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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

E por falar em mind the gap...



Fui ver se estava tudo no sítio.


Estava.


Entre a minha chegada do Norte, 


Ser atacada por esquilos, 


E o reencontro de velhos amigos,


Passei um dia mais ou menos assim:


Dia que chegou ao fim, e foi tempo de regressar a casa:


Não vou esquecer a segurança apertada digna de aeroporto, nem a fiscalização (outra vez...) dos meus chás, nem o facto de não me terem deixado esquecer que ali é uma fronteira e que o UK é uma coisa, a Europa é outra, cá confusões...


Mas tinha-me esquecido:

- da quantidade absurda de gente, por todo o lado, em todo o lado, a toda a hora;
- da "planez" de Londres;
- do bom que é ter maquinistas de metro em constante paleio pelos altifalantes;
- que mesmo viajando 40 min de metro, se continua no centro da cidade;
- do cheiro das cornish pasties;
- dos semáforos que acendem laranja antes de passar ao verde;
- da cor da moeda de £2;
- dos tablóides com títulos sensacionalistas a roçar o xenófobo ("Why we should not let Germans forget their atrocities in the Great War")
- que aqui também se anda de bicicleta.



S.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

As coisas que uma pessoa encontra por aí.


Olhem-me para o bicho todo repimpado a levar festas dos transeuntes. O que passou pela cabeça deste pelicano para se ir empoleirar no banco? 

Tenho para mim que este bicho, tal como os esquilos e gatos em geral, sabem que são fofinhos. E aproveitam-se do facto. No caso dos esquilos é para roubar bolachas e afins, no caso dos gatos é para escaparem a toda e qualquer porcaria que fazem que não seria tolerável em mais nenhum animal. 



No caso deste pelicano parece ser apenas porque lhe apetece carinho e atenção. E portanto subiu para cima de um banco, porque só assim fica ao nível do campo de visão humano. 

Já os pombos, como têm noção de que não nasceram agraceados com qualidades enternecedoras utilizam a táctica da insistência. Quantas vezes dei por mim de mão estendida com uma bolacha a implorar que um esquilo a viesse buscar e só me apareciam era pombos. "Sai DAQUI, tu não és fofinho!"

Ganham pontos pela persistência.



S.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Verdura Citadina - Parte III

Como referido no último post, aqui está uma 'Verdura Citadina' dedicada aos Kew Gardens.



São sem dúvida os jardins mais bonitos de Londres. Ficam um pouco deslocados do centro, em Richmond, e talvez por isso ocupam uma área vastíssima, impensável no centro da cidade (há um comboio que percorre o parque e que os visitantes podem apanhar, o que revela a dimensão do mesmo). Estes jardins têm também um ar natural/selvagem que os parques centrais não conseguem igualar. Ao mesmo tempo, nota-se a organização pensada deste parque, uma vez que há um certo ordenamento do espaço e está tudo impecavelmente arranjado (excluíndo os cocós de pato pela relva. Vamos atribuir isso à parte 'selvagem' dos jardins).

 Aqui estou eu a temer o pior...

Visitei estes jardins no outono, e o charme das folhas douradas e a natureza a preparar-se para mais uma estação de frio sentia-se bastante bem. Não pude deixar de pensar como seria visitar estes jardins na primavera, quando as árvores e as flores estão no seu esplendor máximo. 






O interesse deste parque é que tem várias atrações para além da óbvia Natureza. Uma torre oriental chamada pagode, uma estufa fria, outra estufa que imita diferentes climas nas suas diversas salas (húmido das florestas tropicais, seco dos desertos, temperado, etc), um jardim japonês, uma casa de bambú, fazem com que visitar este parque se torne interessante e nada aborrecido.







Outra das atrações mais famosas destes jardins é o Kew Palace, que, sejamos sinceros, não tem grande ar de palácio, só de casa anormalmente grande.



A atração mais incomum deste parque é um chamado 'passeio pelo topo das árvores'. Não aconselhado a pessoas com medo de alturas, uma vez que a estrutura de ferro por onde se anda dá para ver o chão lá em baixo e parece que caminhamos pelo ar. Perturbante, e para ser feito num instantinho (deu para tirar uma ou outra foto da vista, não mais do que isso).



Aconselho vivamente, tanto o parque como a própria vila de Richmond. É um lugar com muitos espaços verdes à beira rio, de ar suburbano e bastante diferente de Londres. Existe um parque em Richmond com veados, que infelizmente não visitei e que deve ter mais aspecto de floresta ou de campo, já que os ditos bichos vivem lá livremente. Os Kew Gardens pagam-se, uma anomalia em parques londrinos, mas valem definitivamente a pena.




Nível de esquilidade: elevado (não só nestes jardins como nas outras zonas verdes de Richmond, é impressionante a quantidade de esquilos que se vê. Se se levar bolachas, é garantido o abuso de esquilos e fugir é a opção mais segura. Falo por experiência própria.)



Nível de avicidade: elevado (muitos patos têm estes jardins...)

Nível de pombaria: er... sinceramente, não me lembro. Mas vou apostar em elevado (não há razão nenhuma para que os pombos não frequentem este local.)

Nível de bambicidade: nulo, nos Kew Gardens (em Richmond é moderado-a-elevado, devido à existência do Richmond Deer Park, que, agora que vejo as imagens no Google, não acredito que não visitei).

Se eu visse isto acho que desmaiava de alegria.



S.

sábado, 26 de março de 2011

Verdura citadina - parte I

Não é muito difícil escolher a característica de Londres que mais me fascina. Os extensos km2 de verdura que esta cidade contém sempre foram objeto da minha profunda admiração. Como é possível que uma das maiores cidades do mundo tenha no seu centro extensas áreas verdes que não servem para mais nada que não para o puro contentamento dos seus habitantes? Pressão imobiliária é algo alheio a estes governantes.

Com a primavera a chegar com todo o seu esplendor e várias visitas de amigos/familiares nas últimas semanas, longos passeios nos ditos parques têm sido fonte de grande contentamento para mim (e para os visitantes também :) ). Daí que decidi fazer uma série de posts sobre os parques mais conhecidos de Londres e outros menos conhecidos, os que valem mais a pena e os que ainda tenho de ver se valem a pena.


Hyde Park

Começo pelo mais conhecido dos grandes parques londrinos, e também o maior. Começou por ser uma reserva de caça do rei Henry VIII. O que não espanta que me tenha envergonhado à frente da pobre empregada da loja do parque com o meu entusiasmo a perguntar se havia deers ali (não há). Abriu ao público no séc. XVII.

É muito semelhante ao Central Park em Nova York, como esta foto aérea mostra, o que me surpreendeu bastante quando a vi (pff, americanos, que falta de originalidade).



A característica mais visível deste parque é o grande lago, o 'Serpentine', que na verdade divide essa imensidão verde em dois parques: o Hyde Park e os Kensington Gardens. Visitei-o em pleno inverno e há uma semana atrás, e a diferença não podia ser maior:




É realmente um espetáculo ver a alegria e a mudança de hábitos nesta cidade quando o sol dá o ar da sua graça :). Converge tudo para os espaços verdes, vê-se gente a andar de cavalo (!), a patinar, a andar de skate, a andar de barquinho no Serpentine, a passear os cães, a passear os filhos, sentados na relva a ler, a fazer uma sesta, a meditar, a namorar...



A palavra que melhor caracteriza o Hyde Park é 'extenso', não só por causa do seu tamanho mas principalmente pela impressão que dá: relva e mais relva e mais relva, sempre plano, com uma árvore aqui e ali mas sem grandes pormenores como outros parques londrinos têm. Não se vê muitos canteiros com flores, arbustos ou semelhantes detalhes de jardinagem. Perfeito para fazer um piquenique na relva ou, se se tiver idade para isso, simplesmente rebolar nela (quão eu invejo crianças).

A atração mais conhecida neste parque é o Speaker's Corner, que como o nome indica fica numa das esquinas do parque. Segundo consta, é tradição centenária deixar qualquer pessoa discursar sobre qualquer assunto naquele local. Epítome do direito à livre expressão, ainda hoje se podem ver (e ouvir) pessoas a discursar todos os domingos sobre os mais variados assuntos.


Outras atrações incluem o Holocaust Memorial, o 7/7 Memorial (em memória das vítimas dos atentados de 2005), e o Diana Princess of Wales Memorial.


Nível de esquilidade: baixo (lá está, não é suficientemente selvagem para que os esquilos se sintam à vontade)

Nível de avicidade: moderado (em contrapartida, o enorme lago gera grande felicidade para tudo o que e pato)

Nível de pombaria: elevado (er... é um parque, há pessoas potenciais portadoras de bolachas/pão, é claro que há pombos)

Nível de bambicidade: mínimo (não se verifica :( . Veados é coisa inexistente neste parque. O Henrique VIII deve tê-los caçado todos)



S.