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domingo, 22 de julho de 2012

As mal-disfarçadas saudades de Inglaterra

Diz muito sobre a cidade onde vivo o facto de chegar a um pub inglês e salivar por tudo o que encontro na ementa, incluindo quando me apresentam isto:


Os preços - tudo abaixo das cinco libras e portanto metade do normal aqui em Bruxelas para qualquer refeição fora - quase acrescentaram lágrimas de felicidade aos pensamentos de vegetable and chicken pies, English breakfasts, seafood paellas, e outras bombas calóricas semelhantes.

E água engarrafada que não sabe a água da torneira.

E carros a circular pela esquerda.

E libras e pennies na carteira.

E sotaque cerrado Manchurian.

E adaptadores para tomadas novamente precisos (mas que ficaram em casa).

E chá servido com leite.

E Boots, Primarks, Tescos, Sainsburies, River Islands, Topshops, lojas da Disney, Debenhams...

E estações chamadas Piccadilly e Victoria.

E autocarros vermelhos de primeiro andar.

E maçanetas que rodam para a esquerda para abrir portas.

E chocolate quente do Costa.

E hotéis e pubs alcatifados até à entrada da casa de banho, onde dá para ir de pantufas até à receção.

E chuva e 14 graus de máxima em pleno julho, ansiando por um cachecol.

E uma viagem de regresso de céu incrivelmente limpo que me permitiu atravessar o Canal da Mancha e ver, pequeninas mas distinguíveis lá embaixo, as White Cliffs of Dover.

E saber, porque vi com estes dois que a terra há-de comer (adoro a expressão) quão perto estamos mas quão claramente separada a ilha está da Europa-mãe.



Inglaterra, como me fazias falta!



S.

sábado, 7 de abril de 2012

O túnel da Mancha

Este assunto, que é ainda uma continuação do post anterior, merece um post à parte. Isto porque tem que ver com algo que há muito brinca com a minha imaginação.

Ora bem, já sabia algumas coisas sobre o túnel do Canal da Mancha antes da passagem do D. por lá, mas havia muita coisa que era ainda nebulosidade no meu conhecimento:

- Sabia que é um túnel que liga a parte mais estreitinha de mar entre França, ou a Europa continental, ao Reino Unido, mais ou menos Calais-Dover;

- Sabia que tinha sido inaugurado em 1994 (!! menos de 20 anos!) e que é tão novinho devido às desconfianças que os britânicos mantiveram durante muito tempo em relação a ter uma ligação terrestre com a Europa continental - assim seriam muito mais fáceis de atacar militarmente. Tendo em conta que foi o facto de serem uma ilha que os livrou de uma invasão Nazi e de uma invasão Napoleónica, e que é uma ilha que não é conquistada por ninguém desde 1066, percebe-se as reticências;


- Sabia que aquilo tem dois túneis, um para passarem comboios - o Eurostar - e outro para passar o trânsito rodoviário.

Mas outras coisas faziam-me coceguinhas no pensamento: será que é tudo escuro? Será que demora muito tempo a atravessar? Será que se veem as famosas White Cliffs of Dover, como quando se atravessa no ferry Calais-Dover (uma das viagens que me ficou encravada por não ter feito)? Por isso chateei as pessoas que conheço que já atravessaram o túnel com a pergunta "Mas o que é que se ?" Ninguém me soube dar uma resposta satisfatória.

Claro que desta vez com o D. a ir a Londres de expresso a oportunidade era boa demais para me escapar. Bombardeei-o com perguntas até a minha curiosidade estar satisfeita, tanto durante a sua viagem como quando cá chegou (sem nenhuma foto, a blasfémia!).

Há um controlo de fronteira, essa foi a primeira coisa. A minha surpresa tornou-se num revirar de olhos impaciente quando me lembrei que os britânicos não estão no espaço Schengen, o espaço europeu onde se pode viajar de um lado para o outro sem controlos de fronteiras. Ali, há, e a espera que se gera para fazer o "check-in" não é pouca.

Mas a grande surpresa veio depois. Parece que a espera é ainda mais demorada porque os carros/autocarros/camiões entram para dentro de contentores sobre carris (!!!) que transportam os veículos do continente para a ilha e vice-versa.



Ou seja, não há estrada, apenas carris. Os veículos vão muito bem sossegadinhos dentro destes contentores que demoram 40 minutos a atravessar o túnel.




Dado o meu grande interesse neste túnel, não faço ideia porque é que nunca me dei ao trabalho de o ir pesquisar no Google. Mas ainda bem que não. O sistema dos contentores foi bem mais interessante e surpreendente - com direito a olhinhos esbugalhados e brilhantes e boca aberta de surpresa - quando explicados por quem já o experimentou.

Se bem que a ausência de fotos ainda não perdoei completamente... Se não fosse o chocolate quente estava lixada.



S.