Mostrar mensagens com a etiqueta inverno. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta inverno. Mostrar todas as mensagens

sábado, 2 de maio de 2015

Uma pessoa ri-se, ri-se, mas quero dizer, quão triste é isto?

'Do you know the difference between the clouds and the sky? If you do, you're lucky, because if you live in England, the two are pretty much synonymous. (...)

Our word sky comes from the Viking word for cloud, but in England there's simply no difference between the two concepts, and so the word changed its meaning because of the awful weather.'

The Etymologicon: A Circular Stroll Through the Hidden Connections of the English Language, Mark Forsyth


Hoje fui correr vestida com o meu equipamento de inverno: camisola de manga comprida, calças, impermeável, tapa-orelhas. 

(Eu o inverno tolero bem, o que me frustra mesmo é o prolongamento do mesmo por meses que não devia. Especialmente depois do contraste de uns dias em Portugal a correr de chapéu e protetor solar.)





S.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O frio está nos ossos de quem o sente

Hoje acordei e deparei-me com este cenário:


Aaaah, que bonito, tudo branquinho! Mas só é bonito porque hoje não tenho que sair de casa. E só tenho planos para correr na rua no sábado.
 
Por falar nisso, este fim-de-semana fui outra vez à floresta correr. Sheffield estava com bocaditos de neve nos passeios por isso o meu destino foi fácil de decidir. Os senhores do tempo disseram expressamente que ia nevar durante a noite mas "will not accumulate". Que mentira. Não acumulou como a foto em cima, mas havia brancura nos passeios. E eu fui os 15 minutos entre minha casa e a floresta a correr à pinguim, devagarinho e a levantar muito os pés com medo de escorregar.
 
Mas, caneco, se valeu a pena. A entrada da floresta tem um caminho de alcatrão e esse estava gelado. Mais um bocadinho de pinguinismo e uma ou outra escorregadela imperceptível.


Para cá logo aprendi e vim pela erva nevada.
 
Mas quando aquilo passou para terra batida foi o céu. Correr na neve fofa é espetacular. É divertido, não tem o impacto que o alcatrão ou os passeios têm nas articulações, e o treino passa a correr porque uma pessoa fica deslumbrada com as paisagens à volta.






É um treino mais lento, não só porque o caminho por entre a floresta é sempre a subir, mas porque ando sempre a parar para admirar a vista e tirar fotos. Ainda por cima estava um sol brilhante e bonito, com tanta gente a passear os cães, a passear-se a si e aos filhos, a correr, a fazer BTT, ou na esplanada (!). Os Sheffieldianos apreciam o ar livre, quer-me parecer, e estão se a marimbar para o frio, só felizes porque não chove.
 
Quanto mais me embrenhava na floresta mais abundante era a neve, até que comecei a achar que estava num postal de Natal.




Era hora de voltar para trás mas só me apetecia continuar porque queria descobrir o que estava além daquela curva, além daquele morro, além daquelas árvores.
 
E depois ganhei tanta sede que queria água e não tinha, ainda por cima com o rio a correr ao meu lado o tempo todo. O rio! pensei eu, É isso mesmo! E fui beber água gelada ao riacho que ali passa. Soube mesmo bem, quem precisa de bebedouros ou garrafas de água à cintura quando se tem água pura aos pés. Fiquei foi o resto do caminho com a mão que fez de tacinha gelada, mas who cares.
 
Saltei mais uma vez as pedras do rio, bebi mais um bocadinho de água fresca e passei por um lago congelado, antes de sair da floresta e subir para casa.
 


 
 
Foi um dia bom. Enlameado, apercebi-me ao fim, mas bom.
 
 
 
 
S.


 

domingo, 11 de janeiro de 2015

Florestas, onde estiveram toda a minha vida?

Estas semanas que passei a correr em Portugal debaixo de 16-17° e sol brilhante estavam-me a amolecer o espírito. Que inverno é este, interrogava-me eu, quando as minhas corridas curtinhas eram passadas a correr de fonte em fonte para acalmar uma sede que não era suposto se fazer sentir em pleno inverno. Fez-me várias vezes falta um chapéu com pala, que o sol encandeava durante os treinos.
 
Well, no more. Ontem à noite olhei apreensiva a neve que caía em rodopio por causa do vento forte, e rezei a todos os santinhos que os 5° que davam para hoje fossem suficientes para não deixar o gelo acumular nos passeios. Esperei pelo meio-dia para ver se o pico do calor - hahaha! - ajudava a derreter o que pudesse restar da água congelada de ontem.
 
Acho que os santinhos me devem ter ouvido porque hoje não tive vislumbre de superfície vidrada alguma.
 
Ainda assim o meu plano era enfiar-me pela floresta adentro. Munida dos meus ténis ultra-resistentes, ultra-não-escorregantes, ultra-impermeáveis, de tapa-orelhas, luvas e impermeável corta-vento, lá fui eu. Tinha esperança que ia ser desta que estreava o aconchego polar de pescoço que nos deram na São Silvestre de Lisboa, mas infelizmente ainda não está assim tanto frio. Mais inverno virá, não desanimarei.
 
 
(Fotos da primeira vez que lá fui, não houve paciência para tirar o telemóvel da braçadeira desta vez)
 
Está um vento do demónio aqui no norte de Inglaterra. Vi várias árvores arrancadas pela raiz na tal floresta e não fui capaz de despir o impermeável durante toda a corrida, coisa que pensei que ia acabar por acontecer uns minutos depois de começar a correr. Fiz schlop, schlop durante grande parte do caminho e fiquei com os ténis cheios de lama, mas com sorriso maníaco na cara. É tão mais fixe ir pelo mato dentro, à beira-rio, e ver patinhos e esquilos. O ponto alto foi quando tive que saltar um riacho de pedra em pedra, espetacular, e nem molhei os pés porque estes ténis são mesmo impermeáveis e feitos para a selvajaria. Estou mesmo contente com isto de correr na floresta.
 
 
(idem)
 
 
Olhai, isto é um caminho que vai dar ao Peak District, a mancha verde mestre do mapa, sempre por floresta, por isso num destes dias hei-de lá ir ter, quando começar a correr mais de hora e meia ao fim-de-semana.



Bem que podem os passeios congelar, já encontrei alternativa mais do que compensadora.




S.  

quarta-feira, 20 de março de 2013

Primavera, qual primavera?

Então, S., como foi o teu primeiro dia de primavera? 

Cheio de florzinhas e solinho e temperaturas agradáveis?

...

Hahahahahahaha. Não.

Tive a minha primeira descolagem de avião debaixo de queda de neve, enquanto tentava perceber se a lei do escorreganço se aplicava aos pneus dos aviões também (não tinha o meu pai ali ao lado para me descansar). Há uma semana houve tempestade de neve por aqui.

Recuso-me a juntar à festa de boas-vindas de uma estação que ainda nem se avista no horizonte aqui pelos nortes europeus.






S. 

domingo, 10 de março de 2013

The gods have gone mad - again

Oh valha-me deus. Isto é inédito, até para os padrões marados do clima bruxelense.



Estamos em meados de março, porra! Chega de sinais de menos atrás dos números!

De recordar que nem há uma semana tivemos temperaturas de 17º. Estamos perante uma amplitude térmica de quase 30 graus, portanto.

Isto já não é bipolaridade; é esquizofrenia temporal.



S.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Descubra as diferenças


Fotos do Parc Cinquantenaire, tiradas com apenas um mês de intervalo, à mesma hora da matina:


   




Continua frio, é verdade. Mas o frio é muito relativo, e 1 ou 2 graus, após terem estado -8º, até parece aceitável. E temos sido brindados com este céu limpo e sol maravilhosos, de maneira que uma pessoa anda é feliz com toda a luminosidade extra e esquece-se de ter frio. No outro dia até saí de casa sem luvas! E os dias estão a crescer a um ritmo alucinante, a caminho da luz às 11 da noite que se espera lá para junho. 

Assim dá gosto levantar de manhã.



S.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Passatempo favorito: Brussels-bashing

Após acordar estremunhada, olhar pela janela e ver inesperadamente os passeios cobertos de neve, apeteceu-me mandar as bicicletas e as caminhadas à merd@ e dirigi-me ao tram que me levaria ao metro que me levaria ao outro metro que me levaria ao trabalho. Estou sem paciência para ter frio nos olhos e pés congelados.

Mas o metro bruxelense acha por bem ter a regularidade de  dez-em-dez-minutos em plena hora de ponta e portanto foi a resmungar entredentes que esperei por ele na estação apinhada. Os dez minutos passados e a luta para entrar na carruagem que é customeira. Nunca ninguém ensinou os bruxelenses que primeiro se deixa as pessoas sair dos comboios e só depois se entra, assim como nunca ninguém os ensinou que numa escada rolante, quem está parado encosta-se à direita. Oh, ordem londrina.

Na estação o metro esvai-se em pessoas, uma corrente de indivíduos que não acaba e o motorista sente que já está ali há tempo demais e portanto toca a fechar as portas no meio da corrente humana. O sistema mecânico destes metros de há cinquenta anos atrás dita que estes não tenham sistema de deteção de coisas entre as portas e é preciso muitos pares de mãos a segurar as portas para que ninguém fique entalado. Desisto de entrar no comboio do demo e fito as portas de olhos arregalados, incrédula com a estupidez que se acabou de passar ali.

As portas acabam por se fechar, menos uma. Após várias tentativas, vejo o motorista a sair da sala das máquinas, a mandar dois pontapés na porta e a regressar com ar de enfado ao seu posto. O comboio arranca pouco depois.

Após mais dez minutos de espera na estação onde faço o transbordo, a mais nojenta e incrivelmente desfeita do metropolitano bruxelense, de certo, só rivalizando com a de Schuman que tem a desculpa de estar em obras (há dois anos). Na dita cuja, subo os seis ou sete lanços de degraus de pedra por polir/acabar, maldizendo Bruxelas por não ter consideração nenhuma por pessoas idosas, deficientes ou simplesmente que ali apanham o autocarro direto para o aeroporto, e portanto têm que alombar com 20 kg às costas e é se querem. Saio para a rua e está a cair aquela chuva miudinha que não é chuva nem é neve, está frio, e eu estou quinze minutos atrasada. Tivesse caminhado, chegava a tempo, tivesse pedalado, teria chegado 10-15 minutos antes.

No dia em que tiver que abandonar esta cidade, não vou sentir um pingo de tristeza.






S.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Branco sujo

Oh Deus, está a nevar outra vez.



Por muito que me custe admitir (porque ando há dois anos a venerar neve), estava a gostar de ter sete graus de máxima...



S.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A marcha dos pinguins

Pronto. Já nevou, já há neve no chão há cerca de uma semana, já visitei um lago congelado, já brincámos com a neve, já percorri uns 3 km sempre com neve fofa debaixo dos pés, já vi xixi congelado, já atirei bolas de neve (e já levei com outras tantas), já vi o Cinquantenaire branco como nunca imaginei, já vi pessoas a limpar a neve dos passeios com pás, já senti o sal grosso a crocar debaixo dos pés. Já me sinto realizada e a sentir plenamente que vale a pena viver num país onde no inverno por vezes as máximas não chegam ao 0.

Só que... Não ando de bicicleta há mais de uma semana. Demoro mais 10-15 minutos a chegar ao trabalho (tempo equivalente a menos na cama). O meu calçado é invariavelmente o mesmo todos os dias e não é especialmente quente; mas ou é o calor ou é o conseguir caminhar a direito, não se pode ter tudo. E nunca pensei eu que uns botins que comprei num capricho de tartã se fossem tornar imprescindíveis. As estradas e as passadeiras estão cobertas de uma nhanha castanha que é o cruzamento entre lama e neve, que só não aborrece mais, lá está, graças ao meu mal-amado botim. 

Mas ainda com a bota apropriada, uma pessoa tem que aprender todo um novo estilo de caminhar: o de não arrastar os pés. Eu sei que isto assim soa mal; não é que eu arraste os pés normalmente a andar. É simplesmente a maneira habitual que os seres humanos andam, encostam o pé ao chão e para se locomoverem dão um leve empurrão no chão que ficou para trás. Só reparei neste sublime gesto quando ele de repente começou a trazer-me problemas. Porque ao empurrar o chão, er... escapava-se-me o pé. Porque a neve, como é óbvio, não dá a luta que o chão dá; se se dá este empurrãozinho, ela cede e lá vai o pé atrás. Apercebi-me disto tudo quando, muito sabiamente, decidi ontem levar as botas quentes em vez das de tração de quatro rodas, e fui o caminho todo até ao trabalho às escorregadelas e a dar passinhos de bebé, em marcha, porque qualquer movimento locomotor normal me deixava a fazer a espargata no meio da rua. E, atenção, não sou a única. Hoje, do alto dos meus botins super aderentes e nada escorregadios, comecei a reparar com atenção nas pessoas que seguiam à minha frente e foi uma desgraça; era só escorreganços camuflados, especialmente os homens de sapato engraxado e sem rasto nenhum.

Amanhã vou voltar à bicicleta. Não tem nevado, as estradas estão praticamente desimpedidas e a neve acumula-se apenas junto aos passeios, de maneiras que já é relativamente seguro. E com máximas a continuar abaixo dos zero até onde a meteorologia consegue prever não dá para esperar; se não é amanhã bem que posso continuar mariquinhas até ao fim do inverno.





S.

domingo, 13 de janeiro de 2013

C'est la neige!

Várias coisas conspiram, até agora, para que eu ache o facto de esta semana a temperatura máxima ser de -1º de uma comicidade extraordinária:

- os gritos e risos de pessoas lá fora a brincar com a neve;

- o quarto de hora que ainda há uns minutos o carro estacionado demorou até conseguir arrancar;

- aparentemente aqui só poder estar céu limpo e sol quando estão -4º;

- ainda não ter que ter pegado na bicicleta e pedalar sob temperaturas negativas permanentes (gulp) e portanto estar aqui em casa, de roupa fininha, a aplaudir todos os pontos acima.

Hoje já saí à rua, atenção. E para ir ao ginásio (nunca na minha vida pensei vir a ser capaz de fazer isto - e não me custar). Fui em modo boneco de neve, sem um centímetro de pele destapado e sem conseguir encostar os braços ao corpo, tipo culturista, por todas as camadas de roupa que levava. Lembrei-me do que descobri há dois anos, sobre ter frio nos olhos, o que só acontece quando o termómetro desce abaixo dos zero graus. 

Não será amanhã nem terça que experimentarei o pedalanço a menos de zero, uma vez que estarei a trabalhar por outras bandas, mas o frio cá me espera na quarta-feira e passarei por cá para relatar a experiência. Veremos se é para repetir...






S.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Ele há coisas... #25

É um facto. Portugal tem o céu mais azul da Europa.


A primeira coisa que noto sempre que regresso é esta luz e claridade intensas, que nem no verão a Europa do norte consegue igualar. 



E estes dias têm sido particularmente simpáticos para dois portugueses emigrantes cheios de carência de vitamina D. Ou apenas carência afetiva solar.






S.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A precipitação indecisa

Ontem, quando vi na meteorologia que davam sol/nuvens/chuva/chuviscos/granizo/neve, revirei os olhos e pensei: "Típico. Assim também eu sou meteorologista. Não sabem, não metam nada, agora meter os fenómenos climatéricos todos é ridículo."

Guess what...

No meu caminho para casa apanhei chuva, está certo, mas também granizo e neve com força. Sendo que às vezes caíam os três ao mesmo tempo... Mas mais em ciclo (às vezes não percebia se estava a chover ou a cair neve).

Está um tempo indeciso, portanto. Se bem que a máxima de -5 graus que o fim de semana trará cheira-me que vai esclarecer o tipo de precipitação que aí vem...




Espero que nos -5º ela já acumule no chão...



S.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O fresquinho

Vantagens de estarem 3º:

- voltar a usar gorro;

- felicidade e energia redobrada perante a perspetiva de uma subida de bicicleta; 

- botas peludas;

- bicicletas disponíveis com fartura porque pedalar próximo de zero graus não é para meninos;

- beber quatro canecas de chá por dia deixa de ser esquisito.


Desvantagens de estarem 3º:

- o alívio das descidas de bicicleta torna-se num amaldiçoar constante (merdamerdamerdamerdamerdatáfriotáfriotáfiotáfrio).


Pesando o inverno* na balança dos prós e contras, acho que ele sai a ganhar.




*Mentira. Sei perfeitamente que vem aí pior.



S. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tenham um bom Natal

Mais de três meses antes, encontramo-nos a pesquisar viagens de Natal, na esperança de não nos tornarmos pelintras apenas pelo nosso desejo de passar as festividades com a família. 

Sinto-me um bocado ridícula, estar a pensar em prendas e árvores de Natal no último dia de verão.




... Só não me sinto mais ridícula porque aqui já está frio e já se usa cachecol. 

S.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Barbies e aniversários

A memória é traiçoeira e faz questão de ser seletiva à sua própria maneira, sem critérios que pareçam lógicos ao nosso consciente. Assim de repente, uma das memórias mais vivas que tenho de meus aniversários em criança era da minha alegria quando recebia pelo correio a prenda que todos os anos a Revista Barbie me enviava, tal como enviava (suspeito) a todas as suas jovens assinantes.

(Sim, eu fui assinante da Revista Barbie na minha infância/pré-adolescência. Sue me. Não me consigo sequer lembrar do conteúdo da revista, mas era minimamente interessante, já que era com entusiasmo que a recebia no correio.)


As prendas em questão não eram nada de especial. De todo. A única que me recordo consistia numa moldura de cartão (!! mais rasca não podia ser), pintada a cor-de-rosa-de-Barbie, e a dizer "Barbie" algures. Mas eu ficava fascinada que uma revista, presumidamente alguém - um alguém que eu desconhecia - se desse ao trabalho e à simples atenção de me enviar alguma coisa, qualquer coisa, no meu dia de anos.

Pois bem, hoje aconteceu o mesmo quando na minha caixa de correio eletrónico tinha um e-mail com desconto promocional na Etam, por ser o meu dia de anos. (Notem como dantes a prenda chegava pelo correio, da Revista Barbie; hoje chega pelo correio eletrónico, vindo de uma marca de lingerie. Como o tempo passa. E, oh meu deus, estou a descobrir um padrão na minha vida...) O entusiasmo foi o mesmo, a sensação que se tem de se ser especial, neste dia que não é igual a mais nenhum do ano, fez despoletar a memória das prendas que eu recebia da R. Barbie. O que me fez pensar que, realmente, por mais que eu ache e me convença que o dia 1 de setembro é-me agora completamente igual a qualquer outro do ano, não dá para lhe ser completamente indiferente. Agora, a única diferença é que fico nervosa se as pessoas me perguntam quantos anos tenho, logo neste dia, porque já entrei na fase do "23, mas quem é que está a contar?" E depois engulo em seco.

E o tempo que demora a habituar-me a dizer que já tenho mais um ano é agora maior. Faltavam 10 minutos para a meia noite e eu comecei a entrar em pânico. "D., eu não quero fazer anos! Quero ficar nos 22... Mas tinha que me matar não era?" "Era.", diz D. num tom de voz completamente normal, um bocado indiferente às minhas tendências suicidas pré-aniversário, demonstrando que o pobre coitado já convive comigo há demasiado tempo e está habituado à diarreia verbal com que o bombardeio frequentemente. Enfim, o meu desejo de paragem no tempo não se realizou e eu fiquei um ano mais velha em apenas um segundo. Há pessoas que não querem fazer 30, 40, 50 anos, eu não queria fazer 23. Porque gosto de capicuas. E de patinhos.

Sempre gostei muito de fazer anos no primeiro de setembro. Quer dizer, sempre é uma mentira, já que quando era criança vivi com a angústia de não poder levar um bolo de anos para a escola e ter a turma toda a cantar-me os parabéns. E ter muitos amigos a faltar às minhas festas de aniversário porque íam para o Algarve. Escusado será dizer que até recentemente odiava o Algarve. Mas hoje gosto. É o dia que marca o fim do verão oficial, ainda que não o formal, é o retomar da rotina, é o arrumar das toalhas de praia, chinelos e fatos de banho. Setembro tem cheiro a livros escolares novos, material a estrear, cadernos em branco, promessa de novas coisas e novo conhecimento. Fim antecipado de férias monstras que sempre me entediaram pela sua extensão desmedida (cheguei a ter 4 meses de férias de verão). Primeiro de setembro está fortemente associado no meu inconsciente a magia, a um novo ano, porque *HP alert* é o dia do início do ano letivo em Hogwarts, da viagem desde King's Cross até à Escócia que eu um dia irei fazer *fim de HP alert*.

Por isso, é com alegria que me despeço do verão e sem qualquer ressentimento por este tempo que parece aborrecer tanta gente. Que venha o frio, muito frio, que venham as botas peludas, os casacos quentinhos, os roupões peludos e o edredão de inverno, para me enroscar que nem uma lagarta num casulo. Que venha o hot chocolate! Os dois pares de leggings. Só não venha o chapéu de chuva. Espero não me estar reservada mais chuva do que aquela que apanhei em Londres (e isto é dizer muito, muito pouco).



Para aplacar os espíritos odiadores de inverno. Como se pode não ansiar pelo inverno depois de uma coisinha destas?



S.

sábado, 26 de março de 2011

Verdura citadina - parte I

Não é muito difícil escolher a característica de Londres que mais me fascina. Os extensos km2 de verdura que esta cidade contém sempre foram objeto da minha profunda admiração. Como é possível que uma das maiores cidades do mundo tenha no seu centro extensas áreas verdes que não servem para mais nada que não para o puro contentamento dos seus habitantes? Pressão imobiliária é algo alheio a estes governantes.

Com a primavera a chegar com todo o seu esplendor e várias visitas de amigos/familiares nas últimas semanas, longos passeios nos ditos parques têm sido fonte de grande contentamento para mim (e para os visitantes também :) ). Daí que decidi fazer uma série de posts sobre os parques mais conhecidos de Londres e outros menos conhecidos, os que valem mais a pena e os que ainda tenho de ver se valem a pena.


Hyde Park

Começo pelo mais conhecido dos grandes parques londrinos, e também o maior. Começou por ser uma reserva de caça do rei Henry VIII. O que não espanta que me tenha envergonhado à frente da pobre empregada da loja do parque com o meu entusiasmo a perguntar se havia deers ali (não há). Abriu ao público no séc. XVII.

É muito semelhante ao Central Park em Nova York, como esta foto aérea mostra, o que me surpreendeu bastante quando a vi (pff, americanos, que falta de originalidade).



A característica mais visível deste parque é o grande lago, o 'Serpentine', que na verdade divide essa imensidão verde em dois parques: o Hyde Park e os Kensington Gardens. Visitei-o em pleno inverno e há uma semana atrás, e a diferença não podia ser maior:




É realmente um espetáculo ver a alegria e a mudança de hábitos nesta cidade quando o sol dá o ar da sua graça :). Converge tudo para os espaços verdes, vê-se gente a andar de cavalo (!), a patinar, a andar de skate, a andar de barquinho no Serpentine, a passear os cães, a passear os filhos, sentados na relva a ler, a fazer uma sesta, a meditar, a namorar...



A palavra que melhor caracteriza o Hyde Park é 'extenso', não só por causa do seu tamanho mas principalmente pela impressão que dá: relva e mais relva e mais relva, sempre plano, com uma árvore aqui e ali mas sem grandes pormenores como outros parques londrinos têm. Não se vê muitos canteiros com flores, arbustos ou semelhantes detalhes de jardinagem. Perfeito para fazer um piquenique na relva ou, se se tiver idade para isso, simplesmente rebolar nela (quão eu invejo crianças).

A atração mais conhecida neste parque é o Speaker's Corner, que como o nome indica fica numa das esquinas do parque. Segundo consta, é tradição centenária deixar qualquer pessoa discursar sobre qualquer assunto naquele local. Epítome do direito à livre expressão, ainda hoje se podem ver (e ouvir) pessoas a discursar todos os domingos sobre os mais variados assuntos.


Outras atrações incluem o Holocaust Memorial, o 7/7 Memorial (em memória das vítimas dos atentados de 2005), e o Diana Princess of Wales Memorial.


Nível de esquilidade: baixo (lá está, não é suficientemente selvagem para que os esquilos se sintam à vontade)

Nível de avicidade: moderado (em contrapartida, o enorme lago gera grande felicidade para tudo o que e pato)

Nível de pombaria: elevado (er... é um parque, há pessoas potenciais portadoras de bolachas/pão, é claro que há pombos)

Nível de bambicidade: mínimo (não se verifica :( . Veados é coisa inexistente neste parque. O Henrique VIII deve tê-los caçado todos)



S.