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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Esta rapariga consegue

Não sei se já viram o vídeo promocional, acho esta campanha espetacular.


This Girl Can é uma campanha que tenta promover o desporto, o exercício físico, o 'mexer-se' para todas as mulheres.
 
Isto parece um bocado aborrecido e mais do mesmo mas a parte fixe aqui é que a campanha quer que isto do mexer-se seja mesmo para todas as mulheres, mulheres cheínhas, mulheres sequinhas, mulheres com celulite, mulheres com carnes a abanar, mulheres com ossos espetados, mulheres que são boas num desporto, mulheres que não são boas mas que gostam de um desporto, mulheres que querem experimentar um desporto, mulheres que querem fazer exercício sozinhas, mulheres que querem fazer exercício em grupo. 
 
O importante, e o que esta campanha celebra, é o ultrapassar a barreira do julgamento de terceiros. E numa sociedade em que as mulheres são avaliadas constantemente e crucialmente pela aparência, e pela relação podre que isto nos leva a desenvolver com o nosso corpo, isto do julgamento de terceiros é mesmo fundamental na decisão de mexer ou não mexer.
 
Um exemplo pertinho de casa: levei bastante tempo a passar do correr no ginásio para o correr na rua, e tenho a certeza de que se não fosse num contexto em que já estava desenraizada de qualquer das formas e em que ninguém me conhecia (Bruxelas), nunca o teria feito. As apitadelas em Portugal confirmam este medo do julgamento: ainda não é muito comum ver uma rapariga a correr sozinha pela beira da estrada fora.
 
Parece-me que tudo o que tente convencer as mulheres de que mexer-se pelo prazer de se mexer, e não como um castigo pela fatia de bolo de chocolate que se comeu no dia anterior, ainda é pouco. Suar é espetacular e combina com o feminino, sim senhora. Nós mulheres também somos animais, sabiam? E temos um corpo que faz coisas incríveis para além de equilíbrio em saltos de 10 cm.
 
 
 
 
S.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

This is why I love the EU - parte II

A Comissão Europeia lançou uma nova campanha. E eu, que me cheirou a igualdade de género, fui espreitar o lançamento.


Nas minhas pesquisas em trabalho já me tinha deparado com a abolição de um mito que pervade o dito senso comum e que é um dos grandes culpados por haver tão pouco mulherio em áreas científicas (vulgo Agrupamento 1):

- As raparigas são tão boas em Matemática (em alguns países, até melhores) quanto os rapazes.

Quando descobri, primeiro arregalei os olhos de espanto e logo a seguir enfureci-me. Contra o meu professor de Matemática do 9º ano que dizia cheio de desprezo que Humanidades era para meninas, contra o estereótipo do cientista louco homem de meia idade de cabelo branco, contra a afirmação - pelos vistos - estupidamente idiota tão frequente na boca de toda a gente que o cérebro dos rapazes é melhor a fazer contas do que o de quem tem mamas. 

Parece que a Comissão também se enfureceu. Vai daí e lançou então esta campanha para tentar atrair raparigas adolescentes para áreas tecnológicas, científicas, mecânicas. E para a investigação.

Maneira escolhida: provar que a ciência pode ser feminina. Ainda não decidi se esta é a melhor abordagem mas, hey, whatever works...

Foi engraçado ver raparigas naquele lançamento com batôns com o logótipo da campanha, pequeninos boiões de creme, sacolas. Mas o mais interessante aqui, e essa é a base de toda a campanha, são as role-models. Mulheres que trabalham em profissões de ciências naturais, engenharia mecânica, em laboratórios, informática, a explicar o que fazem, como fizeram para chegar ali, como a ciência não tem de ser masculina. Se tivermos em conta que 1/4 das raparigas britânicas de 11 anos almejam ser strippers (Sexualisation of Young People Report - google it!), parece-me um bom exemplo.

Fico contente. Muito. Quase me faz arrepender ter mudado de Agrupamento no 10º ano...



S.