocado rebuscadas portanto não liguei mais e decidi que só poderia formar uma opinião se lesse o artigo original. 

Não me lembrei mais do caso até hoje, quando o the Economist lançou um post para o feed de notícias do Facebook falando do assunto. A maneira segura, como quem afirma o óbvio, com que descreviam o estudo naquele post fez-me temer o pior: et tu, Economist? Também tu não resistes embarcar na polémica e nos estereótipos-virados-ciência?

Diz o post: 

"Trending: Men and women do not think in the same ways. Few would disagree with that." 

Er... A sério? Muitos discordariam.

"And science has quantified some of those differences. Suggesting why this is true in evolutionary terms is a game anyone can play. Finding out why sex differences are true in neurological terms is another matter altogether".

E o que é mais triste é que o próprio artigo, que eles próprios escreveram, prova estas linhas erradas. Os comentários, especialmente os iniciais, não desiludem: o pessoal salta de alegria ao ler a frase "Men and women do not think in the same ways" escrita em relação a um estudo neurológico e os "TOMAAAA, FEMINISTAS!" não se fazem esperar. 

Mas, e o que diz afinal o artigo sobre o estudo?

Foi feito o mapeamento de cérebros de homens, mulheres e crianças de ambos os sexos para se descobrir como é que os neurónios se conectavam entre si e que zonas do cérebro ativam mais frequentemente em cada categoria de humanos. Isto foi o resultado médio:


                                          


Com as imagens resultantes foi só fazer a ligação aos estereótipos comuns e voilá, ligação perfeita. E o problema foi exatamente este (que é quase sempre o mesmo nos estudos deste tipo, para uma boa explicação sobre isto ver The Delusions of Gender da Cordelia Fine): a interpretação que a autora do estudo fez dos resultados é subjetiva e condicionada pelos próprios estereótipos. Eles estão explicados no artigo, mas resumindo: mulheres são melhores na intuição, na comunicação e no multi-tasking, homens são melhores na coordenação espacial e motora. 

Pondo de parte as fortes suspeitas de que o cérebro humano é ainda um grande mistério para os cientistas e muito pouco é consensual sobre como ele funciona, a própria autora acaba por dar um grande pontapé nas inferências que acabou de fazer através da sua seguinte grande descoberta:

"Dr Verma’s other main finding is that most of these differences are not congenital. Rather, they develop with age."

Mau. Mas são hard-wired differently inerentemente ou as diferenças começam a manifestar-se com a adolescência? É que isto muda tudo. Se o cérebro é um grande mistério, no que há consenso alargado é na plasticidade do mesmo e na forma como o conseguimos modelar através do uso. E aqui entra a história das profecias auto-realizáveis: se é expectável que uma rapariga será melhor na linguagem do que na orientação espacial então essa habilidade será mais estimulada, ela investirá mais aí porque é esperado que seja capaz de exprimir as emoções por palavras, tornar-se-á melhor nisso e, pelos vistos, o seu cérebro modelar-se-á de acordo através do treino. Chama-se condicionamento social, papéis de género, socialização, o que quer que queiram, e não devia ter sido descartado tão rapidamente pela autora. Há também a possibilidade de a puberdade desencadear aqui alguma alteração hormonal que afete o cérebro e os torne diferentes, não se sabe. Mas por isso mesmo a ligação que tanta gente, incluindo a autora, já fez entre os resultados e os porquês não só é falsa como apressada e irresponsável. Para não dizer que é má ciência. 

O que me desilude profundamente foi o Economist se ter juntado à onda sensacionalista e ter dado tempo de antena a um artigo com interpretações tão duvidosas. Tinha-o como último reduto do bom jornalismo de investigação e que, apesar de algumas vezes conotado com uma visão económica neo-liberal, era francamente original e questionador da norma, e não lhe vislumbrava uma agenda política definida. Acima de tudo, era rigoroso e de qualidade. Nesta peça fez uma cedência ao bom jornalismo que era impensável ao alinhar no estereótipo virado ciência. E fico contente que a maioria do comentários ao tal post, por entre os sexistas do costume, seja a chamar à atenção para a falta de qualidade jornalística do artigo em questão (e falta de rigor científico no original).   

Será esta fraqueza do jornal a exceção que confirma a regra? Vou confiar que sim mas, daqui para a frente, de olho bem aberto.




S.     

domingo, 26 de maio de 2013

Paralelismos com o mercado de trabalho não são coincidência

Há umas semanas atrás, rumei ao Parlamento Europeu para assistir a uma conferência onde se discutia as vantagens de ter atenção ao género nas políticas de combate ao desemprego jovem. Foi bastante elucidativa porque deu para ver que as razões pelas quais jovens mulheres estão no desemprego e, nalguns casos, deixaram de procurar emprego, são diferentes das razões pelas quais jovens homens estão na mesma situação. Basicamente, deu para concluir que a maternidade e as expectativas de que a mãe será a principal cuidadora dos filhos tem um peso muito grande quer na empregabilidade das jovens mulheres quer nas próprias expectativas destas em relação ao mercado de trabalho, especialmente numa época de profunda crise económica como a que vivemos. A publicação do Parlamento Europeu sobre este tema, que foi basicamente o que os seus investigadores foram apresentar lá à conferência, pode ser consultada aqui: "As Vantagens de uma Estratégia de Género no Combate ao Desemprego Jovem".

Uma das apresentações foi particularmente lúcida e interessante e destacou-se das outras por me ter dado tanto que pensar que achei boa ideia partilhá-la aqui.

O título é "As diferenças de género na vontade de competir" e basicamente foi um estudo que um professor de uma universidade austríaca fez para avaliar a competitividade de rapazes e raparigas em diversas fases da vida. 

Fez 3 experiências com crianças dos 3 aos 18 anos que consistiam em diferentes provas. A 1ª experiência foi feita com crianças dos 3 aos 8 anos na qual tinham que correr 30 metros. Em baixo estão os resultados da performance de rapazes e raparigas por grupos de idades:


Bottomline aqui é que não há diferenças entre sexos na performance da corrida. Ao que parece, as diferenças só surgem a partir da puberdade, em que os homens tornam-se, regra geral, mais rápidos e resistentes do que as mulheres. Entre crianças, é tudo igual.

Na experiência foi depois introduzido um elemento que pretendia medir o nível de competitividade. Foi perguntado a cada criança se queria correr sozinha ou se queria correr em competição com outro/a colega. No caso de escolher a corrida com o/a colega, e se ganhasse, receberia o dobro da recompensa (acho que eram bombons ou assim). O gráfico a seguir mostra o número de rapazes que preferiu a competição e o número de raparigas:


Vemos aqui uma clara diferença da frequência com que os rapazes escolheram a competição em relação às raparigas. Lembremos que a performance é a mesma, portanto a probabilidade de uma rapariga ganhar seria a mesma que um rapaz. No entanto, não é isso que elas pensam.

"Ah, mas é normal que pensem que não são tão boas a correr quanto os rapazes porque corrida e desporto é normalmente uma área onde se considera que os rapazes são melhores." Para tomar em consideração esta espécie de parcialidade que poderia enviesar as conclusões, decidiram fazer outra experiência, desta vez numa área na qual não existe especial parcialidade ou, a haver, poderia pender para o lado das raparigas: arrumar blocos de diferentes formas. Num balde com várias peças de diferentes formatos, as crianças tinham que ir buscar todos os cilindros. Tinham um minuto para meter o máximo de cilindros que conseguissem num copo de plástico. Aqui, as raparigas tiveram uma performance um pouco melhor que os rapazes:


O elemento da competição aqui foi o seguinte: as crianças podiam escolher ganhar uma recompensa por cada peça arrumada ou ganhar duas recompensas por cada peça caso arrumassem mais peças que outra criança que lhes seria emparelhada aleatoriamente. Os resultados da competitividade não variam da prova da corrida:


Novamente, mais rapazes escolhem competir do que raparigas; e o que é mais, a diferença acentua-se com a idade! Isto numa prova que, segundo o investigador, é estereotipicamente associada a raparigas, que estas são melhores do que os rapazes a arrumar os blocos. Esta crescente diferença em competir é-me profundamente assustadora, mas já lá vou. Falta a última experiência.

Desta vez, a experiência consistia em somar números. Prova numérica mas muito simples, apenas adicionar. Aqui, como se sabe há o profundo estereótipo que os homens são naturalmente melhores a matemática do que as mulheres, que as mulheres são bem melhores em matéria de letras e comunicação do que números. Acho que é a maior treta que nos vendem desde pequeninos e que a maior parte das pessoas (eu incluída, até há cerca de um ano atrás) acredita que é mesmo uma diferença entre sexos. Que é o cérebro que é diferente e não sei quê. Os resultados da performance na soma dos números:


Duas conclusões, às quais o investigador chamou à atenção na sua apresentação:

- afinal as crianças aprendem alguma coisa na escola, visto que com a idade ficam melhores a adicionar números (haha!);

- não há diferença entre sexos na adição de números. Zero. Às vezes uma das barras está ligeiramente mais elevada que a outra, mas devido à margem de erro, a diferença desaparece. É tão claro que uma pessoa fica parva a olhar (eu fiquei, ainda que já tivesse lido umas coisas que apontavam neste sentido) e acaba por interrogar-se quem foi a alminha que inventou o mito que as mulheres são de letras e os homens de números. Bom, mas quando se vai para a questão da competição, o padrão continua:


Mais rapazes preferem competir com outro/a colega do que raparigas. E o pior: a diferença aumenta com a idade! (olhem para o grupo dos 17/18 anos, meu deus).

Porquê? Porque é que as raparigas se subtraem à competição muito mais que os rapazes, se têm exatamente as mesmas probabilidades de ganhar? Mais: porque é que se subtraem à competição mesmo quando têm mais probabilidades de ganhar do que os rapazes (na prova dos blocos, ligeira vantagem)? Basicamente, as conclusões do estudo são que as raparigas são mais avessas ao risco que os rapazes, e que os rapazes são mais otimistas em relação à sua performance que as raparigas. Ou seja, as raparigas têm uma perceção de que desempenham pior do que realmente desempenham, enquanto os rapazes têm uma perceção que desempenham melhor do que realmente desempenham. Umas são underconfidents, outros são overconfidents. E, como vimos, os estereótipos só pioram a underconfidence e a overconfidence de umas e outros.

Uma vez que as diferenças entre a vontade de rapazes e raparigas de competir nestas tarefas aumentam com a idade, suspeita-se que a educação e os papéis de género tenham também grande dose de influência nesta vontade de competir.  E faz sentido; das raparigas espera-se que sejam diligentes e aplicadas na escola (e na vida), dos rapazes espera-se que gostem de desporto, que joguem, que compitam, que ganhem (no desporto e na vida). Mas esta vontade de competir não irá ter meras consequências no desporto que se possa praticar ou em competições pontuais que se possa fazer; a vontade de competir é uma característica muito valiosa para se singrar no mundo do trabalho. Para se candidatar a um emprego está-se a entrar em competição com os outros candidatos, para nos tornarmos disponíveis a uma promoção está-se a entrar em competição com outros potenciais candidatos. Nunca tinha percebido a relação entre confiança e competição e mercado de trabalho: só uma pessoa que confia que tem um bom currículo ou que está ao nível do que é pedido em determinado anúncio de emprego se irá candidatar; só uma pessoa com confiança em si irá se propor a uma promoção que envolva qualidades de liderança, gestão, etc. E nisto, ao que parece, os homens ganham-nos aos pontos. É uma questão genética, do tipo os homens são naturalmente mais competitivos? Mas ao que parece é algo que aumenta com a idade. É de educação? De estereótipos de género? Porque de performance, já se viu, não é. 

O investigador disse uma coisa muito interessante, uma espécie de dito: "Um homem vê as especificações de um anúncio de emprego e, se tem uma que condiz, candidata-se; a mulher vê as especificações de um anúncio de emprego e, se tem uma que não condiz, não se candidata." A questão da overconfidence e underconfidence que pelo vistos caracteriza os géneros e que eu vou desconfiando que é mesmo assim.

Este post já vai longo mas há ainda uma coisa que eu queria escrever aqui porque basicamente essa era a finalidade do estudo: a questão das quotas. Não a vou discutir neste post porque dá mesmo muito pano para mangas mas vou só lançar umas ideias.

O que este estudo, na sua segunda parte, pretendia perceber era o efeito que a intervenção de políticas de quotas ou discriminação positiva tem na vontade das mulheres de competir. Já se viu que são no geral pessimistas em relação ao seu próprio desempenho e que se retraem na hora de competir por um lugar. Ou seja, está-se a perder potenciais trabalhadoras competentes em determinadas áreas (engenharias, informática, tecnologias, etc), trabalhadoras já formadas, mas que simplesmente não acreditam que têm hipótese. E portanto nem chegam a candidatar-se a determinadas posições.

No estudo, fizeram mais uma data de experiências, no mesmo molde das outras e com o esquema de sozinho/competição. Desta vez estavam num grupo de seis colegas, 3 homens e 3 mulheres. A tarefa era adicionar números em 3 minutos e podiam escolher: ganhar 50 cêntimos por cada par adicionado corretamente, ou 1,50 euros se fossem um dos dois melhores no grupo a adicionar números. O que os investigadores fizeram foi variar depois o tipo de recompensa para as mulheres que quisessem competir, e no sentido de ver se com ganhos assegurados, as mulheres estavam mais dispostas a competir. No fundo, é simular o efeito que as quotas teriam numa situação real.


Portanto, o CTR é o grupo no qual não era dada qualquer vantagem às mulheres. O que se vê é aquela diferença abismal na predisposição para competir.

No QUO, a regra era que entre os dois vencedores, pelo menos um tinha que ser mulher, o que significa que a mulher com o melhor desempenho venceria decerto. Isto é o equivalente às quotas frequentemente introduzidas nos partidos ou a que a Viviane Reding queria introduzir nos quadros das empresas europeias. Aqui vê-se um claro aumento do interesse das mulheres em entrar em competição, ainda que não supere o dos homens. 

No PT1, era dado às mulheres um ponto extra, que servia como desempate caso elas tivessem um desempenho tão bom quanto os homens. O interesse pela competição aumentou entre as mulheres. 

No PT2, eram dados às mulheres dois pontos extra, o que significa que uma mulher menos qualificada poderia ganhar em relação a um homem com um desempenho melhor. Este é o único em que as mulheres preferem muito mais competir que os homens.

Finalmente, no REP, haveria repetição da competição caso nenhuma mulher ficasse entre os dois vencedores. Na repetição, as regras normais seriam aplicadas. Não convence muito as mulheres a competir, neste caso.

Ou seja, as únicas experiências que nivelam o campo em termos de predisposição para competir são o QUO e o PT1. O único injusto - na minha opinião - é o PT2. É importante frisar mais uma vez que o desempenho das mulheres e dos homens é igual, ou seja, não existe aqui o perigo de estar a favorecer candidatas menos qualificadas do que os candidatos (exceto no PT2). Mesmo com as vantagens favoráveis, quem acaba por ganhar será sempre a mulher mais qualificada. O que as intervenções fazem é aumentar o número de candidatas disponível porque há mais mulheres - igualmente qualificadas que os homens - predispostas a ir à luta. 

Paralelismos com o mercado de trabalho não são coincidência, são intenção. 

Agora o que eu gostava mesmo de descobrir era quanto da pouca vontade de competir é uma questão genética e quanto é socialização do que é "ser mulher".



S.

sábado, 11 de maio de 2013

E respira fundo

Há umas duas ou três semanas, quando pus finalmente mente à obra e a sério para desenhar uma candidatura a doutoramento,  comecei a comiserar o facto de estar numa cidade francófona. Aaai, que não tenho bibliotecas como deve ser, aaai, que os livros que preciso são tão específicos e cá não há, aaai, que é só coisas em francês e eu preciso de uma cidade inglesa, aaai, que Londres fica tão perto mas tão longe, aaai, que a biblioteca da LSE é que era, aaai, coitada de mim. Escapou-se-me o facto de estar a viver no centro sobre all-things-UE, como também me escapou o facto de que aqui também há universidades, universidades que ainda por cima têm institutos europeus, e que universidades têm bibliotecas, e que sim, vivo numa cidade francófona mas literatura académica é universal e portanto anglófona. E só depois de pesquisar incessantemente como poderia reaver a minha membership das bibliotecas londrinas, é que me lembrei que se calhar devia era pesquisar como conseguir ficar membro da biblioteca da Université Libre de Bruxelles, por razões estupidamente óbvias. 

Solução tão simples para os meus problemas.

Ia cética, tenho que admitir, quando cheguei ao campus da ULB para me inscrever na biblioteca de ciências sociais e humanas. Assim que vi todo o edifício devotado à mesma (após cerca de meia-hora às voltas pelo campus, um mapa copiado à pressa para o bloco de notas, e muito desvio, como é sempre inevitável) o ceticismo deu lugar ao entusiasmo. 


Quando, cerca de duas horas depois, saí de lá com um livro emprestado por duas semanas e possibilidade de o renovar através da net, no conforto do lar, quase que vinha a chorar de alegria por ter encontrado tão honrada substituta para a minha biblioteca favorita. Com o bónus de que posso alugar livros (coisa que não podia na outra, daí as intermináveis tardes passadas naquele edifício gigante na Portugal Street) e que fica a 20 minutos de bicicleta de casa - enquanto a outra ficava a 45 de metro.

Hoje lá fui eu estrear o caminho de bicicleta até à univ para ir buscar nova leva de livros. Perto e caminho razoavelmente plano, que mais posso desejar?

Entretanto descobri que mais de metade dos livros que constam na minha to-read list não estão disponíveis naquela biblioteca, o que me frustra um bocado os planos de preparação. Tenho sempre a opção Amazon, mas por serem livros académicos e demasiado específicos raramente os encontro a preços baixos. Será um problema para solucionar mais para a frente. Entretanto descobri que os meus antigos códigos da King's ainda me dão acesso aos academic journals que vou precisar portanto a questão dos livros em falta foi posta de lado. O computador recebeu um beijo repenicado e um abracinho sentido que em boa verdade não são merecidos porque não é ele que dita o acesso aos valiosos artigos. Mas digamos que fiz o inverso do "shooting the messenger".

Isto tudo para deixar aqui registado que voltei à vida académica, ainda que seja só pré-académica por agora, e que toda a minha santa hora livre vai ser agora dedicada à preparação desta nova fase (não de verdade, senão não estava aqui, mas é mais ou menos isso). Só vou no segundo livro e já sinto o meu cérebro a esticar neurónios que não esticava há muito, como quando se vai ao ginásio após o mês de férias de verão. É quase doloroso. Intervalo com muito olhar para a parede desfocadamente, enquanto tento assimilar o que li (muitas vezes sem sucesso), e que equivale aos alongamentos após corrida intensa. 

Eu não consigo estabilizar no mesmo sítio muito tempo, seja ele geográfico, profissional, ou mental. É uma característica que já reconheci que faz mesmo parte de quem sou e tenho vindo a aprender a viver com ela. Temo que um dia me venha a dar problemas - uma pessoa precisa de uma certa estabilidade na vida para chegar a algum lado, seja para progredir na carreira, seja para criar uma rede de amigos e pessoas importantes na nossa vida num lado qualquer. Mas enquanto não me der problemas não há que lamentá-la.

Vou precisar de muita sorte para os próximos meses e de muito conforto emocional. Já re-abasteci o stock doméstico de Nutella, pelo sim pelo não.   




S.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Estudantice aguda crónica

O meu cartão de estudante expira no próximo mês.

Acabou-se o euro a menos no bilhete de cinema. E o estudo.

Acabou mesmo? Para sempre? Tenho sérias dúvidas.

Acho que tenho um caso sério de estudice aguda. Temo que seja crónica, até. Ainda não entreguei a dissertação e meu cerebrozinho já anda em maquinações tentando descobrir o que vem a seguir, que curso, que especialização, que língua, que qualificação obter. Setembro vem aí e não há nada académico em vista, pela primeira vez em 17 anos (19 se se incluir a pré-primária). A aflição é grande.

Aflição que nem sequer existia mas que se fez sentir com toda a força agora que a dissertação está escrita. Arestas para limar, referências para pôr e bibliografia gigante para incluir impedem-me de dizer 'já acabei!', mas a verdade é que o grosso do trabalho está feito. Daí que a aflição do setembro sem aulas tenha batido forte e feio.

Nem uma semana sem trabalho académico foi precisa! Caramba, temo mesmo estar doente.

Pode-se ser estudante de profissão? Gostava. Podia frequentar bibliotecas à vontade, fazer disso vida, e aprender que nem uma doida. Hmm. Poder posso, parece é que não é pago.

Entretanto, a minha pesquisa desenfreada por tudo o que é curso vai começar. Confesso que até tenho medo do que vai sair daqui. Habilito-me a levar com mais uma pós-graduação em cima, desta vez sem a pressão da empregabilidade e com a vocação já preenchida. De maneiras que o resultado não vai ser bonito.

Ciências da documentação, estudos das mulheres ou latim, tenho-vos na mira!



Depois não digam que eu não avisei.



S.  

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Educação não tem preço

A minha colega G. hoje revelou-me uma informação que ela descobriu e que me deixou de boca aberta:

---»  parece que em média cada aula do meu curso custou £80 ao bolso dos meus pais.

Fiquei chocada por não fazer ideia. Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva... Este semestre faltei a duas aulas. O que equivale a 160 libras mandadas ao ar, ou seja, 190 euros.

Se precisava de incentivo para não faltar a nenhuma aula nesta última semana que se adivinha muito complicada, aqui o tenho.




S.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Essays revisitados

Hoje foi um dia semelhante à 5a feira passada. A professora voltou a falar do que esperava nos essays finais e houve mais uma aula extra sobre como escrever textos académicos, desta vez dissertações. Mas o dia correu de maneira muito diferente :) .

Hoje foi o culminar do trabalho para EU institutions. Esta semana era a minha vez de escrever um essay sobre o tópico semanal (Política regional e de coesão da União Europeia) e de fazer uma apresentação, tudo isto em conjunto com a minha colega R.. Se se lembram, o pânico sobre os essays era mais que muito pois essays não me são instrumentos de avaliação e trabalho especialmente familiares. Portanto este primeiro essay, apesar de ser apenas um quarto do que os finais terão de ser, seria uma introdução ao trabalho que terei de desenvolver até Janeiro.

Acho que não podia ter corrido melhor. :D

No nosso essay tivemos em conta as críticas feitas a essays anteriores apresentados nessa disciplina para nos guiar para longe do que o que não devemos fazer, e indo assim por exclusão de partes para o que se deve fazer. Depois da aula extra sobre como escrever um essay em já tinha em mente a seguinte ideia muito simples: um essay é a tomada de uma posição e a defesa dessa posição através de provas. Ter isso em mente ajudou-nos bastante a escolher a direcção a tomar na estrutura do trabalho. Argumentos a defender a nossa posição, mais argumentos a defender a posição oposta e o porquê da nossa posição ser melhor. É basicamente isto.

O nosso esforço valeu-nos elogios de colegas no debate da aula e da professora. O meu coraçãozinho voou por uns momentos quando no final a professora disse: "I really liked your essay, you really nailed it" o que pode ser traduzido como "acertaram na muche". Fiquei incrivelmente orgulhosa de mim, pela primeira vez neste mestrado. Apetecia-me pular e soltar gritinhos histéricos de contentamento.

A apresentação que era suposto acompanhar o essay não podia ter corrido melhor também. A R. fez a introdução e eu apresentei um estudo de caso. Qual? Nada mais nada menos que Portugal :D. Uma data de slides com dados, mapas das regiões que recebem os fundos comunitários e tabelas com os programas e o dinheiro que a UE dispende foram uma tentativa de explicar uma parte complicada da política da UE através de algo concreto. Resultou. Os colegas mantiveram o interesse, fizeram montes de perguntas e comentários no final e alguns até nos congratularam. Pela primeira vez numa apresentação cá não levei qualquer apontamento sobre o que ía dizer, expliquei e analisei os dados consoante eles apareciam nos slides naturalmente e de cor. Não me engasguei (apesar de ter ficado presa uma ou duas vezes numa palavra; acontece-me sempre, tanto em português como em inglês; mas consegui sempre dar a volta e continuar o que queria dizer :) ) e consegui improvisar e responder às perguntas dos colegas de forma satisfatória e construtiva.

Isto tudo para dizer que o sentimento de dever cumprido e de orgulho no final da apresentação era mais que muito. O pânico dos essays desapareceu como por magia e um novo sentimento substituiu-se-lhe: confiança. Já tenho uma ideia clara do que um essay é. Ainda que como aplicar isso a diferentes casos e temas seja outra história.

Quanto à dissertação final, ou tese, nenhum pânico semelhante ao da semana passado se instalou. Parece-me apenas um mega-essay, mais elaborado e mais extenso mas com a mesma estrutura. E com isso eu posso lidar :).

Em suma, o dia de hoje não podia ter corrido melhor. Uma apresentação "very interesting", um essay elogiado, algum tempo passado com 3 colegas que timidamente se vão tornando amigas, o dia com temperaturas mais baixas desde que cheguei mas no qual não senti frio NENHUM (os dois pares de collants devem ter ajudado), o papelinho na caixa do correio para ir levantar o router da internet (após mês e meio!) e os segredos da temida dissertação finalmente revelados fizeram-me pensar enquanto caminhava para casa "Realmente só faltava começar a nevar!..."








S. 

domingo, 24 de outubro de 2010

Trabalha cérebro, trabalha

Já consigo estudar. Finalmente consegui acalmar os meus sentidos o suficiente para ser capaz de me concentrar em aprender, ler, analisar.

Londres estava a ser demasiado enorme e interessante para eu conseguir focar a minha completa atenção num texto. Agora acho que o meu inconsciente já se apercebeu de que Londres não vai fugir, vai estar aqui comigo durante uns meses valentes e que tudo o que há de interesse para ver vai conseguir ser visto. E por isso posso relaxar e concentrar-me em aprender.

Defina-se "aprender". Uma coisa que me tinha irritado na licenciatura está a ser exacerbada neste mestrado, se bem que agora já não me chateia: as aulas levantam mais questões do que as que respondem. Mete raiva. Uma pessoa quer aprender "coisas", factos concretos e dão-nos interrogações. Afirmam que não há teorias certas apenas modos de ver as coisas diferentes, desde que defendidos por argumentos bem construídos. Wtf! Assim não dá para estudar! Porquê? Porque nos obriga a pensar. A tentar levar o raciocínio mais além. E isso é chato. Porque o cérebro é preguiçoso.

Mas o cérebro também é extremamente flexível e após uns tempos a forçá-lo e a limpar a ferrugem eis que não há nada mais estimulante do que questões controversas para dissecar e raciocínios novos para formar. Thank you, King's :).




S.