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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Veados, veados por todo o lado

Acho adequado vir aqui apresentar o desfecho deste episódio:

Fui hoje - finalmente - ao Richmond Park e vi dezenas de veados. À beira da estrada, a atravessar a estrada, nos prados, ao pé de Hampton Court, à beira de uma avenida incrível como quem vai para Teddington.




 Eram mais que as mães.

Quanto à zona adjacente, sim senhora, todo o cenário idílico que lhe dá a fama de uma das zonas mais procuradas da Grande Londres: casas lindíssimas de classe média-alta, muito sossego, limpeza e ordenação, longe da confusão do centro londrino, muito branquela, muito à subúrbio respeitável. Tudo do que neste momento da minha vida quero estar bem longe.



S.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Esses malditos veados

Em boa verdade, eles não têm culpa nenhuma de nada. Mas foi o que eu disse várias vezes durante a última passagem por Londres.

Quando se formulou a pergunta: "Vou estar umas boas horas em Londres, alguma coisa em especial que nunca tenha visto / deva ver / queira mesmo muito voltar a ver?" Nada se me afigurou ao primeiro pensamento. Mas aí ao terceiro, uma coisa muito nítida começou a tomar contornos: veados. Muitos veados. Richmond... Este vídeo maravilhoso:




Depressa pus de parte a ideia porque Richmond fica um bocadinho longe da área monumental da cidade e ainda assim havia o mercado de Spitalfields (adoro dizer esta palavra) a que também nunca tinha ido e já merecia uma visita.

Mas depois de horas e horas a deambular pela cidade a obsessão com Richmond foi subindo à tona e numa fração de segundo decidi ir almoçar à cidade/vila da Virgínia (por falar em Virginia Woolf, a senhora é uma alumna da King's e eu não sabia:



Sempre à espera que alguma da genialidade se transmita por osmose ou assim...) e ir finalmente deleitar a vista com as illusive creatures que estes veados londrinos provaram ser.

Como fui de mãos a abanar no que aos mapas diz respeito, e porque só estive em Richmond uma vez, vi-me obrigada a procurar um daqueles postes na rua com a bolinha vermelha do You are here para saber onde ficava o parque. Depressa encontrei um Old Deer Park, não muito longe dali. Meti os pés ao caminho.





Como diz o Nilton: "Bela merda..."

Na minha ingenuidade, achei que a palavra-chave em Old Deer Park era Deer. Afinal era Old, na medida em que era, já não é. Porque veados, viste-los.

Não era mais que um grande descampado verde com balizas (!) de rugby e futebol, um grande campo de golfe atrás, e uma via rápida a correr num dos lados. Que parque tão prazenteiro à vida animal...





Foi quando reparei noutro mapa-poste, desta vez a mostrar o Richmond Park que se fez luz na minha cabeça e que eu fiz o maior facepalm da vida. Parque errado... (mas quantos parques tem Richmond, também?! Quando lá fui em 2010 estive num à beira do Tamisa e nos Kew Gardens e agora no Old Deer Park e nada de veados...)

Resumindo: foram 40 minutos até lá, mais 40 minutos até cá, e mais umas 2 horas a deambular pela cidade/vila deitados pelo esgoto abaixo. E cheguei à conclusão que Richmond também não é tão bonitinho, bucólico e suburbano quanto a minha seletiva memória o havia idealizado. Ainda assim, lá voltarei novamente porque à terceira será de vez e os veados não me vão escapar.



S.



sexta-feira, 6 de maio de 2011

Verdura Citadina - Parte III

Como referido no último post, aqui está uma 'Verdura Citadina' dedicada aos Kew Gardens.



São sem dúvida os jardins mais bonitos de Londres. Ficam um pouco deslocados do centro, em Richmond, e talvez por isso ocupam uma área vastíssima, impensável no centro da cidade (há um comboio que percorre o parque e que os visitantes podem apanhar, o que revela a dimensão do mesmo). Estes jardins têm também um ar natural/selvagem que os parques centrais não conseguem igualar. Ao mesmo tempo, nota-se a organização pensada deste parque, uma vez que há um certo ordenamento do espaço e está tudo impecavelmente arranjado (excluíndo os cocós de pato pela relva. Vamos atribuir isso à parte 'selvagem' dos jardins).

 Aqui estou eu a temer o pior...

Visitei estes jardins no outono, e o charme das folhas douradas e a natureza a preparar-se para mais uma estação de frio sentia-se bastante bem. Não pude deixar de pensar como seria visitar estes jardins na primavera, quando as árvores e as flores estão no seu esplendor máximo. 






O interesse deste parque é que tem várias atrações para além da óbvia Natureza. Uma torre oriental chamada pagode, uma estufa fria, outra estufa que imita diferentes climas nas suas diversas salas (húmido das florestas tropicais, seco dos desertos, temperado, etc), um jardim japonês, uma casa de bambú, fazem com que visitar este parque se torne interessante e nada aborrecido.







Outra das atrações mais famosas destes jardins é o Kew Palace, que, sejamos sinceros, não tem grande ar de palácio, só de casa anormalmente grande.



A atração mais incomum deste parque é um chamado 'passeio pelo topo das árvores'. Não aconselhado a pessoas com medo de alturas, uma vez que a estrutura de ferro por onde se anda dá para ver o chão lá em baixo e parece que caminhamos pelo ar. Perturbante, e para ser feito num instantinho (deu para tirar uma ou outra foto da vista, não mais do que isso).



Aconselho vivamente, tanto o parque como a própria vila de Richmond. É um lugar com muitos espaços verdes à beira rio, de ar suburbano e bastante diferente de Londres. Existe um parque em Richmond com veados, que infelizmente não visitei e que deve ter mais aspecto de floresta ou de campo, já que os ditos bichos vivem lá livremente. Os Kew Gardens pagam-se, uma anomalia em parques londrinos, mas valem definitivamente a pena.




Nível de esquilidade: elevado (não só nestes jardins como nas outras zonas verdes de Richmond, é impressionante a quantidade de esquilos que se vê. Se se levar bolachas, é garantido o abuso de esquilos e fugir é a opção mais segura. Falo por experiência própria.)



Nível de avicidade: elevado (muitos patos têm estes jardins...)

Nível de pombaria: er... sinceramente, não me lembro. Mas vou apostar em elevado (não há razão nenhuma para que os pombos não frequentem este local.)

Nível de bambicidade: nulo, nos Kew Gardens (em Richmond é moderado-a-elevado, devido à existência do Richmond Deer Park, que, agora que vejo as imagens no Google, não acredito que não visitei).

Se eu visse isto acho que desmaiava de alegria.



S.

domingo, 1 de maio de 2011

Bristol

Como referi no último post, e ao contrário de Londres, não conheço o Reino Unido tão extensivamente como gostaria. Cambridge e Bristol foram as duas cidades que visitei fora de Londres e ambas relativamente perto da capital. Richmond foi outra cidade visitada mas, apesar do seu ar de subúrbio no melhor dos sentidos, ainda pode ser considerada como fazendo parte da zona metropolitana de Londres (o metro londrino chega lá portanto, para mim, continua a ser Londres).  Foi um dos locais que mais gostei de visitar e os seus Kew Gardens vão merecer um post na categoria de 'Verdura Citadina'.

A oportunidade de visitar Bristol surgiu devido a uma entrevista de emprego que, apesar de não pensar em aceitar o dito cujo, participei para ir ganhando experiência nestes processos de seleção. As aulas já tinham acabado, tempo era coisa que não me faltava e claro, o facto de implicar conhecer outra cidade foi motivação suficiente para a deslocação. Um dia não deu para visitar tudo mas deu para ficar com um cheirinho de uma cidade inglesa que não Londres.

Cambridge não é definitivamente uma cidade. Tem uma aura rural, é um sítio calmo, que vive para a universidade homónima e onde se respira história. Bristol, no entanto, é bastante diferente.


       Cambridge

Mais uma vez fui de olhos bem abertos durante a viagem, a deleitar-me com as paisagens verdejantes e as casinhas que aqui e ali se vislumbravam. Numa viagem de 2h40m às 9 da manhã (tinha acordado às 6 e meia) nos banquinhos confortáveis de um autocarro que viaja a direito por uma auto-estrada isto é algo difícil mas lá consegui fazer o esforço. Quando me deparei com este sinal de trânsito quase soltei uma gargalhada:

        (não tive tempo de sacar da máquina fotográfica e registar o verdadeiro sinal mas era igualzinho a este)

A primeira impressão que tive de Bristol foi que era uma cidade de ruas estreitas e inclinadas. E muito mais pequena que Londres.



 Fiquei algo desapontada. Tenho noção de que só andei pelo centro da cidade, não vi ícones fundamentais como o Avon Gorge ou os Bristol Zoo Gardens mas de qualquer forma o centro da cidade não me encantou particularmente. Como Bristol é a cidade da série Skins estava sempre à espera de vislumbrar adolescentes problemáticos. Não foi entre adolescentes, mas vi a minha primeira cena de pancadaria numa esplanada. E depois queixam-se dos estereótipos, pff.

Sou naturalmente atraída por espaços verdes e, tal como em Londres, são sempre sítios que me maravilham os sentidos. Gosto de caminhar por eles sem particular destino e observar as outras pessoas a ler, a conservar ou simplesmente a dormir uma soneca na relva (quem disse que as sestas são exclusivas dos países mediterrânicos está muito enganado).


Tenho alguma vergonha em admitir que pensei que este rio fosse o Tamisa... Parece que Bristol não fica assim tão perto de Londres para partilharem o mesmo rio. Este é o rio Avon.

Neste dia estava sol e uns 20 graus primaveris, de maneira que o parque estava cheio de pessoas a almoçar os seus terríveis almoços de pacote. Eu preferi uma cornish pasty. Desde que a I. me convenceu a provar em Cambridge me rendi completamente (1 libra mais barata do que em Londres! Uma pequenina prova de que o custo de vida londrino não reflete o custo de vida inglês).




Como a entrevista dizia apenas 'afternoon' e o meu comboio estava marcado para as 16:30, não tive muito mais tempo para visitar Bristol. Limitei-me a ir à baixa onde ficavam as lojas e à zona dos escritórios, onde ficava a entrevista.

Não fiquei enamorada por esta cidade mas fiquei a conhecer mais um pedacinho de Inglaterra. Acredito firmemente que uma capital não reflete um país, e portanto limitar-me a Londres seria não conhecer minimamente Inglaterra, e muito menos o Reino Unido, tão rico em diferenças nacionais (em Gales têm uma língua diferente e Escócia nem sequer faz parte de certos organismos nacionais como os censos, e o sistema educativo escocês é completamente à parte do inglês, galês e norte-irlandês).





S.