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terça-feira, 22 de abril de 2014

Comida confortável de conforto

Deslargai tudo o que estaides a fazer e ide fazer isto a correr: panquecas de banana e ovo. DAQUI.
 
A sério, é divinal. E melhor que tudo, ultra fácil. Esmagar uma banana e misturar com um ovo. Despejar na frigideira e deixar fritar como se fosse para fazer uma panqueca.
 
Nunca me tinha ocorrido fazer crepes/panquecas sem farinha ou leite. E não é que dá?! Fica um cruzamento entre um crepe e uma omelete mas que sabe a banana. Puf, nas papilas gustativas.
 
Pode-se comer só assim ou pode-se misturar o que apetecer. Eu fiz uma com mirtilos, como na receita original, e outra com queijo brie (mas não). Não há fotos porque a alarvice foi muita e eu ainda não dominei a técnica de virar estas panquecas mais fofas. A foto do blog original está mais que boa.

O que é que deve combinar mesmo bem com estas panquecas de banana? Nutella, claro, a anti-matéria da banana. Mas eu tomei a decisão consciente de não ter Nutella em casa: eu simplesmente não consigo não abusar de Nutella, áquele ponto de ficar tão enjoada que já nem consigo desfrutar do chocolate avelaneiro maravilhoso. É muito triste. Mas ide, provai e sede felizes, se tiverdes mais auto-controlo do que eu.




S.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Blasfémia, heresia, palavrão



Só para deixar aqui registado, porque ainda foi há pouco tempo e por isso ainda tenho a certeza que é verdade: os pastéis de Belém da Fábrica dos Pastéis de Belém não foram os melhores pastéis de nata que comi na vida.




S.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Ele há coisas... #36

Ena, ena, nunca tinha visto isto no estrangeiro!

                       

Bacalhau escrito como "bacalhau" (e não "bacalao" ou "morue" ou outra estranheza qualquer) e seco e salgadinho como deve ser.

Emocionei.

Vamos esquecer o pormenor de que encontrei isto num folheto de supermercado em que o mês é dedicado à Itália, está-se mesmo a ver, é sul da Europa é tudo igual, qualquer dia acham que um dos pratos tradicionais portuegueses é a pizza. Isto há-de ir lá, devagarinho mas vai.



S.
                                                    

sábado, 30 de março de 2013

Barcelona, you're doing it wrong

Muito por acaso, apanhei um mercado enorme em Barcelona, daqueles mesmo bons, tradicionais e enormes, com bancas de todos os vegetais, frutas, peixes, queijos, carnes e enchidos que se possa imaginar. Não tem o caos do mercado do Midi, aqui de Bruxelas, nem a ordem do mercado de Loulé (por alguma razão, o mercado português que está mais vívido na minha memória), mas é labiríntico como nenhum destes dois e com uma variedade que me espantou francamente.

Enquanto por lá cirandava, uma banca de bacalhau chamou-me a atenção. Pensei: "Olha, que curioso, os espanhóis também apreciam bacalhau, não sabia." Até que me aproximei e vi melhor: 





Postas de bacalhau fresco, com uma grande camada de sal por cima, no que eu desconfio ser uma tentativa muito esforçada mais muito fail de produzir um bacalhau igual ao português.

Soltei uma gargalhada sarcástica e meio arrogante porque é sempre a mesma coisa. Todos tentam mas ninguém consegue ter bacalhau como em Portugal. Não, senhores barcelonenses, não é assim que se faz. O bacalhau tem que ser seco; não é só espetar um monte de sal por cima e esperar pelo melhor. Eu sei, eu já tentei... 

Corei um bocadinho quando me lembrei disto. No Natal londrino, numa tentativa um bocado desesperada de ter o tradicional bacalhau à mesa da ceia natalícia, comprei as típicas postas de peixe fresco e no dia anterior salguei-as como se não houvesse amanhã. Remediou, mas não é de todo a mesma coisa.

Por isso, vá, se é para vender tem que se fazer como deve ser; isso não engana ninguém, sim?



S.

sexta-feira, 22 de março de 2013

So far, so good


Clima soalheiro do bom:



Check.

Comida mediterrânica barata e de chorar por mais:


Check.

Caramba, tinha-me esquecido - outra vez - do que é uma cidade como deve ser. E de que há mesmo uma diferença entre o pessoal do Norte e o pessoal do Sul. Gente bem mais afável e extremamente mais relaxada. 



S.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Haggis a quanto obrigas

Embora seja muito picuinhas com a comida e a bebida, demore a habituar a novos paladares e só agora me esteja a habituar aos legumes não cozinhados, gosto de provar novos pratos. Lendo muito atentamente as descrições dos ingredientes que contém e fazendo cálculos mentais complexos no sentido de apurar a probabilidade de aquela nova comida ser satisfatória às minhas papilas gustativas, consigo aventurar-me por sabores diferentes.

Claro que a Escócia não tem paladares fundamentalmente diferentes do que uma portuguesa está habituada. Há carne, há. Há batata frita, há. Há puré, há. Há legumes cozidos, há. Daí que a probabilidade de eu gostar do que provaria já era à partida de 50%.

Só havia um prato escocês que me saltava à memória como especificamente tradicional: o haggis. O que eu já tinha ouvido por alto e os bleurcs quase instantâneos ao proferir da palavra "haggis" não me deixaram muito confiante. Tinha ideia que aquilo era uma espécie de iscas, fígado de porco ou vaca ou assim misturado com mais qualquer coisa. Quando a fome apertou e após várias horas de andar de um lado para o outro, decidi entrar num pub e espreitar o menú. Li a tal descrição detalhada e pensei: "tem puré, quão mau pode ser isto? Se não gostar como a batata, pronto". Nervosita, esperei que me trouxessem um prato de iscas a fumegar. Qual não foi o meu espanto quando me trouxeram isto:



Não estava à espera de gostar. Tanto. Esperava tolerar, ir comendo e não aguentar mais o sabor estranho/nojento, mas nunca pensei gostar mesmo. Ou isso ou estava mesmo com muita fome. De qualquer forma, aquilo era-me familiar. Sabia a sheperd's pie, um prato que comi várias vezes em terras da rainha e que é muito parecido com o vulgo empadão.

Dito isto, fico contente por não ter lido antes de comer a descrição de haggis que a wikipédia apresenta: "Haggis is a savoury pudding containing sheep's pluck (heart, liver and lungs); minced with onion, oatmeal, suet, spices, and salt, mixed with stock, and traditionally encased in the animal's stomach and simmered for approximately three hours."

Coração, fígado e pulmão de ovelha?? Cebola?? Suet?? (não sei o que é e temo ir procurar...) Fechado dentro do estômago da ovelha??? 

... Pensando bem não é muito pior que chouriço.

No dia seguinte foi a vez de uma ale pie. Mais uma vez, a presença de puré deu-me coragem para provar. O facto de ser uma espécie de empada alegrou-me a vista e o paladar pois fez-me lembrar as adoradas cornish pasties, empadas maravilhosas que funcionam ótimamente como fast food alternativa. A ale pie tinha carne picada por dentro, muito saborosa. Com o molho aconteceu o que é normal: provo, é satisfatório ainda que diferente, e depois acaba-se a embalagem a meio porque aquilo começa a ficar desagradável. Acho que é ali que entra o ale. Porque aquele molho sabia ao cheiro dos pubs. Ainda bem que vinha separado.



Ainda provei uma sopa que era um cruzamento entre peixe e tomate, muito espessa e saborosa, mas que não teve direito a fotografia. Acho que é o que eles chamam o broth, um caldo que parece que tem pão lá dentro.

Não provei whisky mas isso dispenso. Provei chá mas não foi nada de especial (cada vez mais difícil de contentar neste campo).



S. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Há coisas que devem ser partilhadas

Ontem vi um mito ser desfeito mesmo ao meu lado: há mesmo pessoas que vomitam em aviões.

Pensei que aqueles saquinhos que a TAP fornece na parte de trás dos assentos fossem mera cortesia.

E eu que pensava que os senhores da limpeza a retirarem uma nhanha preta da esfregona mesmo à minha frente, e a comentarem, galhofeiros, que aquilo podia ser cabelos ou outra coisa (hint, hint...), enquanto eu comia a minha fatia de pizza, tinha sido o auge da nojice do meu dia. 





S.

domingo, 22 de julho de 2012

As mal-disfarçadas saudades de Inglaterra

Diz muito sobre a cidade onde vivo o facto de chegar a um pub inglês e salivar por tudo o que encontro na ementa, incluindo quando me apresentam isto:


Os preços - tudo abaixo das cinco libras e portanto metade do normal aqui em Bruxelas para qualquer refeição fora - quase acrescentaram lágrimas de felicidade aos pensamentos de vegetable and chicken pies, English breakfasts, seafood paellas, e outras bombas calóricas semelhantes.

E água engarrafada que não sabe a água da torneira.

E carros a circular pela esquerda.

E libras e pennies na carteira.

E sotaque cerrado Manchurian.

E adaptadores para tomadas novamente precisos (mas que ficaram em casa).

E chá servido com leite.

E Boots, Primarks, Tescos, Sainsburies, River Islands, Topshops, lojas da Disney, Debenhams...

E estações chamadas Piccadilly e Victoria.

E autocarros vermelhos de primeiro andar.

E maçanetas que rodam para a esquerda para abrir portas.

E chocolate quente do Costa.

E hotéis e pubs alcatifados até à entrada da casa de banho, onde dá para ir de pantufas até à receção.

E chuva e 14 graus de máxima em pleno julho, ansiando por um cachecol.

E uma viagem de regresso de céu incrivelmente limpo que me permitiu atravessar o Canal da Mancha e ver, pequeninas mas distinguíveis lá embaixo, as White Cliffs of Dover.

E saber, porque vi com estes dois que a terra há-de comer (adoro a expressão) quão perto estamos mas quão claramente separada a ilha está da Europa-mãe.



Inglaterra, como me fazias falta!



S.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O mercado do Meio-Dia

Ganhámos um novo hábito.

Após quatro meses de muito estrebuchar que as compras de supermercado são muito caras, que a variedade é pouca, que vegetais e fruta custam os olhos da cara e não são nada de especial, de termos descoberto um mercado semanal a dois passos de casa mas depressa concluir que as leguminosas custam o dobro do já caro supermercado, e de estrebuchar mais um bocado, descobrimos o mercado da Gare du Midi.

A Lonely Planet diz que é o maior mercado da Europa (e eu não disputo porque nunca vi nenhum maior - o de Camden não conta porque não é de legumes). Fica mesmo encostado à estação mais importante de Bruxelas, a Gare du Midi, que nos era familiar porque foi a nossa porta de entrada no país e já se tornou portal de idas e vindas para o resto da Europa. 


Serpenteia pelas ruas adjacentes e por debaixo do grande viaduto da estação - frequentemente se sentem e ouvem os comboios a passar por cima - e é enorme. Enorme e muito frequentado.

Da primeira vez que o visitámos, fomos a medo. Eu, apesar do que colegas me tinham dito, ía muito cética. "Legumes e fruta a preços razoáveis e em grande quantidade, aqui em Bruxelas?... Peixe fresco??" Ao sair da estação, como nos deparamos logo com a parte das roupas, calçado e afins, o meu ceticismo saiu reforçado. Mas quando virámos a esquina, caminhámos por debaixo do viaduto e entrámos na zona dos legumes, aí não houve outra reação que não o suspiro de "Finalmente!".

Vale bem a pena aguentar os encontrões, os apertos, o passo em caracol, as fintas aos cotovelos e ombros alheios e a gritaria geral própria de um mercado. Porque eu nunca vi tanta variedade de produtos hortícolas num só espaço. E o peixe fresco também se confirma! Da primeira vez, um polvo foi a única coisa que comprámos. Era a única saudade gastronómica que apertava e, quando o vi, fresquinho em cima da banca de gelo, não hesitei (quis armar em esperta e pedir em francês; não sabendo como se dizia polvo arrisquei um "octopus" porque me parecia perto do latim o suficiente para servir a uma língua latina, mas afinal era "poulpe" - tão parecido com português que logo me envergonhei. Daí que já tenha uma teoria em relação à língua francesa: na dúvida, joga-se a palavra portuguesa que há fortes probabilidades de ser a correta ou muito próxima).

Da segunda vez, já fomos munidos do carrinho de compras para abastecer o frigorífico das verduras para a semana inteira (o mercado do Midi é só ao domingo de manhã. O que complica a transformação da ida esporádica ao mesmo num hábito; são muitos trade-offs: levantar cedo e ir ao mercado ou ficar na caminha; enfrentar a multidão e trazer carrinho cheio de legumes ou contentar com a pouca escolha do Lidl... Difícil, muito difícil). O carrinho veio cheio para casa. Não comprámos mais nada porque o D. olhava incrédulo o meu entusiasmo e interrogava em voz alta como é que tudo aquilo ía caber no nosso mini-frigorífico. 



Resultado: descobri o prazer de cozinhar legumes frescos e até já me aventuro a provar saladas (devagarinho que isto é animal de lenta habituação).

Resultado 2: descobrimos o prazer de substituir bolachas e M&Ms por fruta, e portanto a que trouxemos não durou nem até meados desta semana. Eu defendo que o mini-frigorífico, bem arrumadinho, aguenta com o dobro das verduras que trouxemos...

Conclusão: sim, Bruxelas, de quando em vez, lá me consegue surpreender. E a nossa vida aqui vai-se tornando aos poucos mais inteira.



As fotos são todas cortesia do Google Images porque a lei da sobrevivência e integridade física impede-me de sacar da máquina com toda a calma e pensar sequer em tirar fotos ao que vejo.


S.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Normandia, a saborosa

Finalmente, um sítio onde se come bem!


Diz que é uma Ilha Flutuante. O que fomos descobrir...

Clássicos profiteroles

Frango assado (ainda assim a coisa mais cocó que comemos. Não há frango assado como o português...)

A melhor pizza da vida. Tinha natas, ovo estrelado, queijo Camembert, batata e bacon. A minha barriga ía explodindo.

Escalopes de perú à Normando (no fundo, bifinhos com cogumelos)

Uma comida que começa com Bis... Bistrosse ou Bistrot. Era bom, pronto.

Jambom (do bom)

Macarrons gigantes de todas as cores

É veau... Que eu ainda não me dei ao trabalho de ir ver mas acho que é carneiro

Ainda estou com água na boca dias depois das minhas papilas gustativas terem voltado a sorrir (bonita imagem mental). Vivendo numa cidade ridiculamente cara e cuja gastronomia se resume a batata frita com maionese por cima, quase chorei de alegria por estar numa terra com comida variada, cozinhada com cuidado e imaginação e sem se pagar este mundo e o próximo por ela.

Graças à guia que nos levou às Praias, ficámos a saber que as vacas da Normandia são muito boas para leite e a sua carninha é da melhor que há, consequência de terem erva fresca todo o ano (a chuva constante daquela terra havia de ter uma vantagem). Também graças a esta normanda muito entusiástica pela sua terra natal, ficámos a saber que na Normandia não se produz vinho (demasiado frio) mas maçãs há com fartura. Daí que a bebida regional seja a Cidra de Maçã, que tem de ser bebida após 15-20 anos de maturação sob pena de se apanhar uma piela ao primeiro gole. Enchi-me de coragem e numa das refeições pedi uma garrafinha. Molhei o bico e não gostei (para variar). O D. diz que sabe a cerveja. Eu acredito.


Também com maçã provámos um gelado, esse muito bom. Tinha um creme chamado Beurre du Sucre, maçã quente caramelizada, caramelo líquido, chantilly e uma bola de gelado. Que maravilha, senhores!... O objetivo agora seria o de tentar imitar, mas isso era preciso paciência para a culinária, que é coisa que não abunda por estes lados.




S.