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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Thanksgiving primaveril

Hoje é o primeiro dia em vários meses em que o sol  realmente aquece a sala através da vidraça. Ainda não liguei o aquecimento mas estão 20° cá em casa. Já anoitece depois das 17h. Acabei a minha primeira semana de facilitadora de estudantes e a coisa correu melhor do que estava à espera. E pensar que tive tantas dúvidas sobre isto. Vou voltar a correr depois de duas semanas parada por causa da tosse. O semestre da primavera vai começar esta semana e eu vou ter aulas sobre feminismo. Há passarinhos a cantar lá fora, também contentes com o sol que aquece, embora ainda haja montes de neve pelos cantos da rua. Vou a meio do segundo livro de Harry Potter versão bilingue. Afinal a minha confirmação de doutaramento é só em setembro em vez de maio, o que me dará tempo para fazer um melhor trabalho do que antecipava. A hora está quase a mudar. Tenho chocolates Lindor na mesa. Tenho quem me leia histórias em voz alta - e goste. Descobri o The Office versão alemã. Tenho cada vez menos entusiasmo pelas redes sociais, blogs e afins. Amo a língua inglesa como nunca.   




S.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Primavera, qual primavera?

Então, S., como foi o teu primeiro dia de primavera? 

Cheio de florzinhas e solinho e temperaturas agradáveis?

...

Hahahahahahaha. Não.

Tive a minha primeira descolagem de avião debaixo de queda de neve, enquanto tentava perceber se a lei do escorreganço se aplicava aos pneus dos aviões também (não tinha o meu pai ali ao lado para me descansar). Há uma semana houve tempestade de neve por aqui.

Recuso-me a juntar à festa de boas-vindas de uma estação que ainda nem se avista no horizonte aqui pelos nortes europeus.






S. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Olha o número quentinho!

Apetece-me chorar de alegria:



As temperaturas de dois dígitos vão voltar.




Oh, as oportunidades que se abrem...!



S.

sábado, 24 de março de 2012

Bruxelas, a soalheira

Oh Bruxelas, andas-me a habituar mal.


Manga-curta em março, a sério?

Entretanto, adquirimos um hábito novo: preguiçar num espaço verde qualquer da cidade.

Leva-se a marmita com as sandes, o sumo, a toalha para estender na relva, o iPod e o The Economist. E ala estender na relva, longe de Facebooks, de e-mails, de blogs e de televisão. É um hábito saudável e para ser repetido sempre que o tempo belga deixar.

Tenho de admitir que só ali percebi o quão online-ó-dependente estou. É uma espécie de doença obsessiva-compulsiva (o precisar de verificar as notificações do Facebook, o atualizar a página do e-mail, o pensar em qualquer coisa para pesquisar no Google só pelo vício de abrir uma nova página de Internet - é por isso que não me permito ter um telemóvel com ligação à Internet, preciso de momentos offline obrigatórios). Mas correu bem e aguentámos duas horas estendidos na relva, sem fazer nada de especial, só com o sol a bater nos pés descalços e a conversa sobre tudo e sobre nada (tens essa capacidade que sempre admirei de fazer conversa a partir do nada, por ti nunca havemos de esgotar temas, uma das razões por que te amo) com sumo de laranja a acompanhar.

O sol como gosto dele, brilhante no céu mas sem queimar; sentia-o a bater, estava bem de manga-curta mas nenhuma parte do corpo a escaldar.




Que maravilha de início de primavera!



S.

sábado, 9 de abril de 2011

Verdura Citadina - Parte II

Com a temperatura a rondar os 20º nos últimos dias e um sol maravilhoso no céu não apetece estar em mais lado nenhum em Londres do que num parque. E a primavera chegou! Manifesta-se com todo o seu esplendor nos mais inesperados recantos da cidade. Onde quer que haja uma árvore há cor, em todos os canteiros há flores com fartura. A Natureza segue o seu ciclo onde quer que se encontre.

Hoje, um parque londrino pouco conhecido - Lampton Park. Só é relevante porque é o parque principal de Hounslow, e portanto o meu parque ditado pela minha residência.


Lampton Park



Situado no município de Hounslow, pode-se dizer que este é um parque mais suburbano e sem dúvida longe dos circuitos turísticos habituais. O seu tamanho não deixa de espantar, uma vez que, para parque suburbano, dá para fazer caminhadas, corridas e jogos de todo o tipo. A principal característica deste parque é exatamente a quantidade de campos destinados à prática de várias modalidades. Tem uns 5 courts de ténis, balizas para futebol, e mais uns quantos courts para se improvisar. 

Impressionante a quantidade de pessoas que vi a jogar cricket! Não percebo o jogo e não conheço as regras, mas sempre me pareceu extremamente parecido com baseball. Bater uma bola com um taco e depois correr = baseball. Isto na minha cabeça, claro. Segundo fontes indianas, não tem nada a ver. Hmm, ok senhores conhecedores. Sempre me pareceu suspeito que a única antiga colónia britânica que não vibra com o cricket seja os Estados Unidos. O baseball de certo explicaria essa falha...

A segunda característica deste parque: os baloiços futuristas. A sério, nunca tinha tido tanta inveja de crianças como quando fiquei a ver uma delas a escorregar num slide. Porquê, oh porquê que estes parques são só para crianças?! Eu tenho metro e meio, não peso 50kg, tenho a certeza que os baloiços não deriam pela diferença... A pressão social foi mais forte do que eu.

Característica que define este parque como um parque londrino é não só a dimensão mas também a ausência de inclinações. Um espaço extenso e direito, o que faz com que os seus relvados pareçam imensos. Neste caso alguns canteiros bem cuidados e floridos formavam o centro do parque, quebrando a monotonia do verde extenso.



Uma placa informativa sobre um pedregulho com ar de meteorito informou-me que há 50 milhões de anos Hounslow estava debaixo de oceano. Interessante...


Nivel de esquilidade: baixo (só vi um esquilo. O que, com este calor primaveril significa que existem mesmo muito poucos no parque. Não conseguiriam resistir ao solinho.)

Nível de avicidade: nulo (não há lagos, não há patos. Simples.)

Nível de pombaria: baixo (surpreendentemente, só vi dois ou três. Anormalidade num parque que causa enorme espanto...)

Nível de bambicidade: nulo (o Lampton Park não é propriamente uma reserva natural... Se bem que o Parque Desportivo de Mafra também não e arranjaram lá espaço para meter uns quantos veados. Perturbou-me ligeiramente.)



S.

sábado, 26 de março de 2011

Verdura citadina - parte I

Não é muito difícil escolher a característica de Londres que mais me fascina. Os extensos km2 de verdura que esta cidade contém sempre foram objeto da minha profunda admiração. Como é possível que uma das maiores cidades do mundo tenha no seu centro extensas áreas verdes que não servem para mais nada que não para o puro contentamento dos seus habitantes? Pressão imobiliária é algo alheio a estes governantes.

Com a primavera a chegar com todo o seu esplendor e várias visitas de amigos/familiares nas últimas semanas, longos passeios nos ditos parques têm sido fonte de grande contentamento para mim (e para os visitantes também :) ). Daí que decidi fazer uma série de posts sobre os parques mais conhecidos de Londres e outros menos conhecidos, os que valem mais a pena e os que ainda tenho de ver se valem a pena.


Hyde Park

Começo pelo mais conhecido dos grandes parques londrinos, e também o maior. Começou por ser uma reserva de caça do rei Henry VIII. O que não espanta que me tenha envergonhado à frente da pobre empregada da loja do parque com o meu entusiasmo a perguntar se havia deers ali (não há). Abriu ao público no séc. XVII.

É muito semelhante ao Central Park em Nova York, como esta foto aérea mostra, o que me surpreendeu bastante quando a vi (pff, americanos, que falta de originalidade).



A característica mais visível deste parque é o grande lago, o 'Serpentine', que na verdade divide essa imensidão verde em dois parques: o Hyde Park e os Kensington Gardens. Visitei-o em pleno inverno e há uma semana atrás, e a diferença não podia ser maior:




É realmente um espetáculo ver a alegria e a mudança de hábitos nesta cidade quando o sol dá o ar da sua graça :). Converge tudo para os espaços verdes, vê-se gente a andar de cavalo (!), a patinar, a andar de skate, a andar de barquinho no Serpentine, a passear os cães, a passear os filhos, sentados na relva a ler, a fazer uma sesta, a meditar, a namorar...



A palavra que melhor caracteriza o Hyde Park é 'extenso', não só por causa do seu tamanho mas principalmente pela impressão que dá: relva e mais relva e mais relva, sempre plano, com uma árvore aqui e ali mas sem grandes pormenores como outros parques londrinos têm. Não se vê muitos canteiros com flores, arbustos ou semelhantes detalhes de jardinagem. Perfeito para fazer um piquenique na relva ou, se se tiver idade para isso, simplesmente rebolar nela (quão eu invejo crianças).

A atração mais conhecida neste parque é o Speaker's Corner, que como o nome indica fica numa das esquinas do parque. Segundo consta, é tradição centenária deixar qualquer pessoa discursar sobre qualquer assunto naquele local. Epítome do direito à livre expressão, ainda hoje se podem ver (e ouvir) pessoas a discursar todos os domingos sobre os mais variados assuntos.


Outras atrações incluem o Holocaust Memorial, o 7/7 Memorial (em memória das vítimas dos atentados de 2005), e o Diana Princess of Wales Memorial.


Nível de esquilidade: baixo (lá está, não é suficientemente selvagem para que os esquilos se sintam à vontade)

Nível de avicidade: moderado (em contrapartida, o enorme lago gera grande felicidade para tudo o que e pato)

Nível de pombaria: elevado (er... é um parque, há pessoas potenciais portadoras de bolachas/pão, é claro que há pombos)

Nível de bambicidade: mínimo (não se verifica :( . Veados é coisa inexistente neste parque. O Henrique VIII deve tê-los caçado todos)



S.