S.
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quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Qual tiudôr qual quê
Gosto muito como os ingleses dizem 'Tudor', 'txiudaa', começam como quem vai para um 'txi', mas não é bem porque de repente lembram-se que não tem lá 'x' nenhum e chega logo o 'u' e depois vem o 'da' que fica prolongado no ar, 'txiudaaaaa'.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
This is fun, lof
A Time Out fez um questionário sobre quais os sotaques mais sexy deste mundo e quem ganhou, quem foi? O britânico.
De acordo, mas não esperava este resultado. O pessoal tem um fascínio um bocado estranho pelo italiano ou até pelo francês. Menos os americanos, que por acaso fascinam-se um bocado pelo sotaque dos primos do outro lado do Atlântico (se as constantes referências no Family Guy e New Girl forem indicação suficiente). Ah, espera... Time Out americana. Está explicado.
O The Guardian fez uma peça bem-disposta sobre a coisa e realmente o autor fala de uma coisa pertinente que o intriga: sotaque britânico, mas qual deles? Especificai, por favor.
' But there is one glaring problem.
What British accent does Time Out mean? Is it the upper class English-British of the Queen, Sir Roger Moore and Harry Potter?
Is it the earthy, northern-English-British of Sean Bean and the rest of Game of Thrones’s Stark family?
Or is it the rolling, Welsh-valleys-British of Tom Jones and Catherine Zeta-Jones and presumably a lot of other people called Jones?
Perhaps it’s the Northern-Irish British of Liam Neeson, George Best and Rory McIlroy?
One accent we can rule out is the Scottish-British of Sean Connery and Andy Murray. Confusingly, “Scottish” counted separately in the Time Out poll, coming in eighth. '
(Eu só acrescentaria ' Is it the youthful yet grave and deep-voiced Yorkshire accent of Alex Turner? ' - embora pareça que o está a perder.)
Claro que não se pode esperar muito de um questionário que mete 'latin-American' numa categoria mas separa 'Spanish' por alguma razão, ou fala do 'British' e 'Scottish' separados (a Escócia votou 'não' à independência há uns meses, olhem aí as sensibilidades). Nem de uma amostra que faz com que o sotaque americano fique em segundo lugar. Mas é divertido.
S.
domingo, 22 de julho de 2012
As mal-disfarçadas saudades de Inglaterra
Diz muito sobre a cidade onde vivo o facto de chegar a um pub inglês e salivar por tudo o que encontro na ementa, incluindo quando me apresentam isto:
Os preços - tudo abaixo das cinco libras e portanto metade do normal aqui em Bruxelas para qualquer refeição fora - quase acrescentaram lágrimas de felicidade aos pensamentos de vegetable and chicken pies, English breakfasts, seafood paellas, e outras bombas calóricas semelhantes.
E água engarrafada que não sabe a água da torneira.
E carros a circular pela esquerda.
E libras e pennies na carteira.
E sotaque cerrado Manchurian.
E adaptadores para tomadas novamente precisos (mas que ficaram em casa).
E chá servido com leite.
E Boots, Primarks, Tescos, Sainsburies, River Islands, Topshops, lojas da Disney, Debenhams...
E estações chamadas Piccadilly e Victoria.
E autocarros vermelhos de primeiro andar.
E maçanetas que rodam para a esquerda para abrir portas.
E chocolate quente do Costa.
E hotéis e pubs alcatifados até à entrada da casa de banho, onde dá para ir de pantufas até à receção.
E chuva e 14 graus de máxima em pleno julho, ansiando por um cachecol.
E uma viagem de regresso de céu incrivelmente limpo que me permitiu atravessar o Canal da Mancha e ver, pequeninas mas distinguíveis lá embaixo, as White Cliffs of Dover.
E saber, porque vi com estes dois que a terra há-de comer (adoro a expressão) quão perto estamos mas quão claramente separada a ilha está da Europa-mãe.
Inglaterra, como me fazias falta!
S.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Prunãocieixãnes
Durante o meu ano em terras da rainha eu fui "Sérâ Hrice".
Não demorei muito a aperceber-me que os ingleses simplesmente não têm a destreza vocal para pronunciar um 'r' marcado e fazer o som 'x' onde existe um 's'. "Reich" era o que deviam dizer, saía sempre algo parecido com "reese". O Sarah nem nunca me dei ao trabalho de corrigir.
E quando tive de telefonar para vários serviços e mudar moradas para receber os últimos pagamentos de luz e telefone cá em Portugal? Ui, Jesus. Uma coisa é certa, fiquei pró a soletrar.
Tenho noção que nem tenho o pior dos nomes em termos de pronunciação inglesa. O D. na ilha sempre foi Diego... Entender que existem famílias de línguas diferentes eles lá entendem. Agora entender que dentro da mesma família de línguas, neste caso latinas, existem diferenças de pronúncia já é esperar demasiado. Portanto, sim, a violação da pronúncia dos nossos nomes foi uma constante e um dado adquirido nos nossos meses enquanto emigrantes.
Por isso quando agora, após mais de um ano, a King's me pede para a informar como é que se pronuncia corretamente o meu nome - inteiro! - é natural que eu fique sem jeito. E que me apeteça gargalhar muito.
Há medo que os oradores não consigam ler a lista dos alunos presentes? Há.
Há medo que os alunos presentes não consigam perceber quando os estão a chamar? Há.
Mas sinceramente não percebo porquê. Durante um ano inteiro de aulas os alunos internacionais como eu tiveram mais do que tempo suficiente para se habituarem a ouvir as formas vilipendiadas dos seus nomes na pronúncia inglesa. Acham que seria numa cerimónia de formatura, onde está tudo de ouvido à coca, que alguém não iria perceber quando estão a chamar por nós?
Eu pessoalmente tenho medo é de ouvir a versão original em bocas inglesas. Tenho medo de aí sim, por ser tão claro o meu nome e estar tão fora do contexto de que eu não me aperceba que me estão a chamar a mim e continuar à espera que chamem uma Sarah Reese em vez de uma Sarah (mais uma vez, nem me ralei) Ra-KEL Seal-va Rei-SH.
S.
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