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sábado, 23 de setembro de 2017

É a minha desilusão quando vejo atletas de alta-competição maquilhadas*

Não é para ser purista, mas há mundos que eu gostava que não se cruzassem. Por exemplo, gostava muito que a Jéssica Augusto não seguisse a Pipoca Mais Doce no Instagram. Eu ainda acredito que há áreas onde se faz mais pelas oportunidades das futuras gerações do que outras e gostava que as primeiras não estivessem presas nem fossem pressionadas pelas segundas: gostava que houvesse um tipo de mulher que não fosse influenciada pela mediania, pela moldura dourada do que é suposto uma mulher ser.


*relembra-me que a pressão recai sobre todas nós, não importa que caminhos escolhemos.

S.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Esta rapariga consegue

Não sei se já viram o vídeo promocional, acho esta campanha espetacular.


This Girl Can é uma campanha que tenta promover o desporto, o exercício físico, o 'mexer-se' para todas as mulheres.
 
Isto parece um bocado aborrecido e mais do mesmo mas a parte fixe aqui é que a campanha quer que isto do mexer-se seja mesmo para todas as mulheres, mulheres cheínhas, mulheres sequinhas, mulheres com celulite, mulheres com carnes a abanar, mulheres com ossos espetados, mulheres que são boas num desporto, mulheres que não são boas mas que gostam de um desporto, mulheres que querem experimentar um desporto, mulheres que querem fazer exercício sozinhas, mulheres que querem fazer exercício em grupo. 
 
O importante, e o que esta campanha celebra, é o ultrapassar a barreira do julgamento de terceiros. E numa sociedade em que as mulheres são avaliadas constantemente e crucialmente pela aparência, e pela relação podre que isto nos leva a desenvolver com o nosso corpo, isto do julgamento de terceiros é mesmo fundamental na decisão de mexer ou não mexer.
 
Um exemplo pertinho de casa: levei bastante tempo a passar do correr no ginásio para o correr na rua, e tenho a certeza de que se não fosse num contexto em que já estava desenraizada de qualquer das formas e em que ninguém me conhecia (Bruxelas), nunca o teria feito. As apitadelas em Portugal confirmam este medo do julgamento: ainda não é muito comum ver uma rapariga a correr sozinha pela beira da estrada fora.
 
Parece-me que tudo o que tente convencer as mulheres de que mexer-se pelo prazer de se mexer, e não como um castigo pela fatia de bolo de chocolate que se comeu no dia anterior, ainda é pouco. Suar é espetacular e combina com o feminino, sim senhora. Nós mulheres também somos animais, sabiam? E temos um corpo que faz coisas incríveis para além de equilíbrio em saltos de 10 cm.
 
 
 
 
S.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ir ao fundo e voltar

Na quarta-feira voltei aos treinos de corrida, após dois meses desde o último. Eu considero-me uma pessoa em forma - ando a pé vários quilómetros todos os dias, ando de bicicleta, de vez em quando vou ao ginásio - mas a corrida confirmou-se-me mais uma vez como sendo qualquer coisa à parte. Foram só 5 km mas o meu corpo manifestou todas as manhas como se tivessem sido 15 ou 20, manhas essas que já lhe conheço à distância. É o "ai que isto custa", dramáticozinho e cedo demais para que eu lhe dê algum crédito, é a dorzinha num tornozelo qualquer ao início que em insistindo desaparece como por magia, é o desconforto na barriga quando descobre que os pontos anteriores não funcionam, é o aborrecimento por ver que a coisa ainda não vai nem a meio. Já tinha saudades da luta constante entre corpo e mente tão típica deste meu hobby. Não consigo perceber quem desdenha das pessoas que se dedicam de corpo e alma a estes desportos, que fazem deles sua vida e profissão. Como se houvesse uma dicotomia entre intelectualidade e forçar o corpo aos seus limites, como se para este último não fosse preciso um uso incrivelmente poderoso da mente, como se superar barreiras físicas não fosse algo sublimamente humano e nobre. Amo as Rosa Motas e Carlos Lopes desta vida tanto quanto amo os Saramagos e Stephen Hawkings. O que fazem é o mesmo na sua essência: elevar a humanidade a novos picos de conquistas.
 
Voltando ao relato mais sóbrio do meu humilde regresso às corridas, pela primeira vez treinei com o relógio contador dos quilómetros. Foi uma espécie de revolução porque agora posso correr de forma espontânea pela cidade, posso virar aqui ou ali, onde quer que me dê na gana, não estou presa a percursos pré-calculados e repetidos ao infinito só porque indo por eles sei exatamente os quilómetros que corri. E é importante saber quanto se corre. Tanto para se ir aumentando como para estabelecer "hoje corro X, não vale a pena o corpo se meter com manhas". Posso descobrir novas ruas, novos bairros, gravar a cidade no coração porque a sofri com as minhas passadas e o meu suor. Aliás, duvido que tenha sido coincidência ter começado a gostar de Bruxelas ao mesmo tempo que a palmilhava nos treinos longos para a meia-maratona. Passou a ser cidade minha.
 
 
 
 
S.

sábado, 9 de abril de 2011

Verdura Citadina - Parte II

Com a temperatura a rondar os 20º nos últimos dias e um sol maravilhoso no céu não apetece estar em mais lado nenhum em Londres do que num parque. E a primavera chegou! Manifesta-se com todo o seu esplendor nos mais inesperados recantos da cidade. Onde quer que haja uma árvore há cor, em todos os canteiros há flores com fartura. A Natureza segue o seu ciclo onde quer que se encontre.

Hoje, um parque londrino pouco conhecido - Lampton Park. Só é relevante porque é o parque principal de Hounslow, e portanto o meu parque ditado pela minha residência.


Lampton Park



Situado no município de Hounslow, pode-se dizer que este é um parque mais suburbano e sem dúvida longe dos circuitos turísticos habituais. O seu tamanho não deixa de espantar, uma vez que, para parque suburbano, dá para fazer caminhadas, corridas e jogos de todo o tipo. A principal característica deste parque é exatamente a quantidade de campos destinados à prática de várias modalidades. Tem uns 5 courts de ténis, balizas para futebol, e mais uns quantos courts para se improvisar. 

Impressionante a quantidade de pessoas que vi a jogar cricket! Não percebo o jogo e não conheço as regras, mas sempre me pareceu extremamente parecido com baseball. Bater uma bola com um taco e depois correr = baseball. Isto na minha cabeça, claro. Segundo fontes indianas, não tem nada a ver. Hmm, ok senhores conhecedores. Sempre me pareceu suspeito que a única antiga colónia britânica que não vibra com o cricket seja os Estados Unidos. O baseball de certo explicaria essa falha...

A segunda característica deste parque: os baloiços futuristas. A sério, nunca tinha tido tanta inveja de crianças como quando fiquei a ver uma delas a escorregar num slide. Porquê, oh porquê que estes parques são só para crianças?! Eu tenho metro e meio, não peso 50kg, tenho a certeza que os baloiços não deriam pela diferença... A pressão social foi mais forte do que eu.

Característica que define este parque como um parque londrino é não só a dimensão mas também a ausência de inclinações. Um espaço extenso e direito, o que faz com que os seus relvados pareçam imensos. Neste caso alguns canteiros bem cuidados e floridos formavam o centro do parque, quebrando a monotonia do verde extenso.



Uma placa informativa sobre um pedregulho com ar de meteorito informou-me que há 50 milhões de anos Hounslow estava debaixo de oceano. Interessante...


Nivel de esquilidade: baixo (só vi um esquilo. O que, com este calor primaveril significa que existem mesmo muito poucos no parque. Não conseguiriam resistir ao solinho.)

Nível de avicidade: nulo (não há lagos, não há patos. Simples.)

Nível de pombaria: baixo (surpreendentemente, só vi dois ou três. Anormalidade num parque que causa enorme espanto...)

Nível de bambicidade: nulo (o Lampton Park não é propriamente uma reserva natural... Se bem que o Parque Desportivo de Mafra também não e arranjaram lá espaço para meter uns quantos veados. Perturbou-me ligeiramente.)



S.