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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Free fallin'

Ontem estreei uma low-cost nova, a Wizzair, e descobri que ter mais do que dois centímetros entre as minhas pernas dobradas e o banco da frente é um luxo chamado "extra leg room" e sujeito a uma fee especial. Eu tenho metro e meio, portanto não sei como fazem as pessoas normais para caber ali. 

Sonho viver para ver chegar o dia em que uma companhia aérea low-cost repare que alugar as escadas móveis aos aeroportos é também um luxo no desembarque e que passe a dizer "desenmerdem-se, um salto de 5 metros não é nada de outro mundo." Não devo ter que esperar sentada.




S.

terça-feira, 2 de abril de 2013

I believe I can fly (já tu, não sei)

A Samoa Airlines vai começar a cobrar pelo peso dos passageiros, em vez de por lugar. Aqui. Diz o patrão da companhia que é a forma mais justa de viajar, já que as companhias aéreas governam-se pelo peso, e não pela quantidade de pessoas que transportam. Sim e não. Sim, os aviões gastam mais ou menos combustível consoante o peso que levam a bordo (daí as restrições na quantidade e peso das malas que se podem levar) e, pelo facto de ter que arrancar do chão, faz com que o peso faça variar mais o consumo de combustível do que no caso de um carro, por exemplo. Não, porque as companhias pagam uma taxa por pessoa que transportam ao aeroporto de chegada (tipo taxa de administração por cabeça).

Ainda assim, o patrão da Samoa Airlines diz que todos nós já sentimos que devíamos pagar metade do que o passageiro ao nosso lado pagou, por ocupar tão mais espaço que o médio mortal.

Eu, dona de uns confortáveis 48 kgs de gente (tenho metro e meio, atenção), aplaudo muito esta iniciativa. Significa que, potencialmente, poderia começar a levar mais bagagem, já que a ideia é bagagem e chicha levarem a mesma taxa. O que conta é o kg, seja ele de roupa, seja ele de pessoa.

Aplaudiria... se isto não tresandasse a discriminação. Porque depois de gargalhar um bocadinho, parei e pensei que isto é precisamente daquelas coisas que parecem muito lógicas à primeira vista, mas que depois de uma análise mais cuidadosa têm um je-ne-sais-quoi de completamente errado. E se há coisa que o feminismo me ensinou foi a olhar além dessa camada fininha e superficial de senso comum.

Então agora vai-se começar a ter ser humano ao quilo? Eu sei que em termos de combustível e esforço da máquina, o quilo é mesmo só o que conta, e que é completamente diferente um avião ir cheio de crianças de 10 anos ou ir cheio de adultos de 150 kgs. Mas, caramba, uma pessoa é uma unidade, é mais do que a soma da sua massa, ou não? E depois, porquê premiar ou penalizar uma coisa que em boa parte está fora do controlo da própria? Eu ocupo pouco espaço muito devido à minha genética, o controlo que tenho sobre os quilos que peso é de pouquíssimos quilos, tanto para um lado como outro. Ora, isto é válido para muita gente, mas com o problema contrário. E não é preciso ir para a questão da obesidade: é justo penalizar um homem de dois metros, fortalhaço e com mais de 100 kgs? E uma grávida?

O maior receio é que esta medida tenha consequências draconianas inesperadas, do género ser desencorajadora para pessoas obesas viajarem, ou aumentar a pressão para que as pessoas emagreçam a todo o custo antes de uma viagem. Como se o que fizesse falta na nossa sociedade fossem mais coisas a instigar obsessões com o peso... No fundo acho que se pode vir a revelar uma medida humilhante.

O argumento do peso-é-o-que-interessa-num-avião é mesmo muito forte, eu sei. E, racionalmente, faz todo o sentido. Já eticamente, tenho as minhas dúvidas.






S.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Primavera, qual primavera?

Então, S., como foi o teu primeiro dia de primavera? 

Cheio de florzinhas e solinho e temperaturas agradáveis?

...

Hahahahahahaha. Não.

Tive a minha primeira descolagem de avião debaixo de queda de neve, enquanto tentava perceber se a lei do escorreganço se aplicava aos pneus dos aviões também (não tinha o meu pai ali ao lado para me descansar). Há uma semana houve tempestade de neve por aqui.

Recuso-me a juntar à festa de boas-vindas de uma estação que ainda nem se avista no horizonte aqui pelos nortes europeus.






S. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O maravilhoso mundo do rastreio aéreo

Há uns anos, o meu pai apresentou-me ao mundo do rastreio online de aviões. Nunca eu havia imaginado que seria possível seguir o curso de um voo, qualquer voo, em tempo real pela internet. Fiquei maravilhada com a possibilidade de poder acompanhar o percurso de qualquer avião, ao vivo (só não a cores) e a qualquer momento. Todo um novo mundo se abriu para mim. Foi o que me acalmou o pânico irracional e desmedido de que alguma coisa má estava para acontecer no dia em que o D. partiu para Londres. É ainda o que me sossega sempre que lá vai ele a planar pelos céus. 

Não gosto de deslocações. Afligem-me os nervos. Nem das minhas nem dos meus entes queridos. A possibilidade de ver, num mapa, o pontinho minúsculo por onde eles vão, dá uma sensação de calma estranha. E poder saber exatamente quando eles aterram é estupidamente aliviador.

Hoje, dia de deslocação, cá me encontro eu nos rastreios. Mas hoje deparei-me com um rastreador ainda mais fabuloso:


Este, ao contrário do normal, não mostra apenas o voo que se quer acompanhar: mostra todos. São os olhos esbugalhados a constatar o congestionamento aéreo europeu. A maravilha que é ver os minúsculos aviões a deslocarem-se em tempo real sobre o mapa da Europa e imaginar que milhares de aparelhos voadores de toneladas sobrevoam os nossos céus, levando consigo uma centena de humanos cada um. Passar o cursor por cima e ver o número de voo e a companhia, carregar na figura e saber de onde ele vem e para onde vai...

Isto é melhor que a Casa dos Segredos, melhor que o Big Brother, melhor que revistas da fofoca (se bem que não é preciso muito para qualquer dos três); isto é cordelhice pura e dura, da boa e da verdadeira.

Estou fascinada. Ide e fascinai-vos também: http://www.flightradar24.com/#!/2012-12-17/19:02

P.S. É impressão minha ou isto roça a linha do stalking, também?