Mostrar mensagens com a etiqueta amigas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amigas. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Educação não tem preço

A minha colega G. hoje revelou-me uma informação que ela descobriu e que me deixou de boca aberta:

---»  parece que em média cada aula do meu curso custou £80 ao bolso dos meus pais.

Fiquei chocada por não fazer ideia. Nunca tinha visto as coisas dessa perspectiva... Este semestre faltei a duas aulas. O que equivale a 160 libras mandadas ao ar, ou seja, 190 euros.

Se precisava de incentivo para não faltar a nenhuma aula nesta última semana que se adivinha muito complicada, aqui o tenho.




S.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Santas Claus is coming to town

Hoje foi dia de experimentar um bocadinho o espírito natalício de Londres. Tardou a chegar mas acho que a minha consciência já está a ficar sintonizada em "modo: Natal".

Não chega que o hipermercado à porta de casa já venda árvores de Natal desde o Halloween. É preciso que Dezembro chegue. Se esse Dezembro trouxer neve então, melhor :).

Se se procurar, Londres tem inúmeras coisas natalícias a fazer neste período. Mercados de Natal não faltam, ringues de patinagem no gelo são mais de uma dúzia, árvores de Natal começam a aparecer em vários pontos estratégicos, postais de Natal são vendidos por inúmeras instituições de caridade. E neve, este ano. De forma que tudo conspira para que o espírito natalício se forme.

Hoje decidimos então experimentar um dos famosos e piturescos Christmas Markets. Por alguma razão, muitos deles duram apenas este fim-de-semana... Escolhemos dois por ficarem perto um do outro e podermos duplicar assim a experiência natalícia. O acesso era muito fácil uma vez que ficam ao lado da estação de Waterloo.

Que diferença para a segunda-feira passada! Desta vez não fui em pé e não houve a confusão de um dia de greve de metro. Claro que ser sábado significa muito menos gente na estação. Mas também significa menos comboios...

A viagem foi feita em frente a duas senhoras velhinhas - o que contribuiu ainda mais para o espírito natalício! Isto pode parecer estranho mas eu clarifico. Estas duas senhoras eram o epítome da Britishness. Quando se pensa em Inglaterra rural, cottages e chá das cinco? Tudo isso estava embrulhado naquelas duas encantadoras senhoras. Mantiveram uma conversa a viagem toda, para meu regalo. Expressões como "jolly scarf", "good heavens!", "oh dear" naquele inglês perfeito da BBC fizeram-me ter vontade de exclamar "awwww...!" enquanto fingia não estar a escutar todas as palavrinhas e frases bem construídas num inglês que não é todos os dias que se ouve. A amante da língua inglesa em mim estava ao rubro. Foi também uma extraordinária variante das conversas sobre doenças que escutei durante anos em transportes públicos entre velhotas. Se bem que aí houve momentos preciosos de comicidade difíceis de esquecer... :D

Quando estávamos quase a chegar a Waterloo, uma das senhoras pergunta "Does she still talk with her father? On Facebook or on Skype?". Acho que aí não devo ter conseguido esconder que estava a ouvir a conversa já que a surpresa deve ter ficado bem visível na minha cara... Octagenárias a falar de novas tecnologias em inglês (perfeito da BBC, não esquecer!) - amo!

Como o mercado ficava perto da London Eye, enquanto esperava pela I. fiquei a observar as pessoas que patinavam pela pista de gelo a fora. Parece tão fácil! Apesar da certeza da minha falta de jeito é algo que sei que vou ter de experimentar. Faz parte de um Natal londrino!

O mercado em si, Cologne Christmas market, não desapontou. Fofinho é a palavra que melhor o descreve. As iguarias à venda e a decoração das cabanas eram de inspiração alemã. Tudo decorado nataliciamente, com luzinhas já acesas (hora de almoço num dia nublado de Dezembro não significa muita luz) fez-me pensar que aquele mercado deve ser mesmo bonito à noite.

O mercado adjacente, mais pequenino, era constituído por tendas com diferentes iguarias. Iguarias comestíveis de vários países, entre eles Portugal! Claro que tivemos que petiscar ali. Chouriço rolls, servidos por um senhor que não falava português, "only Spanish". O chouriço era uma maravilha, acabado de sair da frigideira quente. Mas não se podia considerar iguaria portuguesa; além do chouriço aquela sandes levava espinafres e molho de tomate... Algo nunca visto em Portugal de certo. Enfim. Comemos ali perto e pudemos constatar que aquela tenda estava muito concorrida. Talvez a gastronomia portuguesa tenha boa fama aqui em Londres. O que, admita-se, não é difícil.

De seguida decidimos passear um bocadinho por Londres central. Atravessámos a Waterloo Bridge e chegámos ao Strand. Uma ponte que se atravessa a pé em 4 min numa capital é algo surpreendente para alguém que está habituada a pensar em pontes do tamanho da Vasco da Gama ou mesmo da 25 de Abril. O Tamisa não é uma fronteira em Londres como o Tejo o é em Lisboa.

Seguimos o Strand até Trafalgar Square, Lá estava a árvore de Natal que os noruegueses oferecem todos os anos aos britânicos, desde o final da 2ª Guerra Mundial, para lhes agradecer o esforço de guerra e o que fizeram pela Europa. :') . É caso para dizer: awwww...! A árvore em si era um pouco, er... desapontante. Um bocadinho raquítica e nada impressionante para duas portuguesas que estão habituadas às megalomanias de "maior árvore de Natal do mundo" e coisas do género com que Lisboa gosta de se envaidecer de vez em quando. Mas o que conta é a intenção, senhores noruegueses! E essa é das melhores :).

Decidimos ir à National Portrait Gallery, (grátis, mais uma vez) um museu feito só de retratos de Reis ingleses e outras figuras importantes da história britânica. Claro que a intenção principal da I. e minha era a galeria Tudor, onde estão os retratos desses reis tão mediáticos e historicamente polémicos. Tanto ela como eu temos a historiadora/romancista Philippa Gregory como favorita e a série The Tudors como hobby a preservar. Rirmo-nos ao mesmo tempo de um quadro do economista David Ricardo fez-me mais uma vez dar graças por ter encontrado alguém com quem partilhar coisas nerds e com gostos tão semelhantes aos meus. Saber que ela me entende - she gets it! -  é um dos melhores sentimentos do mundo sem dúvida. :)








S.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Essays, Portugueses e Pânicos

Hoje foi um dia de preocupações académicas. Um daqueles dias em que tive de respirar fundo várias vezes para não começar a entrar em pânico.

Acontece que a aula extra sobre como escrever essays teve um efeito contraditório: fez-me ver que um essay não é algo inescrutável, como tudo o que é racional tem uma técnica (ok, não são nada de outro mundo, respira, até tens aqui uma folha com o que fazer e não fazer num essay! O que mais podes querer? respira..) mas por outro lado o que é exigido parece-me demais para mim.

Na aula de hoje de EU institutions a professora começou por explicar o que era esperado do essay final. Não, não é espetar bocados de livros sobre o assunto e não, não é dizer "eu defendo esta posição porque sim". Isso já eu sabia. Em teoria, porque na prática continuei a fazer isso - ainda que de maneira mais refinada - por toda a minha licenciatura todas as vezes (muito poucas) em que tive de fazer trabalhos de investigação. Basicamente lia-se alguns livros sobre o assunto e resumia-se os factos e as posições dos autores e estava feito. Dá cá um 18.

Ora o problema agora é que são pedidos estudos de caso. Dados empíricos que demonstrem os argumentos. Porque um essay (fiquei a saber hoje!) não é um resumo da literatura existente nem uma compilação de factos sobre determinado assunto; é antes uma tomada de posição controversa em relação a um tema muito específico, seguida - e esta é a novidade causadora do ataque de pânico - de informação empírica detalhada que apoie a defesa dessa posição.

Isto dá muito mais trabalho. Implica submergir nas bases de dados da União Europeia, vasculhar relatórios e actas de reuniões à procura de informação que suporte o nosso argumento. Quão mais fácil é dizer "eu acho que é assim porque o autor fulano disse que era assim, e ele sabe! porque fartou-se de investigar os documentos reais nas vastas bases de dados existentes"... Parece que agora não se pode fazer isso. Diz que os essays têm de ser trabalhos originais que acrescentem conhecimento e não sei quê.

De forma que comecei o dia bem, logo com um cheirinho do que a aula extra me iria relevar sobre esses temidos essays. E não melhorou. Estava eu a pagar o meu hot chocolate (amo amo amo) quando me deparo com a minha professora atrás de mim. "Ah, como é que estão a ir as coisas?", "Ah vão bem, tirando os mini-pânicos que se formam cada vez que penso nos essays finais. Vou agora assistir à aula extra sobre eles. Sabe, é que nunca fiz um." É aqui que ela arregala os olhos e diz "O que queres dizer com isso? Onde é que estudaste?!" O mini-pânico começa a formar-se. "Er, Portugal... Era tudo à base de exames." Ela tenta reconfortar-me: "Mas agora também tens exames, não é?", "Não, é mesmo tudo essays..." Os olhos arregalam-se outra vez e tenta disfarçar a preocupação: "Bem, tira muitos apontamentos na aula extra e se precisares de alguma coisa diz" assegura-me ela, lançando-me um sorriso reconfortante. Só não entrei em pânico completo porque tinha um hot chocolate comigo.

Pela primeira vez senti que a minha Univ Nova me tinha falhado. Preparação em trabalhos académicos foi algo que não tive como deve ser. Mas tive notas altas em trabalhos! Um método que foi altamente recompensado na licenciatura tornou-se inútil em mestrado.

Enquanto esperava pela aula conversei com a N. sobre dissertações e disse-lhe como achava que 10 mil palavras não eram assim tanto para uma tese de mestrado e como em Portugal eram 30 mil palavras. "A minha dissertação de licenciatura teve 50 páginas, tens alguma ideia de quantas palavras são?" Eu calei-me e chorei por dentro a ausência de hot chocolate para me reconfortar desta vez.

A amiga do lado: "De onde és?", "Portugal", "?!?! não pareces portuguesa! És tão branca e tens cabelo claro...". Hahaha, estereótipos são sempre uma fonte de imensa risada da minha parte :D . "Mas sou baixa, portanto isso qualifica-me como portuguesa.", "Ah, tens razão." A N. perguntou-lhe então como é que ela achava que eram os portugueses: "Então, são mais escuros e de cabelo preto". Gostei imediatamente desta rapariga :D.

A aula em si teve o efeito contraditório como já referi, mas pelo menos agora já tenho um plano sobre o que fazer e o que não fazer num essay, o que incluir e não incluir, as preocupações a ter. De forma que o balanço foi positivo.

Tal aula coincidiu com a preparação do meu primeiro essay em grupo. Será apenas um quarto do tamanho dos essays finais e já está a dar tanto trabalho :( . Como é suposto ser apresentado dá para ter depois em conta as impressões e os comentários da professora. Amanhã vou escrever a minha parte. Espero sobreviver para contar :D




S.