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domingo, 14 de setembro de 2014

Este é mais um post sobre malas feitas



Mais uma mudança, mais uma foto de malas feitas. Tinha grandes desígnios de atingir um nível de minimalismo quase perfeito desta vez mas acho que não foi atingido. O volume continua a ser praticamente o mesmo.
 
Com morada já certa - novidade desta mudança! - amanhã vou ter a experiência surreal de enviar encomendas para mim mesma, contando lá chegar primeiro do que elas.





S.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Minimalismo: nível IV - continuação

Desde que abri os olhos para os grupos de venda de coisas em segunda-mão que passei a olhar para compras de outra maneira. Percebo cada vez menos a vantagem de comprar novo, de entrar em lojas para ver que novidades há, de gastar o triplo para ter o prazer de estrear algo (eu sou muito, muito, muito, muito forreta. Mas muito.) As minhas montras são neste momento dois ou três grupos de Facebook de roupa em segunda mão aqui em Bruxelas, e mais dois ou três de móveis/acessórios/afins também já usados. Na altura que os descobri tinha era pena de ter já feito a triagem em Portugal e tudo o que tinha cá ser apenas o mínimo. Andei a observar tudo o que aqui está que era nosso (a casa foi alugada já mobilada, portanto, tirando roupa, não era muito) com o olhar impiedoso de quem abomina o desperdício e o hoarding para ver se algo estava acima da linha do mínimo*. Sem sucesso.

Entretanto passou um ano. A perspetiva de mudança para um estúdio sem armários está a implicar muitos cálculos de cabeça sobre até onde pode ir um armário de três portas versus uma casa pequenina, mais a tralha roupal de duas criaturas humanas. O total deu: não vai muito longe.

Por isso, numa espécie de fúria minimalista e anti-material, despejei o meu roupeiro em cima da cama e botei olho implacável novamente sobre tudo o que era meu. O resultado foi um saco azul de Ikea a abarrotar pelas costuras e quase metade dos sapatos fora. Fora, salvo seja, porque decidi dar uma segunda oportunidade a toda a roupinha boazita e uploadá-la nos benditos Facebooks de segunda mão. 
   



Já vendi umas coisas - mais do que estava à espera, para dizer a verdade - e estou a fazer figas para que mais algumas lhes sigam o caminho. Daqui a uns dias, o que restar vai direitinho às Oxfams desta terra (onde também já lá comprei roupa). 

Não esqueço o alívio que foi arrumar de volta no roupeiro apenas as coisas que realmente uso e vê-lo tão limpinho e leve. Entretanto o alívio desvaneceu-se quando vi que duas malas grandes não chegaram para arrumar toda a minha tralha tecidal, mas penso sempre pelo meio do desânimo que podia ser pior, três podiam não ter chegado. 

Gosto muito de saber que as nossas mudanças se fazem de um dia para o outro, literalmente, e que raízes não as criamos em lado nenhum, e voar é sempre que apeteça. Materialmente falando, estamos desprendidos de Bruxelas, como estávamos de Portugal, como estivemos de Londres. E agora siga para outro canto da cidade.



S.


* Se bem que, defina-se "mínimo". Temos cá duas mantas que não devem ter custado mais de 5 libras na Primark mas que nos andam a seguir pela Europa fora há três anos... Porquê, não sei bem. São mesmo muito fofinhas, macias, e gostava de dizer que cheiram a casa para isto ficar mais sentimental mas não cheiram; quando muito cheiram a amaciador nos dias imediatamente a seguir a serem lavadas. E por falar em amaciador, há um, o Comfort azul, cujo cheiro nos despoleta a memória de quando começámos a viver juntos em Londres e esse sim, tem cheiro a casa. Mas cá não há, portanto as mantas não cheiram a casa. A última vez que fomos a Londres - e abençoado comboio sem a mariquice dos líquidos - a única coisa que trouxemos da cidade como prenda foi uma embalagem de Comfort azul comprada numa Boots qualquer. É este o nosso nível de loucura pelo dito detergente. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Minimalismo - nível IV

É oficial, vamo-nos mudar. Só de casa, quando muito de comuna, mas ainda assim estou muito entusiasmada. É uma coisa mais pequenina por isso teremos que ser criativos na arrumação. É para isso que o Ikea existe. Sinto-me como se estivesse a jogar Sims, modo compra, e sem batota. Assim tenho um número reduzido de peças para as quais posso olhar porque quero manter os cordões da bolsa firmemente apertados e não há cá "motherlode"* para ninguém. Isto da decoração ultra-funcional em espaços pequeninos tem o seu quê de desafiante.

Entretanto descobri a Amazon versão loja de móveis e pronto, fiquei com os meus problemas resolvidos. Especialmente a alemã; ninguém nem nada consegue bater a Amazon.de nos preços e na quantidade de escolha. Nem mesmo o Ikea. Btw, o Ikea é mais caro em Portugal do que na Bélgica. Não sei como é possível, mas estive a comparar os mesmos produtos e por vezes havia diferenças de 10, 20 euros (em 100). Não sei que tipo de contas é que os senhores ikeianos andam a fazer para estabelecer preços mas ajustados ao poder de compra não são de certeza.

Entretanto o verão chegou a Bruxelas. Primeiro a medo, mas agora parece que vem aí uma semana de temperaturas máximas nos 21-22º. Ainda não me aventurei de manga curta porque isto uma pessoa tem que ir com calma e ainda estou traumatizada por ter visto nevar no fim de abril. Daqui a pouco mais de um mês volto a Portugal por uns dias valentes e quero saber o que é isso de "ir à praia" ou "o mar". Apagou-se-me da memória ambos.




*para quem nunca jogou Sims, motherlode era o código que se introduzia para aumentar o orçamento familiar em 10 mil ou 50 mil simliões. Assim, do nada. Dava muito jeito, pois claro.




S.

sábado, 3 de março de 2012

Quase lá(r)

Já temos uma morada. Com direito a número de porta, nomes na campainha e na caixa de correio (nota mental para lá os colocar) e chaves.

Para minha grande surpresa, fui informada ontem que é obrigatório por lei belga uma pessoa registar-se na Comuna onde vive, sob pena de ser multada. Uma vez feito o registo, o polícia da zona vai ver se o nome que está na campainha corresponde ao que está registado, e é frequente tocarem à campainha para indagar sobre os residentes. Raio de controlo...

Agora, é tornar a casa em lar: desfazer as malas, arrumar tudo direitinho, compras de primeiro abastecimento, dispor os móveis ao nosso gosto. E devagarinho ir acrescentando uma coisinha ou outra à decoração e funcionalidade da dita cuja. O único senão é a incerteza sobre a duração da estadia, que impede  o investimento emocional e monetário que a casa merecia.

Ainda assim e até agora, estou bastante feliz com o resultado.



S.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Primeiros dias, primeiras impressões

É sempre assim: os primeiros dias nunca têm fotos a gravá-los para a posteridade. A incerteza quanto à morada,  o andar atarantado pela cidade desconhecida, a procura incessante de casa e as malas às costas implicam que apeteça tudo menos sacar da máquina e fotografar o que se vê pela primeira vez. A mentalidade do "tenho tempo" também ajuda a adiar as fotos.

A sensação de descoberta é para ser aproveitada. Afinal, só se veem as coisas pela primeira vez uma única vez. E fotos há-as no Google.

Com casa já garantida e data de mudança marcada já dá para respirar e saborear melhor a cidade que vai ser a nossa casa pelo menos nos próximos cinco meses. Tudo gira à volta desse ponto que é a nova morada: o caminho que se faz todos os dias, a paragem de metro/autocarro/tram onde se espera o transporte, o supermercado onde se faz as compras, a loja de lavar-roupa onde se irá - pela primeira vez - pôr roupa a lavar. Por isso ontem o dia foi de passear calmamente e à deriva pela zona onde iremos viver. O que se viu, gostou. É uma zona calma mas central, com muito comércio, pracetas agradáveis e até uma igreja antiga. Deparámo-nos com um mercado de rua numa dessas pracetas, e o passeio tomou proporções mais agradáveis ainda, por entre os cheiros das comidas de barraquinha (incluindo as gauffres de cá, que já vão sendo lanche regular), as cores vivas de legumes e frutas variadas, e até talhos e peixarias ambulantes.

Hoje foi o primeiro dia de trabalho. O estágio no Parlamento ganhou finalmente uma dimensão real na minha cabeça, como eu sabia que só estando lá, conhecendo colegas e supervisores, ía acontecer. Ainda estou um bocado, hmm, overwhelmed, nem que seja pelo sítio em si, mais diverso do que eu podia pensar, com mais gente, mais línguas, mais movimento  e mais labiríntico do que eu o imaginava. Os pés têm de se manter bem assentes na terra, ao deslumbre sou dada com alguma facilidade, e a UE já tem o espacinho no meu coração e imaginação que se sabe. São estas as impressões dos primeiros dias.






S.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Eu tenho dois amores (NOT): malas e mudanças

A mês e meio de mudança o tempo de ver casas chegou, chatice só superada pelo tempo de fazer as malas. Eu que gostava tanto de uma coisa e de outra acho que perdi o entusiasmo por ambas.

Fazer malas, o que antes me suscitava sempre a antecipação por algo novo, um sítio diferente, o fugir da rotina, o desconhecido, hoje encaro como um aborrecimento necessário para poder sobreviver com algum conforto noutro sítio qualquer. A verdade é que após duas experiências de empacotamento de coisas tendo em vista um meio de transporte com limite de carga, de muitas escolhas feitas sobre o que é essencial (que é sempre subjetivo - livros sobre a UE eram essenciais há um ano e meio para Londres e desta vez já não são) - tornei-me especialista a fazer caber numa mala o impossível. E a viver durante uns dias com o mínimo de coisas.

Quanto às casas, sempre gostei muito de espiolhar classificados de moradias, apartamentos e afins. O Sapo é uma maravilha para quem, como eu, não se importa de perder umas horas de tempos em tempos a ver espaços bonitos onde se vive. Mas quando comecei a nova ronda da vistoria de casas a sério, desta vez em Bruxelas, apercebi-me que estava a fazer aquilo já não por gosto mas por necessidade e obrigação. As casas não se descobrem sozinhas e de certeza que casa parece-me ser um daqueles bens essenciais para quem se muda para outro sítio qualquer. Diz que não dá para viver sem um telhado por cima da cabeça e paredes à nossa volta...

De maneiras que o ritual voltou:

- descobrir 2 ou 3 sites que parecem ser os que têm mais classificados de casas (agências risca-se já da lista);

- começar a ver casas na cidade para estimar a média do que podemos contar gastar por uma coisita mais ou menos;

- encaixar as nossas expectativas e o que estamos dispostos/o que conseguimos gastar por mês em renda no que existe no mercado;

- descobrir as zonas mais aconselháveis para viver (AKA as que corremos um risco assim para o reduzido de ser assaltados/baleados) ---------» MT IMPORTANTE;

- reunir uma mão-cheia de casas que corresponde aos critérios acima e começar a contactar senhorios e a marcar visitas.

Já foi tudo feito até ao último pontinho. Falta mesmo esse. Porque eu não posso contactar senhorios a dizer para me guardarem a casa com quase dois meses de antecedência. Mesmo as casas que só estão disponíveis a partir de março, não dá para me as guardarem sem qualquer espécie de sinal ou depósito. E eu não posso dar sinais ou depósitos sem ver a casa fisicamente, como é óbvio. Ao mesmo tempo torna-se arriscado começar os contactos com meia dúzia de dias de antecedência quando muitas das casas só estão disponíveis passado 1-2 meses. É um dilema que não tivemos há um ano e meio uma vez que o D. já lá estava instalado numa casa e não havia a pressa que vai haver quando estivermos a pagar noites extras em hóteis.

De maneiras que é chato. Acho que é mesmo a parte mais chata da mudança. E provavelmente a mais importante. O meu espírito controlador e organizador vai ter de hibernar um bocado até ao final de fevereiro quando se poderá realmente organizar visitas aos apartamentos e já lá estivermos fisicamente na cidade. Até lá é ir fazendo as malas para distrair.






S.

sábado, 18 de setembro de 2010

We're Londoners now

Cá estou. Finalmente. E um ano pelo menos cá nos aguentaremos.

Londres tem sido simpática comigo: está um céu mediterrânico e a chuva tem sido muito escassa. Se não contarmos com a noite em que cheguei a casa toda molhada depois de uma semi-corrida pela Bath Road abaixo. (não tenho culpa que à noite só passem autocarros de meia em meia hora....)

Depois de uns dias de intensa e stressante pesquisa de casas pela zona já temos um estúdio à nossa espera em Hounslow. 2ª feira lá nos mudamos. Até lá continuará a minha mala(zorra) por abrir e a roupa por tirar. Recuso-me a arrumar tudo novamente. E algo me diz que não conseguiria voltar a fechar a mala...

Por falar em malas... Porque será que eu precisei que os meus pais trouxessem 3 malas (uma delas de 26 kg...) além das 2 que eu trouxe antes e das outras 2 que já cá estavam, e o D. só precisou de 1 ou 2 malas quando para cá veio? Será que é essa a verdadeira diferença entre sexos, 30 kgs de bagagem? Mistificante...

Já corremos algumas partes de Londres. Westminster, Southwark, o West End e o Strand foram palmilhados por nós e pelos meus pais nestes últimos 3 dias. Muito para ver ainda.




O próximo passo é a matrícula na King's e a escolha definitiva das disciplinas. Quero estudar tudo. Tudo me parece interessante. E tenho apenas 3 disciplinas por semestre para fazer. Desapontamento por deixar matérias interessantes de lado é já uma garantia.

E logo depois está a mudança... A nossa primeira casa. Hah, o Ikea já espera por mim.


S.