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terça-feira, 8 de abril de 2014

Isto nem é uma metáfora feminista mas podia ser

Notei há uns tempos, por puro acaso, que após uma corrida longa não há nada melhor do que andar de saltos altos.







(Alonga as palmas dos pés. Quem diria...)



S.

terça-feira, 18 de março de 2014

Sexismo onde menos se espera #2

Uma pessoa fêmea vai levantar a t-shirt oficial da meia-maratona a que tem direito. Em não havendo o seu tamanho nem o acima, decide levar a t-shirt reservada ao outro sexo porque dessas há das pequeninas. Uma pessoa diverte-se com a cena que está a acontecer mesmo ao seu lado em que um distribuidor de t-shirts tanta convencer uma pessoa macho a fazer o mesmo e a levar a t-shirt do outro sexo porque já não há o seu tamanho nem perto das para machos. Uma pessoa começa a ficar estupidamente consciente das suas raízes feministas quando a pessoa macho até leva as mãos à cabeça em dramatismo quando o distribuidor de t-shirts, ainda a tentar convencer que as t-shirts não são assim tão diferentes diz “ela nem parece de mulher, acredite, quem não souber que era para mulher nem vai adivinhar”. Uma pessoa decide instigar um bocadinho de bom-senso naquela cena e declara meio a sério, meio a brincar (o bom senso tem que ser instigado meio a brincar porque egos masculinos destes são frágeis) um “Eu vou levar uma t-shirt de homem porque também não havia o meu número. E não me importo.” seguido de sorriso convencido. Os distribuidores de  t-shirts juntam-se num coro de “pois”, e “exato”, e “está a ver!” mas eu lanço outro sorriso satisfeito e vou-me embora antes de saber se a pessoa macho desceu ao nível de aceitar a t-shirt de pessoa fêmea ou não. Porque é disto que se trata, não é? Da vergonha. A vergonha instigada desde muito cedo que fazer coisas de gaja é degradante, des-masculinizador, quase um crime. Vou constatando agora, que até para certas mulheres o é. Uma atitude muito “eu sou gaja mas não sou «dessas» gajas”. Isto não é igualdade. É o contrário de igualdade porque é a demonização de tudo o que é estereotipicamente feminino. Considerado mau porque, lá está, tem o cunho do “feminino”.

Para mim, e suspeito que para a maioria da população feminina, usar uma camisola de homem não é nenhum problema. Às vezes até aparecem aquelas peças de roupa que se chamam “boyfriend cardigan” ou “boyfriend jeans” e assim. Uma mulher usar calças é aborrecidamente banal e absolutamente nada digno de nota. E um homem usar uma saia? Nop, não é possível. Quem usa saias são as mulheres.

Isto sem entrar na questão de para que raio é que se tem que diferenciar tudo segundo o género. Para quê que hão de criar uma t-shirt para mulheres e uma t-shirt para homens para uma corrida? É a porcaria de uma corrida, o objetivo é ser confortável e ir tudo de igual, não é nenhum desfile de novas tendências. E ainda se poupavam problemas de tamanhos a mais num modelo e tamanhos a menos noutro.


Eu acabei por levar a minha t-shirt preferida, uma coisa muito verde fluorescente, muito (da seleção) portuguesa, muito de homem, mas que me serve como nenhuma outra, orgulhosamente oferecida pela cara-metade. Garanto que os meus ovários ainda funcionam.






S.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Minimalismo: nível IV - continuação

Desde que abri os olhos para os grupos de venda de coisas em segunda-mão que passei a olhar para compras de outra maneira. Percebo cada vez menos a vantagem de comprar novo, de entrar em lojas para ver que novidades há, de gastar o triplo para ter o prazer de estrear algo (eu sou muito, muito, muito, muito forreta. Mas muito.) As minhas montras são neste momento dois ou três grupos de Facebook de roupa em segunda mão aqui em Bruxelas, e mais dois ou três de móveis/acessórios/afins também já usados. Na altura que os descobri tinha era pena de ter já feito a triagem em Portugal e tudo o que tinha cá ser apenas o mínimo. Andei a observar tudo o que aqui está que era nosso (a casa foi alugada já mobilada, portanto, tirando roupa, não era muito) com o olhar impiedoso de quem abomina o desperdício e o hoarding para ver se algo estava acima da linha do mínimo*. Sem sucesso.

Entretanto passou um ano. A perspetiva de mudança para um estúdio sem armários está a implicar muitos cálculos de cabeça sobre até onde pode ir um armário de três portas versus uma casa pequenina, mais a tralha roupal de duas criaturas humanas. O total deu: não vai muito longe.

Por isso, numa espécie de fúria minimalista e anti-material, despejei o meu roupeiro em cima da cama e botei olho implacável novamente sobre tudo o que era meu. O resultado foi um saco azul de Ikea a abarrotar pelas costuras e quase metade dos sapatos fora. Fora, salvo seja, porque decidi dar uma segunda oportunidade a toda a roupinha boazita e uploadá-la nos benditos Facebooks de segunda mão. 
   



Já vendi umas coisas - mais do que estava à espera, para dizer a verdade - e estou a fazer figas para que mais algumas lhes sigam o caminho. Daqui a uns dias, o que restar vai direitinho às Oxfams desta terra (onde também já lá comprei roupa). 

Não esqueço o alívio que foi arrumar de volta no roupeiro apenas as coisas que realmente uso e vê-lo tão limpinho e leve. Entretanto o alívio desvaneceu-se quando vi que duas malas grandes não chegaram para arrumar toda a minha tralha tecidal, mas penso sempre pelo meio do desânimo que podia ser pior, três podiam não ter chegado. 

Gosto muito de saber que as nossas mudanças se fazem de um dia para o outro, literalmente, e que raízes não as criamos em lado nenhum, e voar é sempre que apeteça. Materialmente falando, estamos desprendidos de Bruxelas, como estávamos de Portugal, como estivemos de Londres. E agora siga para outro canto da cidade.



S.


* Se bem que, defina-se "mínimo". Temos cá duas mantas que não devem ter custado mais de 5 libras na Primark mas que nos andam a seguir pela Europa fora há três anos... Porquê, não sei bem. São mesmo muito fofinhas, macias, e gostava de dizer que cheiram a casa para isto ficar mais sentimental mas não cheiram; quando muito cheiram a amaciador nos dias imediatamente a seguir a serem lavadas. E por falar em amaciador, há um, o Comfort azul, cujo cheiro nos despoleta a memória de quando começámos a viver juntos em Londres e esse sim, tem cheiro a casa. Mas cá não há, portanto as mantas não cheiram a casa. A última vez que fomos a Londres - e abençoado comboio sem a mariquice dos líquidos - a única coisa que trouxemos da cidade como prenda foi uma embalagem de Comfort azul comprada numa Boots qualquer. É este o nosso nível de loucura pelo dito detergente. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Inverno, qual inverno?

Hoje cobri-me dos pés à cabeça de quentura. Ele era gorro, ele era cachecol de metro e meio, ele era casacão, luvas, botas de pêlo.

Mas parece que ainda não está assim tanto frio.





S.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Mas que mediterraniedade vem a ser esta...



Não, a sério, isto tem de parar.

Estamos em abril. Isto é Inglaterra, não um país tropical. E, pronto, tirando a chuva que parece que nos aguarda na 6a feira, 25 graus para cima nem no verão de cá... E mesmo a chuva pode ser considerada anomalia visto que vão estar 24 graus. 24 graus?! Com chuva!

Primeiro foram as temperaturas a rondar os 20º que duraram outubro adentro... Depois foi a escassa chuva que apanhei no inverno. Agora isto! Não gosto destas anormalidades climáticas. Nem de temperaturas
acima de 20º. Mas isto sou eu que não aprecio transpirar que nem uma porca quando tenho atividade mental para desenvolver.

Eu não tenho roupa de verão aqui! Desculpem se não pensei em trazer calções, saias e biquinis quando fiz as malas para vir viver para Londres. Além disso, a minha casa tem uma quarta parede que basicamente é uma janela, portanto, nada bom para ter sol a bater durante horas. Uma janela que não se abre, ainda para mais.

Portanto senhores do tempo, vejam lá isso. Sei que não é vossa a culpa mas vocês devem ter contatos lá em cima, façam favor de agir porque isto assim não dá. Ontem tive de ir comprar gelados. Gelados! Vejam ao ponto a que isto chegou e tenham vergonha.




S.